• No results found

Frmesk – en representant for den undertrykte kvinnen

2.2 K ARAKTERANALYSE

2.2.4 Frmesk – en representant for den undertrykte kvinnen

O terceiro e último âmbito interacional a ser trabalhado são os media convencionais. Ainda que estes sejam frequentemente reduzidos a um conjunto de instituições ou a um discurso unidirecional, gostaríamos de assinalar como os textos midiáticos são, eles também, uma esfera de interações. Interações essas não apenas entre os redatores (enunciadores) e seus leitores (enunciatários), mas também entre os diversos atores que se atravessam na conformação dessas enunciações. Acreditamos que perceber os jornais como um campo de múltiplos cruzamentos – um âmbito interacional complexo como os demais – ajuda a entender suas contribuições potenciais ao processo deliberativo.32

Cabe destacar, aqui, que o papel dos media no interior da teoria democrática é tão ou mais controverso que o papel das conversações informais e dos movimentos sociais. Isso se deve, em parte, à escassa atenção que diferentes correntes democráticas destinam à compreensão dos media. Como atesta Luís Felipe Miguel (2000, p. 51):

Seja porque minimizam o aspecto de construção social das preferências, presente na luta política, seja porque idealizam o processo comunicativo, ignorando seus constrangimentos concretos, as teorias da democracia têm dificuldade para trabalhar com os meios de comunicação.

Apesar dessa dificuldade, e embora não possamos assumir uma postura que sobrevaloriza o papel dos meios de comunicação como se eles fossem a causa de tudo o que ocorre nas sociedades contemporâneas, é fato que eles ocupam um lugar muito relevante nas democracias ocidentais (GOMES, 2004, SILVERSTONE, 2003). Os media têm grande impacto sobre o campo da política, e esse impacto se manifesta em uma série de dimensões, que vão das negociações de bastidores entre atores políticos às estratégias de campanhas eleitorais, passando pelos processos sociais de discussão de questões de interesse público (GOMES, 2004). As consequências da atuação dos media são alvo de intensa investigação e extensa controvérsia na área de comunicação política.33

32

Vale mencionar que Patrick Charaudeau (2006), contradizendo os alicerces de sua própria teoria, coloca em questão a possibilidade de se pensar os media como arena interacional propriamente dita. Ele afirma que não há troca efetiva entre as instâncias de produção e recepção: “Por mais que as mídias recorram a técnicas ditas interativas, não há diálogo e troca, somente o seu simulacro” (2006, p. 124). Ao afirmar a unidirecionalidade dos media, Charaudeau parece negar o primado da interação que está na base de sua abordagem.

33 Há desde estudos de media malaise, que assinalam como os meios são maléficos à democracia e aos cidadãos

Na literatura deliberacionista, as origens dessa discussão remontam à obra de Habermas, que, já em Mudança Estrutural da Esfera Pública, abordava a relevância da imprensa para o surgimento da esfera pública burguesa na Europa do século XVIII. Na mesma obra, o filósofo critica como a mercantilização dos meios de comunicação teria levado a uma subversão do princípio da publicidade, minando as possibilidades do debate crítico-racional. Em seus trabalhos posteriores, contudo, Habermas realiza várias revisões e começa a ver os media de uma maneira mais ambivalente, libertando os fluxos comunicativos de restrições espaço- temporais (HABERMAS, 1987, p. 390) e constituindo uma espécie de esfera pública abstrata (HABERMAS, 1997). Embora mantenha o tom crítico, Habermas (2006, p. 416) admite que não se pode falar de esfera pública sem a atuação dos profissionais do sistema dos media.

É importante destacar que os media não podem ser tomados como a esfera pública, até porque esta não pode ser reduzida a uma de suas arenas. Se, como percebe Gomes (1999; 2008a), a esfera pública engloba as dimensões de visibilidade e argumentação, muitos deliberacionistas se baseiam nelas para criticar os media. Nota-se, em primeiro lugar, que há muitos obstáculos que impedem o acesso de alguns grupos e discursos à cena de visibilidade ampliada. Observa-se, em segundo lugar, que muitos dos discursos midiáticos não têm nada a ver com trocas abertas e públicas de razões.

