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Forskningsprosess, valg av litteratur og kildekritikk

Kapittel 1 Innledning

1.5 Forskningsprosess, valg av litteratur og kildekritikk

A cooperação sindical internacional já é sentida como necessária, pelos trabalhadores, há mais de um século. Em 1864, constituiu-se a Associação Internacional de Trabalhadores, a primeira das quatro entidades internacionais que, com as três restantes, surgidas em 1889, 1919 e 1938, pavimentou o caminho para as federações sindicais internacionais e outras entidades de trabalhadores mundiais243.

Desde aquela época, muito se percorreu até que se chegou, recentemente, ao que pode ser tido como o ápice da organização obreira internacional do ponto de vista formal. Com a constituição ocorrida em Viena, Áustria, em 1º de novembro de 2006 – a partir da dissolução da Confederação Mundial do Trabalho (CMT)/World Confederation of

Labour (WCL), que se uniu à Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres (CIOSL)/International Confederation of Free Trade Unions (ICFTU) –, a Confederação

debate sobre temas pertinentes ao movimento sindical. Em 2011, o curso de pós-graduação foi realizado de 1º de abril a 30 de setembro.

242 Sob a alegação de que a lei obrigaria a empresa a apenas manter o seu conselho europeu, diante da diretiva

sobre o comitê de empresa europeu, o que excluiria a possibilidade de reconhecimento de representantes de outras partes do mundo, como o Brasil.

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Sindical Internacional (CSI)/International Trade Union Confederation (ITUC) ilustra uma inovação ímpar no que concerne à dimensão espacial mundial da ação sindical244. Com o surgimento da CSI, também se instituiu o Conselho das Global Unions245.

Do que se tem notícia, a primeira federação sindical internacional foi a Federação dos Metalúrgicos, estabelecida em 1893, a despeito de secretariados internacionais do trabalho – que nada mais eram do que federações sindicais internacionais específicas de certos setores econômicos e de certas indústrias246 e que, depois, em 2002, foram rebatizados como federações sindicais internacionais, com um perfil mais multi- industrial, multissetorial – poderem ter seu início traçado desde o final do século XIX247.

Até 2006, três principais organismos poderiam receber a alcunha de “mundiais” para os trabalhadores, com aptidão para negociar coletivamente248: as já referidas CMT e CIOSL (que contou com algum suporte da AFL-CIO norte-americana249) e a Federação Sindical Mundial (FSM)/World Federation of Trade Unions (WFTU) constituída em 1945. Essas entidades foram montadas em linha com as divisões territoriais e geopolíticas causadas pela guerra fria, que motivaram a que várias entidades deixassem a FSM, que reunia organizações sindicais de tendências comunistas250, para formar a

243 CARRIL VÁZQUEZ, Xosé Manuel. Asociaciones Sindicales y Empresariales de Carácter Internacional,

pp. 2-3.

244 VASCONCELOS FILHO, Oton de Albuquerque. Liberdades Sindicais e Atos Anti-Sindicais, p. 114. 245 O agrupamento sindical denominado Global Unions é formado pelo Comitê Consultivo Sindical da OCDE

(TUAC), pela CSI e pelas federações sindicais internacionais (www.global-unions.org), instituído para harmonizar a determinação comum de várias entidades em organizar, defender os direitos humanos e os padrões trabalhistas em todo o mundo, mediante a promoção do crescimento e do fortalecimento das entidades sindicais. Para tanto, ver PURCALLA BONILLA, Miguel Ángel. El Trabajo Globalizado, p. 253.

246 WINDMULLER, John P. The International Trade Secretariats. In: GORDON, Michael E.; TURNER,

Lowell (ed.). Transnational Cooperation among Labor Unions, p. 102.

247 No começo, tratavam-se de estruturas bem informais que cooperavam no nível prático, trocando

informações sobre o ofício e a indústria relacionada. Por volta de 1900, já tinham algum desenvolvimento que possibilitava, aos secretariados internacionais do trabalho, abarcar questões como a assistência à sindicalização, o respaldo internacional a greves e, até, a fixação de normas internacionais setoriais (CONFEDERACIÓN INTERNACIONAL DE ORGANIZACIONES SINDICALES LIBRES. Una Guía

Sindical sobre la Mundialización, p. 23).

