3 Vigilancia de la salud:
1.1.3 Las funciones de Prevención y Promoción de la salud
A ofensiva de al -Nāsir147 distinguiu -se por nova estratégia: começou por
reduzir o refúgio almorávida das Baleares, tomando de assalto a ilha de Maiorca
em dezembro de 1203148, privando os Banū Ghāniya da base naval – e sobretudo
comercial –, a partir da qual mantinham boas relações com Aragão, Gênova e Pisa, que nutriam comum hostilidade aos almóadas. Contudo, as posições almorávidas na IfrĪkiya consolidavam -se cada vez mais, e a 15 de dezembro de
1203 tomavam Túnis. O califa entra, então, em campanha149; à sua aproximação,
Ibn Ghāniya foge para o interior – após deixar família e tesouros em segurança
143 Ver detalhes em ‘INāN, 1964, v. 2, p. 656; MERAD, 1962, p. 448 -9. 144 IBN ‘IDHāRI AL -MARRāKUSHĪ, ed. Lévi -Provençal, s.d. (1929?), p. 276. 145 Ibid., p. 276.
146 IBN KHALDūN, 1852 -1856. v. 2, p. 220 -1. 147 Ver detalhes em ‘INāN, 1964, v. 2, p. 257 -61. 148 LÉVI -PROVENÇAL, 1941a.
em MahdĪyya –, e chega à cidade de Gafsa, uma das suas posições mais sólidas. Um desembarque almóada culminou com a tomada de Túnis, que terminou
em grande massacre150; em seguida, as forças almóadas desdobraram -se em
duas direções: o califa marchou sobre MahdĪyya, enquanto Abū Muhammad se lançava à perseguição de Ibn Ghāniya.
MahdĪyya foi tomada após longo e árduo cerco, e seu governador, ‘AlĪ Ibn Ghazi, sobrinho de Ibn Ghāniya, terminou por se render e por se juntar aos almóadas (11 de janeiro de 1206). Retornando a Túnis, onde permaneceria por um ano, o califa dedica -se à reorganização da província, confiando sua reconquista e pacificação ao irmão Abū Ishāk. Este submeteu os Matmata e os Nafūsa, e perseguiu Ibn Ghāniya – que nesse ínterim fora vencido por Abū Muhammad ‘Abd al -Wāhid, o haféssida, em Tadjra, perto de Gabes, e despo- jado de todas as suas riquezas, até do território de Barka –, sem, no entanto, conseguir capturá -lo.
Seguindo o conselho judicioso, embora não isento, de seus principais tenen- tes, decide nomear para a importante e difícil função de governador da IfrĪkiya o xeque hintatiano vencedor em Tadjra, Abū Muhammad ‘Abd al -Wāhid. Na qualidade de “grande do império”, o xeque só aceita esta delicada missão – que o afastava do poder central – sob a insistência do soberano e sob condições que
praticamente lhe conferiam poderes de vice -rei151. Tal medida de prudência era
atestado suplementar do fracasso da empresa imperial almóada.
Em maio de 1207, o califa retoma o caminho do Marrocos. Ibn Ghāniya reaparece e, com o apoio de numerosos árabes, Riyah, Sulaym e Dawāwida, tenta interceptá -lo, mas é vencido na planície do Chelif. Este bate em retirada seguindo a orla do deserto e reaparece no sul da IfrĪkiya, mas o novo governador, que se tinha aliado a importantes facções sulaymidas, vence -o no wādĪ Shabrou, nos arredores de Tebessa, em 1208.
Ibn Ghāniya adentra, então, o deserto para ressurgir no leste. Tendo atingido o TāfĪlālet, toma e pilha Sidjilmāsa, vence e executa o governador de Tlemcen. Durante essa campanha devastou todo o Magreb central, região que no século XIV seria assim descrita por Ibn Khaldūn: “Não se encontra mais um único
fogo aceso e não mais se ouve o canto do galo”152.
