4 Funn
4.9 Evaluering av resultat
4.9.4 Framtidsutsikter og utfordringer
Neste capítulo, objetivamos evidenciar o processo de aquisição de capitais que permitiu aos indivíduos aqui investigados inserirem-se no campo do ensino geográfico. Entretanto, para uma melhor demarcação do nosso campo de investigação empírica, apresentamos inicialmente uma caracterização geral da população pesquisada.
O recorte espacial da nossa pesquisa correspondeu ao município de Teresina, capital do estado do Piauí. Para a realização do trabalho de campo, visitamos escolas públicas estaduais e municipais entre as que ofereciam Ensino Fundamental (5ª a 8ª série) e Ensino Médio, perfazendo um total de 83 escolas. Deste total, 28 foram municipais e 55 estaduais.12 Nessas escolas, localizamos os(as) professores(as) que lecionavam Geografia.
Participaram da pesquisa 150 professores(as), sendo 48 da rede municipal e 102 da estadual. Estimamos, com base em dados fornecidos pela Secretaria Estadual e pela Secretaria Municipal de Educação, que existiam cerca de 334 professores(as) de Geografia em atividade nas escolas públicas no município de Teresina, nos anos de 2004 e 2005, período em que ocorreu a primeira etapa da investigação. A opção pelo número de 150 professores(as) visa atender às necessidades de análise dos dados, tendo em vista que, caso fosse necessário dividir os sujeitos em grupos e subgrupos, não comprometeríamos o tamanho mínimo estabelecido pela estatística; qual seja, o limite de 30 sujeitos por grupo (LEVIN, 1987; GATT & FERES, 1978).
Entretanto, nesse primeiro contato com nosso campo de pesquisa, observamos a existência de uma heterogeneidade desses(as) professores(as) em termos de qualificação para o magistério. A Tabela 2, sintetiza as características gerais dos(as) professores(as) em termos de formação inicial.
12 As escolas estaduais são numericamente superiores às municipais, pois durante muito tempo os estados
foram responsáveis pela oferta de Educação Básica em sua totalidade. Atualmente, com o advento da Lei n. 9394/96, a responsabilidade pela Educação Infantil e o Ensino Fundamental vem sendo repassada do estado para os municípios.
Tabela 2 - Formação inicial dos docentes
Quantidade de Professores(as) Formação Inicial
Nº. absolutos Percentuais Licenciatura Plena em Geografia 123 82%
4º ano adicional 9 6%
Outros(1) 18 12%
Total 150 100%
(1) História-7, Lic. Curta em Estudos Sociais-5, Pedagogia-3, Filosofia-2, Serviço Social (Esquema I e II) – 1. Fonte: Crédito direto da autora
Na Tabela 2 verificamos a existência de professores(as) com outras qualificações, exercendo o magistério na área de Geografia, representando 18% ou 27 sujeitos com formação na área de Ciências Humanas ou portadores do 4º ano adicional. Convém aqui fazermos um esclarecimento.
O 4º ano adicional foi instituído na década de 1970 pela Lei n. 5692/71. Essa Lei tornou facultativo ao professor das séries iniciais, antigo ensino primário (1ª a 4ª série), ministrar disciplinas específicas (História e/ou Geografia) nas primeiras séries do antigo ginasial (5ª e 6ª séries), bastando para tanto cursar mais um ano do antigo curso normal.13
Este fato explica a existência, nos dias atuais, de professores(as) sem formação acadêmica ministrando essas disciplinas nas séries finais do Ensino Fundamental. Sendo, portanto, uma herança histórica da Lei n. 5.692/71 que reformou o ensino de 1º e 2º graus e esteve em vigor até o final da década de 1990, quando foi promulgada a Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9394/96).
