4 Analyse
4.6 Kulturell utviklingskraft gjennom friluftsteateret
4.6.5 Friluftsteateret som felles kilde til kultur – og næringsutvikling
O movimento para colocar jornais na rede tem origem nos anos 1970, que pode ser considerada a primeira fase do jornalismo eletrônico. Em 1977, na Alemanha, o primeiro “teleperiódico”, o Bildschmerzeitung18, faz seu lançamento na Exposição Eletrônica de Berlim. No ano seguinte, a companhia telefônica francesa cria o Minitel, sistema de videotextos gerados a partir de centros de servidores, interligando vários computadores. Os primeiros serviços oferecidos, a partir de 1984, seriam: lista telefônica, previsão do tempo e compra de entradas para espetáculos.
A esta primeira fase, que podemos ver como exploratória, seguem-se experiências de várias naturezas com os conteúdos virtuais. Seria a segunda fase: nos Estados Unidos, em 1981, o Columbus Dispatch coloca partes da edição diária à disposição dos leitores, na tela do computador, e tenta impor taxas para o uso do serviço. Em 1990, depois que Tim Berners-Lee já tinha criado o código WWW e a internet havia ganho esse nome (o que
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aconteceu em 1981), os países começam a se conectar à rede. Em 1992, no Brasil, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Ministério das Comunicações e o então Centro Nacional de Pesquisas (CNPq) criam a Rede Nacional de Pesquisas, para coordenar o processo de montagem do tronco de uma rede que abrangesse todo o território nacional. As redes iniciais são voltadas à comunidade acadêmica. Nessa época, surge o primeiro provedor a oferecer acesso à internet para os brasileiros.
Em 1993, um jornal coloca todo o conteúdo em meio digital – o San José Mercury News. A primeira página com atualização regular a aparecer na rede é a de outro periódico norte-americano, o Palo Alto Weekly, em 1994 (Salaverría, 2006: 15). No Brasil, em 1995, a Agência Estado entra no ar com os conteúdos do jornal O Estado de S. Paulo; meses antes, o Jornal do Commercio de Recife havia colocado seus arquivos em rede. Entretanto, o primeiro periódico brasileiro a entrar em tempo real é o Jornal do Brasil. A ele se seguem: O Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo, O Globo, Estado de Minas, Zero Hora, Diário de Pernambuco e Diário do Nordeste (Jorge, 2004).
A terceira etapa estaria marcada com a afirmação do hipertexto, a partir de 1995, quando os links alcançaram o auge. Por último, a quarta fase desdobrar-se-ia, segundo Pavlik (In: Díaz Noci, [2001]: 29-30), a partir de 1997, quando conteúdos e desenhos específicos para os produtos da Web passam a ser engendrados, processo que atinge principalmente o jornalismo digital. Ainda não existe esse nome, mas só então se pensa no discurso informativo em rede. Junto com essa evolução vieram os Internet Studies (Estudos sobre a internet), disciplina que estuda a interação entre a rede mundial de computadores e a sociedade, examinando as implicações sociais, tecnológicas e éticas relacionadas. Universidades renomadas introduziram esta disciplina no currículo.
Vimos, até agora, a notícia como um processo de construção, tanto do ponto de vista das rotinas produtivas, como do ponto de vista histórico, acompanhando nosso raciocínio das duas linhas de argumentos em direção à hipótese de mutação. Por que é importante apontar os marcos de evolução da notícia, que preferimos chamar pontos de mutação da notícia?
Na teoria construcionista, a notícia é produto de uma construção e essa construção diz respeito, não apenas ao cotidiano dos jornalistas, como ao processo histórico, como vimos. Como organismo vivo, a narrativa jornalística se submete às mudanças de condições, que atuam sobre ela de duas maneiras (Darwin, 2000: 130): primeiro, diretamente, afetando toda a organização ou partes do organismo, como foi o caso da estruturação das empresas jornalísticas, onde também se introduziram modificações no
modo de produção; e em segundo lugar, indiretamente, no caso da evolução das espécies, por meio do sistema reprodutor. No caso das notícias, as mudanças de condições se referem aos meios de transmissão, o sistema de reprodução ou distribuição dos fatos.
