Considero inicialmente que neste momento qualquer conclusão final acerca da pesquisa realizada dificilmente poderia ser estabelecida. O próprio texto ainda se encontra em expansão, sujeito às edições constantes realizadas a cada releitura. Provavelmente caso não houvesse uma data de entrega, ainda em muito seria acrescido e modificado devido ao amadurecimento das reflexões e dos recursos de escrita. Tal sensação talvez possa também ser percebida na pintura.
Entretanto, a consciência do fazer artístico como um estado “em processo” atrelado à produção de experiências estabelecidas no âmbito pessoal e no diálogo coletivo poderia descrever os principais frutos da realização desta pesquisa.
A metodologia empregada, que favoreceu a vivência combinada tanto do que entendemos como pesquisa sobre arte, como pesquisa em arte, me permitiu uma reflexão potencializada de como inserir a pesquisa artística no contexto acadêmico, que deve funcionar como um espaço eficiente de produção, armazenamento e compartilhamento de conhecimento.
Assim, percebo o ciclo que se encerra como um período amplamente rico para minha formação como artista-pesquisador e professor, me sentindo a partir de então, consideravelmente mais preparado para conduzir os caminhos do meu trabalho como artista, assim como para orientar e promover a troca de experiências demandadas pela carreira docente.
Sobre minhas reflexões a respeito do contexto da pintura contemporânea e de como deveria ser hoje a atuação do artista, poderia sintetizar minhas considerações sobre a linguagem pictórica descrevendo-a como um meio amplamente complexo e carregado de possibilidades, no qual o artista deveria e poderia se colocar com extrema liberdade de experimentação. Um meio vastamente alterado pela era da imagem técnica, mas amplamente conservado em seu tempo e modos de fruição característicos.
Pintar nos dias de hoje significaria pintar em um mundo completamente dependente da imagem como linguagem e acelerado pelo excesso de informação, novos recursos tecnológicos e inserido no renovado paradigma da arte estabelecido pelas vanguardas. Uma necessidade que exatamente por se opor à aceleração do tempo atual, representaria
uma resistência e refúgio para o artista, que poderia encontrar na pintura também um meio propício ao questionamento. Uma linguagem que por se estabelecer no arquétipo coletivo da experiência artística teria um alcance ampliado, além de suprir as subjetividades da necessidade do trabalho plástico.
Por fim, acho necessário descrever o momento atual da pintura como intensamente aquecido, mas também em alto grau de risco, uma vez que o reaquecimento da pintura não deveria ser visto como mais um retorno, o que possivelmente levaria o momento atual a representar um desconhecimento de todo o progresso artístico advindo da possibilidade de experimentação do artista, fruto das transformações promovidas pelas vanguardas. Talvez a melhor postura para o artista se encontre no conhecimento da ampliação do campo da pintura e na manutenção do experimentalismo como uma ferramenta de atualização da pintura e não sujeição ao mercado de arte.
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