‘Abd al -Wāhid, o novo governador da IfrĪkiya, intercepta Ibn Ghāniya quando este retornava de sua devastadora campanha, vence -o e despoja -o de
150 IBN KHALDūN, 1852 -1856, v. 2, p. 221 -2 e 286 -7. 151 BRUNSCHVIG, 1940, v. 1, p. 13.
todo seu butim nas proximidades do Chelif153. O maiorquino retira -se para a
Tripolitânia junto com seus aliados, onde prepara seu último combate contra ‘Abd al -Wāhid; este, no entanto, vence -o em 1209–1210, no sopé do Djabal Nafūsa, contando com o auxílio de grande contingente de árabes – Riyah, ‘Awf, Dabbab, Dawāwida – e numerosos Zenāta. Os dez anos que se seguiram foram de paz para a IfrĪkiya, graças à energia do novo governador154. Ibn Ghāniya
penetra mais para o sul, no Waddān, onde se livra de seu velho aliado e rival Karākūsh, mandando executá -lo e tomando o seu lugar em 1212. Em 1233 deveria, por sua vez, ser capturado pelo sucessor de ‘Abd al -Wāhid.
Diversas são as apreciações acerca da tumultuosa época dos Banū Ghāniya, que se prolongou durante mais de meio século, combinando, de maneira notável, uma dimensão marítima e insular com uma dimensão nômade e saariana, fato que lembra irresistivelmente os começos da epopeia almorávida. Georges Mar- çais, atendo -se mais aos efeitos que às causas, só conseguiu ver nesse movimento um prolongamento daquilo que denomina a “catástrofe” hilaliana, “acusando”
os maiorquinos de ter propagado o “flagelo” árabe no Magreb central155. Esse
empreendimento não pode, no entanto, ser reduzido a simples agitação, a uma rebelião sem horizontes políticos. Trata -se, na verdade, de uma luta de admirá- vel constância contra a dinastia Mumínida e, mais ainda, contra todo o sistema almóada. Em suma, os Banū Ghāniya moveram uma luta de potências com o propósito de apresentarem -se como solução alternativa para a ordem almóada. A perseverança, a resistência e a constância que caracterizaram sua luta mostram que sua ação tinha motivações profundas e servia a uma causa à qual deviam estar fortemente ligados. Dentre os motivos da luta, os políticos e ideológicos tiveram, sem dúvida, grande importância, uma vez que ela reuniu todas as opo- sições aos Almóadas: antigas dinastias destronadas, meios maliquitas, meios fiéis ao califado abássida de Bagdá, cabilas árabes nômades e berberes da Tripolitânia
desejosos de sair do seu isolamento montanhoso156.
Duas características podem nos ajudar a pelo menos entrever prováveis razões econômicas para o relativo sucesso dos maiorquinos. A primeira é que Maiorca constituía uma base marítima, comercial e diplomática, e sua queda
153 Detalhes em MERAD, 1962, p. 454 et seq.; ‘INāN, 1964, v. 2, p. 271 -6. 154 IBN KHALDūN, 1852 -1856, v. 2, p. 290 -1.
155 Ver Encyclopaedia of lslam, nova ed., v. 2, p. 1007 -8. Atualmente, a questão dos hilalianos tem sido estudada com maior seriedade, tendo pesquisadores e historiadores abandonado a tendenciosa teoria segundo a qual os “beduínos” seriam o flagelo da civilização.
anunciou o fim dos Banū Ghāniya. A segunda diz respeito à esfera de influência geopolítica dos Banū Ghāniya, constituída essencialmente por uma zona que ia do Waddān e do sudoeste da Tripolitânia, a leste, aos antigos povoamentos caridjitas do sul do Magreb central, a oeste. Esta longa faixa horizontal, que podia estender -se para o sul e, por vezes, para o norte, abrangia os ricos oásis e as populações dissidentes; mas constituía, principalmente, a saída das grandes e tradicionais rotas transaarianas, cujo interesse é ressaltado em mais de um capítulo do presente volume. O comércio transaariano foi de importância capital na economia do Magreb.
Assim considerada, a luta dos Banū Ghāniya bem podia ter tido como obje- tivo reunir as heranças fatímida, zírida e almorávida no domínio fundamental dos intercâmbios comerciais. Em contrapartida, o eixo do poder almorávida, a despeito da atração exercida pela Espanha, parece ter -se orientado sempre no sentido oeste -leste, alinhado com o Tell e com o Baixo Tell. Por esse motivo, é lícito pensar que o empreendimento almóada se realizou em período menos próspero que o que viu nascer e desenvolver -se a epopeia almorávida: confron- tados com os progressos da reconquista espanhola, os Almóadas parecem ter sempre carecido da profundidade comercial e estratégica do rico Sudão, cujo ouro constituía os pulmões da economia mediterrânea.