• No results found

4. Gruppeintervju med studenter og programkonsulenter vår 2019

4.11. Forskningsbasering av utdanningen

Considerem-se, agora, os resultados do ITRA relativos à cadência das atividades. O ritmo intenso de trabalho foi expresso no discurso de várias docentes. Uma metáfora fute- bolística utilizada por uma professora sintetiza essa percepção. Na ocasião, durante o encontro que iniciou a realização das autoconfrontações cruzadas, discutiam-se estratégias para o posi- cionamento das mesas em sala de aula e o modo como isto poderia interferir na atuação do- cente:

1. Lurdes: Mas nós somos como jogadores. A gente caminha os noventa minutos no campo, correndo atrás de um, atrás de outro: “vamos fazer isso aqui”. Tem criança que, às vezes, não quer fazer atividade. Por um motivo ou por outro, não acordou bem. A gente tem que trabalhar tudo isso.

Há implícito na conversação acima algo que é formulado claramente em outros diálogos, a saber, é da natureza da atividade docente na educação infantil uma atuação intensi- va do professor. As crianças pequenas exigem cuidados constantes, o que é ressaltado quando se acentua tal condição, em relação aos alunos de 3 anos, pois, quanto menor a idade, maior seria a necessidade de atenção. No diálogo apresentado a seguir, ocorrido no grupo que deba- teu as questões do ITRA, ao serem questionadas sobre o ritmo de trabalho, as professoras mencionaram o cotidiano de um CEI que funciona em tempo integral:

1. Professora 2: Bem, eu, particularmente, trabalho numa escola em tempo integral. 2. P. : Certo.

3. Professora 2: O município disponibiliza… Então nós… O ritmo é puxado, certo? Porque, em escola em tempo integral, você só falta não respirar.

4. P.: É, né? Por quê que é isso?

5. Professora 2: Porque, além de a gente ter que trabalhar nos projetos pela manhã, o horário do almoço é direto com a criança. E ainda tem o projeto da escola tempo integral à tarde. Essa nossa metodologia da escola, né? Aí, a gente tem que fazer a arte, tem que fazer a dança, a música, tudo isso aí que é a proposta da escola em tempo integral.

6. P. : Então, a criança entra de manhã e só sai do final da tarde. 7. Professora 3: Só sai no final da tarde.

8. Professora 2: Às quatro horas.

9. P. : Aí, por exemplo, teve criança lá, vocês têm que cuidar, é isso? Inclusive na hora do almoço?

10. Professora 2: É o banho, é o almoço, é a escovação… 11. P. : E são quantos?

12. Professora 2: E tem o descanso… 13 P. : Oi?

14. Professora 2: E tem o descanso também. O horário do descanso que é com eles. Tem os colchonetezinhos: todo mundo deitadinho.

15. P.: E a senhora descansa também ou… 16. Professora 2: Aí, é complicado.

17. Professora 3: Aí, é complicado 18. P.: Porque é complicado?

19. Professora 2: Não, eu consigo descansar com os meus alunos. 20. P.: Anham.

21. Professora 2: Uma turma que a gente tem de 31 meninos… Eu consigo que os meus durmam.

22. P.: Anham.

23. Professora 2: Mas as outras colegas não conseguem. 24. P.: Porque, aí, tem que ficar pastorando?

25. Professora 2: Aí, fica aquela coisa: o barulho da outra sala, tal, que incomoda. Aí, chega a incomodar, mas eu consigo que os meus alunos durmam.

quando eu saí. 27. P.: Anham.

Professora 1: Porque eu não aguentava mais. Passei dois anos e eu não suportava mais, porque era muito puxado. A gente não descansava e eu, que moro em Fortaleza, aí que era puxado mesmo, porque a hora do almoço a gente pega pra descansar, né?

28. P.: Sei.

29. Professora 1: E a gente não descansava. Eu emagreci bastante. Fiquei só a finura… Aí, comendo com menino, menino brigava, puxava, aquela confusão. Dei graças a Deus que a escola fechou. A sede fechou, aí, graças a Deus, eu fui pra uma escola de tempo normal, né, e lá é puxado. A Educação Infantil… é muito puxado porque criança, né, eles não param, tem que ter novidade direto.

30. Professora 2: A pilha é bem novinha.

31. Professora 1: E uma sala que tem 22 alunos, o infantil IV, e, à tarde, Infantil V, 26 alunos.

32. P.: Anham.

33. Professora 1: E frequentes, só falta um… Então, é muito puxado. E fora que a gente não tem o recreio.

34. P.: Sei.

35. Professora 1: Não é como os outros professores que têm o recreio. A gente fica ali direto. Olhar menino na hora do recreio, lanche, tudo. Então, aquilo ali vai sufocando. A gente cansa.

