Na observação das aulas, trabalhamos com a descrição, nos termos de Clifford (1993), no intuito de evitar qualquer interferência gerada pela interação entre a observadora e os observados na coleta de dados do trabalho das educadoras, conforme já exposto no capítulo 2. A descrição proposta como forma de nota de
80 campo permite total concentração do pesquisador no registro dos acontecimentos e posterior reflexão acerca das anotações feitas durante a observação.
Apresentamos, a seguir, o registro das aulas de Língua Portuguesa observadas nas Escolas 1 e 2. Retomamos as descrições realizadas mais adiante, em 4.2. Justificamos a necessidade desse relato como subsídio para as discussões ora propostas sobre a formação continuada para uso de TIC em práticas pedagógicas. Escola 1
Foram observadas as aulas de duas docentes: em 2011, observamos somente as aulas da Professora 1, nos dias 08, 11 e 18 de novembro. No ano seguinte, acompanhamos as etapas de formação e planejamento (em fevereiro e março de 2012) e a etapa de execução de proposta de oficina com a webquest, desenvolvida em conjunto pelas Professoras 1 e 2, em 16 aulas do mês de abril de 2012.
Ano de 2011 - Professora 1
Em 2011, logo após a entrega do laptop aos alunos, a Professora iniciou as aulas de instrumentalização da turma. De acordo com o planejamento da docente, naquele mesmo ano, eles iriam explorar e conhecer os recursos do equipamento para, no ano seguinte, utilizarem-no nas aulas de Língua Portuguesa e nas atividades dos projetos da Escola.
Em 08.11.2011
Em aula anterior, a Professora avisou aos alunos do 6º ano que eles iriam trabalhar com o laptop do UCA. Na aula de 08.11.2011 , estava presente a técnica do Laboratório de Informática – doravante denominada TI –, que acompanhou as atividades e auxiliou os participantes.
A Professora iniciou as atividades ensinando os aprendizes a abrirem o laptop e, com a ajuda da TI, mostrou-lhes como deveriam agir, caso houvesse problemas. Os
81 procedimentos estavam em telas apresentadas no projetor de multimídia. Três laptops tiveram problemas de inicialização e a TI mostrou o que poderia ser feito naqueles casos. Sempre que houvesse problemas técnicos, os estudantes deveriam levar o equipamento para a TI, que procederia com a restauração do programa, se fosse necessário.
Além desses procedimentos técnicos a docente solicitou aos alunos que acessassem alguns jogos disponibilizados no computador. Os jogos de Português disponíveis eram de caça-palavras, forca, cruzadinha e ortográficos. No final da aula, que teve duração de duas horas, a TI ensinou aos discentes o procedimento de desligar o laptop e a Professora marcou para a aula seguinte, 11.11.2011, a continuidade da atividade. Nessa aula foi trabalhado somente o uso do laptop. Assinalamos com Vygotsky (1978) que o sujeito organiza e constrói seus conhecimentos na interação com seus pares ou com indivíduos mais qualificados. Destacamos, então, a importância da presença da TI nas aulas iniciais, em que foi notória a insegurança tecnológica da Professora com o uso do laptop. A ação de uma profissional da área de Informática foi imprescindível para que tanto a Professora quanto os alunos elaborassem seus conhecimentos sobre o uso de TIC nas atividades e aprendessem a utilizar o recurso tecnológico. Foi nesse processo de interação entre os sujeitos, TI (conhecimento técnico) e Professora (conhecimento pedagógico), que o conhecimento de ambas e dos discentes se construiu.
A TI, ao se propor a mediar a aprendizagem de todos, avaliou o conhecimento sobre o uso dessa tecnologia já construído por eles e o nível a que eles seriam capazes de chegar naquele momento. Essa avaliação dos alunos é feita pela TI em parceria com a Professora responsável pela turma com base em anotações da educadora regente em seus registros diários. Mais adiante, veremos que essa situação se repete na Escola 2.
82 Nessa aula, a TI não acompanhou a Professora, mas estava à disposição no laboratório, caso sua presença fosse necessária. No momento de iniciarem as atividades, cinco equipamentos não funcionaram e a docente não se sentiu segura o suficiente para auxiliar os alunos naquela ação. A TI foi chamada e, novamente, mostrou os procedimentos, e os discentes corrigiram o erro.
