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A respeito da subcategoria família da criança atendida e sua relação com a classe hospitalar podemos considerar com base na análise das entrevistas realizadas na pesquisa, que todas as professoras (7) apontaram ter um bom relacionamento com a família da criança hospitalizada, além de todas (7) destacarem que a família reconhece a contribuição da classe hospitalar para com a aprendizagem da criança.

As professoras indicam que o contato com a família se dá a partir da primeira visita ao leito da criança, momento este, em que conversam com a família sobre a existência da classe hospitalar, dos objetivos da classe hospitalar, sobre o direito da criança em receber essa escolarização hospitalar e avisam que este atendimento pedagógico abonará as faltas que a criança tem na escola, podendo continuar com seus estudos no ambiente hospitalar.

O primeiro contato com a família é quando vamos conversar para comunicar a existência da classe hospitalar. Na maioria das vezes a família já sabe, pois as enfermeiras já avisaram. Contato esse para pedir autorização para o atendimento pedagógico e saber se a criança quer ir à classe hospitalar (Professora Adriana).

O contato da professora junto à família ocorre para que possa solicitar a autorização para a realização de atividades pedagógicas com a criança e solicitar algumas informações para o preenchimento de uma ficha de avaliação inicial (Anexo I) que contém dados gerais, tais como: o nome do aluno; a data de nascimento; o ano em que está matriculado; o nome da escola de origem do aluno34. Algumas informações da ficha serão preenchidas posteriormente, pois essas fazem referência a outras informações que a família não poderia responder. Essas informações, dizem respeito à escola vinculadora35 e a Diretoria de Ensino da qual pertence. Além de outros dados que poderão ser obtidos junto à escola de origem e outros que serão preenchidos pelo próprio professor da classe hospitalar, pois se referem à avaliação pedagógica e as observações realizadas, bem como, sobre o planejamento das estratégias do seu plano de trabalho que serão oferecidas à criança hospitalizada.

Duas professoras pontuaram que, ao notificar os pais do atendimento pedagógico hospitalar, eles se prontificam a buscar as atividades do filho na escola de origem para que possa fazer na classe hospitalar e se esforçam muito, apesar de apresentarem dificuldades financeiras.

Mesmo com dificuldades financeiras, os pais se esforçam muito para avisar a escola e buscar as atividades. Depois, agradecem muito o trabalho desenvolvido por nos professoras da classe hospitalar (Professora Patrícia).

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De acordo com a publicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e do Centro de Atendimento Especializado Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado (CAPE), a escola de origem do aluno tem como atribuição fornecer os programas básicos das matérias e das disciplinas ministradas e fornecer o calendário de provas, a elaboração das provas e o envio À respectiva entidade hospitalar, além da correção das provas aplicadas (SÃO PAULO, 2014, p. 13). 35

De acordo com a publicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e do Centro de Atendimento Especializado Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado (CAPE), a escola vinculadora, será a escola pública que se apresenta mais próxima do hospital que tem a classe hospitalar. Essa escola tem como atribuição controlar o ponto do professor, oferecer apoio pedagógico na Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC), que corresponde a formação continuada do professor, além de expedir declarações de frequência do aluno para a escola de origem do aluno, com o intuito de regularizar a vida escolar da criança e incluir na sua proposta pedagógica, a especificidade do atendimento hospitalar que ocorre na classe hospitalar vinculada a sua escola (SÃO PAULO, 2014, p. 13- 5).

Fonseca (2008) aponta que, de modo geral, o familiar é mais aberto com o professor, pois não o identifica como um profissional da saúde, o que torna o relacionamento com o professor mais próxima, tranquila e frequente.

A família vê na classe hospitalar e nos professores que atuam na classe uma esperança para que o filho continue a estudar depois da internação [...] Muitas famílias só ficam conhecendo a classe hospitalar quando estão com os filhos doentes e também desconhecem o direito ao atendimento domiciliar para o aluno impossibilitado de frequentar a escola regular (Professora Maria).

Segundo Oliveira e Collet (1999), a hospitalização para a criança representa medo do desconhecido, sofrimento físico com os procedimentos e sofrimento psicológico relacionado a todos os sentimentos novos que passa a vivenciar. Para a família significa o sentimento de perda da normalidade, de insegurança na função de progenitores, de alteração financeira no orçamento doméstico, de dor pelo sofrimento do filho. Por isso, tanto a criança quanto a família necessitam de esclarecimentos, informações e orientações sobre a rotina hospitalar e os procedimentos médicos. E a classe hospitalar se apresenta como uma parte muito boa, dentro de um momento que é tão difícil de enfrentar.

Por isso, a integração da família na classe hospitalar favorece no enfrentamento da doença. Por meio da pesquisa, constatamos que seis professoras desenvolvem atividades de interação com a família no ambiente da classe hospitalar. As atividades propostas são de participação nas datas comemorativas, com a ajuda na elaboração de lembrancinhas, nas atividades lúdicas, principalmente nas classes hospitalares que dividem o espaço com a brinquedoteca, as mães e/ou acompanhante do leito participam bastante das atividades de jogos, momento que podem compartilhar suas dores e conhecer outras realidades bem próximas das situações que te passado e também, por meio de empréstimos de livros.

As mães ao se reunirem, conversam sobre suas vidas, sobre a doença que é na maior parte em comum e participam de oficinas oferecidas no hospital, pelo Programa de Humanização do espaço hospitalar, com oficinas de bijuterias, de artesanatos e recebem apoio psicológico e social oferecido no hospital (Professora Jandira).

No hospital que a professora Jandira trabalha este se divide por andar com um tipo de patologia, por isso que na sua fala acima, ela destaca que compartilham questões em comum sobre a doença. Essa proximidade nas relações das mães aponta como um fator positivo no sentido de suportarem as

dificuldades presentes no diagnóstico. A respeito das dificuldades que as mães enfrentam, as autoras Oliveira e Collet (1999) destacam que na hospitalização da criança, fatores adversos estão presentes, como mudança de ambiente físico e psicológico, separação dos pais e dos demais familiares, interrupção das atividades cotidianas, entre outros. Desta forma, desenvolver atividades que possam proporcionar um bem estar aos familiares seria como contribuir para o bem estar das crianças também, tendo em vista, que a participação da família no cuidado da criança hospitalizada também representa contribuição para a recuperação da saúde.

Percebemos nas entrevistas das professoras participantes da pesquisa, que após a alta hospitalar, as visitas da família com a criança à classe hospitalar é uma constante no cotidiano pedagógico hospitalar, seja para agradecer pelo trabalho desenvolvido ou para matar a saudade da professora, devido a proximidade que se estabeleceu. Neste sentido, podemos afirmar que existe uma grande valorização do trabalho das professoras no contexto hospitalar, além de pontuarem que existe um reconhecimento profissional compreendendo que o espaço da classe hospitalar seja um espaço para a aprendizagem e não simplesmente, como simples distração ou um momento de brincar.

As crianças acompanhadas da mãe voltam para o hospital, para fazer um procedimento, uma consulta, um exame, e, assim que chegam pedem autorização para se dirigir ao andar da classe hospitalar e vir dar um beijo e um abraço na professora, além de, agradecer que conseguiu acompanhar os amigos da turma regular e avisar que passaram de ano (Professora Célia).

Diante disso, constatamos que as famílias têm muito apreço pelo trabalho realizado pelo professor da classe hospitalar, valorizando sua atuação pedagógica e apoiando seu trabalho sempre que possível.