248 FRANCO FILHO, Georgenor de Sousa. Negociação Coletiva Transnacional. In: FRANCO FILHO,

Georgenor de Sousa (coord.). Curso de Direito Coletivo do Trabalho, p. 298.

249 A fundação da CIOSL fez com que a AFL-CIO revisse a sua tradicional política e filosofia de que uma

organização de trabalhadores internacionais só poderia ser composta de representantes das entidades “dominantes” ou, quiçá, “mais representativas” de cada país. Para tanto, ver VIANA, José de Segadas. Direito

Coletivo do Trabalho, p. 41.

250 CHIARELLI, Carlos Alberto. O Trabalho e o Sindicato: Evolução e Desafios. São Paulo: LTr; Caxias do

Sul: Universidade de Caxias do Sul - UCS, 2005, p. 224. Quanto à FSM, Peter Waterman comenta, de forma curiosa, a sua problemática existência até os dias de hoje:

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CIOSL251 em 1949 para a luta contra o totalitarismo. Todas essas entidades não contribuíram para uma solidariedade internacional obreira, uma vez que vítimas da brutalidade e do nacionalismo de guerras que levou os trabalhadores a se matarem nos campos de batalha252.

O estudo acadêmico sobre a formação e a estruturação dessas entidades sindicais regionais e mundiais também seguiu o script da história geopolítica mundial, com destaque, na década de 60, aos estudos sobre o internacionalismo sindical comunista; na década de 70, aos dos novos internacionalismos; na década de 80, aos do internacionalismo do chão de fábrica, curiosa e coincidentemente contextualizando o surgimento, no Brasil, do movimento do “novo sindicalismo”; e, já no novo século, dos atinentes às teorias da justiça global e do princípio da solidariedade sindical internacional253.

Vinculadas às estruturas mundiais, organizaram-se, também, entidades regionais. Da estrutura da antiga CIOSL, surgiram a Organização Regional Africana/African Regional Organisation (AFRO), a Organização Regional para a Ásia e o Pacífico/Asian and Pacific Regional Organisation (APRO) e a Organização Regional Interamericana de Trabalhadores (ORIT)/Inter American Regional Organisation of

Workers. Essa última, a ORIT, constituída em 1951 e que muito ajudou o sindicalismo latino-americano, especialmente com a criação de escolas de treinamento de lideranças

“A FSM continua, hoje, a existir, e a existir num duplo sentido, qual deles o mais problemático. Em primeiro lugar, existe sob a forma de um número de escritórios modestos e de funcionários modestamente pagos, e de uma série de congressos e de publicações extraordinariamente parecidos com os de há 30 anos atrás. Em segundo lugar, ela persiste como mito, perpetuado por sindicalistas de esquerda, activistas militantes, ou anti- imperialistas, bem como por alguns investigadores de esquerda da nova geração. Poderia pensar-se que estes buscam uma alternativa à CISL, fazendo-o, contudo, olhando para trás e para o lado em vez de olharem para a frente. O único sinal de que a FSM aprendeu alguma coisa com as lutas travadas contra o capitalismo contemporâneo foi a criação, em 2000 do seu ‘website’ (v. Websites, no final). Mas esse ‘sítio’ na “Web’ é também a prova viva de que a FSM continua a estar fortemente dependente da participação de sindicatos controlados pelo Estado, provenientes do que resta dos países comunistas e do mundo árabe. Quanto ao mais, este resquício da tradição romântica e insurreicional – mas também típica do socialismo de Estado – parece querer regressar ao mundo dos Estados-nação que lhes esteve na origem” (O Internacionalismo Sindical na Era de Seattle. In: ESTANQUE, Elísio; SILVA, Leonardo Mello e; VÉRAS, Roberto; FERREIRA, António Casimiro; AUGUSTO COSTA, Hermes (orgs.). Mudanças no Trabalho e Ação Sindical: Brasil e Portugal no Contexto da Transnacionalização. São Paulo: Cortez, p. 219-260, 2005, p. 226).

251 HUXTABLE, David. The Failing Strategy of International Trade Unionism, p. 7.

252 GORDON, Michael E.; TURNER, Lowell. Going Global. In: GORDON, Michael E.; TURNER, Lowell

(ed.). Transnational Cooperation among Labor Unions, p. 17.

