Kapittel 5 – Analyse del 2
5.6 Frykt for å bli underkjent/lyst til å bli anerkjent
Quem visita os museus, os conhece de 10 às 18h, com variação de horários nos finais de semana, nos quais funcionam somente de 9h às 13h. Entretanto, os espaços têm pessoas circulando e trabalhando 24h, pois a vigilância, por exemplo, é permanente. O expediente administrativo inicia-se desde as 8h da manhã, quando as
103 equipes das coordenações e a secretaria do SIM chegam aos espaços para as atividades. Dependendo o setor de trabalho, alguns grupos transitam sem se relacionar diretamente com as exposições, afirmo isso porque casualmente perguntei a algumas pessoas se elas conheciam as exposições nos espaços museológicos e galerias e a resposta foi que não, ou que conheciam muito superficialmente.
A natureza das relações com os objetos, com as relíquias, por assim dizer é muito diversificada, há um universo poli-semântico quando pensamos a relação homem, tempo e objetos. Se tomarmos como exemplo os diferentes grupos que tenho observado dentro dos museus podemos perceber que a relação pode ser afetiva, cognitiva ou até de indiferença para com os objetos expostos. Entretanto, para quem vai visitar a experiência é de descoberta, de encontro com a arte, com a história e com a cultura. Ao perguntar para alguns visitantes se a visita aos museus foi importante, as respostas indicaram esta relação pertença com o passado e com a identidade. Segundo Crisvaldo Silva, visitante que esteve no Museu do Forte e no Museu de Arte Sacra:
A visita foi importante, me proporcionou conhecer as origens da nossa sociedade e a nossa cultura. Todo cidadão tem esse direito de conhecer o seu passado e os museus realizam esses direitos. Uma sociedade sem história é uma sociedade sem vida. Certamente conhecer fatos históricos é de grande importância (agosto/2012)
Muito me surpreendeu a fala de uma moça chamada Adriane, que presta serviço aos museus por meio de uma firma terceirizada. Confesso que não tive a pretensão de entabular com ela uma conversa com a finalidade de ter material para pesquisa. Uma tarde ela entrou em minha sala e eu estava ao computador terminando alguns trabalhos dos museus pela parte da tarde, quando toda equipe já tinha ido embora. Ela entrou para realizar a limpeza da sala e perguntou-me porque eu estava trabalhando sozinha, respondi que finalizava um texto para uma exposição. Começamos a conversar, perguntei se ela conhecia as exposições ou se havia ido aos museus fora do seu dia de trabalho para passear, e ela respondeu que não. Mas a fala dela sobre o museu, fiz questão de anotar em um pedaço de papel que eu tinha naquele momento na minha mesa, foi a seguinte:
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É legal trabalhar aqui, com essas coisas antigas, ainda mais eu que não tive muito estudo e esse é meu primeiro emprego. Às vezes, eu entro nas salas para limpar, aí eu vejo os livros, as coisas antigas e fico dando uma olhadinha. Essas coisas que tem desde quando a gente nem era nascida! (Abril /2015)
Naquele momento não lhe pedi autorização para anotar ou usar o conteúdo de sua fala neste trabalho, mas foi uma das informações que eu ouvi no museu, que despertou- me interesse e a noção de que independente de formação, função ou classe social algumas pessoas se impressionam com os objetos. Depois perguntei se ela tinha filhos e ela me respondeu que tinha duas meninas, então eu disse a ela que viesse um dia para trazer as filhas aos museus. Igualmente, sem muita formalidade de entrevista, perguntei ao “ Seu Barata”, flanelinha que toma conta dos carros na frente do Museu de Arte Sacra, se ele já havia entrado no museu, já que trabalha ali por mais de vinte anos. Ele sem dar muita ênfase, me respondeu: “Já, já! Entrei no dia da inauguração, e nesse dia tinha muita bebida, um festão!”
A vivência nos museus desperta, com relação aos objetos, interesses e envolvimentos múltiplos, é frequente, por exemplo, perceber que a guarda patrimonial toma para si, quando possível, a responsabilidade de falar ao público sobre o acervo dos museus. Vez por outra, sem a devida formação, acabam reproduzindo informações inconsistentes ou incompletas. Não avalio aqui, a conduta dos vigilantes como certa ou errada, cabe, entretanto, ressaltar que estes prestadores de serviço estão diariamente circulando nos museus, ouvindo, lendo e observando as informações sobre as peças e sobre os prédios. Assim, este grupo reinterpreta as informações e constroem sua leitura repassando-as aos visitantes.
Trabalhar nos museus, circular em meio aos objetos antigos, conhecer mais sobre a história e a cultura do lugar leva os profissionais, independente das funções que exerçam, a um status, associado ao ethos que cerca os conhecimentos sobre o passado, e para a vigilância não é diferente. Tentei conversar com alguns vigilantes, mas alguns me disseram que não orientam sobre o acervo, pois tira a atenção do posto de serviço. Somente um se dispôs a falar, mas pediu para não ter seu nome vinculado ao seu depoimento:
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Acho o museu muito interessante! Muitos de nós, antes de vir para cá, não teve contato com as artes. Quando a gente passa a ter contato, com história e com a arte, acaba reproduzindo para outras pessoas, para a família também, o que a gente ouve e vê. Conhecer sobre todas essas coisas acaba agregando valores para a nossa cultura. Nós somos apenas colaboradores, mas com o que aprendemos aqui, a gente se torna um multiplicador. (Novembro / 2014)
Ao analisar as falas e as informações dessas pessoas dentro dos museus podemos refletir sobre questões importantes para a Antropologia, que dizem respeito às interações sociais, como afirma Gilberto Velho (1994), acerca do “campo de possiblidades”, “as sociedades complexas moderno-contemporâneas são constituídas e caracterizam-se por um intenso processo de interação entre grupos e segmentos diferenciados.” (p. 38). Em suma, todos os indivíduos dentro das sociedades contemporâneas estão em contato com sistemas de valores e realidades diferentes. Existe, portanto, “uma mobilidade material e simbólica sem precedentes em sua escala e extensão” (VELHO, 1994, p. 39).
Observando a conduta das pessoas dentro dos museus e sua relação com os objetos percebi que independente de formação acadêmica, cargo assumido ou função desempenhada elas não são indiferentes às obras de arte que as rodeiam. Traduzida pelas falas condicionadas por sua formação ou escolaridade, a admiração pelas relíquias do passado e pelas belas artes, independem do “gosto de classe”, e assim faz-se necessário problematizar a noção de que “às diferentes posições no espaço social correspondem estilos de vida, sistemas de desvios diferenciais que são a retradução simbólica de diferenças objetivamente inscritas nas condições de existência.” (BOURDIEU, 1983, p. 82).