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Frequency- and Length of Climate and Environmental Mentions

4. Data Analysis

4.1 Quantitative Overview

4.1.1 Frequency- and Length of Climate and Environmental Mentions

Iniciaremos nossa apresentação dos sujeitos da pesquisa por Santos, diretora que esteve à frente do Grupo Escolar Clarimundo Carneiro desde a sua inauguração em 1963 até junho de 1966, quando foi convidada a assumir a Delegacia Regional de Ensino de Uberlândia. Além disso, após sua exoneração do cargo de Delegada de Ensino, visto que era um cargo político, voltou a exercer o cargo de diretora do Grupo em 1972 até se aposentar.

Eu saí em Dezembro de 1971 da Delegacia Regional de Ensino. Era período de férias. Quando as aulas iniciaram tive que me apresentar ao Grupo Escolar Clarimundo Carneiro, por ser diretora concursada. Fiquei lá até me aposentar em Agosto de 1972 (SANTOS, 2012).

Santos, é solteira, pertencente a uma família numerosa, com doze irmãos e irmãs, alguns já falecidos, nasceu em uma fazenda localizada em Martinésia, distrito do município de Uberlândia. Atualmente está aposentada e mora com uma irmã.

Descobri Santos, com o auxílio da alfabetizadora Lobato que fazia parte do grupo selecionado para este estudo. Lobato mantém o contato e amizade com Santos desde a época que trabalharam juntas pela primeira vez. Assim, após Lobato conversar com Santos sobre essa pesquisa, ela aceitou, apesar da cautela e do cuidado, em receber a pesquisadora, conseguimos iniciar nosso dialogo. A cautela, segundo ela, se devia principalmente à sua idade avançada e aos problemas de saúde pelos quais estava passando, pois devido a estes fatos, não tinha certeza se sua memória seria confiável, no sentido de contribuir e lembrar das informações que seriam importantes para essa pesquisa e, sendo assim, talvez pudesse passar uma informação equivocada ou não tão de acordo com o que tinha acontecido no período dessa pesquisa. A alfabetizadora Lobato auxiliou bastante para que essa pesquisa tivesse êxito, informando inclusive o telefone pessoal de Santos e foi assim que essa pesquisadora fez o primeiro contato, no qual foi explicado, o tema e o objetivo deste estudo e como sua narrativa sobre sua experiência no Grupo escolar seria importante para a pesquisa. A princípio

69 Santos se dispôs a conhecer a pesquisa e os objetivos desde que o primeiro encontro não fosse gravado. Não foi um percurso fácil a cada telefonema, a narradora informava sobre o seu estado de saúde e em algumas vezes pensamos em desistir, mas aos poucos entre um telefonema e outro mesmo afirmando, que não estava em condições de receber a pesquisadora e que, assim que se sentisse melhor, avisaria para que pudéssemos remarcar a tão esperada entrevista. Assim que Santos sentiu-se em condições de conceder a entrevista, essa foi agendada e realizada. Ao ser recebida por Santos, iniciamos nosso dialogo buscando convencê-la da sua importância que seu relato possuía para a construção desse estudo. Buscamos informá-la sobre a necessidade que a academia e os pesquisadores de forma geral têm para investigar os modos de fazer e pensar os processos de alfabetização no período deste estudo, e que para nós era importante ouvir suas narrativas das memórias vivenciadas sobre o Grupo Escolar Clarimundo Carneiro e como ocorria a alfabetização nesse local.

Conseguimos a entrevista de Santos e de outras alfabetizadoras explicando às mesmas todo o processo da pesquisa. Foi possível constatar uma preocupação comum a várias entrevistadas, principalmente as que já tinham mais idade, de que suas memórias poderiam falhar, principalmente algumas questões importantes da vida que costumamos preservar25, e que mesmo os possíveis esquecimentos, também fazem parte da memória e têm valor na História Oral. Foi explicado também que toda narrativa seria transcrita e só depois de sua leitura e aprovação é que a história poderia ser analisada neste estudo. Uma informação importante, aos entrevistados foi a de que poucos documentos restaram da história do Grupo Escolar Clarimundo Carneiro e de suas alfabetizadoras.

Portanto, os depoimentos orais são preciosos para a construção dessa história e os depoimentos, em especial, o de SANTOS como diretora que esteve a frente da implantação do Grupo, com certeza seria de grande valia nessa construção.

A entrevista foi longa. Sendo assim, após a entrevista foi realizada a transcrição e encaminhada à narradora Santos para sua aprovação, contudo boa parte do que foi rememorado na entrevista foi suprimido, ou corrigido, pela autora, sem, contudo, mudar a essência da narrativa. Esse tipo de modificação, apesar de causar frustração ao pesquisador como foi nosso caso, é direito do narrador fazer todas as correções, suprimir, aumentar, ou deletar algo confidencial.

