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Fortellinger om stans av farlig arbeid

Jordan é um judeu americano criado numa família de classe média em Bayside, Nova York. Cresceu em um apartamento minúsculo de dois quartos no Queens, onde dividia um quarto com um irmão que deixou de conviver após o advir do seu sucesso. Sua vida profissional se iniciou quando nos verões escolares ia até a praia e vendia sorvete de esteira em esteira. Ele conta que gritava suas ofertas com uma geladeira de isopor nos ombros e corria dos eventuais tiras que apareciam. Enquanto seus amigos vagabundeavam ou realizavam serviços domésticos por 3,50 dólares a hora, ele ganhava 400 dólares por dia e juntava 20 mil dólares durante todo o verão. Sempre se sentiu frustrado por ter nascido pobre. E talvez esta foi a maior motivação por ter rapidamente se tornado um dos homens mais ricos dos Estados Unidos, país em que reina a competição (BELFORT, 2014).

Jordan sempre teve uma habilidade excepcional de oratória e uma inteligência considerada acima da média. Ele rapidamente se tornou um exímio vendedor. Adequou-se com maestria ao mercado financeiro, mesmo porque enganar o outro visando seu próprio enriquecimento nunca foi um grande problema para o Lobo.

No capítulo seguinte ao prólogo, Jordan pula seis anos e afirma que a insanidade tinha rapidamente tomado conta dele. Em 1993, ele tinha a sensação de ser o protagonista de um reality show chamado “estilo de vida dos ricos e malucos” (BELFORT, 2014, p. 23), e a curva que representava seu estilo desenfreado estava cada vez mais crescente, em que “cada dia parecia mais maluco que o anterior”. Em Wall Street, havia rumores de que ele tinha uma vontade pura de morrer e que não duraria muitos anos.

Era como se eu fosse à prova de balas ou algo assim. Era impossível contar quantas vezes havia desafiado a morte. Mas será que eu realmente queria morrer? Seriam a minha culpa e meu remorso me destruindo com tamanha voracidade? Será que na verdade eu estava tentando tirar minha própria vida? (BELFORT, 2014, p. 28).

No decorrer desses seis anos, Jordan havia ganhado mais dinheiro do que jamais imaginara. Morava em uma mansão de seis acres em Long Island, trocara de esposa se casando com uma loira sensual conhecida como a duquesa de Bay Ridge, consumia uma quantidade exorbitante de drogas diárias suficiente para manter, como ele nos esclarece, a população da Guatemala inteira chapada, possuía um iate, um helicóptero e tudo aquilo que o dinheiro pudesse comprar. Na descrição que faz do que adquiriu, ele coisifica pessoas como “a esposa número dois”, ou “Rocco dia e Rocco noite, os dois guarda costas”, e detalha em pormenores tudo que envolve o que ele obteve com o dinheiro, como “o carpete feito à mão de 120 mil dólares” ou “uma toalha de banho adornada com monogramas Pratesi de 500 dólares” (BELFORT, 2014, p.28-38). Na descrição de um sonho com uma prostituta chamada Venice, que havia tentado enfiar uma vela em seu ânus para lhe provocar uma ereção, nota-se o quanto o dinheiro é indissociável aos demais assuntos, principalmente o sexo:

Venice move-se na minha direção, engatinhando. Sua pele é lisa e branca e treme sob a seda... a seda... há seda por todo lado. Um enorme véu de seda chinesa pendurado no teto. Ondas de seda chinesa branca nos quatro cantos da cama... estou afundando na porra da seda branca. Nesse mesmo instante, números ridículos começam a surgir em minha mente: a seda custa 250 dólares o metro, e deve haver 200 metros dela. Isso dá 50 mil dólares de seda chinesa branca. Porra, é muita seda branca (BELFORT, 2014, p. 30).

Jordan refere-se à sua casa como um bizarro zoológico lotado de funcionários estrangeiros, requintes excêntricos e mobílias megalomaníacas. Seu relacionamento com sua esposa Nadine, a duquesa de Bay Ridge, não difere da dinâmica da casa: tinham brigas absurdas após suas noitadas regadas a drogas, putas e aterrisagens de helicóptero em pleno jardim (pilotado pelo próprio no auge do efeito de Quaaludes, sua droga favorita). Nadine reagia com copos de água na cara, muitos xingamentos e jogos de privação e sedução sexual. Gwyne, a aia principal de Jordan, antecipava todos os seus pedidos,

tratando-o como um bebê que necessita que lhe limpem as merdas que faz, o que ele achava justo devido ao enorme salário que lhe pagava no fim do mês.

