4 PHASE CHANGE MATERIALS IN ACCUMULATION TANKS
4.6 Further work
ordem inferior
Os argumentos apresentados até aqui tornam plausível a hipótese de que a teoria brentaniana do conhecimento moral resultou imediatamente da reformulação da filosofia do psíquico de 1874, mas, como já antes anunciado, havia algo mais. Brentano encontrou outra implicação para a ética nessa nova maneira de descrever os fenômenos psíquicos. Tratava-se da possibilidade de distinção daqueles fenômenos psíquicos caracterizados pela diploseenergie (ou seja, descritos a partir das relações psíquicas primárias e secundárias) em duas novas ordens: uma superior e outra inferior. Em outras palavras, a utilização dos novos critérios de análise apresentados em 1889 indicava outra distinção possível entre as partes que constituíam um ato psíquico de juízo ou de sentimento de amor e ódio. Em função das relações entre suas partes, cada um desses dois tipos fenômeno foi distinguido em fenômeno psíquico de ordem
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superior e fenômeno psíquico de ordem inferior. Retomaremos essa proposta a partir de outro ângulo.
Segundo a teoria brentaniana de 1889, a evidência seria o traço característico do fenômeno psíquico de ordem superior, quando esse fenômeno fosse um juízo. Esse tipo de juízo explicitaria sua evidência por meio da descrição da justa relação encontrada na harmonia entre suas partes componentes, pois se tratava da descrição das relações psíquicas primárias e secundárias (diploseenergie). Ainda segundo a teoria brentaniana de 1889, a experiência análoga à evidência seria o traço característico do fenômeno psíquico de ordem superior, quando esse fenômeno fosse um sentimento. Esse tipo de sentimento explicitava sua experiência análoga à evidencia por meio da descrição da justa relação encontrada na harmonia entre suas partes componentes, pois também se tratava das relações psíquicas primárias e secundárias (diploseenergie). Isso significava que, sendo evidente, um juízo justo seria necessariamente verdadeiro. Sendo experienciado de modo análogo ao evidente, um sentimento de amor justo seria necessariamente bom. Deve ser ressaltado, no entanto, que, para Brentano, nem todo juízo verdadeiro seria um juízo conhecido como evidente. Do mesmo modo, nem todo sentimento bom seria experienciado de modo análogo ao conhecimento evidente. Assim, as definições de juízo justo e de sentimento de amor justo nos levaram a um tipo de círculo que precisou ser rompido, para que não se tornasse um círculo vicioso.
Como estratégia de análise, é preciso que nos detenhamos um pouco mais nesse ponto e que abordemos essas implicações em dois momentos.
Primeiramente, (a) analisaremos a tautologia envolvida na definição aristotélica de verdade, tal como concebida por Brentano a partir da sua descrição da atividade psíquica de juízo, apresentada em 1889. Como base nesta análise, apresentaremos o caráter tautológico da definição de bem. Nossa análise apresentará os argumentos brentanianos que sustentaram a analogia entre essa descrição da estrutura psíquica do juízo e do sentimento de amor ou ódio.
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Em seguida, (b) enfatizaremos o modo como a teoria brentaniana de 1889 se valeu da tautologia envolvida na definição de verdade para indicar os avanços epistemológicos almejados pela sua filosofia do psíquico. Em outras palavras, analisada a partir dos pressupostos da Psicologia descritiva, a tautologia envolvida na definição de verdade consistiu num avanço epistemológico pelo seguinte motivo: ela explicitava de tal modo a relação entre os elementos distinguíveis do ato psíquico de julgar com justeza (ou seja, as partes elementares constituintes das relações psíquicas primárias e secundárias) e, ao descrever esse ato psíquico, caracteriza o juízo como evidente, distinguindo-o do juízo cego.