Vale lembrar que, nesse processo, não há a determinação de que o produto noticioso passe por mudanças programadas ou com um fim estipulado. Assim, a notícia não sofre uma metamorfose, porque em nenhum lugar estava escrito que seu objetivo seria, por exemplo, tornar-se etérea nas ondas do rádio, evanescente nas imagens da televisão, ou virtual, no espaço cibernético. Efêmera como o próprio tempo, mutante diante dos acontecimentos da vida humana, ela se adequou aos suportes e fez deles um modo de expressão. Mudou junto com os jornalistas, o modo de produção, a cultura e a organização em torno dela. E, para isso, passou por várias etapas, o que causou mudanças na apresentação e nas características do produto, na forma de transmissão e na própria presença na sociedade. Pudemos observar os pontos de mutação do produto noticioso impresso e como este foi, pouco a pouco, buscando suportes mais estáveis. Registramos, nessa trajetória, o fato de que a notícia alcançou, além do papel, outras formas de transmissão – as ondas sonoras e eletromagnéticas do rádio e da TV. Entretanto, não tratamos até aqui do que seja realmente a notícia e de como ela se imiscui no trabalho diário do jornalista. Este será o tema da próxima parte.
3 Conceitos de notícia
O que é mesmo a notícia? Quais são as características da notícia hoje? Sabemos que a notícia absorveu, do positivismo, os princípios da objetividade, neutralidade e imparcialidade. Sigal (apud Vizuete e Marcet, 2003: 55) abordou a dificuldade em se conceituar a notícia: “Ninguém sabe o que são [as notícias]. O outro problema é que ninguém sabe o que significam”. Essa dificuldade derivaria da “ausência de um critério compartilhado universalmente para distinguir o que as notícias são do que elas não são”. Alsina reconheceu: “A notícia, em concreto, é uma realidade complexa, diversa e mutante” e “uma realidade poliédrica, de que só conhecemos algumas das faces” (apud Jorge, 2006).
Pierre Bourdieu (1997: 25) diz que os “jornalistas têm ‘óculos’ especiais a partir dos quais vêem certas coisas e não vêem outras; e vêem de certa maneira as coisas que vêem”. Para Bourdieu, os jornalistas “operam uma seleção e uma construção do que é
selecionado”, o que, para Traquina, representa “uma parte seletiva da realidade”, onde “os membros da comunidade profissional partilham não só uma maneira de ver, mas também uma maneira de agir e uma maneira de falar, o ‘jornalês’” (Traquina, 2004: 30).
Dentro desse microcosmo – o campo jornalístico –, os profissionais do jornalismo comportam-se como se fossem parte isenta do aparato de busca, seleção e registro dos fatos, e fazem questão de ser reconhecidos como instrumento objetivo e imparcial da coleta dos acontecimentos, cujo fruto seria o relato produzido. Barros e Junqueira (2005: 32) assinalam que “a crença na existência de uma realidade objetiva, passível de ser percebida sem filtros, é fortemente tributária da tradição positivista”. Esse pensamento influencia não apenas a ciência como também o jornalismo. Ladevéze (2004: 8) lembra que “na prática jornalística, se impôs (...) uma espécie de slogan, de procedência anglo-saxônica e substrato positivista, que reza: ‘As opiniões são livres, os fatos são sagrados’”. O autor observa que é “paradoxal” considerar os fatos dessa maneira: reveste-se de um caráter sagrado o respeito obrigatório à objetividade dos fatos:
Em uma sociedade que põe tanto empenho em separar o público ou comum do que é privado ou subjetivo, parece ser ao menos pitoresco que a diferença entre informação e opinião , entre a referência objetiva aos fatos e a exposição subjetiva de critérios se baseie em qualificar como merecedora de um respeito “sagrado” a parte objetiva desta distinção.
Se fazer a separação entre os fatos ou acontecimentos da realidade e a opinião ou interpretação que se tem deles já é difícil, a largueza da definição de notícia deriva justamente daí, a ponto de Altheide (apud Wolf, 2003: 196) afirmar que “as notícias são o que os jornalistas definem como tais”. Ele destaca que faz parte do modus operandi dos jornalistas a idéia de que “os eventos ocorrem ‘fora’”, e que eles se limitam a relatá-los. Motta descobriu que “o jornalismo é o último baluarte epistemológico da objetividade” e que “a linguagem dos jornais pretende ser imparcial, isenta de valores, aspira a descrever fielmente o real”. Porque o axioma da objetividade ainda é dominante, está longe da maioria dos profissionais o raciocínio de Motta (2002: 11-41) de que “na verdade, não existem acontecimentos, só existem percepções das ocorrências do mundo físico ou social”.