O Lobo afirma que a sua vida poderia ser resumida em uma palavra: excesso. Não apenas excessos de drogas ou mulheres, mas ultrapassar todos os limites proibidos, abusando até mesmo da dose recomendada de colírio ou aspirinas. Ele gostava de fazer coisas impensáveis e se associar a pessoas ainda mais loucas que ele, para assim considerar sua vida normal. Para se ter uma ideia, ele havia comprado um carro de luxo da marca Aston Martin e pago uma fortuna para que o carro fosse transformado em um verdadeiro carro de James Bond, incluindo “vazamento de óleo, bloqueador de radar, placa que deslizava para revelar uma luz estroboscópica cegante para atrapalhar perseguidores, além de uma caixa de pregos que, com um simples botão, encheria a estrada de pregos” (BELFORT, 2014, p. 244). Por fim o carro sempre o deixava na mão pois a bateria não suportava tanto gasto e passou a ficar na garagem apenas para ser admirado.

O Lobo - vale o adendo - a utilização desse significante é feita pois o próprio autor do livro assim o faz, identificando-se com a nomeação que lhe foi dada pela revista Forbes,

Lobo de Wall Street, e utilizando-a diversas vezes no livro em terceira pessoa, como na

passagem: “o Lobo realmente mentia para viver” (BELFORT, 2014, p. 35). A propósito, em sua autobiografia, Jordan relata que foi um artigo específico da revista americana Forbes que o apelidou o Lobo de Wall Street. No entanto, é possível encontrar registros da respectiva matéria na internet e a denominação à qual ele se refere não existe (MORENO; UMPIERES, 2014). É sabido que esse apelido existia durante o seu auge, mas não se sabe ao certo sua procedência.

Continuando, o Lobo festejava sua vida como astro de rock e se sentia intocável no seu estilo de vida. Contudo, é necessário que retrocedamos seis anos para compreender a trajetória que levou esse judeu pobre do Queens a ser um dos homens mais ricos de Wall

2.1.2 STRATTON OAKMONT

O rápido enriquecimento e a ascendência do Lobo de Wall Street se deram quando ele abriu sua própria firma de corretagem, a Stratton Oakmont. Após o grande crash de outubro de 1987, Belfort descobriu que faria muito dinheiro se vendesse ações de 5 dólares para o 1% mais rico dos americanos. Sendo ele próprio um exímio vendedor, juntou uma pequena equipe de jovens corretores e os embarcou em um programa de intenso treinamento, segundo o próprio: “das cinzas ardentes do Grande Crash, o banco de investimentos da Stratton Oakmont nasceu” (BELFORT, 2014, p. 78). A primeira sede foi nos fundos de uma loja de carros usados, e os primeiros corretores contratados eram os jovens judeus mais selvagens de Long Island. Não demorou para a empresa prosperar e passar a se situar, não no centro de Manhattan, mas sim em um pequeno vilarejo em Long

Island chamado Lake Success.

O vilarejo logo se adequou às necessidades, vontades e desejos daqueles malucos jovens corretores, que ansiavam por ganhar dinheiro para torrar dinheiro. Rapidamente foram criados bordeis, salões de apostas ilegais, clube de strip-tease e qualquer outro tipo de diversão que lhes agradavam, “havia até uma pequena equipe de prostituição fazendo turnos no andar mais baixo do estacionamento, por 200 dólares a gozada” (BELFORT, 2014, p. 52).

Os strattonitas, como eram chamados os jovens corretores que trabalhavam na empresa de Jordan, dificilmente tinham mais de 30 anos e muitos nem tinham curso superior. Os únicos requisitos necessários eram serem dotados de muita ambição, jurarem lealdade incondicional ao Lobo de Wall Street e estarem dispostos a pagar qualquer preço para viver a “Vida”. Aproveitar o momento era o verdadeiro mantra coorporativo da Stratton Oakmont: “eles estavam bêbados de juventudes, abastecidos pela ambição e muito drogados [...] E quem podia discutir com tamanho sucesso? A quantidade de dinheiro sendo ganha era incrível” (BELFORT, 2014, p. 58-59). Eles próprios começaram a chamar o lugar de “Disneylândia dos Corretores”.