Retomemos, então, o que disse Brentano a partir do conceito aristotélico de verdade:
Como Aristóteles, uma vez que ele declara que um juízo é verdadeiro quando tem por reunido o que é reunido, e assim por diante, nós podemos de todo modo dizer daqui em diante: é verdadeiro o juízo que afirma de alguma coisa que é, que ela é. E, nega que alguma coisa que não é, que ela seja (de modo contrário, falso, uma vez que, em vista disto que é, e disto que não, o juízo adotaria uma posição contrária) (grifo nosso).316
As considerações de Brentano acerca do sentido preciso da definição de verdade, esta concebida a partir de Aristóteles, enfatizaram o seguinte: Essa “[...] definição parece dizer muito pouco e nada além disso: um juízo é verdadeiro se ele julga um objeto de maneira pertinente, ou seja, quando ele é, diz que ele é, ou quando ele não é, diz que ele não é”317. Em
outras palavras, Brentano reconheceu que “[...] julgar verdade e julgar de
maneira pertinente parece consistir em uma simples tautologia e o restante
parece ser apenas uma explicação que se vale de expressões correlatas” 318.
Acerca dessa consideração brentaniana, é importante ressaltar que a tautologia apontada não resultava da brevidade da enunciação da definição.
316„Und so können wir denn, ähnlich wie ARISTOTELES, wenn er erklärt, wahr sei ein Urteil, wenn es
für zusammen geeinigt halte, was zusammen geeinigt sei, und wie er sich des weiteren ausdrückte, allerdings nunmehr sagen: wahr sei ein Urteil dann, wenn es von etwas, was ist, behaupte, daß es sei; und von etwas, was nicht ist, leugne, daß es sei (falsch aber, wenn es mit dem, was sei und nicht sei, sich im Widerspruch finde)“. Brentano, Franz. Wahrheit und Evidenz. p. 24.
317 „Denn in der Tat scheint jetzt gar wenig mit der Definition gesagt; nicht mehr, als wenn man sagt, ein
Urteil sei wahr, wenn es einen Gegenstand zutreffend beurteile, also, wenn er ist, sage, daß er sei, oder wenn er nicht ist, sage, daß er nicht sei“. Brentano, Franz. Wahrheit und Evidenz. p. 26-27.
318„Wahr beurteilen und zutreffend beurteilen" scheint einfache Tautologie, das übrige nichts als eine
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Além disso, o mesmo pode ser dito para a descrição brentaniana de verdade explicitada a partir dos pressupostos da Psicologia descritiva.
Esse ponto pode ser estabelecido de modo direto. Também era tautológica aquela descrição brentaniana de verdade apresentada a partir do domínio afirmativo do juízo (onde ocorre a valoração da verdade) que mostrou o juízo verdadeiro constituído de dois domínios. Por um lado, na justa atribuição de realidade (ser-real) à representação (quando ela fosse uma referência à “coisa” – ao existente). Por outro lado, na justa atribuição de irrealidade (ser-não-real) à representação (quando ela fosse uma referência à “não coisa” – ao não existente). Assim, um juízo (enquanto ato psíquico caracterizado como relação intencional secundária) seria verdadeiro se ele julgasse um objeto (ato psíquico caracterizado como relação intencional primária) de maneira pertinente. Ou seja, se diria que ele é (real) quando o objeto é (ou seja, é caracterizado por uma relação intencional primária que se refere a um correlato existente). Ou, ainda, se diria que ele não é (real) quando o objeto não é (ou seja, é caracterizado por uma relação intencional primária que se refere a um correlato não existente). Como apontamos anteriormente e destacamos novamente na citação a seguir, consideramos que havia uma analogia direta entre a estrutura do juízo e a estrutura do sentimento, pois a definição de bom como o amor justo e o amor de maneira pertinente também consistia em uma tautologia análoga:
Assim, uma vez que nós amamos o bem ou odiamos o mal, ou, ao contrário, se nós odiamos o bem ou amamos o mal, nós podemos declarar justo ou injusto um amor ou um ódio. Além disso, (nós podemos dizer) que no caso de um ato justo, nossa atividade sentimental corresponde ao objeto, está de acordo com seu valor. E, por outro lado, ela o objeta no caso do ato contrário, está em desarmonia para com seu valor.319
Brentano considerou que o modo de relação intencional específica dos juízos e dos sentimentos, descrito a partir das relações psíquicas primárias e secundárias (diploseenergie), constitui o ponto convergente entre as
319 „So können wir sagen, richtig oder unrichtig sei ein Lieben und Hassen, je nachdem wir darin Gutes
lieben oder Schlechtes hassen oder umgekehrt Schlechtes lieben und Gutes hassen; ferner, daß in den Fällen richtigen Verhaltens unsere Gemütsbewegung dem Gegenstande entspreche, mit seinem Werte im Einklang sei, in den Fällen verkehrten Verhaltens dagegen ihm widerspreche, mit seinem Werte disharmoniere“. Brentano, Franz. Wahrheit und Evidenz. p. 25.