Gutmann e Thompson (2004, p. 36), por exemplo, defendem que os media são instituições pouco propícias a fomentar uma troca pública de razões, porque estariam mais preocupados em gerar consumo. Parkinson (2006), por sua vez, assinala como a própria estrutura dos media mina os possíveis benefícios que a tecnologia poderia oferecer, já que o

modus operandi midiático impede a apresentação das questões com a devida complexidade.

Além disso, a competição pelos receptores impulsionaria a visibilidade daquilo que é não ordinário, personificável, polarizável e chamativo, minando a racionalidade comunicativa (PARKINSON, 2003; 2006).34 Já a crítica de Bohman (2007b) aos meios de comunicação de massa foca no poder deles de estabelecer as fronteiras do que é debatido, por meio de agenda-

setting e framing effects. Tal poder cercearia a possibilidade de ganhos epistêmicos efetivos,

ao pré-configurar debates.35 Mencionamos, por fim, a crítica de Goodin (2000), para quem os

media não possibilitam uma deliberação midiatizada, mas apenas uma publicização de

criação de uma participação política mais interativa, informada e efetiva (BOONER et al. 2005; WOLTON, 2003). Uma boa reflexão sobre a interface entre o campo dos media e o da política pode ser encontrada em Gomes (2004).

34

Importante frisar que Parkinson (2003; 2006) não é completamente pessimista quanto à contribuição dos media. O problema da visão dele é que ele gostaria que os media reproduzissem a experiência das situações face- a-face, como bem criticam Fishkin e Luskin (2006).

35 Ainda que reconheça a necessidade de interações tecnicamente mediadas, as esperanças de Bohman (2007a) se

perspectivas. “Os outros podem (ou não) notá-las e responder. Na medida em que respondem da mesma maneira, eles também estão essencialmente apenas postando outros anúncios para que todos, por sua vez, notem-nos (ou não)” (GOODIN, 2000, p. 91).36

Não negamos grande parte dessas críticas. Concordamos que, de um modo geral, os

media massivos estão mais preocupados com lucro do que com o debate crítico racional.

Também vemos como as estruturas e rotinas de produção midiática podem constranger o desenvolvimento de trocas argumentativas. Concordamos que alguns enquadramentos midiáticos podem esvaziar discussões importantes. Estamos cientes do modo como o sensacionalismo pode simplificar temas complexos (BARNETT, 1997; CALLAGHAN; SCHNELL, 2001) e dos perigos de um jornalismo que desqualifica atores e instituições do sistema político, fomentando uma espiral do cinismo (GASTIL, 2008). Reconhecemos, ainda, que os media não garantem que as perspectivas proferidas sejam efetivamente consideradas por outros atores.

Destacamos, contudo, que é preciso notar a ambivalência que perpassa a ação dos

media (HABERMAS, 2006; TALISSE, 2005, JAMES, 2004; MAIA 2008a). Não podemos

simplesmente descartar o papel dos media massivos para a deliberação, até porque acreditamos que eles não são inimigos da troca pública de razões (SIMON; XENOS, 2000, p. 363; MAIA, 2009). Ainda que eles não atendam a muitos dos requerimentos deliberativos, concordamos, com Gomes (1999, p. 204), para quem “na sociedade contemporânea não há espaço de exposição, de exibição, de visibilidade e, ao mesmo tempo, de discurso, de discussão e debate que se compare em volume, importância, disseminação e universalidade com o sistema dos mass media”. E a contribuição dos media não se resume ao jornalismo, encampando também formatos voltados para o entretenimento (GASTIL, 2008; NORRIS, 2000; MARQUES, 2003).