As coisas tinham saído tão fora de controle que jovens strattonitas estavam trepando embaixo das mesas, em cabines de banheiro, em armários, na garagem subterrânea e, lógico, no elevador panorâmico do prédio. Eventualmente, para manter algum tipo de ordem, passávamos um memorando declarando o prédio como uma Zona Sem Fodas entre as oito da manhã e as sete da noite. No topo do memorando havia essas exatas palavras Zona Sem Fodas, e sob eles o contorno de pessoas trepando estilo cachorrinho. Ao redor dos desenhos havia um círculo vermelho grande atravessando-o (BELFORT, 2014, p. 58).

A fórmula secreta que a Stratton descobrira para render tanto dinheiro, conforme explica Belfort, estava pautada em duas verdades que ele descobriu nos seus primeiros anos em Wall Street: a minoria milionária americana era composta por apostadores enrustidos, totalmente viciados, que com uma boa lábia caiam facilmente e, segundo, que “jovens com a sociabilidade de uma manada de búfalos no cio e QI de Forrest Gump, com três gotas de ácido na cuca, podiam ser ensinados a soar como magos de Wall Street, desde que anotasse tudo para eles e se continuasse a lavagem cerebral” (BELFORT, 2014, p. 60). A partir daí, muito dinheiro podia ser ganho.

A mídia não deixava passar barato tudo que se passava na Stratton. Segundo o autor, os jornais da época reportavam que os strattonitas eram renegados selvagens, liderados por Jordan, um jovem banqueiro precoce que criara seu próprio universo independente em Long Island, onde não mais existia comportamento normal. A revista Forbes o associou à Robin Hood, aquele que rouba dos ricos e dá para si mesmo e para seu bando alegre de corretores. Os alvos não se importavam segundo o autor - pelo contrário, cantavam e dançavam orgulhosos por serem o bando feliz de Belfort.

No final, tudo se resumia a lavagem cerebral, que tinha dois aspectos distintos. O primeiro era continuar falando a mesma coisa infinitamente para uma plateia cativa. O segundo aspecto era ter certeza de ser a única pessoa falando alguma coisa. Não haveria pontos de vista conflitantes. [...] duas vezes por dia, todos os dias, eu ficava diante da sala de corretagem e dizia-lhes que se me escutassem e fizessem exatamente como eu mandasse, teriam mais dinheiro do que jamais sonharam ser possível (BELFORT, 2014, p. 242).

Jordan exigia lealdade absoluta dos seus empregados pois sabia que controlar pessoas usando dinheiro não era nada fácil, e que grandes quantidades de dinheiro levariam pessoas a fazer coisas inesperadas. Associa em muitas passagens a Stratton à uma

organização mafiosa, inclusive comparando sua própria vida ao do próprio Don Corleone, do filme O poderoso Chefão. Nunca falava ao telefone, mantinha um círculo de confiança bastante restrito, subordinava políticos e policiais, e algumas empresas lhe pagavam tributos mensais, além disso utilizavam cumprimentos e gírias culturalmente usadas por mafiosos.

A autor da biografia, no entanto, sabe que mesmo com tais exigências e rituais, quando envolve dinheiro a lealdade fica questionável. Em uma passagem, ele descreve uma conversa com seu pai em que explica que há um método em toda a sua loucura em relação a gastos e a estimulação dos strattonitas a gastar descontroladamente, afirmando que precisa mantê-los quebrados pois assim são mais fáceis de serem controlados pois ainda precisarão dele.

É como ter algemas de ouro. Quer dizer, a verdade é que eu poderia pagar-lhes mais do que pago. Mas, então, não precisariam tanto de mim. Porém, se eu lhes pagasse pouco, eles me odiariam. Assim, pago a eles o suficiente para que me amem, mas ainda precisem de mim. E, enquanto precisarem de mim, sempre me temerão (BELFORT, 2014, p. 91).