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tautologias envolvidas nas definições de verdade e de bem. Além disso, a
diploseenergie, enquanto ponto convergente entre atos psíquicos de julgar e de
sentir, não consistia apenas no pressuposto da análise brentaniana acerca das definições tautológicas de verdade e de bem. Ela consistia no ponto arquimediano utilizado por Brentano para explicitar a objetividade do juízo e do sentimento. Em função desses pressupostos, Brentano iniciou sua análise ressaltando o fato de que a desconsideração desse tipo específico de relação intencional fez com que a questão toda parecesse análoga ao procedimento de definição do efeito pela causa. Por isso, Brentano resumiu o problema da seguinte maneira:
Quando nós explicamos o conceito de verdade do juízo afirmativo por meio do termo correlato „existência do objeto‟ e o conceito de verdade do juízo negativo por meio do termo correlato de „não-existência do objeto‟, nós procedemos da mesma maneira que aqueles que definem o conceito de efeito pela sua relação ao conceito de causa ou o conceito de grande pela sua relação ao pequeno. 320
A dissolução brentaniana desse problema considerou que o ponto de partida estava em indagar se, com essa definição tautológica de verdade ou de bem, nós “[...] conquistamos assim alguma coisa relevante? Pois, esta formulação é tão conhecida e usual como as outras”321. A resposta positiva
apresentada por Brentano para sua própria questão considerou que a dissolução do problema girava em torno de reconhecer os avanços epistemológicos que essa definição tautológica podia indicar. Ora, se foi assim, outra questão se colocava de imediato: Como podemos compreender tais avanços epistemológicos?
A apresentação de uma consideração de Twardowski, acerca do problema fundamental que envolvia a análise filosófica do psíquico, será suficiente para indicar o avanço epistemológico que Brentano considerou encontrar nas tautologias envolvidas nas definições de verdade e de bem. É
320 „Wenn wir den Begriff der Wahrheit des affirmativen Urteils durch den korrelaten Terminus der
Existenz des Gegenstandes, den Begriff der Wahrheit des negativen Urteils durch den korrelaten Terminus der Nichtexistenz des Gegenstandes erläutern, so verfahren wir ähnlich, wie wenn einer den Begriff der Wirkung durch seine Beziehrillg zum Begriff der Ursache oder den Begriff des Größeren durch seine Beziehung zum Begriff des Kleineren definiert“. Brentano, Franz. Wahrheit und Evidenz. p. 27.
321„Was ist da viel gewonnen? Der eine Ausdruck ist so bekannt und gebräuchlich wie der andere“.
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preciso ressaltar que a referência à analise de Twardowski é, apenas, uma estratégia322 de exposição que adotamos para enfatizar a singularidade da teoria brentaniana de 1889, seja frente à posição teórica de seus “discípulos”, seja frente à sua própria teoria de 1874.