Destacamos, em primeiro lugar, a existência de várias trocas argumentativas na própria cena midiática. Na profusão de vozes publicizadas pelos media, muitos argumentos se cruzam, reconfiguram-se e demandam reformulações mútuas. Os media atuam, pois, como importante palco de debates.37 Desde que desconectada das ideias de copresença e contemporaneidade, a deliberação pode ocorrer através dos meios de comunicação, distendendo-se espaço-temporalmente. Até porque uma deliberação face-a-face entre milhões de cidadãos seria impossível (PAGE, 1996, p. 3). Os media conectam diversos atores políticos, dando visibilidade a argumentos capazes de fomentar a reflexividade. Vale frisar que a deliberação midiatizada “não requer que os falantes em deliberação pública realmente objetivem atingir um entendimento mútuo

36

Do original: “Others might (or might not) take note of them, and reply. Insofar as they reply in like fashion, they too are essentially just posting other notices for all to note (or not), in turn”.

37 Cf. Page (1996), Wessler (2008), Xenos (2008), Ettema (2007), Bennett et al. (2004), Simon e Xenos (2000),

com seus oponentes. Para ter um efeito iluminador sobre as audiências, é suficiente que essas justificações e contrajustificações sejam apresentadas em público” (WESSLER, 2008, p. 4).38

Esse processo pode se dar tanto no interior de um mesmo programa ou matéria, como em processos mais amplos, em que o palco é composto por fragmentos dispersos ao longo de diferentes veículos e dias. Como bem assinala Gastil (2008, p. 51), a responsabilidade por gerar a deliberação é “mais bem entendida se aplicada ao sistema dos media como um todo, em vez de um produtor individual, sem falar de uma peça específica de reportagem ou um único programa”.39 Nota-se, pois, que os receptores têm um importante papel nesse processo, criando sentidos a partir da massa de informações disponíveis (GOMES, 2008a, p. 147). No ato de interpretação, podem remontar debates que não estavam postos de antemão.

A longo prazo, leitores, ouvintes e telespectadores podem formar atitudes razoáveis em relação a questões públicas, até mesmo inconscientemente. Eles podem construí-las por meio da agregação de suas reações, frequentemente tácitas e esquecidas, aos fragmentos e pedaços de informação casualmente recebidos (HABERMAS, 2006, p. 420).40

Os receptores podem recompor falas dispersas em debates coerentes, já que “sempre existe a possibilidade de lançar uma ponte hermenêutica entre um texto e outro” (HABERMAS, 1997, v. 2, p. 107). Ainda que esta não seja uma situação clara de deliberação, em que os interlocutores se sentem compelidos a trocar respostas, pode haver uma contestação discursiva, em que não é preciso que todos os atores sociais expressem suas perspectivas, mas que perspectivas diferentes se façam visíveis (DRYZEK, 2004; WESSLER, 2008).

Uma segunda forma como os media intersectam deliberações é por meio da criação de condições para que estas se desdobrem em outras arenas. Isso porque “o aparato midiático [...] tem uma importância primordial entre outras interações extra-mediáticas” (BRAGA, 2001b, p. 23). Boullier (2004) propõe exatamente essa ideia em seu modelo tangencial da comunicação, defendendo que o terreno comum tecido pelos meios é fundamental para as conversações. Gamson (1992a) também parte do pressuposto de que um aspecto fundamental dos media é a forma como eles atravessam as conversações políticas. Assim, os media podem trazer contribuições para um processo deliberativo ampliado que não começa e nem termina na cena midiática (GASTIL, 2008). Seus fragmentos são essenciais para que a deliberação ocorra.

38

Do original: “do not require that speakers in public deliberation actually aim at reaching understanding with their opponents. To have an enlightening effect on audiences, it is sufficient that justifications and counter- justifications are presented in public”.

39

Do original: “this responsibility is best understood as applying to the media system as a whole, rather than an individual producer, let alone an individual piece of reporting or a single program”.

40

Do original: “in the long term, readers, listeners, and viewers can definitely form reasonable attitudes toward public affairs, even unconsciously. They can build them by aggregating their often tacit and since forgotten reactions to casually received bits and pieces of information”.

