3. Metodisk tilnærming
3.1 Et kvalitativt forskningsdesign og en fortolkningsbasert forskningsforståelse
3.1.1 Fortolkning av mening
LIBERTAÇÃO
Para ser acessada a idéia dusseliana sobre essa reestruturação, preliminarmente, importa dar relevo aos níveis detectados na relação erótica, tendo em vista o grau de dis-tinção anterior e de alteridade posterior (ou mais precisamente, durante).
Feitas essas ponderações, Dussel passa, então, à questão propriamente dita, a Erótica. Ao contrário do que pensavam os gregos, ele entende que a visão tem pouca ligação com o éros, porquanto o tato, a ternura, a respiração, o calor etc. têm função muito mais importante e são os constituintes próprios da relação erótica, a qual supera a ótica e se define melhor por amar. “Esta experiência erótica que vai além da óptica, em sua exterioridade, recebeu na tradição judia o nome do verbo iadáh (saber, saborear, sentir, amar, conhecer)” (ELL I 125).
Em uníssono com Lévinas, Dussel faz uma descrição dessa relação. Nesse caminho, lembra-nos que éros é equívoco, visto que pode ser voltado para o Mesmo egótico ou para abertura ao Outro (ágape).
Essa abertura, no entanto, adverte Enrique Dussel, ainda assim tende à constituição de um mesmo. Por isso, aliás, ele vê um grau de alteridade mínimo na relação homem-mulher. Esse mesmo é a formação do casal, ou, em outras palavras, um atenuamento da ex-sistência do Eu e do Outro em benefício da preponderância do Nós. Ressaltamos, aqui, a permanência do
Outro, da alteridade, posto que um casal autêntico é aquele em que a alteridade é respeitada e servida como um do Nós.
102 Tudo deve começar por uma descrição da relação erótica. O
éros é equívoco, pode ser éros ao Mesmo egótico, ou pode ser abertura ao Outro (ágape), o que não evita a posterior tensão a uma reconstituição
de um novo “o mesmo” abrangente sem alteridade real; deseja-se e ama- se o Outro para constituir um só ser (a unicidade fecha a trans- versalidade da relação ao Outro como outro, e o constitui como “um de nós”). Mas embora unívoco, não é univocamente Totalidade que se deve abrir à Alteridade (“o Outro” será o filho ou tudo o que está além da “porta” da casa: a exterioridade do lar). (ELL I 125).
Nessa relação de amor em que o outro é respeitado como outro dis-tinto é que pode ocorrer uma relação erótica justa, equilibrada.
A experiência erótica plena do casal conduz ao que Dussel, lembrando a Bíblia, denomina como uma só carne (Gênesis 2, 24). Para isso, impende aclarar, Dussel supera radicalmente a dualidade corpo-alma, preferindo a terminologia carne ao invés de corpo, também para evitar a equivocidade desse outro termo, esclarecendo, ainda, que assume o significado de carne no sentido hebraico (Basár), rejeitando o grego sôma. “O Outro não é um “objeto”, mas é um “rosto”, uma “carne”, (evitando assim a equivocidade dualista da categoria “corpo”; referimo-nos então à basar hebraica e não ao sôma grego)” (ELL III 91).
Mais ainda, esse desejo pelo outro não pode ser objetivante, isto é, não se pode ter o outro como objeto, sob pena de cairmos novamente na homossexualidade, já que se terá auto-erotismo. “Se o Outro é constituído como mero “objeto” sexualizado por uma intenção erótica do sujeito, o ato já é homossexualidade e alienação do Outro como mera mediação do auto- erotismo” (ELL III 91).
É preciso em vez de ob-jetivação, pro-posta ao Outro. Em vez da certeza da dominação, temos, então, a insegurança do risco da negativa. É aí que se instaura o respeito pelo Outro.
Instaurada essa relação, estabelece-se a proximidade, pois o Outro não é incluído no mesmo mundo, mas, sim, atendido em sua necessidade de satisfação erótica ao mesmo tempo em que o Eu também é satisfeito.
103 Isto é, o rosto, a carne do Outro é desejada na proximidade, mas não como mero auto-erotismo ou satisfação realizada por mediação de algo, e sim como a satisfação concomitante originada no dar ao Outro a satisfação a ele devida. É um sentir o Outro como outro, mas um sentir que exige ao mesmo tempo que o Outro se experimente sentido. (ELL III 91).
