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Del 1: Høy digital forståelse blant informantene

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4. Analyse

4.1 Del 1: Høy digital forståelse blant informantene

O estudo da eponímia situa-se no campo da Onomástica, que é a ciência da linguagem que possui duas principais áreas de estudo, a saber, a Antroponímia e a Toponímia. A

primeira “tem como objeto de estudo os nomes próprios individuais, os nomes parentais ou sobrenomes e as alcunhas ou apelidos”, enquanto que a segunda “investiga o léxico toponímico, através do estudo da motivação dos nomes próprios de lugares” (SEABRA, 2006). O eixo central da Onomástica é o nome próprio, abordado do ponto de vista de seu significado e de sua origem. Segundo Maria Vicentina de Paula do Amaral Dick,

O sistema onomástico comporta as realizações do sistema lexical, compatíveis ao desempenho denominativo do enunciador e do enunciatário. A participação de cada um dos actantes, nos enunciados produzidos, representa maior ou menor competência no emprego de um vocabulário que se caracteriza pela especialização. (DICK, 1998, p. 77)

A autora situa, então, o sistema onomástico-denominativo no âmbito dos estudos do léxico. Assim, bases lexicais são utilizadas para definir ou identificar lugares e pessoas através de um simbolismo próprio a essas formas linguísticas. Por esse processo, nomes próprios passam a ser “lugares existenciais” e indivíduos passam a ser “personalidades sociais” (DICK, 1998, p. 77).

Ao observarmos como o linguista John Lyons trata a questão dos nomes próprios, encontramos o seguinte comentário:

Os nomes próprios, assim como os pronomes ou os sintagmas que identificam uma pessoa ou uma coisa definida [...] devem ser considerados como os mais “substantivais” – os mais verdadeiramente nominais – dos elementos de uma língua (daí o termo tradicional substantivo para o nome). São termos particulares (ou “singulares”) que denotam certa substância

individual e definida.10(LYONS, 1970, p.258-259 – grifos do autor)

Evidencia-se, aqui, o caráter individualizante e definido do nome próprio. Lyons contrapõe os nomes próprios aos termos universais ou gerais, que denotam uma classe de coisas, estados ou ações que podem se relacionar aos indivíduos (idem, ibidem, p.259).

O nome próprio tem, então, como função fundamental diferenciar pessoas entre si; embora pareça simples, o tema é complexo, a começar, por exemplo, pela definição que se tem de nome.

10 “Les noms propres, de même que les pronoms ou les syntagmes qui identifient une personne ou une chose

définie [...] doivent être considérés comme les plus ‘substantivaux’ – les plus vraiment nominaux – des éléments d’une langue (d’où le terme traditionnel de substantif pour le nom). Ce sont des termes particuliers (ou ‘singuliers’) qui dénotent une certaine substance individuelle et définie. »

O nome próprio, ou substantivo próprio, é definido da seguinte maneira, na Gramática Metódica da Língua Portuguesa:

[Substantivo] Próprio: aquele que expressa, em determinadas classes, um único ser dessa espécie: Caramuru, Jorge VI,Pio XII são substantivos (ou

nomes) próprios, por individualizarem seres da classe das pessoas.

(ALMEIDA, 1985, p. 84)

Ainda nessa gramática, observamos que os substantivos próprios são aqueles que designam 1. pessoas; 2. coisas personificadas; 3. nações, estados, cidades, localidades, acidentes geográficos, e 4. entidades, organizações, corporações juridicamente constituídas. O Dicionário Aurélio, por sua vez, considera nome próprio como segue:

Nome [Do lat. nomen] S.m. [...] 12. 1. Nome próprio. Nome com que se

nomeiam individualmente os seres e que se aplica em especial a pessoas, nações, povoações, montes, mares, rios etc. [...]. (FERREIRA, 1999, p. 1413)

A nosso ver, a questão do substantivo próprio é ainda mais profunda: o nome próprio é uma designação que remete a um ser, local, organização particular ou outro, individualizando- -o com relação aos demais de um grupo, especialmente por comportar em seu conteúdo semântico as características inerentes àquele que é designado. É essa concepção de nome (substantivo) próprio que utilizamos doravante.