A Professora optou por ensinar os alunos a acessarem a Internet e a procurarem sites de pesquisa. O acesso demorou cerca de 15 minutos, uma vez que o sinal da rede apresentava oscilação. Após a solução dos problemas técnicos, a docente solicitou aos estudantes que entrassem no Google e disponibilizou no quadro-negro três endereços para pesquisarem11.
Na sequência, ela solicitou que os alunos, em duplas, fizessem leitura das histórias apresentadas nos sites, navegando à vontade por 60 minutos. Passado esse período, ela pediu que todos retornassem à tela inicial do site escolhido pela dupla e, no caderno, fizessem a descrição da página, detalhando cores predominantes, imagens utilizadas, links disponíveis – forma de localização e função. Essa atividade foi desenvolvida até o término da aula e durou, aproximadamente, 40 minutos. A Professora marcou para a aula seguinte a socialização dos registros do caderno. Em 18.11.2011
Os alunos socializaram os registros da aula anterior, compararam-no com os dos colegas e puderam verificar que cada ícone na Internet tem uma função, que nada é disponibilizado por acaso em um site e que, se não tiverem um objetivo claro de pesquisa, poderão se perder diante das muitas possibilidades de navegação. Nas aulas seguintes, a Professora explorou outros recursos do laptop, como tirar fotos, gravar imagens, abrir-digitar-salvar documentos.
11http://www.jogosdaturmadamonica.net/ Acesso Em 11.11.2011
http://calvin-e-mafalda.tumblr.com/ Acesso Em 11.11.2011 http://www.revistaluluzinha.com.br/ Acesso Em 11.11.2011
83 Para a educadora, o objetivo do ano de 2011 estava concluído, pois os alunos já utilizavam o laptop, conheciam parte dos recursos disponíveis e, a princípio, já tinham condições de desenvolver diferentes atividades nas aulas de Língua Portuguesa e nas ações do Projeto da Escola.
A Professora explorou apenas os recursos básicos do laptop com os estudantes como digitar, copiar, colar, salvar, pesquisar em sites disponíveis no Google, tirar fotos, filmar. A escolha, para o momento, foi pertinente e com certeza contribuirá para um melhor desempenho dos estudantes nas atividades pedagógicas. O trabalho desenvolvido se apresentou suficiente, uma vez que o objetivo dessa etapa era a familiarização com o laptop e que grande parte das atividades de Língua Portuguesa, assim como do Projeto desenvolvido pela Escola, precisaria desses recursos para registro dos resultados. Ficou prevista, em seu planejamento, outra etapa para o trabalho com editor de imagens, programa de apresentação, dentre outros, pois esses recursos demandariam mais tempo das aulas e, principalmente, conhecimento dos recursos, que a educadora ainda não tinha construído.
A ação de instrumentalização dos alunos para uso do laptop foi solicitada a todos os professores da Instituição, tendo cada um deles ficado responsável por uma turma, o que exigiu o aprimoramento de seus conhecimentos sobre tecnologia. Segundo Nóvoa (2007), a profissionalização do educador constitui-se a partir da sua Adesão, Ação e Autoconsciência – AAA. Durante os momentos de discussão e de planejamento que antecederam as aulas observadas e relatadas até aqui, percebemos que nem todos os docentes estavam dispostos a trabalhar com o equipamento, entretanto, após solicitação da Coordenação Pedagógica, a ação foi executada por todos. Dessa forma, podemos dizer que grande parte dos professores vivenciava primeiro A de Adesão, proposto por Nóvoa (2007).
A Professora de Língua Portuguesa, por sua vez, vivenciava o segundo A, de Ação, uma vez que aderiu à proposta e optou por utilizar o laptop e seus recursos no cotidiano pedagógico, conforme ela mesma afirmou:
84 ESCOLA 1
Professora 1 – Escola 1
[...] internet pra mim agora é prioridade. É a pesquisa,... né, a, a Internet pra mim, é uma... é necessário, já não é mais luxo. [...] nós precisamos também pesquisar porque as crianças, agora eles fazem pergunta pra você que se você não está atualizado, você fica para trás.12
Após a conclusão dessa primeira etapa com o laptop do Projeto UCA, demos por encerrado, naquele momento, nosso acompanhamento das aulas e marcamos retorno para o ano seguinte, 2012, para observarmos o desenvolvimento de outra proposta de aula com o apoio do laptop educacional.
