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Forståelse av Teams

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4. Analyse

4.3 Forståelse av Teams

peculiaridades quanto à sua terminologia. Por ser um domínio que lida diretamente com a saúde pública, preocupa-se com a comunicação, procurando torná-la a mais clara possível e com o menor número de ruídos. O esforço dessa área em harmonizar seus termos parece refletir essa preocupação. Entretanto, sabemos que a variação lexical é algo inerente à linguagem; assim, a variação terminológica se apresenta também na linguagem médica e, consequentemente, na da Dermatologia.

O desejo de evitar os ruídos na comunicação médica é partilhado por vários especialistas e profissionais da área. Diversos comitês, órgãos e associações da área médica tentam impor termos harmonizados ou normalizados. Por harmonização terminológica entendemos o “processo realizado por uma empresa, órgão ou outra entidade administrativa com o objetivo de consagrar determinados usos terminológicos” (PAVEL; NOLET, 2002, p. 123). Já normalização é a “seleção, validação e difusão de um ou mais termos por uma entidade de normalização reconhecida, com o objetivo de recomendar ou desaconselhar o uso de um termo em uma determinada comunidade” (idem, ibidem, p.126). Entendemos, então, que o processo de harmonização visa apenas recomendar e divulgar termos de um determinado domínio, ao passo que a normalização tem uma postura mais impositiva, estabelecendo os termos de uma área de especialidade que devem ser utilizados em detrimento de outros. Observamos, em Medicina, que ambos os procedimentos são utilizados, a depender dos objetivos do trabalho terminológico efetuado por esses comitês, associações ou órgãos.

A padronização (uniformização, seja por um processo de harmonização ou de normalização) faz-se útil no caso de as variantes tornarem-se tão numerosas a ponto de causarem dificuldades de compreensão entre usuários de uma terminologia. Entretanto, a aceitação ou a estigmatização das unidades terminológicas harmonizadas (ou normalizadas) depende diretamente de fatores extralinguísticos e sociais.

Como exemplo, pode-se citar o caso do termo lepra, que é uma variante popular bastante recorrente do termo hanseníase. De acordo com Ivan Abreu Figueiredo, lepra era aceito e utilizado em diversos contextos, inclusive em textos científicos e, de modo geral, na mídia. Entretanto, devido ao cunho fortemente pejorativo e por ser a doença muito reconhecida como problema de saúde pública, houve a implantação de normas para promover os direitos do hanseniano, incluindo a mudança de terminologia no Brasil (FIGUEIREDO, 2006, p.187). A proibição de uso em veículos midiáticos do termo lepra é encarada como uma luta contra o estigma causado por ele. Nota-se, desta forma, que variantes aceitas e normalmente utilizadas em determinadas épocas, podem ser posteriormente refutadas devido a razões sociais. Por outro lado, vê-se também, nesse exemplo, o papel social da normalização, atendendo a necessidades advindas dos próprios usuários (nesse caso, dos hansenianos).

A Medicina considera fundamental o processo de harmonização de sua terminologia para diminuir os ruídos de comunicação entre especialistas e profissionais do domínio. Diversos são os projetos de harmonização e mesmo de normalização de termos. Como exemplo, podemos citar a Nomina Anatomica ou Terminologia Anatômica, a Nomenclatura Internacional de Doenças (NID), o projeto Sistema Unificado de Linguagem Médica e a Classificação Internacional das Doenças (CID). Esses projetos foram criados com o objetivo de diminuir a variação terminológica existente nesse domínio. Contudo, isso não corresponde ao que se observa na realidade da linguagem e da comunicação médica, ou seja, há uma forte presença de variantes terminológicas nesse campo do saber.