70 A formação inicial de Santos ocorreu em uma escola localizada na fazenda onde morava, ela revela que foi alfabetizada informalmente, visto que naquela época a criança só podia ingressar na escola com sete anos completos e como ela ainda não havia completado essa idade, mas tinha muita vontade de aprender a ler e escrever, acompanhava suas irmãs mais velhas que já estavam na escola, sentando na porta da sala e ficava horas escutando os ensinamentos do professor. “O professor era bravo e não me deixava entrar, mas, lá da porta eu assistia suas aulas. Foi assim que aprendi a ler” (SANTOS, 2012).

Apesar de não ter frequentado de maneira formal a escola da fazenda, ela lembrou que a escola era multisseriada, e que utilizava nas aulas de alfabetização a Cartilha da Infância, do chamado A E I O U, cujo método de ensino era o Sintético, usava-se a Silabação.

Assim, com oito anos de idade, após o falecimento de seu pai, mudou-se para o município de Uberlândia com sua mãe e seus irmãos e irmãs e foi estudar no Grupo Escolar Júlio Bueno Brandão. Coincidentemente, o nome de sua primeira professora neste Grupo era o mesmo nome que o seu, chamava-se Carmelita Cupertino.

Santos, narra que de acordo com sua percepção, acredita que o professor da fazenda, não possuía formação para exercer a docência, apesar de ser muito capacitado. Já a professora do Grupo tinha a impressão de ser normalista. “Eram todas de classe socioeconômica melhor. A única coisa que a mulher podia fazer naquele período era ser professora” (SANTOS, 2012).

Neste contexto, a carreira do magistério, nem sempre era uma escolha, mas, às vezes, a única opção de trabalho para as mulheres. Antes de se tornar diretora no Grupo Escolar Clarimundo Carneiro, Santos atuou por dezenove anos, como docente, na maior parte deste tempo como professora da 4ª série primária, na escola municipal “Nossa Senhora do Carmo”, que segundo ela, mais tarde se transformou no Grupo Escolar Bom Jesus. Quando a escola passou a se chamar Grupo Escolar Bom Jesus, ela já não estava mais em sala de aula, exercendo então o cargo de vice-diretora. Entretanto, a primeira turma para a qual lecionou foi uma turma de 1ª série e utilizou como instrumento de alfabetização a Cartilha da Infância, que tinha como base o Método Silábico, método esse que, além de ter sido o que vivenciou em seu aprendizado na infância, também era o ensinado no Curso Normal.

71 Santos, já havia terminado o Curso Normal quando iniciou sua carreira no magistério, tendo cursado o mesmo no Colégio Nossa Senhora das Lágrimas26. Após essa primeira formação no Curso Normal e após exercer por vários anos a profissão docente, ingressou no Curso de Orientação Educacional e Administração Escolar, ministrado no Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG), em Belo Horizonte, que teve duração de dois anos. Para participar deste curso recebia uma bolsa de estudos do Estado de Minas Gerais, visto que para frequentar este curso era necessário residir em Belo Horizonte. Foi justamente neste curso que conheceu o Método Global, tendo sido aluna inclusive de Lucia Casasanta, precursora do Método Global de Contos e autora da cartilha As mais Belas Histórias. Quando terminou o curso, 1961, e retornou à Uberlândia, foi trabalhar no agrupamento, que depois se tornou Delegacia Regional de Ensino27 onde ficou até junho de 1962, quando surgiu a oportunidade de dirigir o Grupo Escolar Seis de Junho. Assim, ao assumir o Grupo ela pensou: “se lá (IEMG) foi tão bom, agora que estou com uma escola em minhas mãos eu vou trabalhar com o Método Global” (SANTOS , 2012).

Entretanto, Santos ficou pouco tempo à frente do Grupo Escolar Seis de Junho, visto que foi convidada pela Dona Antonieta Silva, responsável pelo agrupamento, para assumir o novo Grupo que seria inaugurado, o Grupo Escolar Clarimundo Carneiro. Ao receber o convite, Santos disse que aceitaria com a condição de levar para esse novo Grupo algumas das professoras que faziam parte de sua equipe, como a professora Edir Lobato, Delma e outras. Além disso, também seguiu com ela para o Grupo, Marlene Cruz, que era sua vice-diretora no Grupo Escolar Seis de Junho e passou a sê-lo também no Grupo Escolar Clarimundo Carneiro. Desta forma, com essas professoras, que já trabalhavam anteriormente com a Dona Carmelita, e mais algumas outras que foram encaminhadas para lá, se formou a equipe a qual começou a lecionar no Grupo Escolar Clarimundo Carneiro sob a direção de Santos.