36. P.: Então, só pra entender: o ritmo é excessivo porque os meninos precisam de cuidado o tempo todo.

37. Professora 1: O tempo todo.

38. P.: Não pode descuidar deles hora nenhuma. 39. Professora 1: Não podemos.

40. P.: E a senhora que está no tempo integral é o tempo todo… 41. Professora 1: Ela aí é em dobro, o triplo…

42. Professora 2: Mas eu gosto do pessoal do tempo integral. Quando eu voltei da minha licença maternidade eu briguei, briguei na Secretaria porque eu queria voltar pra escola em que eu estava.

43. Professora 1: Eu, já foi o contrário. Eu queria sair muito, a diretora não deixava. Aí, quando a escola fechou, meu Deus! Ô, coisa maravilhosa.

44. P.: Anham.

45. Professora 1: Aí, eu fui pra escola normal. 46. Professora 2: Eu já briguei, eu tive que…

Logo na fala 3, há uma expressão que merece a ser destacada: “Porque, em escola em tempo integral, você só falta não respirar”. A hipérbole utilizada, denotando que a sequên- cia de atividades é tão intensa que não restaria tempo para o mínimo necessário para se man- ter vivo, respirar, expressa o modo como a docente percebe o ritmo de trabalho. Como dito acima, a atuação em educação infantil, por sua natureza, é intensiva, o que é ratificado pela discurso de uma das professoras: “Na Educação Infantil, é muito puxado, porque criança, né, eles não param, tem que ter novidade direto”.

Somado a isto, ao longo do diálogo, podem ser vistos fatores que ampliam essa in- tensidade, quais sejam, 1) o grande número de alunos por sala e 2) os horários que, usualmen- te, proporcionariam pausas para os docentes (recreio, almoço e intervalo entre turnos) serem ocupados por atividades. As afirmações de uma das professoras sintetizam esses dois fatores: “E uma sala que tem 22 alunos, o infantil IV, e, à tarde, Infantil V, 26 alunos […] E frequen- tes, só falta um… Então, é muito puxado. E fora que a gente não têm o recreio […] Não é como os outros professores que tem o recreio. A gente fica ali direto” (falas 31, 33 e 35). Nes- te momento, serão tematizadas questões relacionadas ao segundo fator. Considerações sobre a quantidade de estudantes e, ainda, sobre o número de profissionais disponíveis para o cumpri- mento das tarefas serão apresentadas no tópico “Domínio de sala”, que se fará presente em momento posterior deste texto.

Em linhas gerais, considerando-se os dois fatores citados acima, que gerariam um ritmo de trabalho acima do habitual, percebe-se um processo de intensificação do trabalho. Para Dal Rosso (2006, p. 33) “a categoria de intensidade refere-se ao esforço gasto pelos indi- víduos no processo de trabalho. A intensidade tem a ver com o investimento das energias das pessoas com o trabalho. Refere-se ao desgaste da pessoa com o trabalho”. Neste sentido, a in- tensificação corresponde às estratégias para o aumento dos resultados do trabalhador (em ter- mos qualitativos ou quantitativos) sem que haja, por exemplo, mudanças tecnológicas ou na jornada de trabalho.

O estudo de Assunção e Oliveira (2009) discute a relação entre o adoecimento de professores e o processo de intensificação do trabalho escolar. Para estas autoras, tal processo se expressa, dentre outros fatores, pela expansão da carga horária e do número de alunos, o que se mostra convergente com as observações feitas pela professora citada acima. Também foram enunciadas a ampliação das atribuições dos docentes (incluindo atividades relacionadas à interface comunidade-escola) e a redução do corpo de trabalhadores de apoio como vinculadas à intensificação do trabalho. Todas estas mudanças ocorrem sem a necessária contrapartida de melhores condições para o exercício das atividades.

A repercussão dessas condições para a saúde dos educadores se reflete, por exem- plo, em problemas vocais, resultantes da solicitação exacerbada da voz. Tal uso excessivo, ainda segundo Assunção e Oliveira (2009), é uma estratégia para lidar com as múltiplas solici- tações impostas a esses profissionais. A insatisfação com o trabalho e o fato de ter que lidar com condições não ideais para exercê-lo são outros fatores desencadeadores de adoecimento;

especialmente, de sofrimento psíquico. Nesse sentido, é destacado que as licenças por motivo de saúde decorrentes de distúrbios mentais são mais recorrentes do que outros tipos de adoeci- mento no caso dos professores.

