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Devido às preocupações com o meio ambiente e com a qualidade de vida das gerações futuras, o tema Logística Reversa passou a despertar maior interesse, como uma forma de auxiliar na minimização dos impactos gerados na produção de bens de consumo. Contudo, é importante destacar que a Logística Reversa é um desdobramento da Logística. E essa última não é um termo recente, de acordo com Penof, Melo e Ludovico (2013), ela tem seu surgimento confundido com o surgimento do próprio homem.

Dessa forma, primeiro se faz necessário um entendimento das funções e papel da Logística nas organizações e na vida das pessoas, para que depois seja possível compreender de que forma a Logística Reversa atua e quais as suas vantagens e dificuldades.

Assim, na busca por gerar uma melhor compreensão sobre o tema, e para que seja possível verificar aspectos práticos em contrapartida as teorias propostas para a aplicação e resultados da Logística Reversa, o presente estudo apresenta o seu referencial teórico subdividido nos seguintes tópicos: Logística; Logística Reversa; Contrapontos entre Logística Direta e Logística Reversa.

2.1 Logística

A logística é a parte da cadeia de suprimentos que possui a responsabilidade de projetar e administrar, de forma eficiente e eficaz, o controle do transporte e da localização geográfica dos estoques de matérias-primas, de produtos em processo e acabados, com o objetivo de conquistar benefícios relacionados ao tempo, ao local e à propriedade pelo menor custo total. É através do processo logístico que a matéria-prima chega até a capacidade produtiva e os produtos acabados são distribuídos aos consumidores (BOWERSOX et al., 2014).

De acordo com Bowersox et al. (2014), a logística é o principal condutor de bens e serviços dentro da cadeia de suprimentos e para que uma cadeia de suprimentos extraia o máximo de benefício estratégico da logística, toda a gama de trabalho funcional deve estar integrada.

Para Penof, Melo e Ludovico (2013), a integração da cadeia de suprimentos é o processo que ocorre através do gerenciamento dos dados compartilhados entre fornecedores e clientes, além de ser considerada uma evolução logística para controlar os procedimentos de produção, transferência e entrega de produtos e serviços aos clientes. Considerando esse aspecto do compartilhamento de dados, Bowersox et al. (2014) complementam mencionando que a logística integrada serve para sincronizar a cadeia de suprimentos como um processo contínuo e essencial para a conectividade efetiva da cadeia.

Sabendo que todos os produtos advindos das empresas têm seu tempo de vida útil, e que depois de terminado a maioria dos consumidores, dependendo do tipo de produto, tende a descontinuar seu uso descartando-o de forma inadequada, as legislações têm tido posicionamento firme, uma vez que os impactos dos resíduos dos produtos em fim de vida têm sido cada vez mais notáveis em toda sociedade.

No que se refere à regulamentação governamental, destacam-se as regulamentações ambientais como a Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Norma ISO 14000, que caminham no sentido de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo o ciclo de vida de seus produtos. E uma das formas que as organizações têm para cumprir as determinações legais é através da implementação de uma política de Logística Reversa.

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2.2 Logística Reversa

A logística reversa é umas das aplicações da Green Supply Chain Management (GSCM). Segundo VAZ et. al (2014), a chamada GSCM é uma área de estudos relativamente nova que começa a ganhar cada vez mais interesse do meio científico e do mercado (RODRÍGUEZ-FERNÁNDEZ et al., 2011). O Council of Supply Chain Management Professionals define como logística reversa:

Um segmento especializado da logística que foca o movimento e gerenciamento do fluxo reverso de produtos e materiais após a venda e entrega ao consumidor. Inclui os processos de produtos retornados para reparo e/ou reembolso financeiro (CSCMP, 2016).

Conforme Leite (2009), a logística reversa está inserida dentro da logística empresarial, a mesma planeja, opera e controla o retorno de bens de pós-venda e pós-consumo reincorporando a produção. De acordo com Dowlatshahi (2005), esse retorno visa uma possível reciclagem, remanufatura ou descarte. Linhares et al (2008) argumenta que o retorno desses bens tem como intuito a agregação de valor em âmbito econômico, ecológico, legal, logístico ou a imagem corporativa. O termo “logística reversa” vem sendo estudado, no sentido de fluxo reverso há algum tempo como demonstrado na pesquisa de Lourenço et al. (2013, p. 3).

Apesar das definições acima o termo “logística reversa” não tem ainda uma definição consensual, seu conceito encontra-se em estágio de formação. Contudo, na prática, o movimento reverso de produtos, hoje denominado de logística reversa, existe e vem sendo usada desde que se iniciou o comércio de mercadorias. Ou seja, a troca de mercadorias com defeitos ou danificadas era comum no comércio desde os tempos antigos, e esta prática concretiza um tipo de fluxo reverso. Apesar disso, foi somente no Século XX, na década de 90 que o conceito de logística reversa evoluiu impulsionado pelo aumento da preocupação com questões de preservação do meio ambiente.

Segundo Lourenço et al (2014), a logística reversa vem sendo aplicada a diversos tipos

de produtos, processos, equipamentos e resíduos.

