Quando eu era criança não, a única coisa que eu vi de tecnologia foi ..., boneca que falava sozinha e a televisão na época. Em minha infância eu não tive brinquedo tecnológico que usasse a tecnologia [...] os brinquedos eram tudo manuseado, tudo artesanal.
PROFESSORA 2
Tive com joguinhos né? Vídeo game que era Atari na época né?
ESCOLA 2 PROFESSORA 1
Nós brincávamos de boneca e nós mesmo que construíamos nossos carrinhos e brinquedos. Então, o que nós tínhamos nós confeccionávamos, nós subíamos em árvores, é, a nossa infância, fazíamos pipa, brincávamos de bulita.
PROFESSORA 2
Na minha infância não, era muito brinquedo, ainda brincava de boneca. Eu tinha um irmãozinho, né? Então a gente, eu brincava com ele de carrinho, de soltar pipa, era mais aquilo aí na adolescência já na, aí veio o surgimento da tecnologia. Com 15 anos eu ganhei meu primeiro computador, que aí junto com o meu computador veio a reforma do meu quarto né? [...] Aí eu fazia curso de informática, eu abandonei o curso e fui aprender mexer sozinha no computador.
Nas falas, pelo menos em relação às características apresentadas a seguir, confirmamos que as Professoras pertencem à geração X, em razão de
duas não terem tido contato com a tecnologia em sua infância e adolescência, exceto com a televisão;
uma ter feito uso de videogame desde a adolescência;
uma ter tido contato com seu primeiro computador somente aos 15 anos. Os pertencentes à geração X, em sua maioria, aprenderam a manusear o computador enquanto se profissionalizavam e estão nas escolas atendendo a um
117 aluno que aprendeu a usar o computador como extensão de suas atividades diárias, desde a infância. A diferença de aprendizagem para o uso da tecnologia entre professor e aluno pode gerar atritos em sala de aula, pois existe a possibilidade de os estudantes do Ensino Fundamental, por exemplo, que são nativos digitais27, conseguirem executar ações no laptop que o educador, imigrante digital28, ainda não
domina. Dependendo da postura do educador em relação a essa situação, pode transformá-la em mais um momento de aprendizagem para ambos, ou pode coibir a iniciativa do aluno, por receio de se expor diante da turma.
Ocorre que, ao relacionarmos a idade das professoras à geração à qual pertencem, percebemos que nem todas as características da geração X estão presentes em suas falas. A diferença entre a classificação das gerações apresentadas e o uso da tecnologia por parte das educadoras em seu cotidiano pode ser justificada pelo fato de elas terem vivido, na infância e na adolescência, em uma região geográfica que não disponibilizava uma diversidade de recursos tecnológicos. Tal condição, acreditamos, colaborou para o pouco uso da tecnologia pelas professoras com mais de 30 anos, que viveram sua infância e adolescência no interior do país, Mato Grosso, num momento em que, se a expansão tecnológica estava se intensificando nos grandes centros do Brasil, no interior caminhava a passos lentos.
Conhecedoras de suas limitações sobre o uso da tecnologia no processo de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa, verificamos que as professoras são preocupadas com sua formação, uma vez que procuram se qualificar no mínimo em nível lato sensu. Assim, 50% das educadoras entrevistadas já concluíram a especialização lato sensu e 50% ainda estavam em curso no ano de 2013. Não há nenhuma professora com formação stricto sensu. Quanto à carga horária de trabalho, 75% são servidoras de 30h e 25%, de 20h. Todas lecionam para alunos do segundo e terceiro ciclos - alunos de 5º ao 9º ano, sendo que 50% somente nas escolas em que foram entrevistadas e 50% também em outras escolas, com uma
27
Nativos digitais: conceito cunhado por Marc Prensky (2001) para descrever a geração de jovens nascidos em uma era digital, em que informações circulam de forma veloz na grande rede de computadores – a Web.
28
Imigrante digital: para Prensky (2001) são os nascidos antes da Web, em uma era analógica, e apresentam, segundo o pesquisador, “sotaque” no uso das novas tecnologias, já que foram socializados de forma diferente dos nativos digitais e estão em um processo de aprendizagem de uma nova linguagem.
118 carga horária de 20h a 30h. Nenhuma delas trabalha em atividades que não sejam educacionais.
