2. Bakgrunn og prosjektets design
2.2. Design og metode i prosjektet
O levantamento realizado, tomando as definições propostas por Babbie (2003), foi: 1) descritivo, pois pretendeu enunciar características da população visada, especificamente, a percepção dos sujeitos acerca do contexto de trabalho e dos danos associados à atividade laboral, bem como atributos sociodemográficos; 2) explicativo, na medida em que correlacionou as variáveis analisadas, a fim de extrair nexos de inteligibilidade que permitiram compreender a relação entre os termos inicialmente descritos; e 3) interseccional, na medida em que se efetivou somente em um momento específico. A referência quantitativa para o cômputo de elementos constituintes da população nessa fase foi o professor que atuava em turmas de educação infantil. O docente, portanto, foi a menor porção a partir da qual foram coletados os dados e, assim, determinado o tamanho da população visada.
O Inventário Sobre Trabalho e Riscos de Adoecimento (ITRA), instrumento desenvolvido por Mendes, Ferreira e Cruz (2007a), é um questionário autoaplicável composto por 4 escalas psicométricas de frequência, do tipo Likert, além de um questionário socioeconômico. Esse instrumento permite uma análise descritiva, a partir da mensuração de distintas representações dos respondentes, sobre: 1) o contexto de trabalho; 2) as exigências físicas, cognitivas e afetivas demandadas pelo exercício profissional; 3) as vivências positivas e negativas experimentadas pelos sujeitos em relação ao trabalho; 4) os danos decorrentes da atividade laboral. Cada uma destas dimensões vincula-se a uma escala que compõe o Inventário, respectivamente: Escala de Avaliação do Contexto de Trabalho (EACT), Escala de Custo Humano no Trabalho (ECHT), Escala de Indicadores de Prazer e Sofrimento no Trabalho (EIPST), Escala de Danos Relacionados ao Trabalho (EADRT). Em cada escala estão condensados fatores, interdependentes, compostos por grupos de itens. Tais itens contêm sentenças negativas, excetuando-se aqueles relativos aos fatores “realização profissional” e “liberdade de expressão” da EIPST. Além das escalas, o Inventário também é constituído por um questionário socioeconômico.
A validação do Inventário foi realizada no Distrito Federal com amostra de trabalhadores de Empresas Públicas (n = 5.437). O uso concomitante das quatro escalas não é obrigatório, de modo que podem ser escolhidas aquelas que atendam aos objetivos estabelecidos pela investigação que se pretende empreender. Para os fins do estudo aqui apresentado, foram utilizadas a EACT e a EADRT.
A análise do Inventário é realizada por fator, devendo-se observar a média aritmética dos valores atribuídos aos itens que o compõem. À EACT, cujos itens são avaliados por uma escala de frequência de cinco pontos (nunca; raramente; às vezes; frequentemente; sempre), estão associados os fatores organização do trabalho, condições de trabalho e relações socioprofissionais. As médias obtidas são avaliadas pelo seguinte crivo: valores acima de 3,7 indicam “avaliação mais negativa, grave”; entre 2,3 e 3,69 apontam “avaliação mais moderada, crítico”; e abaixo de 2,29 significam “avaliação mais positiva, satisfatório”.
A definição conceitual de tais fatores já foi abordada em momento anterior deste projeto, entretanto, cabe trazer alguns exemplos. À organização do trabalho se fazem presentes questões associadas ao ritmo de trabalho, à pressão para cumprir tarefas no que diz respeito aos prazos, ao nível dos resultados demandados e ao cumprimento de normas impostas para sua execução, à cadência do trabalho, à separação entre as funções de gerenciamento e execução, à vigilância em relação ao desempenho dos trabalhadores, dentre outros. O fator condições de trabalho abrange aspectos como a adequação do posto de trabalho, do mobiliário e dos equipamentos utilizados, o risco aos quais os sujeitos se expõem ao adentrarem no contexto em que desempenham suas funções e ao ruído existente no ambiente. Sobre as relações socioprofissionais pode-se destacar a clareza na delimitação das tarefas e sua distribuição equânime entre os profissionais, a participação dos funcionários na tomada de decisões, a capacidade das chefias se comunicarem entre os subordinados e destes interagirem entre si etc.
A EADRT compreende os fatores danos físicos, danos psicológicos e danos sociais. A escala tem 7 pontos (nenhuma vez, uma vez, duas vezes, três vezes…) e avalia a frequência com que os sujeitos perceberam a ocorrência de indicadores de danos decorrentes do trabalho. Os danos físicos podem se manifestar como dores no corpo, distúrbios respiratórios e digestivos, alterações no sono, dentre outros. Os danos psicológicos são indicados por sintomas como alterações de humor, irritabilidade e sentimento de solidão. Os danos sociais se apresentam em comportamentos agressivos, conflitos com familiares, etc. O
crivo de análise desta escala é realizado de acordo com a orientação que se segue: médias acima de 4,1 apontam “avaliação mais negativa, presença de danos ocupacionais”; entre 3,1 e 4,0 deve-se considerar “avaliação moderada para frequente, grave”; entre 2,0 e 3,0 corresponde a “avaliação moderada, crítico”; e abaixo de 1,9 indica-se “avaliação mais positiva, suportável”. O questionário socioeconômico abrange informações como estado civil, gênero, escolaridade e quantidade de afastamentos por problemas de saúde relacionados ao trabalho.
