Optimalisering av dekkesystemer
5.1 Fremtidig arbeid
No item 3.5 foi visto a Teoria da Ação Coletiva, que discute o comportamento de indivíduos que procuram maximizar seus interesses dentro de associações. Concluímos que, por mais variado que seja o comportamento humano, existem pontos em comum que ligam os interesses humanos e que as associações possuem o ambiente propício para a prática da ação coletiva. Olson (1999) considera raros os casos em que os indivíduos participam de um grupo por mero altruísmo ou senso coletivo, afirmando que as pessoas são racionais e buscam primeiramente seus próprios interesses e que por isso necessitam da ação coletiva para ganhar força coletiva aos seus interesses individuais. Esse comportamento perpassa diversos efeitos, tais como: divergências de opiniões, falta de governança especializada em gestão, níveis de dedicação assimétricos e privilégio de interesses individuais em prol dos coletivos.
E4 ressalta que "houve falta de entrosamento entre os membros do grupo, sem integração ao processo, com pensamentos distintos"; opinião compartilhada por E1 quando diz que "se existem dez, doze ou quinze produtores numa reunião, existem dez, doze ou quinze posições diferentes” e acha que "a ovinocultura no D.F experimenta falta de união, de apoio mútuo e ação coletiva". E3 assegura que "reunir os produtores para fazer com que pensem da mesma forma é um grande desafio".
Quanto aos aspectos de gestão (ou a falta dela), E1 referendou que havia uma baixa quantidade de pessoas participando das reuniões. Para ele, faltava alguém capaz de conduzir o grupo, “um executivo de negócios para direcionar as
135 reuniões. Faltava visão financeira sobre o negócio - a relação investimento x retorno". Para E2, "faltava um gestor, poderia até ser um não-sócio, porém capaz de gerir a organização". Também disse que as reuniões eram intermináveis e repetitivas. Faltou governança. E completa: "as relações foram sendo desgastadas ao longo da convivência. Egoísmo e despreparo marcaram o período de convivência. Também não existiu a assistência técnica prometida". E3 concorda que existiam falhas na governança, mas fez questão de dizer que “mesmo que a governança da empresa fosse exemplar, ainda assim se esbarraria no problema da produção".
Acerca do nível de dedicação dos associados, E4 relatou que "ovinocultura na RIDE-DF é exploração de fim de semana, sem objetivo econômico e financeiro, exceto eventualmente". E5 observa que a profissionalização exige esforço, mas na hora do esforço “ninguém quer comparecer". E completa: "não encontrei na maioria das propriedades interesse profissional na ovinocultura. Alguns produtores têm todo registro de suas atividades principais, como empresários, mas quando se fala em ovinocultura o que impera é o empirismo". E3 explicita que "pouca gente comparecia às reuniões. Alguns queriam saber sobre o retorno de seu dinheiro antes mesmo de iniciar as atividades da A Carneria". Conclui ainda que:
"O principal problema no convívio entre os produtores é a vaidade. Se alguém tem uma fazenda, quer mostrar para os outros. O dinheiro que está na fazenda vem da cidade. Quem se dedica à fazenda somente nos finais de semana dificilmente atinge o ponto de equilíbrio". (E3)
Não foi à toa que na aplicação da Matriz GUT, discutida anteriormente, o baixo grau de confiança e comprometimento com a atividade foi a fraqueza de maior incidência na priorização dos problemas apontados.
136 Acerca dos interesses individuais em detrimento dos coletivos, E4 frisou que "o relacionamento entre os produtores e sua respectiva associação é muito difícil. Diversos produtores atravessaram a venda, vendendo para o mercado clandestino". E1 corroborou com essa opinião quando disse que alguns veem a ovinocultura como um passatempo. Há dedicação de uns e de outros não. Pensam assim: “se lá eu não estiver, perderei uma oportunidade, mas acabam vendendo animais para fora da associação" e completou dizendo que as ações associativas parecem não beneficiar a todos. Questiona: “como trabalhar juntos? Para se ganhar em escala, virar commodity, ter preço conhecido no setor e reduzir toda assimetria de informações, um novo caminho deve ser trilhado".
O associativismo poderia até mesmo ser aplicado ao aspecto produtivo, pelo menos essa seria a opinião de E2, quando observa que: "centralizar a produção poderia ser uma solução. A terminação poderia ser feita por outros. Cuidar da cadeia desde a estação de monta até o cliente final”. E1 destaca que quem devia se preocupar em produzir o animal vivo (insumo-genética), também está preocupado em abater, processar e comercializar:
“querem verticalizar demais. Existem custos em cada uma dessas etapas. Para se ter produção centralizada deve se ter capital coletivo dos produtores. Enquanto não houver isso não há como deslanchar. Criar é um know how, abater e distribuir é outro". (E1)
E4 afirma que é difícil haver produção centralizada: “os produtores são indisciplinados para se submeterem à integração. Uma integradora diz qual vai ser o seu plantel, sua área e seu manejo. Aqui é difícil, inclusive compras coletivas".
E3 salienta que se as pessoas não envidarem esforços para a produção, não pode haver desenvolvimento da ovinocultura, pois esse desenvolvimento não existe sem planejamento produtivo. E5 complementa dizendo que "pode até haver
137 produção centralizada, mas tem que ser com produtores rurais dedicados verdadeiramente à ovinocultura". E3 sustenta ainda que a profissionalização da cadeia precisa passar por três aspectos: processo, registro e avaliação. “Sem isso não se consegue melhorar a produção de carne". E1 também ressaltou esse ponto de vista dizendo que “os produtores resolveram fazer a integração vertical antes de a cadeia estar organizada. Ficaram explorando mercados de feiras livres (spot) e tentando se blindar contra o mesmo mercado que estavam fornecendo". E3 lembra que antes de os produtores se unirem para produzir em conjunto, deveria ter sido feito um planejamento integrado: “acho difícil que aconteça produção em conjunto em razão da vaidade que cada produtor tem de criar o seu próprio rebanho". Encerrando a questão, E3 compara:
"No Uruguai a propriedade é encarada como uma unidade de produção. A cooperativa determina se a cultura será de árvores, de bovinos, ovinos ou grãos. Ela (a cooperativa) faz o planejamento para que as cooperativas menores façam o acompanhamento e a assistência técnica junto aos produtores. É uma outra realidade". (E3)