2 Det teoretiske fundamentet
2.4 Strategiske endringer
Lidar com as adversidades é palavra de ordem na sociedade globalizada. A velocidade das transformações obriga-nos a estar em processo de permanente aprendizado, ao mesmo tempo em que nos remete às incertezas, ao desconhecido e nos impulsiona a ter que enfrentar todos os obstáculos que se apresentam, inclusive tendo que responder às situações estressantes de maneira adaptativa. As estratégias de enfrentamento são bem diversificadas, os participantes lidam com as adversidades inerentes ao ofício de maneiras diversificadas. Os professores nos falam de ações como atividades sociais, religião e participação em atividades voluntárias utilizadas no combate ao estresse do dia a dia. A literatura aprova estratégias como ir ao cinema, fazer uma meditação, passar horas a admirar a beleza de uma onda se quebrando na praia, o pôr do sol, atividade física, alimentação adequada e a contemplação do sorriso de uma criança. Tudo isso produz adaptação positiva, ajuda no combate ao estresse e desenvolvem a resiliência na superação das adversidades.
Aproveitar o final de semana para se dedicar aos filhos, ao lazer, à religiosidade, ir ao cinema, passear, rever amigos, enfim, adotar atitudes desestressantes e possíveis de serem concretizadas. O convívio familiar, quando satisfatório, exerce papel importante para o combate do estresse acumulado durante a semana. É no convivio da família, no encontro com os amigos, que recuperamos forças para enfrentar mais uma semana de intenso estresse associado ao trabalho, trânsito intenso, engarrafamento, falta de condições adequadas de trabalho, filas de banco, carro que quebra, enfim, enfrentar de nova a vida, a nova semana com todos os imprevistos e incertezas.
Quando as estratégias são utilizadas, ao mesmo tempo, por um número maior de pessoas que têm problemas e objetivos comuns podemos afirmar que contribuirão para o desenvolvimento de uma resiliência coletiva. Aqui, relembramos a visão proposta por Ojeda (2005) que apresenta três grandes indicadores presentes no desenvolvimento coletivo da resiliência: auto-estima, identidade e humor. Olhemos o posicionamento dos professores:
Eu enfrento. Se tenho que fazer, faço e vou levando o estresse. É como se eu estivesse encarando uma dificuldade pessoal, uma
dificuldade familiar, uma coisa qualquer que eu tenho que enfrentar.
É enfrentar e fazer mesmo. No entanto, no ritmo que eu determino, segundo minhas possibilidades. Não vou exagerar, não vou fazer mais do que necessito, do que eu posso. Mas eu vou tentando, e vou
fazendo as coisas de uma forma que não me desgaste, que eu não sofra com isso ai. Ou então que eu sofra o mínimo possível. Eu vou
enfrentar a vida, é como um desafio […] mas o sofrimento não deve ser tamanho que atrapalhe minha vida. (P1).
Outras atividades diferentes, atividades religiosas, atividades
voluntárias […] atividades pessoais. Eu faço meditação, gosto
muito de música, adoro cinema. [...] No sábado eu digo: hoje não vou pensar e nem fazer nada relativo ao meu trabalho. Eu não deixo que aquilo, naquele dia, me perturbe. Antes de dormir eu faço uma meditação, dou um chute naqueles problemas que estão consumindo minhas energias, essa é uma defesa […] me livra do estresse. (P2). A gente vai tentando saídas criativas, entendeu? Então o que é que eu faço? Eu já tive vezes de trazer televisão e vídeo de casa, na mala do meu carro, pra botar na sala de aula, porque eu tinha que passar aquele vídeo pros alunos. Agora, quando eu vejo que não vai dar certo, que eu não vou conseguir aquilo que eu estava querendo, aí eu crio outra coisa, eu pego revistas, eu faço outra coisa que possa fazer em sala de aula, sem os recursos que eu queria. Aí eu me conformo. (P4).
Neste núcleo discursivo manifestam-se os elementos fundamentais de resistência ao trabalho estressante: face às dificuldades para a luta, busca-se a superação. São elementos, que se manifestam na complementaridade, e estruturam a capacidade de resistência. Considerando que a estrutura psíquica do indivíduo é que dirá da sua maior ou menor resistência ao estresse, nas falas dos sujeitos vemos o quão importante é respeitar-se, saber o ritmo e a intensidade do que se consegue resistir. Enfrentar as adversidades, como sugere o P1 dentro de um ritmo conciliável com um nível satisfatório da manutenção da qualidade de vida, o que sugere Tavares (2001), exige uma sincronicidade entre o que a situação exige e a quantidade de energia que a pessoa dispõe para a resolução do desafio. É algo da ordem do subjetivo, mas que necessita de uma administração permeada pela racionalidade.