Na investigação previamente citada de Pinto, Duarte e Vieira (2012) sobre trabalho docente e educação infantil, dentre os vários resultados obtidos, mostrou-se que as atividades atribuídas aos professores, por meio da prescrição oficial, abrangem o papel didático e de cuidado para com as crianças em sala de aula, bem como obrigações referentes à gestão escolar, à formação em serviço, ao planejamento de atividades etc. Constatou-se, então, um processo de intensificação do trabalho, pois os dados revelaram que um grande percentual de profissionais ampliavam sua jornada nas escolas para finalizar as tarefas e outro grande contingente levava trabalho para casa – fato confirmado pelos depoimentos obtidos. Essa situação se reflete na presença de um cansaço físico extenuante, conforme relatado pelos entrevistados. A precarização do trabalho também é apontada como um fator negativo, em especial, no tocante à remuneração do cargo de educador infantil, que seria inferior àquela dos demais professores.

Vários dos achados das pesquisas supra-mencionadas puderam ser vistos no dis- curso das docentes de Horizonte. Considerando o diálogo transcrito acima, uma repercussão negativa da invasão das pausas por atividades a serem realizadas é expressa por uma das pro- fessoras quando ela afirma: “Olhar menino na hora do recreio, lanche, tudo. Então, aquilo ali vai sufocando, a gente cansa” (fala 35). A intensificação referida previamente é ratificada e tornaria o trabalho extenuante. A docente que fez esta afirmação reclamou, inclusive, que a falta de um horário adequado para o almoço teve repercussões negativas para si, tendo perdi- do peso por conta dessa situação, o que a fazia desejar ser lotada em uma escola de meio pe- ríodo.

Em momento posterior do encontro, como pode ser visto no diálogo abaixo, as docentes afirmaram, em uníssono, que sua remuneração não era justa. Considerou-se que o ordenado recebido não era condizente com o volume de atividades realizadas e com a carga horária trabalhada (fala 6), além de não conseguir suprir suas necessidades (fala 5).

1. P. : Vocês acham que é justa a remuneração? 2. Todas: Não!

3. P.: Foi unânime agora…

4. Professora 2: Semana passada passou no Jornal Nacional que a profissão mais mal paga é a de professor.

5. Professora 1: E outra coisa: a gente vai olhar o contexto e não sobra quase pra nada. Quinhentos e tanto de colégio pro meu filho, porque eu não quero que ele seja professor. Aí, boto no colégio pra incentivar, logo de criança, a ser outra coisa, menos professor. E meu esposo é policial. Então já pago colégio bom pra ele não ser nem professor nem policial.

[…]

6. Professora 1: Porque esse trabalho todo… Se fosse o que eu ganhasse cem horas [metade da carga horária atual], seria ótimo, mas…

Nos momentos finais do encontro com as professoras que travaram um debate mediado pelos itens do ITRA, o pesquisador inquiriu sobre problemas de saúde que as docentes entendiam ser decorrentes do trabalho. Cabe pontuar que, apesar do resultado geral dos fatores da EADRT terem sido positivos, quando se observa a distribuição de frequência dos respondentes, ou seja, quando se conta a quantidade de sujeitos em cada faixa de corte do crivo do questionário, é preciso considerar que as médias de parte da população indicaram avaliações “crítico”, “grave” e “negativa, presença de doenças ocupacionais”. Considerando- se a somatória daqueles que indicaram essas avaliações, têm-se 41,8% da população em relação aos danos físicos, 12% no que diz respeito aos danos sociais e 14,3 no que tocante aos danos psicológicos. É preciso admitir, portanto, que há indivíduos que percebem repercussões negativas do trabalho para sua saúde. As falas das docentes apresentadas a seguir indicaram a presença de danos e, em relação a alguns deles, foi feita uma correlação direta com a intensificação do trabalho:

1. P.: Vocês tem algum problema de saúde que vocês acham que é decorrente do trabalho?

2. Professora 2: Eu, é a voz.

3. Professora1: A voz. A voz com o tempo vai [sumindo]… No final da tarde… 4. Professora 2: Eu ando todo tempo com uma garrafinha d’água.