O instrumento que mediava e possibilitava todo aquele ganho absurdo de dinheiro era o telefone. Por meio do telefone, os strattonitas vendiam suas ações e podiam extravasar toda sua fúria com xingamentos e gritarias. Belfort afirma que seu maior vício era no barulho que fazia a sala de corretagem, com todos seus fiéis escudeiros gritando descontroladamente com seus potenciais clientes. Antes de qualquer lançamento de uma nova ação, o Lobo de Wall Street subia ao palanque frente a todos aqueles jovens e disparava um belo discurso motivacional:

Este telefone equivale a dinheiro. E não me importo com quantos problemas vocês têm agora, tudo pode ser resolvido com dinheiro. Sim, isso mesmo; dinheiro é o maior ‘resolvedor’ de problemas conhecido pelo homem, e qualquer um que lhes diga algo diferente é um puta de um mentiroso. Na verdade, estou disposto a apostar que qualquer um que lhes diga isso nunca teve um centavo na conta! [...] são sempre essas mesmas pessoas as primeiras a emitir seus conselhos inúteis... são sempre os miseráveis, que disparam aquela argumentação ridícula sobre como o dinheiro é a raiz de todo o mal e sobre como o dinheiro corrompe. Bem... eu ... quero dizer... sério! Que bosta! Ter dinheiro é maravilhoso! E ter dinheiro é uma necessidade! Ouça-me todos. Não há nobreza alguma em ser pobre, já fui rico e já fui pobre, e prefiro ser rico. Pelo menos,

sendo rico, quando tenho de enfrentar meus problemas, posso aparecer no banco traseiro de uma limusine, vestindo um terno de 2 mil dólares e um relógio de ouro de 20 mil dólares! E, acreditem em mim, chegar com estilo torna seus problemas muito mais fácies de lidar (BELFORT, 2014, p. 100-101).

Embebedados por discursos como esse e confiantes na palavra de Jordan de que todos os seus problemas iriam ser resolvidos ao ficarem ricos, os corretores pegavam o telefone e, como descreve o próprio Belfort, arrancavam os olhos dos seus clientes, sendo ferozes, pitbulls, terroristas ao telefone. Gritando ao telefone como demônios selvagens, eles conseguiam facilmente atingir as metas traçadas para as vendas das ações em pauta. O líder desses selvagens, o Lobo, afirma que a Stratton Oakmont era o poder, e ele enquanto líder estava ligado diretamente a esse poder, sentado em sua torre de comando, como o dono do mundo, um “Mestre do Universo”.

Além do rugido dos corretores vendendo ações, os dias de trabalho da Stratton variavam entre pautas de arremesso de anões, raspagens de cabelo em troca de dinheiro, animais de estimação por toda parte, muitas drogas e muita putaria. Os cavaleiros strattonistas, em uma associação feita por Belfort aos cavaleiros templários, aproveitavam seu tempo vasculhando os quatro cantos da terra, não pelo santo Graal, mas por atos cada vez mais depravados. Conforme a filosofia dos próprios:

De que outra forma um homem podia medir seu sucesso se não realizando cada uma de suas fantasias adolescentes, sem se importar quão bizarras fossem? [...] uma sociedade auto suficiente totalmente fora do controle. Nós, strattonistas, nos regozijávamos com atos de depravação [...] precisávamos deles para viver (BELFORT, 2014, p. 108).

Dentro da sala de corretagem da Stratton, comportamentos normais eram considerados impróprios ou de mau gosto, “um estraga prazeres” (BELFORT, 2014, p. 110). Um jovem corretor que limpava seu aquário calmamente em um dia de lançamento de ações na bolsa teve seu peixinho comido vivo por Danny Porush (braço direito de Jordan e sócio na Stratton), simplesmente por aquele ser um dia de muita euforia e ele estar muito calmo. Muitos foram os casos de suicídios registrados na Stratton Oakmont.

2.1.3 CONTA NA SUÍÇA

Em agosto de 1993, Jordan tomou uma decisão que marcaria sua trajetória para sempre. Todo o dinheiro que estava ganhando enquanto burlava as leis imobiliárias dos Estados Unidos era lavado por algumas pessoas de sua confiança e convívio próximo. Laranjas, no linguajar popular, designa pessoas que emprestam seu nome e documentos para fraudar transações financeiras a fim de preservar o verdadeiro nome do sujeito referente ao dinheiro e para possibilitá-lo de fugir do pagamento dos tributos referentes à quantia. Todavia, a quantidade de dinheiro ganha por Jordan era cada vez maior, tornando- se inviável esconde-lo apenas via laranjas.

