• No results found

Diskusjon

In document En teknologi - flere tolkninger (sider 67-72)

As pesquisas de campo são de grande importância para se verificar a influência das relações sociais e culturais sobre os fatos linguísticos. Em Terminologia, atualmente, as pesquisas se preocupam com o estudo da língua em sua interação com a sociedade e é nesse sentido que se realiza nossa investigação sobre o uso de termos eponímicos na Medicina, mais especificamente na Dermatologia.

Nossa pesquisa de campo buscou suporte teórico e metodológico na Sociolinguística, porque a Terminologia ainda não possui uma metodologia própria e consagrada para investigações desse tipo e, de fato, apesar de possuir arcabouço teórico valioso em Socioterminologia, essa área científica não possui, ainda, uma metodologia de pesquisa de campo como a Sociolinguística possui.

A investigação do uso de termos eponímicos em comunicação é de caráter mais qualitativo do que quantitativo, uma vez que não utilizamos grande quantidade de informantes (não é um estudo de grandes populações) e não buscamos enumerar ou medir os eventos estudados com o objetivo de generalizar ou fazer afirmações categóricas; não houve nenhuma manipulação para a seleção da amostra de informantes e, também, não houve grupo de controle. Nessa abordagem de tipo descritivo-qualitativo, as análises são realizadas observando-se não apenas os dados, mas também a situação comunicativa, os interlocutores e o grau de formação científica destes, para que haja uma compreensão qualitativa da motivação do uso de termos eponímicos por parte de um grupo de estudantes e profissionais de Medicina.

Para os métodos e análise dos dados obtidos em nosso estudo, baseamo-nos, sobretudo, no trabalho de Fernando Tarallo, em que ele propõe um modelo de análise

37 “[…] debe integrarse en el modelo renovador en que actualmente se halla la ciencia y la actividad

denominado teoria da variação, ou seja, “um modelo teórico-metodológico que assume o ‘caos’ linguístico como objeto de estudo” (TARALLO, 2003, p.6)

Em seu livro A pesquisa sociolinguística (2003), esse autor discute a questão da amostragem e seleção de informantes. Ao dar diretrizes para o pesquisador, afirma que, em pesquisas sociolinguísticas, “o critério básico para a seleção de informantes será o da amostragem aleatória” (p.27), pois esse tipo de amostragem é o que proporciona a certeza de que todos os membros da comunidade tenham tido a chance de serem entrevistados.

Embora Tarallo não mencione claramente a questão da proporção entre os grupos da amostra, sabemos que, de acordo com a Sociolinguística, ela deve ser levada em consideração. Por esse motivo, o número de informantes deve variar de acordo com a categoria em que se inserem, ou seja, há de se levar em conta o tamanho da população geral disponível em cada categoria, estratificar os informantes e equilibrar as amostras.

Com o intuito de observar e compreender como essa quantificação deve ser feita, buscamos no livro Estatísticas para Ciências Humanas (LEVIN; FOX, 2004) maiores explicações sobre esse tipo de pesquisa.

O pesquisador social, ou seja, aquele que leva em consideração a interação de seu objeto de estudo com a sociedade, tem que lidar com questões práticas, como tempo, energia, recursos limitados e adesão ou participação dos indivíduos. Ao se trabalhar com indivíduos dessa sociedade (informantes ou sujeitos da pesquisa), sabe-se que é muito raro ter condições de se estudar cada um deles separadamente. Deve-se, então, selecionar e trabalhar com uma amostra, ou seja, com um número menor de informantes de determinada população. “Por meio do processo de amostragem, os pesquisadores sociais procuram fazer generalizações de uma amostra (um pequeno grupo) para toda a população da qual ela foi extraída (um grupo maior)” (LEVIN; FOX, 2004, p.177).

Uma pesquisa de campo pode utilizar diferentes métodos de amostragem, sendo os dois principais tipos o método de amostragem aleatório, quando qualquer informante da amostra tem igual chance de ser escolhido e o método de amostragem não aleatório, quando isso não ocorre. Dentre os métodos não aleatórios, pode-se ter uma amostragem intencional, amostragem por cotas e amostragem por julgamento. Dentre os métodos aleatórios, incluem- se as amostragens simples, sistemática e estratificada. Por amostragem aleatória simples entende-se aquela em que todos os informantes têm igual chance de serem escolhidos por um processo de identificação e sorteio. Em geral, lista-se a população e atribui-se a cada elemento um número identificador. Em seguida, por meio de uma tabela de números aleatórios, escolhem-se os representantes de acordo com os números que a linha ou coluna escolhida da

tabela for apresentando. Na amostragem sistemática, não é necessário produzir essa tabela de números aleatórios, uma vez que os informantes serão listados e posteriormente selecionados em intervalos fixos (por exemplo, de 12 em 12 elementos). Entretanto, nossa pesquisa utilizou-se do método de amostragem aleatória estratificada, que é descrita pelos autores da seguinte forma: “Outra variante da amostragem simples, a amostra estratificada, envolve a divisão da população em subgrupos ou estratos mais homogêneos, dos quais se extraem então amostras aleatórias simples” (LEVIN; FOX, 2004, p.179).

De acordo com Levin e Fox (2004, p.182), quando as amostras são aleatórias estratificadas, exigem “a inclusão de características amostrais exatamente nas mesmas proporções em que figuram na população”. Porém, um dos problemas desse critério é justamente ter acesso a essa proporção de maneira exata. Os números são fluidos e muito raramente consegue-se ter esse dado. O primeiro passo seria encontrar os dados relativos à população geral e repousa aí o primeiro impasse. “Os pesquisadores sociais que tentaram [obter uma relação completa dos membros de determinada população] dão testemunho da dificuldade” (idem, ibidem, p.179).

Isso também ocorreu em nossa pesquisa. Ao tentarmos balancear as amostras estratificadas, tentamos levar em consideração a proporção como elas figuram na população total. Embora não tenhamos conseguido chegar a essa porporção em termos numéricos, sabemos que, de modo geral, em cada uma das cidades pesquisadas, em um recorte sincrônico, a categoria de médicos é a maior delas, enquanto que a categoria de alunos de Medicina é maior do que a de médicos docentes. Ou seja, em uma escala, teríamos que

Médicos

>

Alunos de Medicina >Médicos docentes de Medicina.

Quando se utiliza como instrumento de pesquisa um questionário, ou seja, um conjunto de perguntas previamente elaboradas referentes a determinado problema e que é aplicado a um grupo de pessoas (denominado ‘grupo de informantes’), é preciso considerar que a análise das respostas nem sempre é de fácil realização. No caso de questões fechadas (ou, em nosso caso, semi-abertas), apresenta-se ao informante uma lista de respostas previstas e a instrução de preenchimento pode ser, por exemplo: indicar a reposta mais adequada; indicar vários itens de forma livre ou fixa quanto ao número de respostas possíveis; ordenar todas ou parte das respostas em função de certo parâmetro, entre outros. Cada uma dessas opções traz como consequência diferentes métodos de análise. Em nossa pesquisa,

especificamente, os informantes poderiam assinalar mais de uma resposta por questão, sendo esse número livre. Esse padrão de preenchimento tornou a análise exaustiva, devido ao número bastante alto de combinatórias possíveis. Assim, utilizamos em nossa pesquisa um padrão de análise que se baseia na frequência de cada alternativa separadamente. Os detalhes sobre como procedemos encontram-se descritos no capítulo Metodologia da pesquisa.

In document En teknologi - flere tolkninger (sider 67-72)