As notícias podem ser classificadas por sua forma de apresentação, pelo conteúdo, pela estrutura, e assumem diferentes formatos de acordo com cada um dos meios de comunicação (rádio, jornal, revista, TV, internet). Mídia e produto, para as agências de publicidade, matéria paga nos veículos ou resultado de transações comerciais entre empresas; unidade discursiva, na literatura, na retórica, na lingüística, a notícia é uma forma de transmissão cultural na sociologia. No jornalismo, assim como a entendemos
nesta pesquisa, a notícia, além de aparecer como sinônimo de comunicação e informação, é um gênero, por contraposição a reportagem, artigo, coluna, por exemplo; é também uma unidade básica de produção, que engloba um determinado modus faciendi, obedece a regras e oferece um certo resultado: o relato publicado.
Neste trabalho, vemos a notícia sob três acepções: a) construção de realidade; b) produto de uma disciplina e de rotinas específicas; e c) forma acabada de apresentação de ocorrências. Faremos, a seguir, uma revisão das definições de notícia. A tentativa de estabelecer-lhe os contornos é antiga. Podemos começar por agrupar os conceitos sob o ponto de vista do interesse. Pertencem a esse grupo, dando ênfase à recepção, ou seja, ao público consumidor – os newsconsumers, na perspectiva do agenda-setting – os seguintes conceitos: “Notícia é tudo o que o público necessita saber, tudo o que público deseja falar” (Revista Collier’s Weekly, apud Amaral, 1982: 39); “É uma compilação de fatos e eventos de interesse ou importância para os leitores do jornal que a publica” (MacNeil, apud Amaral, 1982: 39 e 60); “Uma informação corrente posta ao alcance do público”; “Um fato ou uma idéia que interessa a grande número de leitores (Charnley, apud Vizuete e Marcet: 55; Spencer, idem, ibidem)
Num segundo grupo poderíamos colocar as definições cuja preocupação está em equiparar a notícia ao significado presente nos dicionários, ou seja, a novidade. O pensamento de Turner Catledge e de David Randall é semelhante: “É algo que não se sabia ontem” (Catledge, apud Amaral, 1982: 26); “É uma informação nova e insólita sobre um assunto de interesse geral, de que não se tinha conhecimento até então” (Randall, 1999: 26). Meserani e Di Giorgi (1975: 35) ressaltam a distinção entre fatos e opinião: “É um texto que informa o que está acontecendo, de modo claro, geralmente breve, com a preocupação de dizer a verdade. Nela o autor registra os fatos, tentando evitar suas opiniões ou interpretações, evitando tomar parte”. Martín Vivaldi (In: (Martinez Albertos: 287) analisa a notícia, “do ponto de vista da redação” como um “gênero jornalístico por excelência que dá conta, de modo sucinto mas completo, de um fato atual ou atualizado, digno de ser conhecido e divulgado, e de inegável repercussão humana”
Um terceiro grupo seria composto pelas acepções que procuram ser mais abrangentes, reunindo os fatores interesse, importância e atualidade: “É a informação atual, verdadeira, carregada de interesse humano e capaz de despertar a atenção e a curiosidade de grande número de pessoas” (Amaral, 1982: 60); [Notícia significa] “utilidade e valor para o receptor; ser nova, quer dizer, recém-transmitida, e ser comunicada através de um terceiro e, por conseguinte, exposta à influência subjetiva deste”
(Dofivat, apud Vizuete e Marcet, 2003: 55); e “Todo fato social destacado em função de sua atualidade, interesse e comunicabilidade” (Ferrari e Sodré, 1982: 7).
Para Correia (1998: 139), a distinção entre importância e interesse não é tarefa das mais fáceis. Muitas vezes o jornalista faz a sua avaliação dos fatos recorrendo simultaneamente aos dois critérios, e respondendo internamente às questões: “Por que este assunto é relevante? Qual o interesse para o leitor?” Os jornalistas também sabem que devem seduzir a platéia, atribuindo graus de importância ao material que transmitem. Mas o que é interessante para o leitor: é apenas algo atraente, agradável ou bonito? Ou é aquilo que implica um caráter de “benefício público por ser representativo de um bem maior” (García Bordas, 1994: 192). Ou ainda: o interessante é aquilo que interessa ao jornalista? Aqui, é preciso alertar que, das respostas, depende o tipo de jornalismo que se oferece ao público, como bem ressaltou Sousa (1.1.2 A notícia e o contexto sócio-cognitivo). Como diz Randall (1999: 30), “colocar excessivo empenho em agradar aos leitores, adaptando-se a suas supostas preferências equivale a estabelecer filtros para descartar notícias que se choquem com os preconceitos dos leitores ou suprimir aspectos inconvenientes (...)”