A Lei n. 5.692/71, complementada pela Res. 08/71 do antigo Conselho Federal de Educação, estabelecia que História, Geografia, OSPB e EMC seriam os componentes básicos da matéria Estudos Sociais. Desde então, passou-se a estabelecer uma afinidade extrema entre essas disciplinas, de tal forma que, tendo formação acadêmica em qualquer uma delas, seria possível dominar a outra. Esta “crença” estende-se, atualmente, aos graduados em Filosofia e em outros cursos da área de humanas. Estas informações são importantes para compreender o contexto escolar no qual estão inseridos os(as) professores(as) de Geografia e, especificamente, compreender os processos históricos
13 O Curso Normal era realizado em Institutos de Educação e tinha por objetivo a formação de professores(as)
educacionais brasileiros pelos quais passou esta disciplina escolar. Ressaltamos que são características como esta que fundamentam o espaço escolar de origem dos(as) atuais professores(as) de Geografia, uma vez que a grande maioria deles realizou os estudos básicos (11 anos de escolarização) sob o auspício da Lei n. 5.692/71.
Ao lado dessa heterogeneidade em relação à formação inicial desses docentes, encontramos o predomínio de professores(as) com Licenciatura Plena em Geografia (82%). Esta constatação tornou viável os objetivos da nossa pesquisa e, para melhor atendê-los, decidimos tratar somente dos dados referentes aos(as) professores(as) graduados(as) em Geografia; em outras palavras, os(as) portadores(as) de diploma de Licenciatura Plena em Geografia. Na Tabela 2, podemos observar que esses totalizam 123. Por conseguinte, os dados com os quais trabalhamos durante todo o processo de análise e interpretação referem- se a um total de 123 professores(as).
2.1.1. Sujeitos da pesquisa: características gerais
Neste tópico, descrevemos os nossos sujeitos quanto aos seguintes aspectos: gênero, faixa etária e tempo de magistério.
58%
42%
Feminino Masculino
Gráfico 1 - Distribuição dos docentes por gênero Fonte: Crédito direto da autora
A distribuição por gênero, conforme pode ser observado no Gráfico 1, evidencia uma maioria formada por mulheres. A proporção de mulheres excede em 16% a proporção de homens, o que é compatível com a realidade das escolas de Ensino Fundamental e Médio no Brasil, onde predominam profissionais do gênero feminino.
7,30% 29% 45% 17% 1,60% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% até 24 25-34 35-44 45-54 mais de 54
Gráfico 2 - Distribuição dos docentes por faixa etária Fonte: Crédito direto da autora
No Gráfico 2, verificamos a distribuição dos sujeitos por faixa etária. Destacamos a baixa incidência de professores(as) com mais de 54 anos (1,6%). As concentrações maiores ocorrem nas faixas de 25 a 34 anos (29%) e de 35 a 44 anos (45%).
Tabela 3 - Distribuição dos(as) professores(as) por anos de docência Professores(as)
Anos de Docência com
Geografia Nº absoluto % De 1 a 5 anos 34 28 De 6 a 10 anos 42 34 De 11 a 15 anos 26 21 De 16 a 21 anos 11 9 De 22 a 27 anos 09 7,2 Mais de 27 anos 01 0,8 Total 123 100
Fonte: Crédito direto da autora
Observamos, ainda, na Tabela 3, que, em relação aos anos de docência, há uma concentração maior nas faixas de menos anos de magistério, quais sejam de 1 a 5 anos (28%) e de 6 a 10 anos (34%). Estas duas faixas concentram um total de 62% dos(as)
pesquisados(as). Constata-se, portanto, que entre os professores(as) de Geografia em exercício no município de Teresina há uma predominância daqueles(as) com poucos anos de docência.
A legislação atualmente em vigor no Brasil determina que a aposentadoria para o magistério dar-se-á, em termos gerais, após 25 anos de atividade para as mulheres e de 30 anos para os homens, considerando-se também a idade mínima de 50 anos para as mulheres e de 55 anos para os homens. Em conseqüência dessa concessão de aposentaria em regime especial para os docentes, encontramos com maior freqüência entre os(as) professores(as) uma população com idades pouco avançadas, haja vista termos localizado um baixíssimo percentual de sujeitos com mais de 54 anos de idade, e, de certa forma, uma concentração de docentes nas faixas menos elevadas de anos de docência.
Estabelecida essa caracterização geral dos sujeitos pesquisados cumpre-nos agora analisarmos aspectos importantes para a consecução do nosso raciocínio investigativo tais como o processo de aquisição de capitais, importante para a inserção desses sujeitos no campo do ensino de Geografia.