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Este estudo oportunizou conduzir os profissionais de enfermagem de um CRO para uma reflexão sobre as ações que eles realizam com os PD em ME, com vistas a compreender o significado que as suas ações têm para eles como cuidadores.

Ao realizar as reflexões individuais durante as entrevistas e no final em pequeno grupo, os profissionais descrevem suas ações como sendo principalmente técnicas e rotineiras, porém, em alguns momentos eles refletem sobre as consequências de suas ações sobre o PD e o futuro receptor. Observa-se, portanto, que as ações descritas são condizentes com as ações de manutenção esperadas no cuidado a estes pacientes, ainda que os recursos materiais e humanos não sejam adequados para suprir as suas intenções de cuidado. Esta falta de condições de recursos materiais e humanos conduzem os profissionais a elaborar um significado do cuidado como um labor a mais, exigindo mais do que eles possam dar.

Os profissionais refletem sobre o seu cuidar e expressam crenças e sentimentos que dizem respeito à esperança de que seu cuidar possa salvar vidas, na medida em que, ao cuidar daqueles indivíduos já mortos, sentem que suas ações trarão um bem maior para aqueles que esperam por um órgão. Eles valorizam suas ações e expressam a não diferenciação entre um PD em ME e outro paciente grave na UTI, e assim enfatizam a humanização da assistência à família, pois entende que o consentimento a doação depende de como a família se sinta diante do processo de cuidar. Dessa forma, eles expressam o cuidado de enfermagem primordial para a manutenção do PD, contanto, que tenham participação de todos os profissionais para que tornem o processo mais humanizado.

Quanto às reflexões sobre as possíveis modificações das ações de cuidado há uma dificuldade dos profissionais em apontar aspectos de si mesmos para mudança. Percebem sua prática como boa, ainda que reconheçam que a realizam mecanicamente sem parar para refletir sobre o que estão fazendo. Isto demonstra a dificuldade que eles têm em se auto avaliar e direcionam suas sugestões de mudanças para os outros membros da equipe.

Desta forma, considera-se que o cuidado que realizam a estes pacientes é um cuidado difícil, evidenciado pelo sofrimento tanto pela situação de morte do PD e a dor de seus familiares, quanto pelas condições de trabalho citadas pelos participantes como desumanizantes, contribuindo para que eles mesmos se distanciem dos pacientes para

não sofrerem tanto.

Ainda este estudo oportunizou identificar que em suas ações de cuidado ao PD em ME os profissionais de enfermagem utilizam os conhecimentos científico, ético, estético e pessoal. No entanto, há uma predominância do conhecimento científico, seguido do pessoal.

Assim, ao orientar-se por esta metodologia para buscar respostas ao questionamento do estudo afirma-se sua eficácia como método de investigação para as situações da prática, ao mesmo tempo em que oportuniza que mais conhecimento seja acrescentado tanto aos pesquisadores quanto aos participantes da pesquisa.

No entanto, enfatiza-se a necessidade de os participantes serem bem orientados quanto ao método investigatório e suas bases filosóficas e teóricas para que compreendam a importância da reflexão e participem mais ativamente neste processo reflexivo. O método investigatório culmina com o envolvimento dos participantes no processo emancipatório ao elaborarem uma crítica acerca dos conflitos, distorções e inconsistências, à medida que oportuniza aprendizagem e mudança nas ações realizadas, para tanto, é necessário que tenham conhecimento aprofundado da metodologia.

Outro ponto importante a ser enfatizado é a necessidade de que sejam seguidas todas as fases da metodologia conforme orientados por Kim. Pois, cada uma delas tem um papel importante para construção de uma prática embasada na reflexão e o fato de ter sido suprimida a observação das ações pelo pesquisador na fase descritiva, por causa do tempo e falta de PD em ME durante a coleta dos dados, contribuiu para que lhe faltasse elementos para ajudar os participantes a refletirem sobre as suas ações, o que pode ser considerado como uma limitação neste estudo.

Contudo, ainda assim, o estudo se mostrou relevante para a prática da enfermagem na manutenção ao PD em ME, pois evidenciou conhecimentos sobre a fisiologia da ME e suas repercussões no corpo do PD, que se não identificadas e providenciadas às intervenções em tempo hábil, poderá acarretar na perda dos órgãos para a doação. Identificou os conhecimentos utilizados pela enfermagem em sua prática assistencial, e mais especificamente o significado que os mesmos atribuem ao cuidado realizado, como uma ação boa que traz satisfação quando o transplante é efetivado.

No entanto, alvitramos, que sejam feitos treinamentos com os gerentes de enfermagem e os enfermeiros de cada setor para que se instrumentalizem quanto aos passos desta metodologia e a apliquem em seu cotidiano na orientação da prática de sua equipe.

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“Mudar é difícil, mas é possível”.

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