Há outras maneiras de encarar a notícia: pode-se vê-la, por exemplo, sob o aspecto do resultado – o produto jornalístico por excelência –, o que constituiria um quarto grupo entre as definições do produto informativo. “É a informação elaborada, (...) é mais do que o fato, o acontecimento, a novidade. É tudo isso e ainda o resultado, o produto da informação de consumo” (Bahia, 1971: 65-66); “Produto de um processo organizado, que implica uma perspectiva prática sobre os eventos, voltada a representá-los, a dar estimativas simples e diretas sobre suas relações e a fazer isso de modo que consiga atrair a atenção dos espectadores” (Altheide, apud Wolf, 2003: 197); ou “Produto colocado à venda e que atende à lógica e às exigências do mercado. É a técnica de relatar um fato.” (Lustosa, 1996: 17)
Sob abordagem fenomenológica, como a de Rodrigues (apud Sousa, 2002: 25), a notícia é examinada a partir do processo, dos fenômenos ou fatos que a geraram. Seria o quinto grupo de definições, em que ela é tomada como “um meta-acontecimento, um acontecimento que se debruça sobre outro acontecimento, sendo acontecimento por ser notável, singular e potencial fonte de acontecimentos notáveis”. Esse é também o raciocínio de Alsina (1989: 28-29), que entende a notícia como “produto da indústria informativa”, destacando os componentes desta forma de “construção social da realidade”: o acontecimento, “que significa imprevisibilidade”, e o inusitado, “o singular”. Ainda na
mesma categoria de análise, embora adotando viés ideológico, Marcondes Filho (1986: 13) afirma que notícia é o “anormal” que interessa aos donos da imprensa:
Notícia é a informação transformada em mercadoria com todos os seus apelos estéticos, emocionais e sensacionais; para isso a informação sofre um tratamento que a adapta às normas mercadológicas de generalização, padronização, simplificação e negação do subjetivismo. Além do mais, ela é um meio de manipulação ideológica de grupos de poder social e uma forma de poder político. Sem pretender entrar na questão dos estudos da parcialidade – trazidos pela Mass Communication Research e pela Teoria Crítica –, sobre a visão das notícias como distorção ou como manipulação, preferimos continuar no campo teórico da análise do discurso jornalístico como uma construção e como fruto das rotinas dos profissionais, corrente que se articula mais diretamente com o objeto deste trabalho.
No século XVII, Peucer (2004: 30) ressaltava que “são as coisas singulares, fatos realizados ou por Deus através da natureza, ou pelos anjos, ou pelos homens na sociedade civil ou na Igreja” o que constitui matéria para os periódicos. Na dialética de Marx, o jornalismo está alicerçado sob três categorias: o singular (o que é inusitado ou diferente); o particular (as notícias são sobre pessoas, retiradas de seu grupo) e o universal (fatos isolados como exemplos para a sociedade). Para Genro (1989: 14, 191), a trajetória da notícia funciona assim: quando um fato se torna notícia ele é visto pelo ângulo do singular e abre um leque de relações que formam seu contexto particular. No texto jornalístico, o lide atua “como síntese evocativa da singularidade” e realça o particular, destacando pessoas. A notícia decompõe o fato e o reorganiza. No corpo do fenômeno, ela sugere uma universalidade através da significação que estabelece para o singular. Como se o singular fosse universal.
Nas mais antigas acepções, a notícia aparece sob o signo do inesperado e do discrepante. Segundo Amaral, atribui-se a Amus Cummings, editor do New York Sun, um conceito que se tornou clássico: “Se um cachorro morde um homem, não é notícia, mas se um homem morde um cachorro, aí então é notícia, e sensacional” (Amaral, 1982: 60). Burrell (1992: 8) informa que inexiste definição universal para “news” na mídia americana, mas, geralmente, “ênfase no incomum é a base do moderno jornalismo americano, expresso no adágio: ‘If dog bites man, it is not news; if man bites dog, that’s news’.”19
19 Randall afirma que a expressão também é conhecida na Inglaterra como definição de notícia (Randall,
1999: 26). Nóbrega da Cunha ([19--]) diz que foi Charles Dana o autor, quando dava recomendações a um repórter. Nóbrega fez a adaptação da anedota ao Brasil: “Se um barril cair do alto do Pão de Açúcar, não será uma notícia; mas, se dentro houver um homem, isso, sim, será notícia”.