Tendo-se em vista que para a própria Onomástica essa ainda é uma questão delicada, vamos nos limitar a considerar, em nosso trabalho, os nomes próprios de origem antroponímica e toponímica.

Rostislav Kocourek (1991, p. 94) comenta que os nomes próprios são geralmente excluídos dos estudos linguísticos e terminológicos. Contudo, esse autor os considera como parte do léxico técnico-científico, levando-se em conta seu emprego na formação de termos e sua frequência em discursos.

Segundo esse autor, os nomes próprios “são palavras e sintagmas lexicais que têm uma manifestação falada e escrita e que pertencem à classe lexical e são caracterizados por

categorias gramaticais”11 (KOCOUREK, 1991, p. 94). Podem dar origem a palavras derivadas ou compostas e a sintagmas nominais (terminológicos) mais complexos.

No que diz respeito aos termos eponímicos, que o autor define como “unidades lexicais cuja fonte é um nome próprio” 12 (KOCOUREK, 1991, p. 96), afirma que esses são muito frequentes em terminologia técnico-científica, principalmente porque os nomes próprios de lugar, de personalidades e de especialistas de uma determinada área constituem elementos essenciais dos domínios especializados.

Ainda de acordo com Kocourek, o processo envolvido na formação de termos eponímicos é a metonímia, que ocorre quando “a relação entre o sentido do termo e o sentido comum da palavra que constitui o termo é de contiguidade” 13 (KOCOUREK, 1991, p. 171). Diversos tipos de motivação metonímica apresentam-se com frequência nas terminologias especializadas, como explica o autor:

Diversos tipos de metonímia deram origem ao que chamamos de epônimos

terminológicos (termos-epônimos), isto é, termos comuns (e não nomes

próprios) que contêm um elemento originário de um nome próprio, [...] compreendendo o caso em que o nome próprio serve de base para a derivação [...]. 14 (KOCOUREK, 1991, p. 172)

As relações que poderiam gerar termos eponímicos com base em um antropônimo seriam as seguintes: inventor/invenção, descobridor/descoberta, produtor/produto, ou, mais especificamente, cientista célebre/unidade criada em sua homenagem. Existe ainda a relação lugar/produto, que explica a motivação dos termos eponímicos com base em topônimos, como por exemplo, champanhe, vinho que vem da região de Champagne, na França.

Observamos, então, que Kocourek considera os termos eponímicos como elementos integrantes das terminologias das áreas especializadas.

O termo epônimo, de origem grega (tendo como formantes epi-, "sobre", e ônoma, "nome"), era, inicialmente, um adjetivo utilizado para se referir a “aquele que dá seu nome a”. Havia, então, o herói epônimo, a divindade epônima, o arconte epônimo, entre outros, que eram pessoas renomadas e reconhecidamente importantes na Grécia antiga, cujos nomes

11 “[…] sont des mots et des syntagmes lexicaux qui ont une manifestation parlée et écrite, et qui appartiennent

aux classes lexicales et sont caractérisés par des catégories grammaticales »

12 “[...] les unités lexicales don’t la source est un nom propre »

13 “[...] le rapport entre le sens du terme et les sens ordinaire du mot qui constitue le terme est celui de

contiguïté ».

14 “Divers types de métonymie ont donné naissance à ce que l’on appelle éponymes terminologiques (termes-

éponymes), c’est-à-dire termes communs (et non noms propres) qui contiennent un élément issu d’un nom propre [...] y compris les cas où le nom propre sert de base pour la dérivation ».

serviam de base para nomear as tribos, os anos, uma família, uma dinastia ou até mesmo uma cidade (como, por exemplo, Constantinopla, que teve como herói epônimo o Imperador Constantino) (OLIVEIRA FILHO, 2001). Atualmente, o epônimo (nome próprio) ainda mantém algumas dessas funções e pode ser utilizado como adjetivo ou substantivo.