A Anatomia parece ser a área que mais se ocupa (e que mais se preocupa) com essa questão. A criação da Nomina Anatomica visava ditar regras de formação dos termos para evitar “problemas” como a sinonímia, a polissemia, entre outros. Contudo, sabemos que esses fenômenos são bastante recorrentes e pouco controláveis; a imposição de determinada terminologia a uma comunidade é um tanto utópica, pois a linguagem é um fato social: o indivíduo, o falante, o usuário dessa terminologia adequa suas preferências de acordo com contextos e situações de uso. Devido à heterogeneidade de níveis sociais dos usuários que podem utilizar uma terminologia, muitas variantes podem surgir. Mesmo em Anatomia, o uso de um termo, prescrito ou não, dependerá do contexto em que o especialista se encontra; poderá, em um congresso científico, utilizar-se apenas dos termos ditados pela Nomina, ao passo que, ao falar com um paciente (um leigo), pode optar por uma variante popular, ou mais conhecida de seu interlocutor.

Assim, acreditamos, juntamente com Leonardo Zílio, Mônica Linck Feijó Fichtner e Maria José Bocorny Finatto (2005, p.2) que

uma terminologia é feita de signos linguísticos, sujeitos tais signos à variação e à polissemia, e que mesmo a versão mais “normatizada” de uma terminologia é um tipo de realização cujo reconhecimento é importante. Desse modo, torna-se necessário dar a conhecer os diferentes modos de denominar uma dada noção em diferentes situações de comunicação.

Ora, o usuário precisa “reconhecer formas normatizadas e variações denominativas em função de usos distintos em textos distintos” (ZILIO; FICHTNER; FINATTO, 2005) para, assim, devido ao seu desempenho pragmático, poder dominar e escolher qual a melhor designação ao que pretende comunicar.

Vale ressaltar, entretanto, que não defendemos aqui que não se deva fazer uso dos processos de harmonização ou normalização de terminologias, em especial, na Medicina. Se isso puder ajudar, do ponto de vista das comunicações especializadas, a evitar ruídos ou ambiguidades que coloquem em risco a saúde das pessoas, essa área pode e deve usufruir de tais processos. Porém, parece-nos que, ao recorrer a eles, os especialistas em linguagem médica admitem que a variação terminológica é, de fato, algo ruim.

De acordo com Rojo (2001, p.44)

[...] conceber a normalização como uma luta contra esta realidade concebida como desvio ou desordem da língua é errôneo e ineficaz, pois a diversidade sempre surgirá de forma espontânea. Assim, o trabalho terminológico não consistirá tanto em pôr fim a um suposto caos linguístico, como controlar e

pôr ordem na variação inerente à língua, partindo das características de cada

situação e contexto comunicativo. Dependendo, então, das condições de cada contexto de comunicação – situação interna e externa da língua, finalidade do trabalho terminológico, destinatários, área temática, nível de especialização, âmbito social, etc. – convirá aplicar uma ou outra forma de atuação terminológica. (grifos do autor) 36

36 “[…] concebir la normalización como una lucha contra esta realidad concebida como desviación o desorden de

la lengua es erróneo e ineficaz, pues la diversidad siempre surgirá de forma espontánea. Así pues, el trabajo terminológico no consistirá tanto en poner fin a un supuesto caos linguístico, como en controlar y poner orden a la variación inherente a la lengua, partiendo de las características de cada situación y contexto comunicativo. Dependiendo, pues, de las condiciones de cada contexto de comunicación –situación interna y externa de la lengua, finalidad del trabajo terminológico, destinatarios, área temática, nivel de especialización, ámbito social, etc–, convendrá aplicar una u otra forma de actuación terminológica.”

Em outras palavras, este autor também partilha da ideia de que a normalização pode ser utilizada e proveitosamente em determinados contextos, embora afirme que ela “deve integrar-se ao modelo renovador em que atualmente se encontra a ciência e a atividade terminológica e ser aplicada apenas naquelas situações em que as situações comunicativas permitam ou exijam.”37 (idem, ibidem, p. 44).

4.5. ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS DA SOCIOLINGUÍSTICA PARA A PESQUISA

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