Quanto ao meio que utilizam para obter informação, os dados estão no Gráfico 229, a seguir:
Gráfico 2: Meio para obtenção de informação
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
De acordo com o resultado sistematizado, aproximadamente 60% de suas informações são obtidas por meio da televisão e Internet, ficando o jornal, a revista e outros responsáveis por 40% das informações obtidas pelas educadoras. Isso mostra que as professoras estão se adaptando às novas exigências, não somente profissionais, como sociais, uma vez que lidar com a tecnologia digital tornou-se praticamente uma condição para se viver produtivamente em sociedade.
Como educadoras comprometidas e conhecedoras das vivências e necessidades tecnológicas de seus alunos, as Professoras buscam formas de obter informações e se atualizarem constantemente, conforme indica o Gráfico 2. Apesar de fazerem parte da geração X, uma geração que cresceu ouvindo rádio e assistindo televisão,
29 Cf Anexo 01
9 - Meio para obter informação mais utilizado (marque no máximo duas opções): ( ) Televisão ( ) Rádio ( ) Internet ( ) Revista ( ) Jornal ( ) Outro Televisão Rádio Intenet Revista Jornal Outro
119 constatamos que o rádio não foi citado por nenhuma das entrevistadas, sendo substituído pela Internet, recurso para obtenção de informação presente, hoje, nas escolas públicas e em grande parte dos lares brasileiros. Outras mídias, como revista, jornal e televisão também perderam espaço para internet, mas ainda aparecem como fonte de informação para as professoras.
A adaptação às novas exigências sociais e profissionais exigiu um novo aprendizado: o uso do computador. No Gráfico 330, apresentamos o modo como as Professoras aprenderam a utilizar o computador:
Gráfico 3: Aprendizado do uso do computador
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
Averiguamos que houve um grande esforço por parte das educadoras para aprender a usar o equipamento: 50% delas aprenderam em casa, sozinhas. Uma menor porcentagem aprendeu na escola com outros educadores (16,6%); em cursos de informática particular (16,6%) e em cursos oferecidos pela rede pública (16,6%). As opções não uso e em casa - com ajuda de amigos não foi citada por nenhuma das Professoras.
30
Cf. Anexo 1
10- Como aprendeu a usar (marque até duas opções): A) o computador:
( ) Em casa – sozinho
( ) Em casa - com ajuda de amigos ( ) Na escola com outros educadores ( ) Em curso de informática particular
( ) Em cursos oferecidos pela rede pública de ensino ( ) Não uso
( ) Outro____________________________________
Em casa – sozinho Em casa - com ajuda de amigos
Na escola com outros educadores
Em curso de informática paticularparticular Em cursos oferecidos pela rede pública de ensino Não uso
120 O uso do computador exigiu que se apropriassem do conhecimento necessário para lidar com a Internet. No Gráfico 431, explicitamos como ocorreu esse aprendizado:
Gráfico 4: Aprendizado do uso da Internet
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
Quanto ao uso da Internet, 70% das educadoras aprenderam a navegar em casa, sozinhas; 15% aprenderam na Escola, com outros educadores, e 15% aprenderam em cursos oferecidos pela rede pública.
A familiaridade com o computador e também com a Internet advém de sua utilização diária para que o aprendizado possa ser internalizado. O Gráfico 532 informa o tempo de uso do computador e da Internet pelas docentes entrevistadas:
31
Cf. Anexo 01
10. Como aprendeu a usar (marque até duas opções): B) a internet:
( ) Em casa – sozinho
( ) Em casa – co m ajuda de amigos ( ) Na escola com outros educadores ( ) Em curso de informática particular
( ) Em cursos oferecidos pela rede pública de ensino ( ) Não uso
( ) Outro____________________________________
32
Cf. Anexo 01 Faz uso particular: A) do computador/internet ( ) Até 2 horas por dia ( ) De 2 a 4 horas por dia ( ) De 4 a 6 horas por dia ( ) Às vezes
( ) Não uso – Porque ___________________________________________
Em casa – sozinho Em casa - com ajuda de amigos
Na escola com outros educadores
Em curso de informática paticularparticular Em cursos oferecidos pela rede pública de ensino
121
Gráfico 5 - Tempo de uso particular do computador/ Internet
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
Constatamos que as professoras estão preocupadas em se manter atualizadas, tanto no que concerne à informação quanto ao uso de tecnologias, uma vez que 50% delas utilizam o computador e a Internet de 2 a 4 horas diárias; 25% utilizam-na até 2 horas diárias e 25%, de 4 a 6 horas diárias.