Consultando o Novo Aurélio século XXI, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, encontramos a seguinte definição de epônimo:

Epônimo [do grego epónymos] – Adj. 1. Que dá ou empresta seu nome a

alguma coisa. [...] S.m. 2. Aquele que dá ou empresta seu nome a alguma coisa [...]. (FERREIRA, 1999, p. 781)

Esse verbete fornece o sentido geral da palavra, sem mencionar acepções mais específicas. Também não explica se o nome próprio é de pessoa, lugar ou outro, mas indica a dupla categoria gramatical a que pode pertencer.

Em Medicina, os epônimos passam a ter sentidos mais específicos, como podemos observar no dicionário médico Stedman (original em inglês - traduzido para o português):

Eponym [G. epónymos, denominado segundo]. Epônimo; o nome de uma

doença, estrutura, operação ou método, em geral derivado do nome da pessoa que a (o) descobriu ou descreveu em primeiro lugar.

Eponymic. Eponímico. 1. Relativo a um epônimo. 2. Um epônimo.

(STEDMAN, 1996, p. 438)

De acordo com as definições encontradas nesse dicionário (que contém as entradas em inglês e as definições dos verbetes em português), observamos, mais uma vez, o problema terminológico que envolve o termo. Depreendemos, com base na primeira definição, que epônimo se refere ao objeto cuja denominação tem origem em um nome próprio. Porém, na segunda, vemos que eponímico pode ser considerado um sinônimo de epônimo ou um adjetivo relativo ao nome próprio. Contudo, na seção Como usar este dicionário, que se encontra no início da obra, pode-se ler a seguinte explicação: “Os sobrenomes de pessoas às quais são atribuídos epônimos recebem uma breve entrada principal biográfica que serve para localizar as referências cruzadas para epônimos” (STEDMAN, 1996, p. 22 – grifo nosso). Observamos, aqui, a terminologia utilizada por esse dicionário: de acordo com essa colocação, epônimo é tanto o termo quanto a pessoa ou o sobrenome que foi utilizado na formação do termo.

Assim, o que o dicionário Stedman chama de epônimo é o que chamamos, no contexto desta tese, termo eponímico, ou seja, o termo que comporta em sua formação o (sobre)nome de uma pessoa ou lugar. Para nós, epônimo é o nome próprio (substantivo) e eponímico é o adjetivo que qualifica o termo que apresenta, em sua formação, um epônimo.

Ainda no âmbito da definição de epônimo, a questão se enriquece com a explicação posterior, dada pelo dicionário Stedman, a respeito da forma possessiva em inglês com esses sobrenomes. Vejamos:

Tradicionalmente, a forma possessiva foi adicionada ao nome do descobridor ou descritor de uma doença (Down’s syndrome, Wilms’ tumor), mas não ao nome da pessoa que tenha a doença (Christmas disease, Job syndrome), um nome composto (Bence Jones proteinuria, Niemman- Pick disease), ou o nome da localidade em que a doença foi encontrada pela primeira vez (Lyme disease, Pontiac fever). (STEDMAN, 1996, p. 22 – grifos nossos)

Observamos, nessa explicação, que o dicionário considera os nomes de localidades (topônimos) como passíveis de formação de epônimos (termos eponímicos). Essa informação encontra-se na seção “Epônimos”, da parte “Como usar este dicionário”.

Na bibliografia pesquisada sobre a definição desse conceito, encontramos sempre referências a antropônimos, mas poucas vezes a topônimos. A definição a seguir foi extraída de um dicionário médico ilustrado (inglês/português) e exemplifica essa informação: “Eponym: epônimo, palavra formada ou derivada do nome da pessoa que primeiro descreveu ou descobriu uma doença, p. ex.: doença de Chagas.” (ALVES, 2004, p.144). Observamos que, nessa definição, além de não haver nenhuma menção a topônimos, os nomes próprios considerados são apenas os relativos aos descobridores e não aos pacientes das doenças.