4.5.1.1 A população e o processo de construção dos dados no levantamento
Segundo informações fornecidas pela Coordenação de Educação Infantil, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Educação, durante o ano de 2012 a cidade de Horizonte contava com 101 professores atuando na Educação Infantil. Esses docentes estavam distribuídos em 16 Centros de Educação Infantil (CEI) e 11 Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEF). Esse conjunto pode ser segmentado de acordo com as turmas para as quais ministram aulas: Infantil III (n=12), Infantil IV (n=27), Infantil V (n=27), atendendo a crianças de 3, 4 e 5 anos, respectivamente. Há ainda professores de apoio (n=35) que assumem a regência das salas quando os docentes titulares estão nos seus horários de planejamento, pois a cada semana, todos os professores, inclusive os de apoio, dispõem de 1 dia e meio para a elaboração e a organização de suas atividades. Não se deve confundir os professores de apoio com os auxiliares que atuam concomitantemente aos regentes, dando suporte na atenção aos alunos. Esse profissional, com exceções, não se fazia presente no município de Horizonte. É preciso esclarecer, também, que o professor de apoio, apesar de usualmente lotado em uma única instituição, pode assumir turmas com diferentes faixas. Decidiu-se aplicar o questionário com toda essa população, ilustrada na tabela a abaixo.
Tabela 1 – Distribuição dos professores de educação infantil do município de Horizonte por Turma em 2012
Turma População Infantil III 12 Infantil IV 27 Infantil V 27 Apoio 35 Total 101
Apesar de o ITRA ser autoaplicável, ele foi preenchido a partir do contato direto entre o pesquisador e os sujeitos visados. Mesmo existindo a possibilidade de distribuir os questionários e recolhê-los em momento posterior, esse expediente não foi utilizado. Esperava-se, desta forma, aumentar as taxas de resposta e a qualidade dos dados obtidos. Conforme Sturgis (2010), a autoaplicação de questionários proporciona uma redução nos custos da pesquisa, todavia os aspectos citados acima podem ser prejudicados, o que implica numa redução da capacidade de extrapolar os resultados para o conjunto da população.
A expectativa inicial era de fazer aplicações coletivas durante reuniões mensais que congregam os professores de acordo com a faixa etária com a qual atuam, conforme a divisão explicitada anteriormente (Infantil III, Infantil IV, Infantil V e professores de apoio). No entanto, choveu torrencialmente nos dias em que ocorreram os encontros com docentes de Infantil III e IV, o que impediu o deslocamento do pesquisador até o município de Horizonte. A proposta inicial transcorreu normalmente durante as reuniões dos professores de Infantil V e de apoio. Nessas ocasiões, o pesquisador apresentou a proposta da investigação, solicitou a participação de todos os presentes e prestou informações sobre o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE – apêndice A). Nesses dois momentos todos os presentes se dispuseram a preencher o ITRA e assinar o TCLE. Os faltosos a essas reuniões puderam ser identificados pela lista de frequência, de modo que foi possível contatá-los em momento posterior para que a aplicação do Inventário abarcasse toda a população.
A fim de completar a aplicação do ITRA, o pesquisador se deslocou até os diversos CEI's e EMEF's e contatou os professores individualmente. Para tanto, contou com o auxílio de 4 estudantes do curso de psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC). O procedimento em todas essas visitas foi basicamente o mesmo: 1) apresentar-se ao diretor e/ou coordenador e reiterá-los dos objetivos da pesquisa, bem como da anuência obtida junto à Secretaria Municipal de Educação para a realização do estudo; 2) contatar os possíveis respondentes, 3) apresentar-lhes a proposta da investigação e 4) solicitar a colaboração com a pesquisa. Neste momento, 5) procedia-se à leitura e à explicação do TCLE, bem como 6) solicitava-se que o sujeito o preenchesse, na medida em que havia a anuência em participar do estudo; e, por fim, 7) era realizada a aplicação do questionário.
Mesmo com o expediente descrito acima, não foi possível contatar todos os docentes, na medida em que havia escolas localizadas em regiões ermas e de difícil acesso.
Assim, foi necessário, mais uma vez, participar das reuniões coletivas mensais, repetindo-se o procedimento já descrito. Ao final do processo, toda a população de docentes havia sido contatada, entretanto, 10 pessoas recusaram-se a colaborar, de modo que foi possível obter 91 respondentes.
4.5.2 Métodos qualitativos para a construção dos dados: análise documental, entrevista