253 WATERMAN, Peter. A Trade Union Internationalism for the 21st Century: Meeting the Challenges from

Above, Below and Beyond. In: BIELER, Andreas; LINDBERG, Ingemar; PILLAY, Devan (ed.). Labour and

the Challenges of Globalization: What Prospects for Transnational Solidarity? London: Pluto Press; Scottsville: University of KwaZulu-Natal Press, p. 248-263, 2008, p. 249.

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sindicais254, surgiu, também, para combater, na América do Sul, a Confederação dos Trabalhadores da América Latina (CTAL), controlada pela esquerda radical e combatida, em um primeiro momento, em 1948, pela Confederação Latinoamericana de Trabalhadores (CLT). A CLT ou a Latin American Workers Central, aliás, pertencia à estrutura da CMT, da qual também surgiram a Irmandade de Sindicatos Asiáticos/Brotherhood of Asian Trade

Unionists e a Organização Democrática Sindical dos Trabalhadores Africanos/Democratic

Organization of African Workers’ Trade Unions255.

Para a Europa, consta uma entidade regional, a importante Confederação Europeia de Sindicados (CES)/European Trade Union Confederation (ETUC), que se manteve, de toda a sorte, independente de qualquer estrutura mundial, embora próxima à anterior CIOSL256. A CES, dominada, numérica e politicamente por entidades reformistas e democrata-cristãs257, possui uma dupla estrutura: de um lado, as “centrais” sindicais nacionais e, de outro, pouco mais de uma dezena de federações européias de ramo de produção258.

Para a Europa, ainda, e também de maneira independente, é o caso da Confederação Europeia de Gerentes/European Confederation of Executive Staffs e do Conselho de Sindicatos Nórdicos/Council of Nordic Trade Unions.

Para as Américas, o Congresso Permanente de Unidade Sindical dos Trabalhadores da América Latina/Permanent Congress of Trade Union Unity of Latin

American Workers (ainda que com vínculos à FSM259).

254 Para um pouco das estratégias sindicais e o programa de ação da ORIT, mormente no que diz respeito à

promoção da organização sindical para os trabalhadores da economia informal, ver CASTILLO, Gerardo; FROHLICH, Miguel; ORSATTI, Alvaro. Construcción de Una Estrategia Formativa Integral hacia los Trabajadores de la Economía Informal: La Experiencia de CIOSL-ORIT. In: CASTILLO, Gerardo; ORSATTI, Alvaro (comp.). Trabajo Informal y Sindicalismo. Montevideo: Cinterfor/OIT, p. 9-40, 2005, pp. 14 a 18 e 84.

255 CARRIL VÁZQUEZ, Xosé Manuel. Asociaciones Sindicales y Empresariales de Carácter Internacional,

pp. 70-73; VIANA, José de Segadas. Direito Coletivo do Trabalho, p. 42; FRANCO, Julio; MARCOS- SÁNCHEZ, José; BENOÎT, Christine. Negociación Colectiva Articulada: Una Propuesta Estratégica. Lima: Organización Internacional del Trabajo; Lima: Programa Laboral de Desarrollo – PLADES, 2001, p. 159.

256 HUXTABLE, David. The Failing Strategy of International Trade Unionism, pp. 17-22, passim.

257 HILAL, Nadia. L’Eurosyndicalisme par L’Action: Cheminots et Routiers en Europe. Paris: L’Harmattan,

2007, p. 49.

258 Constituída exatamente como corolário do processo de construção da União Europeia, da necessidade de

coordenação entre os sindicatos de distintos países, a CES é a maior organização sindical europeia, com 60 milhões de trabalhadores filiados, repartidos entre mais de oito dezenas de confederações sindicais e pouco mais de uma dezena de federações sindicais europeias.

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Para a África, a Organização da Unidade Sindical Africana/Organization of

African Trade Union Unity.

Para o Oriente Médio, a Confederação Internacional de Sindicatos Árabes/International Confederation of Arab Trade Unions260.

Abaixo dessa estrutura mundial, encontram-se as federações sindicais internacionais, anteriores secretariados internacionais do trabalho até 2002, que, ao contrário da anterior CIOSL, que representava centrais nacionais, representam os sindicatos nacionais, por sua vez representativos de trabalhadores de setores industriais ou de ocupações específicas261.