Como vemos, 100% das educadoras estão em contato com o computador e com a Internet em suas residências e nas Escolas, isto é, iniciaram um processo de uso pessoal e profissional dessa tecnologia e de tudo que ela pode oferecer. Acreditamos que esse contato cotidiano contribuiu para a utilização desses recursos tecnológicos em suas práticas de sala de aula.
A finalidade com que usam a Internet é explicitada no Gráfico 633:
33
Cf. Anexo 01
13. Finalidade com que usa a Internet (marque quantas forem necessárias): ( ) Comunicação por e-mail
( ) Baixar programas/músicas ( ) Jogar
( ) Pesquisas escolares (navegação e busca)
( ) Participar de comunidades (orkut, facebook, e outros) ( ) Não uso
( ) Outros ______________________________________________________
Até 2 horas por dia De 2 a 4 horas por dia De 4 a 6 horas por dia
122
Gráfico 6: Finalidade com que usam a Internet
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
A finalidade com que os professores selecionados para esta pesquisa utilizam os recursos disponíveis na Internet apresenta uma relação direta com seu processo de formação continuada, sua profissionalização. Isso se confirma nos dados sistematizados, uma vez que 60% desse uso estão relacionados a pesquisas escolares e a comunicação profissional por e-mail. Apenas 40% do uso total são atividades que podem proporcionar um caráter mais pessoal do que profissional, como baixar música ou programas (20%) e participar de comunidades (20%).
No entanto, tais ações também podem conter um teor pedagógico quando contribuem para o planejamento escolar. De forma geral, podemos considerar que aproximadamente 80% das opções escolhidas podem contribuir para o fazer pedagógico dos educadores, já que há possibilidade de baixarem programas e músicas para atenderem as necessidades de seus planejamentos. Os resultados apresentados, por fim, indicam que nenhuma das professoras utiliza a Internet para jogar.
Considerando que as escolas estaduais selecionadas como lócus da nossa pesquisa participam do Projeto UCA em Mato Grosso e que cada aluno recebeu seu laptop, a utilização dessa tecnologia é realmente uma necessidade para as educadoras.
Comunicação por e-mail
Baixar
programas/músicas Jogar
Pesquisas escolares (navegação e busca)
123 Vejamos, no Gráfico 734, os dados da utilização de computadores no trabalho com
os alunos:
Gráfico 7 - Uso de computadores com alunos
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
Verificamos que 60% das Professoras utilizam o laboratório de informática ou laptop em sala de aula para pesquisas na Internet durante suas aulas de Língua Portuguesa e 40% utilizam-nos em aulas específicas para informática. Associando tais resultados com os dados anteriores que explicitam que 70% dos professores declaram que aprenderam a utilizar a Internet em casa, sozinhas (cf. Gráfico 4); 50% das entrevistadas fazem uso particular do computador/ Internet em média de 2h a 4h diárias (cf. Gráfico 5) e que 60% utilizam a Internet em suas aulas (Gráfico 7), verificamos que as docentes vivenciam um intenso processo de familiarização com essa tecnologia.
Isso justifica o dado de que 40% da utilização era feita em aulas específicas de informática, nas quais havia um TI disponível para o professor e para a turma. Era possível, dessa forma, não só o professor auxiliar os alunos como também ampliar seus conhecimentos com o apoio desse profissional e isso durante o próprio desenvolvimento das atividades, momento em que sabemos que a aprendizagem
34
Cf. Anexo 01
14. Usa dos computadores com alunos (se necessário, marque mais de uma opção): ( ) No horário da aula que ministro
( ) Em aulas específicas para informática ( ) Não uso
Internet/ sala de aula (pesquisa )
Em aulas específicas para informática Não uso
124 ocorre de modo mais eficiente, mais significativo. Nessas aulas, o professor coloca- se na condição de educador, porque ensina seus alunos, e de aprendiz, porque amplia seu conhecimento a respeito do uso das TIC, observando instruções fornecidas pelo TI que o acompanha na execução da sua proposta de ensino e aprendizagem.