Essa proximidade, paradoxalmente, implica na distância. Assim como o próprio ato sexual envolve a proximidade-distância, a continuidade dessa relação exige a distância, porquanto é ela que possibilitará ao casal o alcance das condições necessárias para manter a relação. E dentre essas condições está, evidentemente a economia.
Morreriam dois amantes se o face-a-face não fosse ritmicamente adiado para o simples e cotidiano ato de comer, e, portanto de trabalhar para comer e o trabalho se realiza com respeito á natureza. Vive-se a proximidade humana a partir da distância da “economia” que a torna possível. (ELL III 96).
O casal, então, constituindo o seu lar, está apto a desenvolver nesse âmbito não apenas a mesmidade do casal, mas também preservar a identidade de cada integrante desse lar, envolvendo-se na proximidade-distância.
O maximamente dis-tinto (homem-mulher) vem unir-se no minimamente alterativo (o casal) para acolher-se num âmbito de mesmidade: “ao estar-em-casa” (chez soi, beisichsein). “Em-casa” (o âmbito ontológico ou o mundo doméstico) talvez habitem muitas pessoas (pai, mãe, filhos, filhas), mas como domínio privado a partir do qual é possível o trabalho e a posse (o econômico: oikia, “casa” em grego) e onde a pessoa pode ser ela mesma na segurança e no calor do lar. (ELL I 126).
Mas se o éros assim concebido implica em proximidade-distância para sua continuidade, também tende para a fecundidade. Deve ser lembrado que uma das tarefas para manutenção da vida envolve a própria reprodução. Em razão disso, fica justificada a visão dusseliana de que, numa relação de amor-
de-justiça, o casal tende para a fecundidade como realização máxima desse
104 “Mas o éros também deve terminar no “outro”, não já o Outro como quem com-verge a partir da dis-tinção máxima como beleza erótica (como varão e mulher), mas no “outro” nunca pensado pelos gregos (ou que só o pensaram como perpetuação de “o mesmo”): O FILHO DA FECUNDIDADE. (ELL I 127-128).
Mesmo com a constante participação do Outro, quer seja do cônjuge na relação interna do casal, quer seja do filho em relação ao pai, à mãe ou ao casal, não deve haver nesse ambiente uma situação de competitividade, mas sim de pleno equilíbrio, atendimento e respeito mútuo, em situação de justiça, até porque o Outro, nesse caso, significa para o Eu a sua plena possibilidade de realização metafísica.
A sexualidade é um momento constitutivo da perfeição ética e seu exercício na justiça é bondade libertadora serviçal. O Outro, a mulher para o homem, o homem para a mulher, o filho para o casal, não vem interpor- se, nem negar sadicamente o pai ou cometer o incesto com a mãe, nem masoquisticamente se experimentar como castrada. O Outro, pelo contrário, é o âmbito da Exterioridade que permite a plena expansão e desdobramento da sexualidade como “pulsão alterativa” ou meta-física. (ELL III 135).
A manutenção da relação erótica pela distância implica numa casa, num lar, em que o casal possa conviver e realizar-se inclusive com o filho.
A casa serve como uma extensão do próprio homem e é ela que o protege das intempéries exteriores. É a mediação para o exterior.
A casa rompe o conjunto dos elementos onde o homem estaria na “intempérie”, inospitamente acossado pelo cosmos. Ao contrário, da casa, “utopia onde o eu mora hospitaleiramente”, é possível contemplar o “exterior”. As paredes da moradia são o prolongamento da carnalidade, do vestuário, como a carne, a casa está aberta à exterioridade. (ELL I 127).
Importa, enfim, salientar a importância fundamental do filho numa relação erótica, vez que representa a continuidade da vida, mas não no sentido grego de eterno retorno ao mesmo, e, sim, no sentido de inovação, criação. É o
105 Destarte, o filho é o Outro dis-tinto (e não di-ferente) que se põe como alteridade para o casal, posto ser um novo ex-sistente, não apenas no sentido heideggeriano, de ser-no-mundo, mas como adverte Dussel, no sentido de pro-
criado.
“Outra” pessoa, “outro” destino, não querido como perpetuação de si mesmo, mas por outro amor que não erótico, um amor que parte da carnalidade erótica: a paternidade, a maternidade, o amor de pura bondade, amor de liberdade paterna-materna: o nada do filho de onde é
avançado para a ex-sistência: pro-criado. (ELL I 128).