Ano de 2012: Professora 1 e Professora 2 Em 07/02/2012
No início do semestre letivo, retornamos à Escola para acompanharmos o planejamento das atividades com o Projeto UCA. Em 07/02, na Semana Pedagógica organizada pela Gestão, um Formador do CEFAPRO forneceu orientações gerais sobre o Projeto UCA, destacando suas diretrizes, as orientações da SEDUC e a necessidade dos estudos acerca do uso da TIC e do laptop do Projeto UCA no horário do desenvolvimento do Projeto Sala de Educador. Na sequência, os professores iniciaram o planejamento anual de suas disciplinas.
Em fevereiro e março/2012: formação e planejamento
Nesse ano, com o aumento do número de alunos e de turmas, houve a contratação da Professora 2. O planejamento das atividades da disciplina de Língua Portuguesa pode, então, ser discutido em conjunto, pelas Professoras 1 e 2, o que proporcionou mais segurança nas tomadas de decisão, conforme será explicitado mais adiante.
12 Ao transcrevermos as falas das professoras procuramos ser fiel ao modo como o texto foi enunciado. Assim,
empregamos, algumas vezes, vírgulas como sinônimo de pausa, ainda que isso se configurasse numa incorreção gramatical do ponto de vista da norma culta, e algumas incorreções ortográficas para caracterizar melhor possível ao registro linguístico empregado.
85 Como a Professora 2 não havia participado da formação para uso do laptop do UCA nos anos anteriores, a Professora 1 prontificou-se a auxiliá-la.
Visto que alguns professores de outras áreas/disciplinas já utilizavam o laptop em suas aulas e outros, assim como a Professora 2, não conheciam o laptop, durante três encontros do Projeto de Formação Continuada Sala de Educador no mês de março, aqueles que conheciam um pouco mais os recursos do equipamento ensinaram os que não conheciam nada ou que ainda estavam inseguros. Nesses momentos de estudo de fundamentação teórica e troca de experiências pertinentes ao uso das TIC e do laptop a prática da formação continuada contribuiu significativamente para o desenvolvimento das propostas do Projeto UCA na Escola, como verificamos durante as aulas com o laptop da Professora 2 que serão descritas mais adiante.
O processo de formação foi necessário para um bom desempenho nas aulas com o laptop educacional, uma vez que, sem o conhecimento básico de seus recursos disponíveis, as atividades ficariam limitadas ao conhecimento já acumulado pelas Professoras sobre essa tecnologia. Ao participarem do processo formativo, elas puderam ampliar as possibilidades de uso do equipamento. De acordo com Paris, Cross e Lipson (1984), há necessidade de priorizarmos esses momentos de metacognição do professor os quais apresentam três conhecimentos: o conhecimento declarativo; o conhecimento procedimental e o conhecimento condicional.
Ao refletirmos sobre o conhecimento declarativo do professor (o que ele declara que já sabe), justificamos a insegurança apresentada nas entrevistas descritas mais adiante, pois o que a Professora declara que já sabe sobre o uso das TIC e do laptop do Projeto UCA, para ela, não é suficiente para desenvolver uma aula de qualidade com seus alunos. Isso se deve ao fato de ela conhecer apenas os recursos básicos já trabalhados no ano anterior com os alunos e ainda não dominar os recursos mais elaborados como editores de imagem, programas de apresentação, planilhas, sendo, fundamentais esses momentos de troca de informações e experiências propostos nos encontros do Projeto Sala de Educador.
86 Esse conhecimento, de acordo com os autores, reflete sua formação teórica que, nesse caso específico alude aos seus estudos acerca dos conhecimentos pedagógicos necessários para o uso das TIC e sua formação técnica considerando os recursos disponíveis para as atividades. Uma vez que o professor ou não participou dos encontros de formação ou não internalizou suficientemente os conceitos e técnicas trabalhados, sente-se inseguro ao pensar sobre a sua prática pedagógica com o laptop educacional.
O conhecimento declarativo está diretamente ligado ao conhecimento procedimental, que diz respeito a como o professor encaminha sua prática pedagógica. Uma vez que a teoria e a prática caminham juntas no processo de ensino e aprendizagem, se o professor não se sente seguro com seu conhecimento teórico sobre o assunto, sentirá dificuldades para organizar sua prática pedagógica.