5. Professora 1: E as costas, coluna…

6. P.: Vocês precisam pegar muito as crianças... 7. Professora 1: Refluxo…

8. Professora 3: Não é pegar as crianças, mas…

9. Professora 2: É pegar o material, caderno, a mesinha baixinha… A gente faz muito isso.

10. Professora 1 E o refluxo porque eu como e durmo. Aí descansa ali, acabei de comer e vou dormir.

11. Professora 3: Eu to falando aqui com vocês, mas eu desejo desde o começo estar deitada, dormindo.

12. P.: Falta de sono também?

13. Professora 1: É sono demais, às vezes sono de menos. E o estresse. Tem hora que você quer desaparecer do mundo. “Não vem ninguém!”. Se eu pudesse eu me trancava.

14. P.: Então reflete em casa, né?

15. Professora 1: Reflete. Meu esposo que diz: “Hoje você chegou atacada, hein?” 16. Professora 2: O meu decretou se no segundo semestre eu chegasse com um papel, mais papel em casa, ele me botava pra fora de casa com papel e tudo.

17. Professora 3: Eu como sou da comunidade católica quase todo dia eu vou direto. Aí terça e quinta eu faço curso de Artes Plásticas, de desenho. Às vezes eu nem quero ir porque eu to cansada. Mas quando eu chego lá, começa aquele trabalho psicológico e vou. Porque realmente se eu fosse direto pra casa eu ia chegar igual as meninas. Como eu vou aí rezo, faço outra coisa, chego em casa já diferente, mas o cansaço físico é… 18. Professora 1: A gente tem que ter cuidado na nossa profissão. É muito estressante e a gente não tem acompanhamento, né? Um psicólogo, né. A gente precisaria de um psicólogo, às vezes dá uma coisa aqui na cabeça…

19. P.: Você disse que às vezes chega em casa e está…

20. Professora 1: Estressada. Tem dias que eu chego tão estressada que nem eu me agüento.

21. P.: Mas aí você acaba descontando na família sem querer?

22. Professora 1: Às vezes sim, eu não vou mentir, às vezes sim. Às vezes só no meu filho que eu já me resguardo né. Às vezes eu: “Ah, não quero fazer isso não, já to cheia de trabalhar.” Eu tenho um filho de quatro anos.

23. Professora 2: Porque além de… Tem em casa também. Faz quatro meses que eu to sem ninguém, eu to só [sem empregada doméstica].

24. P.: A dupla jornada né?

25. Professora 1: A dupla jornada.

26. Professora 2: Aí, tenho que dar atenção à minha filha que tem dois anos. Aí o quê que acontece: depois que ela dorme, dez horas, porque ela ta botando boneco pra dormir porque ela não quer dormir cedo porque ela quer me aproveitar o máximo porque ela não me vê pela manhã, eu saio seis horas. Então ela só me vê à noite. Então ela ta indo dormir dez horas, onze horas, onze e meia. E quando ela dorme eu vou fazer as coisas de onde? Da escola.

27. Professora 1: Da escola e cuidar da casa às vezes.

Na conversação apresentada acima, são indicados danos físicos, como problemas vocais (fala 3), dores nas costas (falas 5, 8 e 9), distúrbios digestivos (falas 7 e 10), alterações no sono (falas 11, 13, e 30); danos sociais, dentre os quais o desejo de ficar sozinho (fala 13), dificuldades nas relações familiares (falas 15 e 22); e danos psicológicos, expressos em quei- xas inespecíficas indicadas por frases como “… às vezes dá uma coisa aqui na cabeça…” (fala 18) e “Tem dias que eu chego tão estressada que nem eu me aguento” (fala 20), além da indi- cação de estratégias utilizadas para superá-los, descritas na fala 17 (participação em um grupo religioso e realização de atividades artísticas). Nas falas 16, 26 e 27, percebe-se uma associa- ção entre as queixas apresentadas e o processo de intensificação do trabalho, pois são relata- das situações em que atividades oriundas da escola invadiram o tempo que deveria ser dedica- do ao descanso no ambiente domiciliar.

Apesar dos elementos descritos acima como promotores de intensificação, é ne- cessário considerar que há atenuantes dessa condição que são oriundos da própria organização do trabalho, bem como de estratégias desenvolvidas pelas docentes que tentam mitigá-la. Em dado momento do debate sobre a atuação em CEI's de tempo integral, ainda no encontro em que se discutiu o ITRA, o pesquisador pergunta a uma participante, que realiza suas funções em uma escola que recebe os alunos somente por um turno, como ela avaliava o ritmo de tra- balho.