As federações sindicais internacionais defendem os interesses de seus filiados de maneira prática utilizando os métodos (i) da solidariedade e de sindicalização, que incluem a assistência financeira ou a coordenação de medidas contra empregadores ou governos; (ii) de informação e de investigação, de particular importância ao tratarem com multinacionais, bem como de divulgação de publicações e de estudos específicos; (iii) de campanhas de sensibilização da opinião pública; e (iv) de representação dos interesses dos filiados nas empresas multinacionais – inclusive para os fins da negociação coletiva internacional –, em organizações internacionais (como a OIT) e em organismos governamentais262. Tratam-se do mais antigo exemplo vivo que se tem da solidariedade sindical internacional no nível setorial.

São dez, nos dias atuais, as federações sindicais internacionais, a saber: (i) a Federação Nacional de Periodistas (FIP)/International Federation of

Journalists (IFJ);

(ii) a Federação Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (FITCM)/International Federation of Building and Wood Workers (IFBWW ou BWI);

(iii) a Federação Internacional dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas (FITIM)/International Metalworkers Federation (IMF);

260 CARRIL VÁZQUEZ, Xosé Manuel. Asociaciones Sindicales y Empresariales de Carácter Internacional,

pp. 74-87.

261 CROUCHER, Richard; COTTON, Elizabeth. Global Unions Global Business, pp. 6-8.

262 CONFEDERACIÓN INTERNACIONAL DE ORGANIZACIONES SINDICALES LIBRES. Una Guía

Sindical sobre la Mundialización, p. 27; SCHUTTE, Giorgio Romano. Globalização Revitaliza Ação Sindical em Nível Internacional. In: DOWBOR, Ladislau; IANNI, Octavio; RESENDE, Paulo-Edgar A. (orgs.).

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(iv) a Federação Internacional dos Trabalhadores do Têxtil, Vestuário e Couro (FITTVC)/International Textile, Garment and Leather Workers’ Federation (ITGLF);

(v) a Federação Internacional dos Trabalhadores da Química, Energia, Minas e Indústrias Diversas (FITQEMID)/International Federation of Chemical, Energy, Mine

and General Workers Unions (ICEM);

(vi) a Internacional de Educação (IE)/Education International (EI);

(vii) a Federação Internacional do Pessoal de Serviços Públicos/International Federation of Employees in Public Services (IPS);

(viii) a Federação Internacional dos Trabalhadores do Transporte (FITT)/International Transport Workers’ Federation (ITWF ou ITF)263;

(ix) a Federação Internacional dos Trabalhadores da Alimentação, Agricultura, Hotelaria, Restaurantes, Tabaco e Afins (FITAAHRTA)/International Union

of Food, Agricultural, Hotel, Restaurant, Catering, Tobacco and Allied Workers’ Associations (UITA ou IUF); e

(x) a Rede Sindical Internacional (RSI)/Union Network International (UNI)264.

Com perfis totalmente independentes e vinculadas a trabalhos específicos, registra-se, ainda, a Federação Internacional de Atores/International Federation of Actors, a Federação Internacional de Músicos/International Federation of Musicians, a Federação Internacional dos Sindicatos de Trabalhadores dos Meios Audiovisuais/International

Federation of Unions of Audio-Visual Workers, o Grêmio Internacional de

263 A primeira federação sindical internacional a concluir acordos internacionais com federações patronais

para a indústria marítima, sendo, portanto, uma precursora da negociação coletiva internacional com êxito para a entabulação de uma “convenção coletiva” verdadeiramente global.

264 Os acadêmicos dedicados ao estudo das movimentações das federações sindicais internacionais já

chegaram a imaginar a necessidade de fusão entre tais federações, de modo a que apenas duas existissem, uma dedicada à indústria e à manufatura, e, outra, ao setor público. Vários inconvenientes existiriam para isso: o primeiro, relacionado à escolha da sede, o que representaria perda de um grupo de trabalhadores experientes em administração internacional da entidade sindical que for preterida; o segundo, relacionado à perda de um nível de representação entre os âmbitos nacionais e o âmbito mundial da CSI, alavancando, mais ainda, perda de democracia interna quando os indivíduos se virem imersos em imensas organizações; e, o terceiro, relacionado ao fato de que a redução de custos pode ser perseguida, por tais entidades, por outras formas que não a fusão (CROUCHER, Richard; COTTON, Elizabeth. Global Unions Global Business, p. 54; RICHARDS, Lawrence. Union-Free America, p. 44). Em sentido contrário, e em prol da fusão das federações sindicais internacionais para a formação de quatro ou cinco internacionais, ver THORPE, Vic. Global

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Escritores/International Writers’ Guild, a Federação Internacional de Futebolistas Profissionais/Fédération Internationale des Footballers Professionannels, a Federação das Associações Internacionais dos Pilotos de Companhias Aéreas/International Federation of

Airline Pilots Associatons, a União Internacional de Caminhoneiros/International Union of

Lorry Drivers, a Federação de Associações Internacionais de Servidores Públicos Civis/Federation of International Civil Servants’ Associations e a União Internacional de Federações de Polícia/International Union of Police Federations.