2.3 Contrapontos entre Logística Direta e Logística Reversa

De acordo com Ballou (2010), observa-se que, muitas vezes, o planejamento da Logística em um cenário ambiental não é diferente daquele necessário nos setores de manufatura e/ou serviços, ou seja, da chamada Logística Direta. Porém, no caso da Logística Reversa onde existem regulamentações impostas pelos governos, em alguns casos surgem complicações adicionais que tornam a Logística para um produto mais caro ao ampliar o canal de distribuição.

O processo de retorno dos produtos ao ciclo produtivo pode gerar vantagem competitiva e por isso deve ser tratado da mesma forma que a parte de distribuição, pois envolvem as mesmas etapas de um processo de Logística Direta, como: armazenagem, frete, estoque, fluxo de materiais, entre outros. Assim, a principal diferença entre os dois processos logísticos está no seu ponto de partida, pois enquanto na Logística Direta se inicia em um ponto e se dispersa, na Logística Reversa ocorre o contrário, iniciando em vários pontos e se encaminhando para um ponto central, já que é o fluxo logístico que parte dos diversos consumidores para o responsável pelo processo (CAXITO, 2014).

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Nesse sentido, o que se observa é que na cadeia Logística Convencional, os produtos são puxados pelo sistema, enquanto na Logística Reversa existe uma combinação entre puxar e empurrar os produtos pela cadeia de suprimentos. Destacando-se que o processo reverso possui um nível de incerteza maior que o processo convencional. Assim, devido a esse alto nível de incerteza, questões como qualidade e demandas tornam-se difíceis de controlar (CAXITO, 2014).

Conforme Leite (2009), para realização de uma comparação entre os fluxos diretos e reversos e a medida de suas intensidades, é preciso levar em conta o período analisado, tendo em vista a grande variedade de produtos e materiais constituintes e a duração de sua vida útil. Como exemplo, o autor cita o fluxo reverso de um bem durável que será processado alguns anos após o fluxo direto do mesmo material, caso não seja possível comparar essas quantidades. Já no caso de bens descartáveis, como o ciclo de retorno ao processo produtivo é curto, é possível adotar o mesmo curto período de tempo para comparar o fluxo reverso e o fluxo direto.Os volumes transacionados nos canais reversos são, em geral, uma fração daqueles dos canais diretos dos bens produzidos. Por isso, como já mencionado anteriormente, o valor dos materiais ou dos bens que retornam é baixo quando comparado ao dos bens originais, além de nem sempre serem dimensionados corretamente (LEITE, 2009).

No que se referem aos contrapontos da Logística Reversa com a Logística Direta, os autores Penof, Melo e Ludovico (2013) definem que os fluxos diretos e reversos podem estar conectados através de uma estrutura de interplantas, de planta para um fluxo e armazém para outro, ou mesmo a utilização de armazém para ambos os fluxos. Com relação à logística reversa, as relações são estabelecidas com fornecedores, fabricantes e os clientes, enquanto que no fluxo direto a preocupação é com o fornecimento de algum material. No fluxo reverso, o foco é na destinação final do produto, seja para aumentar a sua durabilidade ou simplesmente não poluir o meio ambiente sendo eliminado da forma mais adequada.

3. METODOLOGIA

O presente artigo foi delineado à luz da taxionomia proposta por Vergara (2016) para fins de sua classificação. Quanto aos fins, caracteriza-se como uma pesquisa do tipo exploratória, tendo em vista que objetiva-se uma melhor compreensão acerca das questões em estudo (HAIR JR et. al., 2005), uma vez que se pretende analisar os impactos ambientais, sociais e econômicos oriundos da implementação de processos de logística reversa. Quanto aos meios, esta pesquisa é bibliográfica, realizada a partir da investigação em material publicado em artigos científicos. A respeito do ponto de vista de sua natureza a pesquisa é caracterizada como qualitativa, visto que buscará interpretar fenômenos e identificar impactos decorrentes dos processos em foco.

Essa revisão bibliográfica foi iniciada com a seguinte questão de pesquisa: quais os impactos ambientais, sociais e econômicos e quais as dificuldades oriundas da implementação de processos de logística reversa? Para subsidiar a atividade de construção da estratégia de busca, o escopo geral do estudo foi identificado a partir dos artigos publicados nos anais do Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENEGEP) com a palavra-chave “Logística Reversa” nos anos 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016, obtendo 101 resultados.

A amostra estudada foi retirada baseada na relevância dos artigos para responder a questão de pesquisa. A seleção foi uma parte que demandou bastante tempo, pois uma grande quantidade de trabalhos não contribuía com a pesquisa. Na primeira parte da análise, foi realizada a leitura do resumo dos 101 artigos. Após a apreciação de seus respectivos resumos, foram identificados 32 trabalhos que tinham maior consonância com a pesquisa. Em segundo momento, com a leitura completa dos 32 artigos, foram procurados casos que relatassem os impactos ambientais, econômicos, sociais e as dificuldades na implantação de processo de logística reversa, resultando em 23 trabalhos.

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