Essa hipótese é corroborada por estudos empíricos como os de Moy e Gastil (2006, p. 454), que encontram uma forte correlação entre a leitura de jornais e a participação em conversações deliberativas. Também as investigações de Aldé (2004) e Marques (2007) revelam a forma como as pessoas se apropriam dos conteúdos midiáticos em diversas interações. Na mesma direção, Graber (2004) e Norris (2000) mostram que noticiários oferecem conteúdo adequado para as necessidades cívicas dos cidadãos, ressaltando que esses não precisam memorizar um compêndio de informações.41 Esses estudos mostram que os

media contribuem “para a promoção de um diálogo público generalizado e para a criação de

uma base reflexiva para a deliberação pública nas sociedades complexas” (MAIA, 2004a, p. 12). Os sujeitos se apropriam reflexivamente dos discursos com que se deparam e podem usá- los em outras instâncias. Como pondera Avritzer, “independentemente da mercantilização dos produtos culturais, esses continuam proporcionando material para a reflexão” (2000b, p. 67).

É importante perceber, ainda, como a contribuição dos media não se restringe às temáticas e razões a que dão visibilidade. Eles também são importantes porque geram uma conectividade social que não se limita àqueles que pensam de modo semelhante. Grande parte das pessoas só se vê diante de pontos de vista distintos quando interagem com algum meio de comunicação massivo (MUTZ; MARTIN, 2001; MUTZ 2006). Isso tanto porque elas não conseguem selecionar exatamente as perspectivas com que se depararão, como porque os

media possibilitam o contato com a divergência de uma forma menos desconfortante.

Mas qual a relevância dessas discussões para pensar a luta por reconhecimento das pessoas atingidas por hanseníase? Se estamos corretos em afirmar que lutas por reconhecimento dependem da troca pública de razões que emerge do encaixe de diferentes âmbitos interacionais, nota-se que clarear o papel e a contribuição dos media é algo fundamental. Os media também são muito importantes nos processos por meio dos quais reivindicações tornam-se mais gerais e publicamente defensáveis. A situação comunicativa instaurada por um veículo de grande circulação demanda a utilização de quadros interpretativos amplamente partilhados, o que afeta tanto jornalistas como fontes.

Isso se deve a um elemento central desse âmbito interacional: a identidade dos interlocutores que o constituem. Observa-se que o enunciatário dos discursos midiáticos é um público virtualmente ilimitado. Se, como já apontava Bakhtin (1992), a palavra se dirige sempre a alguém, o fato de ela se destinar a um público ampliado tem impactos profundos em sua construção. Ainda que a identidade dos receptores permaneça como incógnita para os

41 Os achados de Graber (2004, p. 562) indicam que as pessoas “são bem mais sofisticadas no que concerne às

enunciadores (CHARAUDEAU, 2006; JOST, 2004) e que os públicos se reconfigurem no ato da recepção (QUÉRÉ, 2003), os enunciadores operam com certas expectativas sobre aqueles a quem se dirigem. A publicidade midiática não é apenas uma difusão ampliada de conteúdos, mas um fator que atravessa a própria conformação dos discursos. Afinal, “enquadramentos são escolhidos com uma audiência em mente” (CHONG; DRUCKMANN, 2007a, p. 117).42

Os discursos dos media, incluindo-se aí os dos atores que buscam visibilidade através deles, precisam ser genéricos o suficiente para serem compreendidos por muitas pessoas. “A essência do discurso público é a percepção de que se fala para uma galeria” (GAMSON, 1992a, 19).43 E essa percepção leva muitos atores a apelar para posições mais atentas às perspectivas de outros atores (THOMPSON, 2008, p. 510). De um modo geral, jornalistas e suas fontes têm em mente que falam para essa audiência ampliada e buscam construir seus discursos de modo a que se façam compreensíveis. Os media configuram-se, assim, como provedores de atalhos acessíveis e aceitáveis (ALDÉ, 2004, p. 134).