Em 2008, uma estrutura sui generis sindical foi criada de âmbito transnacional, a partir da união do sindicato mais importante da Grã-Bretanha, o Unite de metalúrgicos, com o mais importante do setor privado dos Estados Unidos da América e do Canadá, também de metalúrgicos, o United Steelworkers. Deles, adveio o Workers Uniting, o primeiro sindicato transnacional, com registro no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Irlanda e no Canadá265.

Na dinâmica própria do internacionalismo operário, sindicatos de todo o mundo, sob a batuta da FITQEMID, FITTVC e da FITIM, acordaram estabelecer, para o mês de junho de 2012, uma nova federação sindical internacional266, a IndustriaALL, que, mundialmente, representará os trabalhadores dos setores de manufatura, energia, mineração, metalurgia e têxtil.

No âmbito do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul), os estudos acadêmicos e institucionais têm sustentado que a constituição do Subgrupo de Trabalho nº 11, depois Subgrupo de Trabalho nº 10, dedicado às “Relações de Trabalho”, em reunião do Conselho do Mercado Comum de 17 de dezembro de 1991, em Brasília, se deu graças à pressão dos trabalhadores dos países signatários e, principalmente, por meio da coordenação das centrais sindicais daqueles países267, envoltas no aglomerado sindical

Unionism: The Challenge. In: MUNCK, Ronaldo; WATERMAN, Peter (ed.). Labour Worldwide in the Era

of Globalization, p. 226.

265 KEUNE, Maarten; SCHMIDT, Verena. Estrategias Mundiales del Capital y Respuestas Sindicales. Hacia

Una Negociación Colectiva Transnacional? In: SCHMIDT, Verena; KEUNE, Maarten; SKERRETT, Kevin (ed.). Boletín Internacional de Investigación Sindical: Estrategias Mundiales del Capital y Respuestas

Sindicales. Hacia Una Negociación Colectiva Transnacional? Ginebra: Oficina Internacional del Trabajo, v. 1, nº 2, p. 11-30, 2009, pp. 19-20.

266 Diminuindo o número de federações sindicais internacionais antes relacionadas.

267 VALENTIM, João Hilário. As Dimensões Internacionais da Negociação Coletiva. Arquivos do Instituto

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CCSCS, que pode ser considerada, também, uma entidade sindical internacional, com cariz regionalizado à América do Sul.

A CCSCS foi criada logo no início do processo de integração do Mercosul, em 1986/1987, e reunia três centrais sindicais brasileiras (CUT, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil – CGT e Força Sindical), a Confederación General del Trabajo (CGT) argentina, a Central Unitaria de Trabajadores (CUT) paraguaia, o Plenario

Intersindical de Trabajadores-Convención Nacional de Trabajadores (PIT/CNT) do Uruguai, a CUT do Chile (país associado) e a Central Obrera Boliviana (COB) da Bolívia (país associado). A CCSCS também teve atuação decisiva para a aprovação da “Declaração Sociolaboral do Mercosul”, pelos Presidentes da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, durante a 15ª Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum, em 9 e 10 de dezembro de 1998, na cidade do Rio de Janeiro268.

Em um panorama, o movimento sindical internacional se montou segundo encadeamento histórico do seguinte jaez:

(i) em 1864, com o surgimento da Associação Internacional de Trabalhadores, a “Primeira Internacional”269;

(ii) em 1871, com os delegados austríacos, alemães e escandinavos de sapateiros assinando um acordo de cooperação, ao tempo em que se dava a vitória alemã na guerra franco-prussiana seguida da unificação da Alemanha;

(iii) em 1876, com a dissolução da Associação Internacional de Trabalhadores;