A situação de dificuldade para organização e execução das aulas com uso das TIC e do laptop, verificada principalmente nas práticas das educadoras que não participaram das formações continuadas oferecidas pela UFMT e pelo CEFAPRO, evidencia a importância e a necessidade da formação continuada, independentemente de ela ser mediada por profissionais externos à Escola ou ser organizada pelos próprios educadores envolvidos.
O conhecimento condicional, por sua vez, também não está isolado dos outros dois conhecimentos, já que, no instante em que o professor reflete sobre “quando” e “por que” vai agir de determinada maneira (conhecimento condicional), ele precisa estar consciente do quanto já sabe (conhecimento declarativo) e do modo como pode executar uma ação (conhecimento procedimental). Essa postura reflexiva, metacognitiva propicia a reelaboração do seu conhecimento na interação com seus pares. Assim, os momentos de formação continuada organizados pelos professores da Escola 1 foram fundamentais para um melhor desempenho no uso de tecnologias em sala de aula com o uso do laptop do UCA .
87 Após os encontros destinados a orientações gerais, as Professoras procederam ao planejamento das oficinas que seriam desenvolvidas nas aulas de Língua Portuguesa com o uso das TIC e do laptop educacional em salas do 7º e 8º anos. A Professora 1 concentrou seu trabalho com o 7º ano e a Professora 2 encarregou-se do 8º ano. Ambas trabalharam juntas no laboratório de informática, uma vez que as turmas não eram numerosas. Para essa atividade, escolheram uma webquest13
disponibilizada no site14 oficial de webquest no Brasil
A webquest escolhida foi elaborada por Nívea Moreira, professora de Língua Portuguesa da E. E. Nossa Senhora de Fátima (Salvador)15. A seguir, apresentamos a imagem da primeira página do site de webquest (Figura 3) e, em seguida, a imagem da primeira página da webquest trabalhada com os alunos (Figura 4):
Figura 3 – Imagem da primeira página do site da webquest
Disponível em http://www.webquestbrasil.org/criador/procesa_index_busqueda.php
13
Webquest é uma atividade orientada na qual algumas ou todas as informações com as quais os aprendizes interagem são originadas de recursos da Internet.
14
http://www.webquestbrasil.org/criador/procesa_index_busqueda.php - acesso em março de 2012.
15
http://www.webquestbrasil.org/criador/webquest/soporte_tabbed_w5.php?id_actividad=12442&id_pagina=5. - acesso em março de 2012.
88
Figura 4 – Imagem da primeira página da webquest trabalhada com os alunos
Fonte: Disponível em
http://www.webquestbrasil.org/criador/webquest/soporte_tabbed_w.php?id_actividad=12442&id_pagin a=1
Durante as 16 aulas do mês de abril de 2012, os alunos resolveram as tarefas propostas na webquest sem muita dificuldade. O exercício contemplou: o estudo e a produção de contos de fadas com um olhar que se difere do olhar tradicional para os contos de fadas. As Professoras optaram por trabalhar o mesmo assunto com as duas séries uma vez que a webquest escolhida contemplava a produção de um gênero textual, conto de fadas, compatível com as turmas das educadoras.
No desenvolvimento das atividades os recursos básicos trabalhados com os alunos no ano anterior garantiram, como era previsto, um melhor desempenho dos alunos. Os estudantes foram capazes de pesquisar os sites sugeridos na webquest, organizar as informações e salvar no lapotp. Os poucos alunos que não estavam matriculados na Escola no ano anterior forma auxiliados tanto pelas Professoras quanto pelos colegas, conseguindo, dessa forma, concluir com êxito suas atividades.
89 No momento do planejamento das atividades, as Professoras idealizaram a criação de uma webquest, mas nenhuma das duas se sentiu suficientemente segura para colocar em prática a tarefa. De acordo com Quevedo, Crescitelli e Geraldini (2009), desenvolver ou ampliar as habilidades técnicas necessárias para a aplicação das novas tecnologias na educação não é suficiente para que o professor se sinta seguro em suas ações pedagógicas. Para as autoras, a reflexão sobre o processo de ensino e aprendizagem mediado pela tecnologia é que possibilitará ao educador o conhecimento necessário para o planejamento e a execução de propostas pedagógicas eficientes.