Para Twardowski323, o ponto principal que caracterizava os avanços
epistemológicos da filosofia do final do século XIX (em seu rompimento ou aprimoramento da filosofia do psíquico) estava diretamente ligado às pesquisas que investigavam a relação entre conteúdo e objeto das representações e conteúdo e objeto dos juízos. Tal como destacou Twardowski324, as análises de
322 Nossa estratégia releva as seguintes considerações que Barry Smith apresenta em seu livro “Austrian
philosophy – the legacy of Franz Brentano” para demarcar a relação entre Twardowski e a tradição brentaniana psicologista: “From 1885 to 1889 Twardowski studied philosophy at the University of Vienna, receiving his doctoral degree in 1891 for a dissertation entitled Idea and Perception. An Epistemological Study of Descartes. While Twardowski studied especially under Franz Brentano, his official supervisor was in fact Zimmermann, Brentano having been obliged to resign his chair in 1880. During this time Twardowski made the acquaintance of Meinong, who had been Privatdozent in the University since 1878, and Twardowski played a not unimportant role in the development of Meinong‟s thinking in the direction of a general „theory of objects‟. At around this time Twardowski also helped to found the Vienna Philosophical Society (he would later go on to found the first Polish Philosophical Society in Lvov in 1904). On completing his studies, he was awarded a one year travel scholarship, which he used principally as a means of becoming acquainted with new work in psychology. In 1892, he studied in Munich, attending courses by Stumpf, and visited also Leipzig, where Wundt had instituted the world‟s first laboratory of experimental psychology in 1879 (Twardowski would himself go on to establish the first laboratory of experimental psychology in Poland in 1907). Smith, Barry. Austrian Philosophy – The legacy of Franz Brentano. p. 156.
323 Ainda segundo Smith, é interessante ressaltar os seguintes traços da influência brentaniana na
formação de Twardowski: “In 1894 Twardowski received the venia legendi in Vienna for a monograph, much inspired by Brentanian doctrines, On the Doctrine of the Content and Object of Presentations, and it is this work, translated into English only in 1977, which established his credentials as one of the most important promoters and extrapolators of Brentano‟s philosophy. The principal message of the work may be summarized as follows. Where Brentano had spoken indiscriminately of the „contents‟ and „objects‟ of mental acts, as though content and object were identical, Twardowski argued in favour of a strict distinction between the two - a distinction parallel, in many ways, to Frege„s distinction between sense and referent, though translated into the psychological mode. Where Brentano had seen content and object as effectively one and the same, Twardowski regarded the content as a mental „picture‟ or „image„ of the object of the act. Every act, according to Twardowski, has both a content and an object, though the object of an act need not in every case exist. Even non-existent objects are seen by Twardowski as enjoying properties of their own, a doctrine later transmuted by Meinong and Mally into the „principle of the independence of being from being-so‟”. Smith, Barry. Austrian Philosophy – The legacy of Franz Brentano. p. 156- 157.
324 Segundo Twardowski, “[...] mesmo evitando-se assim a confusão do ato psíquico com seu conteúdo,
resta ainda por ser superada uma ambiguidade sobre a qual Höfler chamou atenção. Após ele pronunciar-se sobre a relação com um conteúdo, própria dos fenômenos psíquicos, ele continua 1. O que nós chamamos ‘conteúdo da representação e do juízo’ encontra-se inteiramente no interior do sujeito, tal como o ato de representação e de juízo. 2. As palavras ‘Gegestand’ e ‘Object’ são usadas em dois sentidos: por um lado, para aqueles existentes em si (an sich Bestehende), ... para o qual nosso representar e julgar igualmente se dirigem, por outro lado, pela ‘imagem’ (Bild) psíquica ‘em’ nós existente mais ou menos aproximada daquela real (Realen), aquela quase- imagem (mais precisamente: signo) idêntica ao que em (1) denomina-se conteúdo. Em
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Zimmermann e Höfler apresentaram grandes avanços ao distinguirem entre conteúdo de uma representação e objeto de uma representação, a partir daquilo que a teoria brentaniana de 1874 definira como o fenômeno físico dado como correlato do ato de representar. Acerca desse ponto, nós ressaltamos, em uma nota do capítulo primeiro, que, segundo a análise de Twardowski, diferentemente de Höfler, a teoria brentaniana de 1874 tomara indistintamente as noções de conteúdo e objeto da representação. Em resumo, a análise de Twardowski considerava que essa indistinção entre conteúdo e objeto (do juízo e da representação) deixava a teoria brentaniana de 1874 na antessala da teoria do conhecimento da virada do século XX.