Quanto às atividades desenvolvidas em sala de aula com os alunos, obtivemos o seguinte resultado (Gráfico 8)35:
Gráfico 8 - Principais atividades realizadas com o laptop
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
Nossa surpresa foi que, apesar de serem professores de Língua Portuguesa, nenhuma das entrevistadas destacou, no questionário, o uso de editores de texto. Porém, durante o período de acompanhamento e observação em sala de aula,
35 Cf. Anexo 01
17. Durante as atividades no computador com os alunos na escola, utiliza mais (marque até três opções): ( ) Internet (pesquisa )
( ) Software educacionais ( ) Editor de textos(Word e outros)
( ) Programas de apresentação (Power point e outros) ( ) Planilha eletrônica (Excell e outros)
( ) Enciclopédias ( ) Editor de imagens ( ) Editor de desenho ( ) Não uso ( ) Outros ______________________________________________________ Pesquisa na internet Edição de texto Elaboração de apresentação Pesquisa especificamente em enciclopédias Atividades de jogos disponíveis no laptop
125 percebemos que programas de edição de texto eram utilizados. Esse recurso de produção de texto disponível no laptop também foi citado na entrevista, como indicado nos trechos a seguir:
ESCOLA 1 PROFESSORA 1
É, pra pesquisas né? E também eles fazem, trabalho com ele com alguns jogos né, que tem online né? Pra eles estarem participando, é, tá jogando. De língua portuguesa eles têm jogos pra eles sentarem em dupla e olhar as frases né? [...] Mas eles conseguem fazer jogos, fazer pesquisa, digitar
textos né? Aí eu uso isso nos computadores. (Grifo nosso)
ESCOLA 2 PROFESSORA 1
Então tudo aquilo, as historinhas em quadrinhos, nós produzimos no UCA, juntos, eu com o meu laptop ou com o laptop deles, então a gente, nós sentávamos em dupla, então eu naquele momento, eu não era professora, nós éramos os aprendizes ao mesmo tempo. E nós produzimos texto, nós adaptamos no Datashow, fizemos apresentação no pátio. (Grifo nosso)
Compreendemos que o uso do editor de texto, de alguma forma, já foi internalizado pelas educadoras, tendo se tornado parte da rotina do uso do laptop, o que pode ter levado as entrevistadas a não destacarem o uso da ferramenta.
Das atividades desenvolvidas com os alunos, 40% são exclusivamente online, com apoio da Internet; 25% são atividades que não necessitam de conexão com a rede, pois valem-se de programas de apresentação, como o power point e 35% são atividades que podem ou não estar conectadas à rede, como uso de enciclopédias e softwares educacionais.
Partindo do pressuposto de que a utilização pedagógica dos recursos disponíveis no laptop e na Internet depende, muitas vezes, da formação continuada oferecida aos educadores, consideramos fundamental verificar se havia participação das Professoras em cursos sobre o uso da tecnologia na educação. Os dados referentes a esse aspecto estão no Gráfico 936
36
Cf. Anexo 01
19. Participação em atividade de formação continuada em tecnologia para educação nos últimos três anos ( ) sim ( ) não
126
Gráfico 9 - Formação continuada para uso de tecnologia na educação (3 anos anteriores)
Fonte: Elaborado pela pesquisadora
Ao serem questionadas sobre a participação em cursos de formação continuada no período em tela, 70% das educadoras afirmaram ter realizado curso dessa natureza. Durante o acompanhamento e a observação das aulas, bem como durante as entrevistas realizadas, verificamos que as professoras que declararam não terem feito cursos no período de três anos anteriores são as que haviam sido contratadas há menos tempo.
Os cursos de formação continuada citados pelas entrevistadas foram: Introdução Digital, com 40 h;
Tecnologia de Informação e Comunicação na Educação (TIC), com 100 h; Projetos de Tecnologia na Educação (PITEC), com 100 h;
Capacitação para o Uso do Laptop Educacional, com 180 h.
Os três primeiros cursos foram oferecidos pelo MEC/ SEDUC, por intermédio do CEFAPRO, e o último foi desenvolvido pela UFMT, como já havíamos informado anteriormente. Todos foram fomentados durante o período de 2009 a 2012, anos de implementação do Projeto UCA em Mato Grosso.