Nesse sentido, as docentes precisam ampliar sua reflexão sobre o uso das TIC e do laptop do Projeto UCA em atividades pedagógicas implementando, assim, seu letramento digital. Esse processo, evidentemente, não é imediato, portanto a proposta de uma formação continuada entre os pares, organizada de forma reflexiva, poderá ajudar os profissionais a superarem suas limitações e, consequentemente, desenvolver de forma mais segura suas propostas pedagógicas com o uso das TIC ou do laptop educacional.
Consideramos que a Professora 1 teve um pouco mais de desenvoltura durante as aulas, em razão de ter participado de cursos sobre tecnologias na educação e do curso específico para o uso do laptop do UCA. Dessa forma, conseguiu desenvolver as competências mínimas necessárias para execução de algumas atividades, embora ainda de forma bastante limitada. Essa limitação se deu, em parte, ao fato de a Professora não apresentar ousadia suficiente para se arriscar no uso do laptop e apropriar-se de todos os seus recursos. Não podemos desconsiderar, também, que alguns laptops já estavam parando de funcionar e, sem manutenção adequada, eram recolhidos, diminuindo o número de alunos com o equipamento e aumentando o receio da Professora de usar o aparelho, pois, ao olhar da educadora, ele poderia ser danificado pelo uso inadequado.
Já a Professora 2, apesar de também ter participado de cursos sobre tecnologias na educação (TIC e PITEC), não apresentou a mesma destreza nas aulas, ela parecia
90 ainda mais insegura, provavelmente porque, além dos problemas citados anteriormente, não participou do curso de formação para uso do laptop educacional disponibilizado pela UFMT. Faltou, para ela, além das discussões pedagógicas sobre o Projeto UCA, conhecer os recursos disponíveis no laptop educacional. Segundo Xavier (2003), apesar de o professor não precisar ser um expert em computação, precisa, no mínimo, entender como funciona o sistema para que possa propor ações ou buscar informações importantes para desenvolvimento de suas propostas.
Em 2012, como mencionado anteriormente, os laptops apresentavam problemas por falta de manutenção e, como não havia equipamento para todos, as educadoras optaram por trabalhar, simultaneamente, com os computadores do Projeto UCA e os do laboratório de informática, ampliando, assim, o número de máquinas disponíveis. Essa decisão não comprometeu totalmente as aulas mas apresentou alguns desafios para todos os sujeitos envolvidos na ação pois o sistema operacional do laptop é o Linux e das máquinas do laboratório é o Windows, necessitando de adequação por parte das Professoras e dos alunos, com ajuda da TI, na socialização dos materiais produzidos em sistema operacionais diferentes, mas compatíveis.
Uma ação que contribuiu para o êxito das atividades foi a parceria estabelecida entre as Professoras 1 e 2 no momento do planejamento da aula e de autoformação das educadoras. Acreditamos, assim, que a postura reflexiva do professor, salientada por Nóvoa (2007) é, hoje, uma necessidade para o aprimoramento profissional e para a concretização de uma educação de qualidade. Essa postura reflexiva das Professoras foi evidenciada tanto nas reuniões de planejamento coletivo como nos encontros formativos do Projeto Sala de Educador desenvolvido pela Escola. Nesses momentos as educadoras puderam proceder à leitura e discussão de textos acerca do uso pedagógico das TIC, vivenciar atividades técnicas com o laptop, socializar as práticas de sala de aula, refletir sobre as ações que deram certo e os desafios enfrentados para, assim, planejar novas ações com o uso das TIC e do laptop do UCA.
91 Escola 2
Na Escola 2, iniciamos as observações das aulas também em outubro de 2011, logo após a distribuição dos laptops do UCA. Na ocasião, a Gestão solicitou à Professora 1 que iniciasse o trabalho com os equipamentos nas turmas do Terceiro Ciclo. Inicialmente, ela propôs-se a desenvolver atividades de familiarização sobre os recursos do laptop. Nesse ano, da mesma forma como ocorreu com a Escola 1, havia apenas a Professora 1, uma vez que o número de turmas não comportava duas educadoras de Língua Portuguesa. Somente em 2013 a Instituição procedeu à contratação da Professora 2. Assim, nossa observação durante os anos de 2011 e 2012 ficou restrita às atividades da Professora 1.
Anos de 2011 e 2012: Professora 1 Em 17/10/2011
Para iniciar as atividades com o laptop, a Professora 1 solicitou aos alunos que levassem o equipamento para a aula seguinte. No dia marcado, todos os alunos do 8º ano, turma que ela disponibilizou para observação, estavam com seu laptop. A