268 SOARES FILHO, José. As Negociações Coletivas Supranacionais para Além da OIT e da União Européia.

Revista LTr Legislação do Trabalho (Revista LTr 71-08). São Paulo: LTr, v. 71, nº 8, agosto: 907-915, 2007, pp. 907 e 913; e CORDEIRO, Wolney de Macedo. A Negociação Coletiva Transnacional no Âmbito do Mercosul como Elemento de Inclusão Social. Revista de Direito do Trabalho, pp. 210 e 216. A ORIT, a despeito de ter apoiado a constituição da CCSCS, tem prestado pouca atenção à evolução do Mercosul “o que pode ser visto como um factor inibidor de protagonismo sindical transnacional” (AUGUSTO COSTA, Hermes. O Sindicalismo na UE e MERCOSUL: Etapas e Caminhos em Aberto. In: ESTANQUE, Elísio; SILVA, Leonardo Mello e; VÉRAS, Roberto; FERREIRA, António Casimiro; AUGUSTO COSTA, Hermes (orgs.). Mudanças no Trabalho e Ação Sindical: Brasil e Portugal no Contexto da Transnacionalização. São Paulo: Cortez, p. 189-218, 2005, p. 206).

269 Interessante considerar, em relação à Associação Internacional de Trabalhadores, a “Primeira

Internacional”, que, na Espanha, tal associação foi declarada ilegal em 1874, a despeito do Decreto-Ley de 20 de novembro de 1868 sobre o direito de associação, o que deu margem à criação, em Madri e em Barcelona, da Federação Regional Espanhola da Associação Internacional de Trabalhadores para driblar a referida “ilegalidade”.

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(iv) em 1889, com a fundação do Secretariado Internacional de Sapateiros, Pintores, Chapeleiros e Trabalhadores na Indústria de Tabaco e, também, da denominada “Segunda Internacional”270;

(v) em 1897, com a fundação da Federação Internacional de Trabalhadores do Transporte;

(vi) em 1901, com a realização da primeira conferência do Secretariado de Centros Nacionais Sindicais ou Secretariado Internacional de Centrais Sindicais;

(vii) em 1913, com a fundação da Federação Internacional de Sindicatos; (viii) em 1914, com a contabilização de mais de cem secretariados internacionais criados e desenvolvendo suas atividades, impactados pela explosão da Primeira Guerra Mundial;

(ix) de 1918 a 1920, com a união de vários secretariados internacionais do trabalho, ao tempo em que, em 1917, na Rússia, despontava a Revolução Russa e, em 1918, findava a Primeira Guerra Mundial;

(x) em 1919, com a refundação da Federação Internacional de Sindicatos após a primeira guerra mundial;

(xi) em 1920, com a fundação da Federação Internacional de Sindicatos Cristãos, a entidade que, depois, acabou se consolidando na CMT;

(xii) em 1921, com a fundação, em Moscou, da Internacional Sindical Vermelha, a “Terceira Internacional”, combatida, tenazmente, pela Federação Internacional de Sindicatos Cristãos;

(xiii) em 1937, com a dissolução da Internacional Sindical Vermelha, após, em 1933, os nazistas terem ascendido ao poder na Alemanha para, em 1939, incitarem o surgimento da Segunda Guerra Mundial;

(xiv) em 1945, com a fundação da FSM após o término da Segunda Guerra Mundial;

270 Em 1889, surgiu, em Paris, a “Segunda Internacional”, “que sofreu muitas restrições dos que não

concordavam com a linha adotada de não seguir a filosofia marxista, mas mesmo assim essa Federação

Sindical Internacional realizou, de dois em dois anos, diversos Congressos, ficando mais conhecidos os de Dublin em 1903, de Amsterdan em 1905, de Oslo em 1907, de Paris em 1909, de Budapeste em 1911, de Zurique em 1913. Em razão da Primeira Grande Guerra Mundial não se realizaram os Congressos de 1915 e 1917. No entanto, realizou-se o de Berna, em 1919, quando foi firmada a célebre Carta do Trabalho de

Berna” (MOURA FILHO, João Bem Dias de. A História do Sindicalismo em Mato Grosso. Cuiabá: Buriti, 2000, p. 40).

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(xv) em 1949, com a fundação da CIOSL, que, como sua denominação bem indicava, se baseava no princípio de que os sindicatos legítimos deviam ser controlados por seus membros exclusivamente e não por governos, empregadores ou partidos políticos de qualquer matiz;

(xvi) em 1973, com a fundação, em Bruxelas, Bélgica, da importante CES, fundada por dezessete filiados da CIOSL que resolveram, também, abandonar a menção a