Tomando conhecimento das facilidades fiscais que ofereciam os bancos suíços, Belfort decidiu viajar até o país europeu para averiguar se aquele risco valeria a pena e se seu dinheiro ficaria de fato seguro no banco. Decidiu pegar um voo comercial em vez de fretar um avião como sempre fazia, para não levantar suspeitas sobre sua ida à Suíça. No decorrer do voo, no entanto, devido ao consumo de quatro Quaaludes, três Restorils, um ou dois Xanax e talvez um pouco de morfina, assediou a aeromoça causando um grande transtorno para todos e resultando na imposição de passar o resto da viagem amarrado e num interrogatório alfandegário. Para sua sorte, ou como o próprio afirma: “O Lobo de

Wall Street... à prova de balas, mais uma vez!” foi salvo pelos seus contatos do banco com

o qual faria negócios na Suíça (BELFORT, 2014, p. 128).

Ao chegar ao hotel no qual ficaria hospedado e falar com sua esposa pelo telefone, uma onda de tristeza recaiu sobre Jordan. Amava muito Nadine e não entendia o porquê fazia todas aquelas coisas horríveis com ela. Para sua sorte, ela não soubera do acontecido e estava bastante carinhosa na ligação. No decorrer da conversa, a campainha do seu quarto tocou e ao abrir se deparou com uma cortesia do hotel: uma mulher de pele negra de 1,85 metro aproximadamente, um sorriso sedutor e um minivestido preto do tamanho de uma tanga. Era uma prostituta da Etiópia.

Sentia-me como se estivesse sendo levado a fazer coisas, não porque realmente queria fazê-las, mas porque se esperava que eu as fizesse. Era como se minha vida fosse um palco, e o Lobo de Wall Street estivesse

atuando para alguma plateia imaginária, que julgava cada movimento meu e ansiava por cada palavra minha (BELFORT, 2014, p. 132).

Ao mandar a mulher entrar e desligar o telefone com sua esposa, Jordan prometeu para si mesmo que aquela seria a última vez. Ele decidiu naquele momento que, assim que a dispensasse, jogaria na privada todos as drogas e começaria uma nova vida. E assim o fez.

No dia seguinte, dirigiu-se ao banco para ver as possibilidades de lavagem de dinheiro oferecidas pelos suíços e se surpreendeu com as facilidades para se esconder dinheiro naquele país. As autoridades norte americanas apenas poderiam exigir qualquer informação se o crime cometido pelo infrator nos EUA fosse também crime na Suíça, e como os dois países tinham leis muito diferentes, a probabilidade de as leis americanas chegarem até o dinheiro de Jordan na Suíça eram minúsculas. Não obstante, os banqueiros ainda aconselhavam Belfort a abrir a conta com o passaporte de outra pessoa para impossibilitar ainda mais o rastreamento do seu nome nos registros suíços, pois fraude acionária - que era um dos crimes cometidos por Belfort - era também um crime na Suíça. Por fim, ainda indicavam um fiduciário de confiança que, como denominou Belfort, era o próprio mestre das falsificações ao forjar qualquer documento necessário para encobrir qualquer transação e criar uma negabilidade plausível, o que para o Lobo de Wall Street que tinha uma habilidade em quebrar todas as leis imobiliárias que existiam, seria perfeito.

A solução arquitetada por Jordan foi abrir a conta no banco Suíço no nome da tia de sua esposa, a tia Patrícia. Ela tinha 65 anos, era londrina, divorciada, professora de primário e anarquista de armário, tinha desprezo por tudo que era relacionado ao governo e era totalmente confiável. Ele achou aquela ideia perfeita e se justificou achando que de quebra ainda estaria fazendo um bem para ela, pois tia Patrícia nunca tinha tido dinheiro e agora poderia ter uma vida melhor e mimar seus dois únicos netos.

Na primeira vez que viu tia Patrícia, Jordan estava no meio de uma overdose de Quaaludes e cocaína e bem próximo de se afogar na privada do seu quarto de hotel. Em