DEL I: OPS - EN MODELL I EN KONTEKST:
2.2. Fremveksten av New Public Management
Durante séculos, os homens – sempre que puderam – procuraram o bem viver conduzindo a vida conforme um modelo de virtude legado pela tradição. Na modernidade, o problema se tornou como conduzir a vida. A pergunta que se repõe hora a hora, e a ciência não tem como dar resposta, é: “Que devemos fazer? Como devemos viver?” (RÜDIGER, 1996, p. 35).
Na América do século XIX, a democracia se desenvolvia rapidamente, tendo por base princípios de liberdade e igualdade, além do progresso individual, que estavam atrelados à figura do self-made man.
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Esta compreensão de que os homens poderiam fazer tudo por si mesmos e obter sucesso a partir de tal atitude, levou a uma ideia de que as pessoas também poderia cultivar sua dimensão espiritual. A partir disso, desenvolveu-se o movimento de auto-cultura, que se baseava num programa cultural voltado a todas as classes, visando atuar no dia-a-dia das pessoas a fim de proporcionar igualdade de direitos e uma maternidade forte às mulheres da classe média e operária.
Com o conceito de autocultura, desejava-se criar um caráter ou uma personalidade condizente com o homem médio superior, pois se considerava que sem os valores espirituais, a liberdade política e a ascensão social poderiam tornar-se egoísmo, inviabilizando a vida em sociedade.
O conceito de autoajuda adentrou a América competindo, então, com o conceito de
autocultura, mas alinhava-se bem à ideia de “faça por si mesmo” (self-made man), que se
fortalecia nesse contexto. Entretanto, o contexto social estava mudando. A sociedade tradicional e estável ia sendo transformada pelos avanços da vida moderna, na qual a vida social passou a depender do jogo de forças econômicas, tornando-se cada vez mais incerta. “Em outros termos, podemos dizer que o conceito de bem viver, de vida justa, tornou-se mais e mais problemático” (RÜDIGER, 1996, p. 71).
Dentro disso, na passagem do século, a ideia do homem que se autoajuda, que faz por
si mesmo começou a se desenvolver ainda mais, por meio do movimento Novo Pensamento.
Mas o conceito de autocultura foi sendo deixado de lado, pois a preocupação com o desenvolvimento da personalidade continuava, mas houve algumas modificações em seu sentido.
Desenvolver o estado interior ainda era algo de grande interesse, mas o foco foi deixando, aos poucos, de estar associado com valores voltados ao caráter e à democracia, para dar espaço ao indivíduo de sucesso. Enquanto os primeiros best-sellers voltados à autoajuda focavam o fortalecimento do caráter e da personalidade, a moral e os bons princípios, os próximos começaram a transmitir princípios psicotécnicos, buscando constituir uma personalidade agradável, carismática e dotada de um poder pessoal (RÜDIGER, 1996).
Os livros que difundiam a auto-cultura versavam sobre a resolução de um problema social por meio do indivíduo, a preocupação com si próprio tinha origem nos problemas sociais. No final do século, os livros de autoajuda vão assumindo novas finalidade, sendo que o problema parece estar atrelado ao próprio indivíduo (RÜDIGER, 1996).
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Com isso a ideia de autoajuda e do self-help man começaram a adentrar uma nova corrente que foi se adequando às mudanças da época, a qual atingiu o máximo de sua popularidade entre 1895 e 1915, ficando conhecida como o Novo Pensamento:
O Novo Pensamento, verdadeiro movimento de auto-ajuda, foi um fenômeno cultural de classe média, apoiado por formidável máquina de ensino e propaganda, que se propunha a desenvolver o chamado potencial humano e se originou da reinterpretação pragmática dos conceitos mentalistas postos em circulação no final do século passado por uma série de filósofos populares e publicistas (RÜDIGER, 1996, p. 72).
Com isso, tinha-se a ideia de ensinar estratégias para se obter sucesso e saúde mental, mostrando como se relacionar consigo mesmo (self), apresentando uma série de técnicas que se baseava no poder da mente. Nesse movimento, os elementos oriundos da religião foram dando espaço aos oriundos da psicologia, enquanto a busca pelos hábitos saudáveis ocupava o espaço da formação do caráter baseado nas virtudes. Passou-se a acreditar que a partir do autocontrole, a pessoa poderia dominar também seu contexto externo.
Dessa forma, segundo Rüdiger (1996), algumas das características que marcaram o novo pensamento foram:
A ideia de conciliar uma saúde perfeita, o viver bem e uma posição social melhor, sendo que a figura do self-made man foi fundamental para veicular esses valores, de modo que ela foi incorporada em propagandas, conferências, livros e revistas, popularizando os ideais do Novo Pensamento;
Um sincretismo baseado em religiões orientais, filosofias idealistas; cristianismo; hipnotismo; tradição esotérica e psicologia;
O panteísmo, pois apesar de não ser uma religião, continha valores centrais das religiões mais conhecidas, de modo que defendia que a vida deveria ser obediente a um Poder Supremo, ou a uma Inteligência Infinita;
O Poder Supremo, considerado uma força que comanda o movimento de tudo o que existe, o que por alguns é chamado de Deus, mas com um significado extra
religioso;
E, como elemento fundamental, o mentalismo (crença no poder da mente), desenvolvendo a crença que, de fato, pensar é poder. O sucesso depende muito de valores como determinação, ambição, perserverança...
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O autor ainda traz a contribuição de Turnbull (1911), que acredita que o Novo Pensamento era a evolução do Progresso, que já havia sido mecânico, depois físico, agora assumia a forma mental e, no futuro, se daria por meio de um magnetismo.
Práticas de magnetismo e hipnotismo tornaram-se comuns nesse movimento, visando ao cultivo mental e ao controle da mente. Contudo, muitos pregadores de autoajuda diziam que as práticas do Novo Pensamento não eram recentes, há muito tempo eram praticadas por mágicos, bruxos e taumaturgos, mas agora eram revisadas e sistematizadas em um método científico e claro, livrando-se do espiritualismo e dos elementos místicos (RÜDIGER, 1996).
O autor salienta que, apesar do movimento ter um fundo baseado em aportes científicos, na psicologia e na metafísica, sua popularização fez com que a maioria de seus seguidores buscassem métodos práticos e eficazes para solucionar seus problemas espirituais, financeiros, psicológicos e físicos. A essência filosófica do Novo Pensamento não era interesse da maioria, que geralmente, desejava principalmente encontrar novas formas de enriquecer.
Os porta-vozes do movimento, por sua vez, dividiam-se em dois grupos principais: O primeiro eram os praticantes do magnetismo pessoal e do mentalismo, que acreditavam que o homem disciplinado poderia fazer com que seus pensamentos se transformassem em realidade. O segundo grupo, mais conservador, buscava desenvolver o poder interior por meio da prática da autoajuda, fomentando o sentimento do poder interior e de plenitude da subjetividade (RÜDIGER, 1996).
O Novo Pensamento tornou-se muito popular entre as classes ascendentes, sendo divulgado através dos mais variados meios: corporações, magazines e entidade governamentais compravam seu material para distribuir aos clientes. Revistas, jornais e livros eram vendidos, com a promessa de ensinar as técnicas necessárias para prosperar.
A partir das mudanças o conceito de autoajuda foi mais uma vez sendo remodelado, contando com a influência da ciência e, especialmente, da psicologia humana. Assim, o próximo tópico trata da Psicologia Positiva, que emergiu no século XIX e exerceu grande influência sobre a literatura de autoajuda da época.
3.1.2. Do século XX ao XXI: influências da Psicologia Positiva sobre a Literatura de