• No results found

Fortolkning av trenerens Fair Play-arbeid

A visão prototípica ou probabilística também considera a representação dos conceitos como conjuntos de atributos abstraídos das características presentes nas coisas. Contudo, diferentemente da visão clássica, de acordo com a visão prototípica são abstraídos os atributos que aparecem com maior frequência nos exemplos da categoria, não se cogitando a existência de atributos definidores. Assim, ao entrar em contato com muitos exemplos de óculos, o sujeito irá abstrair as características que aparecem com maior frequência, mas que não estão necessariamente presentes em todos os óculos do mundo (por exemplo, o formato elíptico das lentes, a existência de graus, lentes transparentes). A partir dessas características mais frequentes, o sujeito formará uma representação mental sumária, ou protótipo, que constitui o conceito de óculos. Uma vez formado o protótipo, o sujeito passará a utilizá-lo para decidir quanto à inclusão ou exclusão de novos exemplos na categoria, comparando a semelhança destes em relação ao protótipo (GARDNER, 1985/1995; KÉRI, 2003; KLAUSMEIER, 1992; LOMÔNACO et al., 2001; MEDIN, 1989; ROSCH; MERVIS, 1975; SMITH; MEDIN, 1981).

Segundo essa visão, uma pessoa pode formar um protótipo de óculos diferente do formado por outra pessoa, pois as características mais frequentes irão variar de acordo com os exemplos com os quais os sujeitos entraram em contato. Essa é uma diferença crucial entre a visão prototípica e a visão clássica, segundo a qual um mesmo conceito deve ser igual para todas as pessoas (KÉRI, 2003; LOMÔNACO et al., 2001). O conceito, na visão prototípica, também é mutável para um mesmo indivíduo: por ser formado a partir das características mais frequentes, o

protótipo pode se modificar conforme novos exemplares são encontrados (KLAUSMEIER, 1992).

Essas e outras proposições a respeito da visão prototípica derivaram principalmente dos estudos de Eleanor Rosch e seus colaboradores, os quais, segundo Gardner (1985/1995), Lomônaco (1997), Oliveira, M.B. (1999a), Smith e Medin (1981), também tiveram um papel fundamental na identificação das limitações da visão clássica.

Em resposta a essas limitações, a visão prototípica considera que os limites das categorias são imprecisos: alguns objetos são difíceis de categorizar porque têm poucas características em comum com o protótipo, ou porque um mesmo objeto pode partilhar alguns atributos com mais de um conceito (como no exemplo anterior, os patins possuem características tanto de meios de transportes, quanto de brinquedos, sendo difícil escolher apenas uma dessas categorias para incluí-los) (LOMÔNACO, 1997; MEDIN, 1989; OLIVEIRA, M.B., 1999a; ROSCH et al., 1976).

Além disso, a visão prototípica explica por que alguns objetos parecem mais representativos de um conceito do que outros: visto que a inclusão de novos exemplos numa categoria é feita com base na semelhança destes em relação ao protótipo, um exemplo mais semelhante será mais facilmente categorizado. Por esse motivo, os membros de uma categoria não são equivalentes e alguns podem parecer mais típicos do que outros; tal como anteriormente citado, gato pode parecer um exemplo mais representativo da categoria de mamíferos do que ornitorrinco (LOMÔNACO et al., 2001; ROSCH, 1973; ROSCH et al., 1976; ROSCH; MERVIS, 1975; SMITH; MEDIN, 1981).

As categorias, para a visão prototípica, são estruturadas em termos de semelhança de família, o que significa dizer que há características que se sobrepõe, mas sem que estas sejam necessárias e suficientes. A título de ilustração do que se denomina semelhança de família, costuma-se utilizar o seguinte exemplo: alguns irmãos, embora não sejam idênticos, podem partilhar mais atributos em comum entre si, o que os torna parecidos. Assim, quando se encontra um novo membro dessa família, alguém ainda não conhecido, será mais fácil categorizá-lo como irmão se ele partilhar um maior número de atributos com os demais (LOMÔNACO, 1997; MEDIN, 1989; NELSON, 2002; OLIVEIRA, M.B., 1999a; ROSCH; MERVIS, 1975).

Tal como a visão clássica, a visão prototípica supõe que os conceitos de cada domínio são classificados segundo o seu grau de generalidade, em taxonomias (por

exemplo, o conceito de "animal" é mais geral que o de "cachorro", que é mais geral que o de "poodle"). Todavia, segundo esta visão, em cada nível taxonômico os conceitos se diferenciam dos demais em função da facilidade com que são aprendidos e identificados pelos sujeitos. Nesse caso, as crianças aprenderiam primeiro o conceito de “cachorro”, antes de aprender o conceito de “animal” ou de “poodle”. Os conceitos de um nível intermediário, denominado nível básico, encontram-se entre o nível superordenado/mais abstrato (“animal”) e o nível subordinado/menos abstrato (“poodle”) (CLARK, 2008; GARDNER, 1985/1995; KLAUSMEIER, 1992; LOMÔNACO, 1997; NELSON, 2002; OLIVEIRA, M.B., 1999a; ROSCH et al., 1976; ROSCH; MERVIS, 1975; WAXMAN, 2008).

Embora a visão prototípica dê conta de explicar muitas das críticas atribuídas à visão anterior, ela também foi questionada por vários autores, principalmente a partir da década de 80 do século passado. Uma destas críticas diz respeito ao fato de a visão prototípica não considerar os efeitos do contexto sobre os exemplos mais típicos de um conceito. Por exemplo, um único protótipo de "planta" não é suficiente para explicar por que as violetas parecem exemplos mais típicos dessa categoria do que as seringueiras quando o contexto considerado é um apartamento, mas não quando o contexto é uma floresta; neste último caso, uma seringueira parece um exemplo mais típico da categoria "planta" do que uma violeta. A única maneira de a visão prototípica explicar esse fenômeno, seria postulando a existência de um protótipo para cada contexto (ou seja, "plantas de apartamento", "plantas de floresta", "plantas de jardim", etc.), o que resultaria em um número muito grande de protótipos e, consequentemente, em pouca economia cognitiva (LOMÔNACO, 1997; MEDIN, 1989; SMITH; MEDIN, 1981).

Klausmeier (1992) acrescenta outras limitações à visão prototípica. Segundo ele, o aprendiz forma uma falsa concepção quando o protótipo inclui atributos não definidores; ademais, essa visão explica a aprendizagem de conceitos somente por meio de experiências informais, não levando em consideração a instrução. Outra crítica à visão prototípica será apresentada mais adiante, no que diz respeito ao uso irrestrito do fator similaridade para a explicação da coesão conceitual.