Primeiramente, interessa-nos ressaltar, nesta análise, o fato de que a distinção entre conteúdo e objeto foi a pedra de toque do debate sobre a filosofia do psíquico. Assim, Twardowski indicou o ponto central de sua investigação filosófica e anuncia sua entrada no debate acerca dos fenômenos psíquicos do seguinte modo:
Esta investigação tratará da separação entre representado no primeiro sentido, onde isso significa o conteúdo, e o representado no outro sentido, onde serve para designar o objeto; em suma, considerará o conteúdo de representação (Vorstellungsinhaltes) e o objeto de representação (Vorstellungsgegenstande) separadamente e a relação mútua entre os dois. A suposição é que os juízos (Urteile) demonstram, relativamente à distinção entre conteúdo e objeto, algo semelhante às representações. Se tivermos sucesso em descobrir no domínio do julgar também uma distinção entre conteúdo e objeto do fenômeno, então isto poderia ser vantajoso para o esclarecimento no caso das representações.325
Façamos uma consideração objetiva acerca do que se estabeleceu a partir da proposta de Twardowski. De fato, o ponto que demarcou o avanço epistemológico estava na distinção entre conteúdo e objeto da representação e do juízo. Ao que cabe questionar: Por quê? Porque tal distinção proclamada por Twardowski indicava o caminho para a elucidação de um problema filosófico, a saber, o estatuto objetivo do conhecimento. Qual foi esse caminho?
contraposição ao Gegenstand ou objeto, suposto como independente do pensamento, denomina- se o conteúdo de um representar e julgar (igualmente, sentir e querer) também o objeto o ‘objeto imanente ou intencional’ desse fenômeno psíquico”. Twardowski, Kasimir. Para a doutrina do conteúdo e do objeto das representações, Uma investigação psicológica, p. 63.
325 Twardowski, Kasimir. Para a doutrina do conteúdo e do objeto das representações, Uma investigação
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Foi a clássica distinção do correlato do ato psíquico em conteúdo representado e o objeto representado. Considerando, no entanto, que estamos tratando da teoria brentaniana de 1889, o que nos interessa especificamente na argumentação de Twardowski não é a plausibilidade das soluções que ele indicou a partir dos trabalhos de Zimmermann e Höfler, mas o fato de que essa distinção entre conteúdo e objeto do juízo, caracterizada pelo problema do estatuto objetivo do conhecimento, anunciou o problema que as análises epistemológicas ocupadas com os avanços no campo do conhecimento pretendiam resolver. Em outras palavras, a principal questão que também envolveu a teoria brentaniana indagava pela indicação do caminho para a elucidação desse problema filosófico, a saber, o estatuto objetivo do conhecimento. Para essa questão, a teoria brentaniana de 1889 apresentou uma resposta baseada na justeza do juízo evidente, ainda que o caminho tomado desconsiderasse a distinção twardowskeana entre o conteúdo e o objeto do juízo, tomados a partir da análise do correlato do ato.
Abordemos diretamente a posição brentaniana. Se, de um lado, Brentano não distinguiu explicitamente conteúdo e objeto da representação, tal como ressaltou Twardowski, é imprescindível reconhecermos que a análise brentaniana descreveu uma distinção fundamental. Tratava-se da distinção que se explicitou a partir da descrição da atividade psíquica (todo) caracterizada pela diploseenergie (elementos e relações fundamentais entre as partes do juízo e do sentimento). Em outras palavras, a análise de 1889 descreveu o todo psíquico (ato de julgar ou de sentir), distinguindo os correlatos do ato em objeto primário e objeto secundário. Acerca dessa distinção, e tomando por base sua apresentação na Psicologia do ponto de vista empírico, Twardowski afirmou o seguinte:
As expressões objeto primário e objeto secundário encontram-se em Brentano num sentido ligeiramente diferente. Pois embora Brentano designe como objeto primário o objeto da representação, tal como é feito aqui (na obra de Twardowski), ele entende por objeto secundário de uma representação o ato e o conteúdo tomados em conjunto, na medida em que ambos, durante a atividade de representar um objeto, são apreendidos pela consciência interna, e aí a representação torna-se assim consciente”.326
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Essas considerações de Twardowski enfatizaram que, desde sua
Psicologia do ponto de vista empírico, Brentano abordava a questão da