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Å bli sett opp til – flink jente i primærrelasjoner

Kapittel 5 – Analyse del 2

5.3 Å bli sett opp til – flink jente i primærrelasjoner

Este capítulo terá por base a discussão acerca da observação realizada no Museu do Forte, no Museu de Arte Sacra e no Museu do Estado, explorando os bastidores dessas instituições, as práticas e agências dos sujeitos sociais que convivem cotidianamente nesses espaços. Entendo que as leituras construídas sobre os elos de pertença com a cultura do lugar, com a história, bem como com a memória coletiva têm a ver com dinâmica que se desenvolve nos bastidores dos museus. Neste aspecto, fundamentalmente analiso a natureza das relações sociais dos grupos que atuam dentro dos museus; relações complexas, harmônicas ou não, que redundam no que vem a público por meio de exposições e eventos. Inicio a escrita desse capítulo pensando na complexidade de abordar discursos e comportamentos de pessoas que estão no meu ambiente de trabalho e com as quais convivo.

Para buscar a compreensão da dinâmica institucional foi importante conversar com gestores, técnicos e visitantes, entretanto, algumas impressões que estarão grafadas aqui não são somente fruto de entrevistas ou conversas realizadas com a finalidade de escrever esta tese, mas, também, de observações casuais, do meu dia a dia nos museus. Trata-se do olhar que esteve sempre atravessado pela perspectiva de pensar os espaços museais como um terreno fecundo para problematizar os sujeitos e suas relações sociais no contexto belenense. É necessário que eu esclareça que adiei bastante as entrevistas mais formais com as pessoas que trabalham nos museus, primeiramente porque sempre me inquietou pensar em como abordar os gestores e técnicos como etnógrafa e não como colegas de trabalho. Esta etapa foi precedida por reflexões acerca das táticas metodológicas de abordagem.

Outra condicionante que fez adiar as conversas e entrevistas com as pessoas que atuam nos museus, foi o conhecimento que tenho sobre os questionamentos e conflitos que o novo quadro de funcionários levantou acerca da estrutura de trabalho estabelecida. Quando os novos concursados assumiram, os funcionários antigos que

85 permaneceram eram vistos como privilegiados de alguma forma, o que gerou certa tensão entre os dois grupos. As tensões estabelecidas que seguiram à mudança do quadro de profissionais a partir de 2007, ao meu ver, dificultava a pesquisa com alguns setores dos museus.

Pelos motivos elencados acima, foi grande a minha preocupação em ser aceita pelo grupo como uma etnógrafa para acessar seus pontos de vista sobre os museus. Por estar coordenando um dos setores dos SIM, julgava que isso faria com que as pessoas me vissem como alguém ligada à administração, não somente como uma pesquisadora refletindo sobre o universo dos museus e seu cotidiano. Em retrospecto, optei por não entrevistar algumas pessoas e por conversar com aqueles que estavam a mais tempo nos museus, pois têm conhecimento sobre os museus desde sua criação.

Abro um parêntese para dizer que ao descrever o SIM retomarei aqui o pensamento de Marcel Mauss (1993) no seu Manual de Antropologia pelo qual procuro construir uma cartografia do SIM e suas unidades museológicas, destacando-os no Centro Histórico de Belém. Como já foi reportado os museus se localizam no entorno da Praça Frei Caetano Brandão e Praça D. Pedro II, no bairro da Cidade Velha, locus desta pesquisa, conforme mostra a figura abaixo. O intuito é também mostrar no espaço da cidade os lugares em que se dão a pesquisa, ou melhor, quais museus estou analisando. No dizer de Mauss sobre o trabalho do etnógrafo “o primeiro ponto, no estudo de uma sociedade, consiste em saber de que é que se fala [...] uma sociedade ocupa sempre um espaço determinado. (1993, p. 20). Assim, analogamente pretendo delimitar os espaços e os grupos que foram investigados.

A restauração das edificações históricas e a sua adaptação para espaços musealizados na Cidade Velha criou uma bela paisagem, de maneira recorrente nota- se que no entorno ou dentro dos museus são feitos registros fotográficos de formaturas, casamentos e propagandas. Considero importante destacar esta apropriação porque entendo que esta também é uma forma das pessoas se relacionarem com objetos e lugares. Nesse ponto os museus estão na cidade, mas também pertencem à cidade, na medida em que ocorrem diversas formas de empoderamento dos espaços internos ou externos pela população belenense.

Os museus ficam relativamente próximos uns dos outros, o que permite uma circularidade muito grande entre eles, facilitando também o trabalho sistêmico. Como

86 já reportado, os mesmos foram instalados em prédios históricos localizados no núcleo urbano inicial da cidade de Belém, assim grande parte localiza-se no bairro da Cidade Velha. A vista área de parte do Centro Histórico, portanto, ajuda a compreender a localização exata dos museus pesquisados e ter a noção de que a circulação dos técnicos e gestores nos espaços é possível pela proximidade das unidades museológicas.

Figura 8: Delimitação dos espaços museológicos pesquisados, inseridos no Núcleo Cultural Feliz Lusitânia 1 – Museu do Forte, 2 – Museu de Arte Sacra (que abriga o a diretoria do SIM), 3 – Museu do Estado do Pará, 4 – Museu Casa das Onze Janelas, 5 – Museu da Imagem e do Som, 6 – Museu do Círio.

26 (Fonte: Arquivo institucional SIM/SECULT)

O vai e vem de funcionários é constante, principalmente entre o Museu de Arte Sacra (MAS) e o Museu do Estado do Pará (MEP), pois o MAS abriga o Sistema Integrado de Museus e as Coordenações de Restauração, Documentação e Educação; já o MEP, abriga as Reservas Técnicas dos acervos. Para ficar mais clara a descrição pode-se considerar que nem todos os museus têm espaços de guarda de acervo, assim o MEP possui as Reservas Técnicas das Artes Visuais, dos objetos Tridimensionais e de Arqueologia. O MAS também abriga uma Reserva Técnica com acervo de arte sacra,

26 Fazem parte ainda do SIM/SECULT o Museu de Gemas, a Corveta-Museu Solimões, o Memorial da