Essa acessibilidade pode levar à simplificação e à banalização de assuntos complexos, como temem os críticos dos media, incluindo Habermas (2006, p. 422). Mas também possibilita que as questões circulem pela sociedade, atravessando públicos distintos e ultrapassando subsistemas sociais específicos (HABERMAS, 1997, v. 2). A linguagem não especializada dos media é fundamental para que diversas arenas discursivas façam-se porosas. No que concerne à aceitabilidade, observa-se que a publicidade gerada pelos media é constrangedora, podendo impulsionar a construção de argumentos publicamente aceitáveis. Michael James (2004) chama a atenção exatamente para essa questão. Para ele, os “mass

media colocam restrições mais abrangentes e universalistas sobre atores públicos, cujas

contribuições devem apelar para conjuntos mais amplos e diversos de respondentes” (p. 125).44 Os media têm, assim, papel relevante na formação da comunicação sem sujeito.

Ainda no que concerne à identidade dos interlocutores que participam desse âmbito, destacamos a relevância de se perceber os múltiplos enunciadores que se atravessam na enunciação (CHARAUDEAU, 2006). Ressaltamos, em primeiro lugar, que a ambiência midiática é composta por uma multiplicidade de atores e vozes, sendo equivocado entendê-la como “monolítica porque não temos uma unicidade de emissor nem uma inteligência unificadora por trás do que é dito” (GOMES, 1999, p. 222). O ambiente midiático, com seus vários conteúdos, veículos e formatos, é muito diversificado (MAIA, 2004a).

42

Do original: “frames are chosen with audience in mind”.

43

Do original: “The essence of public discourse is the sense of speaking to a gallery”.

44 Do original: “The mass media places more encompassing and universalistic publicity constraints upon

É preciso perceber, além disso, que os próprios fragmentos midiáticos não são uníssonos. Eles se conformam no cruzamento de muitos discursos, em verdadeiras redes intertextuais (CHARAUDEAU, 2006; FAIRCLOUGH, 1995). Até porque os jornais diários precisam, cada vez mais, de uma intrincada teia de fontes para construir sua credibilidade (MOUILLAUD, 2002; LOCHARD, 1996).45 Os estudos de newsmaking46 indicam que as notícias são “o resultado de processos complexos de interação social entre agentes sociais: os jornalistas e as fontes de informação; os jornalistas e a sociedade; os membros da comunidade profissional, dentro e fora da sua organização” (TRAQUINA, 2001, p. 85-6). Blumler e Gurevitch (2000) e Maia (2006) defendem posição semelhante quando propõem uma perspectiva sistêmica para entender os media.47

Nota-se que vários atores concorrem para obter visibilidade midiática. Atores de diversos campos buscam publicizar seus anseios e promover seus discursos nos media, até porque conflitos sociais envolvem, cada vez mais, lutas por visibilidade midiática (THOMPSON, 1998, p. 214; CALLAGHAN; SCHNELL, 2001, p. 184). Na competição por visibilidade, precisam lidar com as gramáticas dos media e adotar estratégias que chamem a atenção de seus profissionais (ASSIS, 2005; PARKINSON, 2003; SCHUDSON, 2002). Ações dramáticas podem ser particularmente importantes nesse processo de busca de visibilidade midiática (YOUNG, 2000, p. 178; TRAQUINA, 2001). É preciso jogar com os valores-notícia, promovendo discursos e ações passíveis de serem vistos como socialmente relevantes. Isso também pode contribuir para a produção de argumentos mais gerais e publicamente defensáveis.

Até aqui, buscamos delinear nosso problema de pesquisa, explicar os conceitos que o alicerçam e discutir o porquê de trabalharmos com as conversações informais, o discurso militante e os media massivos. Faz-se preciso, agora, discorrer sobre os princípios e procedimentos que guiaram nossa coleta e análise dos dados.

45

Mouillaud destaca que, para fazer-crer, o jornal diário contemporâneo se apoia, muitas vezes, no sistema de citações, reunindo, ao lado da sua, uma série de vozes. Isso se deve a uma mudança histórica: a imprensa-tribuna do século XIX teria se transformado “em um tipo de sala [...] de vozes perdidas” (2002, p. 126).

46

Para interessantes análises dos estudos de news making, ver Wolf (2003), Traquina (2001) e Albuquerque (1998).

47 Segundo esses autores, a construção do texto jornalístico envolve um complexo jogo de intercâmbios entre: 1)