GRÁFICO 1 – Caracterização da amostras de egressos por sexo 0 20 40 60 80 100 SEXO MASCULINO FEMININO MASCULINO 18,5 25 29,4 25 FEMININO 81,5 75 70,5 75
A maioria dos egressos é do sexo feminino (75%), conforme demonstra o GRAF. 1. Sabe-se que entre os cursos da UFMG em que é maior a presença do sexo feminino22 estão: Arquitetura, Letras, Psicologia, Terapia Ocupacional, Enfermagem, Pedagogia e Fisioterapia. Observa-se que a proporção de ingresso de homens no curso de Fisioterapia vem aumentando: 18% no primeiro Estrato, 25% no segundo Estrato e 29,5% no terceiro Estrato.
MASCULIN O FEMININO S EX O 18,00 20,00 22,00 24,00 26,00 id a d e i n g re s s o n a g ra d u a ç ã o $
GRÁFICO 2 – Idade de ingresso na graduação vs. sexo
A idade média de ingresso no curso é de 19,5 anos para as mulheres e 20,5 anos para os homens, como demonstrado no GRAF. 2. Esses grupos encontram-se na faixa etária superior a considerada desejável23 ao ingresso no ensino superior, ou seja, 18 e 19 anos. Se analisarmos a idade média dos egressos por estrato, sem considerarmos o sexo, observamos um ligeiro aumento na média de idade: 19,3 anos no primeiro Estrato; 19,9 anos no segundo Estrato e 19,7 anos no terceiro Estrato.
22
Perfil socioeconômico e cultural dos estudantes da graduação da UFMG. Relatório-Belo Horizonte: FUMP, 1997.
Segundo pesquisas realizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP),24 os estudantes brasileiros ingressam tarde no ensino superior. A idade média dos alunos que estão no sistema é de 25 anos, quando, se todos iniciassem seu curso aos 18 ou 19 anos, ela deveria ser 21 ou, no máximo 22 anos, levando-se em conta o prazo médio de cinco anos para a conclusão do curso de graduação. A tese de que alunos de uma boa situação socioeconômica ingressam mais cedo no ensino superior parece não se confirmar neste estudo. No entanto, se observada a idade média de ingresso em cursos como Medicina constatar-se-á que os alunos deste curso ingressam em média com 18 anos. Isto evidencia que o curso de medicina foi colocado em primeira opção para um grande número de egressos da escola básica. A idade média de ingresso no curso de Fisioterapia de 19,5 para as mulheres e 20,5 para os homens indica que grande parte dos alunos prestou mais de um vestibular, que poderá ter sido para o próprio curso, como para outros cursos. Como é conhecida a atração que os jovens têm pelo curso de Medicina dado o prestígio e o status da profissão, pode-se inferir que alguns dos estudantes de Fisioterapia ingressaram no curso depois de não lograrem êxito na tentativa de ingresso no curso de Medicina, por exemplo. Em pesquisa informal, em sala de aula, há relato dos alunos de vestibulares anteriores sem êxito para Medicina e para o próprio curso de Fisioterapia.
0 50 100
Estudou curso médio na escola pública ou privada? Estrato1 64 36 Estrato2 55,5 44,5 Estrato3 66,6 33,4 Total 62,2 37,8 ESCOLA PRIVADA ESCOLA PÚBLICA
GRÁFICO 3 – Respostas do questionário à questão: Estudou o curso médio na escola pública ou privada?
24
Disponível em: http://www.mec.gov.br/nivemod/educsupe.shtm. Acesso em: set. 2001, e em: http://www.inep.gov.br/noticias/news. Acesso: set. 2001.