Já dizem os matemáticos: os problemas existem para nos desafiar a encontrar soluções. Desta forma, embora numa perspectiva bastante racional, aprendemos que a existência dos problemas exigem, da nossa parte, um posicionamento, um enfrentamento, uma busca de alternativas que viabilizem sua resolução, assim, tratando
o estresse como um problema, o professor P3 nos diz que enfrentar o problema é a melhor forma de resolvê-lo.
Eu tento resolver o problema conversando, [...] enfrentando eu vou resolver, eu vou até a pessoa e tento resolver pacificamente. […] Quando foge a meu controle, eu busco em Deus. [...] Fiz algum tempo de psicoterapia […] Eu faço minhas orações, eu leio a Bíblia e isso me deixa completamente confortável, aliviado. (P3).
Na perspectiva da resiliência como ação que provoca uma adaptação positiva, o convívio familiar, a proximidade com pessoas que nos abastecem afetivamente são de primordial importância.
No final de semana eu gosto muito de ler, cozinhar, fazer pratos
diferentes […] Então eu procuro me livrar do estresse assim com meus filhos, minha família e fazer umas coisinhas gostosas de comer.
(P5).
O que eu uso mais é o convívio familiar. [...] Quando eu tô numa situação bastante estressante eu penso em voltar para casa, ficar brincando com os pirralhos [...] Me alivia o estresse. (P7).
É o apoio da família que faz suportar as adversidades sem perder o equilíbrio. Parece ser essa a experiência vivida pelas professoras acima citadas, que lidam com o estresse buscando essa aproximação e o cuidado com os mais próximos.
A experiência relatada é comum a muitas pessoas, o alívio do estresse se dá no convívio saudável com a família. Aqui não desconsideramos o fato de que, para alguns, o ambiente doméstico pode ser gerador de situações adversas e constrangedoras, mas parece não ser essa a experiência da interlocutora. Um ambiente livre de críticas, onde a pessoa pode se mostrar sem reservas, torna-se um excelente “remédio” para o estresse. É no convívio familiar que recuperamos as nossas forças, mesmo que nos dediquemos a afazeres domésticos que exijam dispêndio de energia. Essas atividades passam a gerar prazer, pois estamos nos dedicando aqueles que são mais importantes na nossa vida.
Dedicar-se à família, ter prazer em fazer algo por aqueles de quem gostamos é uma forma de aliviar o estresse acumulado durante a jornada de trabalho. A nossa cultura tem uma oralidade muito desenvolvida, assim, agradar pelo paladar proporciona prazer aos dois lados. É prazer para quem cozinha, tempera e mistura os sabores e também para quem prova, se delicia e recebe a comida como uma forma de está sendo cuidado.
Vemos, portanto que as estratégias para lidar com o estresse são bastante diversificadas. A opção de adoção tem estreita relação com a forma como o sujeito está estruturado psiquicamente. Concordam com essa visão Lipp (2000), Tavares (2001) e Ionescu apud Anaut (2005). Esses autores quando falam das estratégias de enfrentamento ou estratégias de coping assinalam que cada pessoa irá se sentir confortável com a estratégia que a faça se sentir segura e preservada na sua integridade.
Atentemos para os depoimentos que falam de fuga, adoecimento, prostração, excesso de fome e de alimentação:
Às vezes eu choro, às vezes eu fujo. Quando eu não venho e na minha experiência eu sei que não vou conseguir levar a aula, então eu fujo. […] Ás vezes me bate a apatia. [...] Eu não tenho aquela energia de ir atrás daquilo. (P6)
Eu como, por isso que eu estou tão gorda [...] dá uma fome tremenda, aí dá vontade de comer pizza, sorvete, tô em tratamento da tireóide porque deu hipotireoidismo bem fraquinha e tudo, mas sei que é isso também, eu como muito. (P8).
Chorar, fugir, sentir-se apático, com pouca energia, comer excessivamente, registros de professores, experiências sentidas em momentos variados e bastante interligados com os conteúdos expostos nos itens anteriores. Reações a um mesmo fenômeno, sinalizando agora que a estratégia utilizada é muito mais no sentido da exaustão do que da adaptação positiva. Oportuno lembrarmos que a maior ou menor resistência adaptativa ao estresse nos dirá da constituição psíquica desses indivíduos. Não nos esqueçamos que, ainda na infância, somos ensinados emocionalmente a lidar com situações traumáticas e adversas.
Alguns não resistem, pois o desgaste energético proporcionado pelo estresse é tão intenso que choro, fuga, apatia e alimentação excessiva se apresentam como as alternativas de enfrentamento, quiçá de renovação das energias para que esse professor continuem sua jornada sendo capazes de responder ao que lhes é solicitado.