O momento desta frase é decisivo e determinante no pensamento ocidental e marca um ponto de mutação: metaforicamente, o sujeito da notícia é um homem, que emerge de sua condição biológica, antropológica e social, dissociando-se da espécie Homo Sapiens e se transformando no animal que agride outro animal. É o momento da afirmação da notícia como forma de conhecimento e como produto de consumo: a definição explicitada de maneira tão simples favorece, de um lado, a organização dos profissionais que a ela se dedicam; e, de outro, estabelece a base de um contrato não-verbal com os leitores, em que a imprensa se encarrega de produzir notícias como esta – com apelo sensorial e informativo – e o consumidor passa a depender delas para se localizar e se entender no mundo.
O significado de notícia é ambivalente, de acordo com Motta (2005: 8-15): “Por um lado, traz a anormalidade. Por outro, nomeia, compara, explica, analisa e assim o significado incompreendido passa a ser compreendido.” Motta volta agora a atenção para as razões sociais do aparecimento de notícias. Ele as entende como “fábulas da vida moderna” (Motta, 2002: 15-16). Circulando na sociedade, por intermédio das narrativas do cotidiano, “a notícia introduz o incomum no universo do comum, introduz o diferente no mundo da estabilidade”.
Há definições de notícia recentes que buscam abranger até sua apresentação na internet. Para Martínez Albertos (1993: 288), notícia é “um fato verdadeiro, inédito ou atual, de interesse geral, que se comunica a um público que se pode considerar massivo, uma vez que tenha sido colhido, interpretado e selecionado pelos sujeitos promotores que controlam o meio utilizado para a difusão”. Sousa (2002: 13) ousa esboçar conceito próprio, embora reconheça as limitações:
[Notícias são] artefatos lingüísticos que procuram representar determinados aspectos da realidade e que resultam de um processo de construção e fabrico onde interagem, entre outros, diversos fatores de natureza pessoal, social, ideológica, cultural, histórica e do meio físico/ tecnológico, que são difundidos pelos meios jornalísticos e aportam novidades com sentido compreensível num determinado momento histórico e num determinado meio sociocultural (ou seja, num determinado contexto), embora a atribuição última de sentido dependa do consumidor da notícia.
Os problemas de seleção de dados que os repórteres enfrentam no cotidiano têm que ser solucionados antes do fechamento ou, muitas vezes, na hora de baixar a edição para a oficina e, no caso do veículo na internet, a todo momento, tendo os chefes, os prazos industriais ou a concorrência como formas efetivas de pressão. Da escolha das informações mais relevantes para compor o texto depende o lide, a abertura da matéria, a parte mais importante, aquela que aparece primeiro ao leitor. Na maioria das vezes, os
profissionais não dispõem de mais do que alguns segundos para encontrar as respostas e tomar as decisões.
Dificilmente haverá uma fórmula que englobe um conceito “tão amplo, variado e, além disso, mutante”, raciocinam Vizuete e Marcet (2003: 56), que propõem um conceito de notícia abordando ao mesmo tempo a emissão (o processo de produção, a tarefa do jornalista, os valores que utiliza) e a recepção (como o público lida com o produto), apoiando-se numa “soma de qualidades”:
A notícia é uma seqüência do acontecer, produto da interpretação contextual de um jornalista que aplica critérios socialmente variáveis: que contém, de forma mais ou menos intensa, uns fatores que a fazem útil para as pessoas, e que necessita da intervenção interpretativa de um profissional que a converte em informação ao alcance de um público amplo que não tem por que ser necessariamente massivo.
Em todas as definições vistas, podemos observar que a notícia se faz a partir de uma adição de fatores. Os conceitos apenas se referem a um ou a alguns deles. A atualidade, condição do que é novo; o interesse geral, público ou do público; o interesse específico, como o interesse humano; a intriga, aquilo que o povo deseja falar; o impacto provocado pelo número de atingidos – tudo isso são critérios embutidos nas rotinas