No GRAF. 3, observa-se, no Estrato 3, que houve diminuição na percentagem dos alunos que estudaram em escola pública, de 36% no Estrato 1 para 33,4% no Estrato 3, mas essa percentagem é ainda maior que em outros cursos da área de saúde.25 A maior parte dos entrevistados, 62,2%, cursou a escola média na rede privada e 37,8% na escola pública. Entre as mulheres, a proporção entre as que estudaram em escolas públicas (36,5%) é menor que entre os homens (42,2%). Sabe-se que o percentual de alunos da UFMG que estudaram em escola particular é superior ao percentual de alunos que estudaram em escolas públicas, 59,3% e 40,7%, respectivamente, bastante próximo ao percentual do curso de Fisioterapia (FUMP, 1997).
A redução da percentagem dos alunos que estudaram em escola pública mostra também que, embora o vestibular para o curso de Fisioterapia seja um dos mais disputados na UFMG26 e que a média nas provas dos que preenchem as vagas seja alta,27 o curso tem clientela mais diversificada do ponto de vista socioeconômico. No entanto, percebe-se uma tendência a elitização – decréscimo de alunos da escola pública, o que pode ser explicado pelo aumento da relação candidato/vaga (22,27 em 1994; 35,97 em 1997; 41,45 em 2001).28 Pode- se dizer, ainda, que a maioria dos entrevistados cujos pais têm curso superior está no Estrato 3 (quase 57%), confirmando essa tendência à elitização.
Estudos realizados por Gouveia (1968), Amaral (1998), Braga, Peixoto e Bogutchi (2001) e Borges e Carnielle (2005) afirmam que no ensino superior, em especial nas instituições públicas, existe uma relação entre o segmento social do candidato e o curso pretendido. Borges e Carnielle (2005) observaram que, de maneira geral, os alunos originários de famílias de classe média alta estão inseridos nos cursos de maior prestígio e/ou tradicionais, que dão acesso às carreiras mais valorizadas socialmente, nas quais a renda média auferida é elevada, enquanto os oriundos de família com baixo poder aquisitivo, em sua maioria, optam por cursos cuja relação candidato/vaga é menor.
25 A fração de concorrentes da escola pública é pequena para os cursos de medicina, odontologia, fisioterapia,
veterinária e comunicação social e o estudo realizado por Braga, Peixoto e Bogutchi (2001) verificou ainda um decréscimo no número de concorrentes ao vestibular, oriundos de escola pública.
26
Observa-se um crescimento na demanda pelo o curso de fisioterapia duas vezes maior que a média da UFMG. Consultar o anexo 11 com a planilha com a Variação das demandas para diversas carreiras vs. a relação candidato/vaga correspondente período 1990 a 1999, produzida por Braga, Peixoto e Bogutchi (2001).
27
Por exemplo, em 1997 a nota para aprovação no curso de Fisioterapia estava entre 60 e 85,92 pontos e, no mesmo ano, para aprovação no curso de medicina 60 a 94,30 pontos.
A duração média do curso é de cinco anos (exceto para os egressos do Estrato 1)29 e não distingue homens de mulheres, nem os que cursaram o ensino médio em escolas privadas dos que o fizeram na escola pública. As diferenças nas idades médias de conclusão entre egressos apenas reproduzem aquelas já observadas no momento do ingresso. Ou seja, apesar da entrada na graduação se dar em idade mais tardia para os homens, a trajetória no curso de graduação é praticamente a mesma para ambos os sexos.
Apenas 7,6 % da amostra cursaram outra Graduação: 3,2% fizeram a outra graduação antes do ingresso no curso na área da saúde (enfermagem, terapia ocupacional e fonoaudiologia), 1,2% cursou ao mesmo tempo outro curso da saúde (fonoaudiologia) e 3,2% cursaram outra graduação após o término do curso (psicologia, ciências humanas e direito). No entanto, observa-se que a maioria dos que cursaram outra graduação relata que suas atividades profissionais estão vinculadas à fisioterapia. O único egresso que não está exercendo atividades no campo à fisioterapia, também não está trabalhando na área da segunda graduação e trabalha no setor administrativo de uma instituição de ensino superior privado.