Porém, lemos em Victor A. McKusick o seguinte trecho:

O uso de epônimos, isto é, nomear doenças através de nomes próprios, geralmente nomes de médicos, mas algumas vezes de pacientes (por exemplo, Christmas disease e Lou Gehrig disease) e algumas vezes nomes geográficos (por exemplo, familial Mediterranean fever) ou étnicos, segue o princípio de Hermógenes, mas não completamente, já que o nome não carrega informação específica à doença. 15 (McKUSICK, 1998, p. 425)

15 “Use of eponyms, that is, naming disorders by proper names, usually names of physicians but sometimes

names of patients (for example, Christmas disease and Lou Gehrig disease) and sometimes geographic (for example, familial Mediterranean fever) or ethnic names, follows the Hermogenes principle, but not completely since the name does convey information specific to the disorder.”

Podemos notar, nesse comentário, que o autor engloba na categoria epônimo todos os nomes próprios, e não somente os de pessoas. Assim, nomes geográficos e étnicos fariam parte do conceito estudado.

Quanto à distinção epônimo/termo eponímico, essa problemática passa ainda pela questão da categoria gramatical, como podemos observar na Introdução da obra de Geraldo José Medeiros Fernandes:

Os bons dicionários conceituam EPONÍMIA (s.f.) como “nome de coisas, tirado de outras coisas ou de pessoas” e EPONÍMICO ou EPÔNIMO (adj.) como “o que diz respeito à eponímia”. Mas a palavra EPÔNIMO, como substantivo masculino, significa também “aquele que dá ou empresta seu nome a alguma coisa”. O termo deriva diretamente do grego eponymos, literalmente “que tem seu nome sobre”.

Portanto, em Anatomia, a nomeação de qualquer estrutura orgânica através de nomes próprios, como “esfíncter de Oddi”, “órgão de Corti” ou “ligamento de Gimbernat”, são epônimos. (FERNANDES, 1999, p. 7 – grifos do autor)

De acordo com Fernandes, poderíamos utilizar a expressão termo epônimo. Quanto aos objetos englobados pela definição, o autor também fala em nomes próprios de modo geral e não somente em (sobre)nomes de pessoas.

Encontramos no Medical Dictionary da Medline Plus a definição abaixo, que, apesar de fazer parte de um dicionário médico, não se diferencia muito em relação às demais definições encontradas em dicionários de língua geral:

Epônimo (s.m.). 1. a pessoa para quem algo (como uma doença) é ou

supostamente é nomeada; 2. um nome (como o de uma droga ou doença) baseado em ou derivado do nome de uma pessoa. 16 (MEDLINEPLUS,

2004)

A definição de epônimo é abordada por vários autores, especialmente no que concerne à questão de sua adequação ao domínio médico. Nesse sentido, Dirckx comenta que:

Médicos de língua inglesa, cuja linguagem técnica inclui centenas de termos baseados em nomes próprios, também adaptaram o sentido de epônimo para fazê-lo significar “um nome de uma droga, estrutura ou doença baseada em

16 “1. the person for whom something (as a disease) is or is believed to be named; 2. a name (as of a drug or a

ou derivada do nome de uma pessoa”. Essa definição, que aparece após a tradicional no The American Heritage Dictionary of the English Language, é precedida pela rubrica “Medicina”. O OED não reconhece esse sentido alternativo. 17 (DIRCKX, 2001, p. 18)

A nosso ver, essa definição, trazida pelo dicionário The American Heritage Dictionary of the English Language, mencionada por Dirckx, seria apropriada para o domínio da Dermatologia, nossa área de pesquisa. No entanto, os demais tipos de nomes próprios não estão contidos nessa definição.

Vale lembrar, ainda, que, para a classe médica, epônimo é quase sempre utilizado no sentido de nome próprio antroponímico; na bibliografia escrita por médicos, praticamente não encontramos referência a topônimos.

Assim, após a leitura, análise e reflexão a respeito desse conceito que é de suma importância para a sequência de nossa pesquisa, decidimos utilizar epônimo para nos referirmos ao nome próprio (qualquer nome próprio, sendo ele de pessoa ou não) contido em um termo, e esse termo, por sua vez, chamamos termo eponímico.

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