1. P.: E a experiência da senhora? O ritmo também é excessivo ou no seu é mais tranquilo?

2. Professora 3: Não, é o mesmo. Apesar de não ser tempo integral, mas é o mesmo. A questão do dia a dia, né? Termina uma atividade, passa pra outra… E fora que vem os extras, no caso de uma festa, de uma atividade… Agora, as festas juninas…

3. P.: Anham.

4. Professora 3: Você tem que dar conteúdo, ensaiar com criança, que é exigido, né? Você tem que fazer, né, então, assim, é cansativo e pra gente que trabalha, que mora em Fortaleza como eu. O horário do almoço, que é pra gente repousar (eu não fico o tempo integral), mas, às vezes, pra poder concluir alguma atividade que está faltando fazer… 5. Professora 2: Alguma atividade, algum material…

Professora 3: Apesar que a gente tem o dia de planejamento, mas, às vezes, o dia de planejamento também às vezes…

6. Professora 2: A escola em tempo integral, hoje, que foi feito um acordo junto à Secretaria, que é lei, nós ganhamos uma gratificação…

7. P.: Sei.

8. Professora 2: […] Por hora… Porque a gente constava as horas extras que a gente trabalhava, que ninguém tinha horário, as duas horas de almoço que era pra ter. Então que que acontece: quem trabalha em escola de tempo integral tem uma gratificação de uma hora. E a outra hora, né, tudo, é feito um revezamento. Vai diretora, vai coordenadora, vai bibliotecária, vai ajudante administrativo, ficar uma hora com os meninos enquanto a gente vai lá pra sala dos professores pro descanso. Mas isso foi uma conquista que foi agora de…

9. Professora 1: Recentemente. 10. Professora 3: Abril pra cá.

11. Professora 1: Porque na minha época não foi… 12. Professora 3: Não, foi esse ano já, de abril pra cá. 13. Professora 1: Porque o salário era igual na minha época.

14. Professora 2: A gente tem uma gratificação. Não é essas coisas, mas a gente já fazia sem ganhar, aí melhorou um pouquinho.

15. P.: Melhorou um pouquinho, né? 16. Professora 2: É.

17P.: Mas o ritmo continua puxado? Professora 2: Continua.

Os aspectos até então mencionados como implicados com ritmo intenso de trabalho são confirmados. No CEI de meio período, mesmo não havendo alunos para acompanhar, o intervalo entre turnos pode vir a ser preenchido por atividades (“O horário do almoço, que é pra gente repousar, eu não fico o tempo integral, mas, às vezes, pra poder concluir alguma atividade que está faltando fazer…”).

Entretanto, dois atenuantes para o ritmo exacerbado são apresentados: a gratificação para os professores de escolas de tempo integral, como uma forma de compensação pelo horário de almoço invadido pelo cuidado com as crianças, e o tempo fora de sala de aula reservado para o planejamento de atividades. Neste último caso, todas as docentes são beneficiadas. Como mencionado previamente, três turnos semanais, sendo um deles na própria escola e os outros dois domiciliares, podem ser dedicados a preparação de conteúdos, correção de tarefas e outras ações pertinentes à atuação docente. Esta última medida reduziria a necessidade de realizar tarefas no ambiente doméstico. Durante o momento de confrontação da instrução ao sósia, uma fala da professora Renata ratifica a importância do tempo de planejamento. A docente considera imprescindível para a realização das atividades organizar previamente todos os materiais que serão utilizados, o que é lhe é garantido pelos momentos disponíveis fora de sala de aula:

1. Renata: Não. O quê que eu faço… Ou se for papel crepom… Hoje eles tão fazendo uma atividade assim de recorte-colagem. Tá lá as duas, né? O que é que eu faço? Deixo tudo “pré”. Pego um papel crepom. Já deixo tudo cortado. Fica só aquela tira. Eu dou uma tira pra cada. Tudo você tem que deixar feito, porque, se você não deixar, não tem como. Você acha que eles vão esperar que eu vá cortar pedacinho de papel e entregar pra cada um? Não. Você tem que fazer tudo antes. Por isso que, graças ao meu bom Deus, a gente tem esse dia do planejamento. Muita gente não acha certo esse dia do planejamento. Eu… Eu, particularmente… Eu tiro realmente pra planejar, então, isso me ajuda muito. Hoje de manhã, quando eu vinha, a minha mãe, às vezes, diz assim: “olha, parece uma lixeira quando vai pro trabalho”. Porque eu venho com um sacão grande com as coisas da semana. Já venho com coisa recortada. Já venho com atividade já tirada. Já venho com coisas separadas, entendeu? Porque se você não deixar feito não