2 Kunnskapsgrunnlaget
2.4 Frivillige organisasjoner
2.4.2 Frivillighet som ressurs og sosial kapital
De acordo com Lüdke e André (1986), a entrevista é, ao lado da observação, um dos métodos básicos para a coleta de dados, ocupando um lugar privilegiado nas pesquisas em educação. Trata-se, segundo Richards (2009), de um método central na pesquisa qualitativa,
focado na natureza da experiência. A interatividade, a influência recíproca, a captação imediata e corrente da informação desejada são características desse tipo de instrumento.
Dentre os tipos possíveis, a entrevista semiestruturada foi a que melhor se adequou aos propósitos desta pesquisa, pois permitiu que as participantes discorressem e verbalizassem seus pensamentos, tendências e reflexões sobre os temas apresentados, assim como caracterizou Rosa e Arnoldi (2006). Esse tipo de coleta de registo permite acesso a comentários subjetivos das participantes da pesquisa que podem ser relevantes à investigação.
O objetivo de toda entrevista é “responder a uma série de questionamentos e hipóteses” (Rosa e Arnoldi, 2006, p.44). Portanto, torna-se importante o uso do chamado protocolo de
entrevista, um documento que contempla em si, entre outros aspectos, de informações relativas
aos participantes da pesquisa à qualificação do entrevistador.
Serviram de base para a elaboração do protocolo de entrevista deste estudo os trabalhos de Gomes e Boruchovitch (2019), e Boruchovitch e Gomes (2019). No primeiro, de caráter interventivo, as autoras tratam de estabelecer os fundamentos teóricos acerca da ArA e trazem “sugestões de atividades reflexivas para conhecer melhor os alunos e levá-los ao autoconhecimento” (GOMES E BORUCHOVITCH, 2019, p.29). Já o segundo está orientado ao desenvolvimento da capacidade de planejamento, monitorização e regulação da aprendizagem no contexto da formação inicial e continuada de professores.
A partir dos trabalhos acima citados, para auxiliar a realização desta etapa da pesquisa, foi elaborado um protocolo de entrevistas. Segundo Yin (2016), o protocolo de entrevista geralmente contém um pequeno subgrupo de temas, considerados os mais pertinentes, que poderão ser seguidos por algumas breves sondagens e perguntas de seguimento, criando por meio do modo conversacional entre o pesquisador e o entrevistado uma relação social.
O protocolo elaborado para este estudo (apêndice E), foi pensado a partir das quatro dimensões que envolvem o processo de ensino e aprendizagem (GANDA e BORUCHOVITCH, 2019): dimensão motivacional, dimensão cognitiva, metacognitiva e dimensão emocional/afetiva. Uma vez que se buscou compreender o percurso formativo das participantes até aquele momento, as primeiras perguntas exploraram a dimensão motivacional dessas, desde a razão pela qual ingressaram no curso na licenciatura de espanhol até o que as mantêm como alunas. Essas informações relacionam-se a questões como expectativa de resultado global da formação, interesse e valor pelas tarefas, fatores que impactam nas crenças automotivacionais essenciais na fase de planejamento da tarefa.
O segundo grupo de perguntas aborda as questões cognitivas e metacognitivas na aprendizagem das participantes. Buscou compreender seu entendimento a respeito das
estratégias de aprendizagem, bem como sua percepção acerca da efetividade dessas. As perguntas relacionam-se de modo mais próximo à fase de desempenho da atividade, uma vez que busca compreender também as estratégias que usam e a frequência com que se automonitoram.
Por fim, o terceiro grupo de perguntas abarca a dimensão emocional/afetiva das participantes. Por meio dos questionamentos desse grupo buscou-se compreender a forma como lidam com os sentimentos advindos do processo de ensinar e aprender espanhol como professoras em formação. Essas informações auxiliaram na compreensão das autorreações das participantes, momento importante da fase de autorreflexão, uma vez que a forma como o aluno reage à sua percepção de progresso na aprendizagem exerce influência na fase de planejamento dos próximos objetivos a serem estabelecidos.
As entrevistas com as participantes ocorreram de forma individual nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de 2019 com as participantes Renata, Andreia e Luísa, respectivamente. Uma ameaça à validade da entrevista como instrumento de coleta de dados é o efeito Hawthorne, nome dado em homenagem ao pesquisador que primeiro descreveu o fenômeno (DÖRNYEI, 2011). Trata- se da situação em que o entrevistado fala a partir de uma suposição do que entrevistador deseja ouvir. Conforme orienta Burns (2009), buscou-se deixar claro o objetivo da entrevista, o destino das informações e os benefícios para as participantes, e ser sensível às respostas das alunas e a qualquer constrangimento ou nervosismo que pudesse surgir, como forma de minimizar esse efeito negativo.
A partir da escolha dos instrumentos de pesquisa acima citados, deu-se início à coletas das informações para posterior análise. As informações foram coletadas conforme sequência abaixo:
Quadro 9 Sequência da coleta das informações
Inicialmente, foi feito um convite à participação na pesquisa e uma breve explicação da temática da investigação. A partir do aceite foi solicitado às participantes que respondessem ao inventário de processos autorregulatórios. A aplicação ocorreu no dia 28 de setembro de 2019. Em seguida, durante os meses de outubro e novembro de 2019, foram coletadas as informações a partir das observações das aulas ministradas pelas participantes. A observações iniciaram-se por volta do terceiro encontro delas com suas respectivas turmas como, modo de captar as informações em um ambiente em que as participantes já estivessem mais familiarizadas com suas turmas.
Terminadas as observações, deu-se início às entrevistas, ocorridas nos dias quatro, cinco e seis de dezembro de 2019 com as participantes Renata, Andreia e Luísa, respectivamente. Buscou-se realizá-las em um local em que se sentissem confortáveis e, que ao mesmo tempo, favorecesse a boa captação de áudio. Assim, a coleta dessas informações ocorreu no próprio Campus Ceilândia, em um laboratório, uma sala de estudos e uma sala de aula, ambientes frequentados pelas colaboradoras.
Com base nas orientações de Rosa e Arnoldi (2006), para a realização da entrevista, buscou-se, de forma introdutória, esclarecer os objetivos da pesquisa e os possíveis benefícios que ela traria ao curso a partir da sua colaboração. Também se buscou certificá-las acerca do anonimato de suas participações, se assim desejassem. Para a gravação da entrevista, foi utilizado um smarphone com a função de gravador de voz.
Encerrado período de coleta das informações, procedeu-se a fase de tratamento e interpretação.