Em 2013, contudo, como a demanda inicial do Projeto UCA já havia sido atendida por meio da oferta e disponibilização de cursos de formação continuada pelas instituições formadoras (uso das TIC e do laptop), houve diminuição na frequência da oferta subsequente de tais cursos pelas universidades, o que implicaria que as escolas deveriam tomar para si a tarefa de manter a formação continuada. Em
Sim
127 outras palavras, após os cursos iniciais terem sido realizados, com a redução da oferta de cursos, ficou sob a responsabilidade da escola, com acompanhamento do CEFAPRO, desenvolver cursos ou encontros de capacitação durante as reuniões realizadas no âmbito da Sala de Educador, organizados pela coordenação pedagógica das escolas.
Sobre a formação continuada dos docentes, destacamos os seguintes excertos: ESCOLA 1
PROFESSORA 1
Eu fiz, agora hoje, já vai retomar, acho que é o PITEC mesmo pra está
“aperfeiçoalizando” o projeto e como que eu vou inserir (Grifos nossos)
PROFESSORA 2
É, (fiz) TIC é, pra montar blog, pra gente ter um acesso, né, saber onde
pesquisar, como postar, né, porque quando, quando eu comecei a fazer as TIC né, o curso das TIC foi em dois mil e... acho foi dois mil e dois mil e
sete por aí né??[...] E esse ano (2013) ainda não, esse ano ainda não
estou participando, mas sempre que tem eu participo. (Grifos nossos)
ESCOLA 2 PROFESSORA 1
O olhar para a nossa escola era diferente, porque todas as outras escolas falaram só a escola Nilce recebeu laptop, então o que a escola Nilce está fazendo com os laptops? Tinha uma cobrança de toda a sociedade diante da nossa escola. Aí tem um professor no CEFAPRO que ele tem uma habilidade maior com a informática, o computador, então ele nos instruía assim, por exemplo, tinha toda segunda-feira a nossa sala, nossa formação, Sala do Educador. Aí nós já deixávamos programado que tais segundas-feiras ele viria nos auxiliar, tirar as dúvidas, independente da turma da UFMT vir nos formar também, o CEFAPRO nos dava sim esse
suporte.” (Grifos nossos)
PROFESSORA 2
Pergunta - Fora a formação da UFMT que você não estava aqui quando ela aconteceu, nos últimos meses, nesse último ano (2013) que você estava aqui não teve nenhuma formação pra tecnologia?
E: Que eu me recorde não. P: Nem na Sala do Educador?
E: Não. Não, que eu, eu me recorde, não. (Grifos nossos)
Consideramos, com base nos trechos apresentados, que o fato de os cursos deixarem de ser oferecidos pelas universidades pode ter colaborado para a insegurança das professoras em relação aos futuros processos de formação
128 continuada para uso das TIC e do laptop do UCA. Isso se deve ao fato de as professoras compreenderem que a escola teria dificuldades em organizar outros cursos por falta de professores internos com conhecimento suficiente para mediar essas formações. Quanto ao CEFAPRO, as educadoras reconhecem que a demanda de atendimento às escolas é maior que o número de Formadores, uma vez que cada Formador é responsável pelo atendimento de aproximadamente 10 escolas, o que dificulta um acompanhamento mais próximo das atividades de cada educador.
Isso se concretiza nas falas das docentes, pois notamos que prevaleceu o uso dos tempos verbais no pretérito, indicando que as formações já não aconteciam mais no momento em que as entrevistas foram concretizadas, 2013, como tinham ocorrido em anos anteriores. Essa percepção é ratificada pela fala da Professora 2 da Escola 2, que destaca não ter havido cursos de formação relativo ao Projeto UCA em 2013. O uso das pausas, representadas na transcrição das falas das professoras por reticências, marca os momentos em que refletiam sobre o que responderiam a respeito do que foi perguntado, o que, a nosso ver, denota certa insegurança em relação aos caminhos futuros da formação continuada em tela.
Os dados até aqui apresentados precisam ser considerados também na relação com os obtidos nas entrevistas, dos quais vamos tratar na sequência, razão pela qual voltamos a nos referir a eles no momento de contemplar as relações entre todos os dados coletados e gerados neste estudo (cf. seção 4.2).
4.1.3 Momento final: entrevista
Realizamos uma entrevista semiestruturada com as educadoras e com uma formadora do CEFAPRO, cujos dados obtidos são apresentados a seguir.