Begreper og definisjoner
Datasett 5 er et datasett som i stor grad viser at NIDS fungerer slik det skal. Bortsett fra at det var en falsk positiv, så produserer NIDS kun fornuftige og riktige varsler tilknyttet
5.3 Forsøk 3 - MITRE ATT&CK-teknikk T1486
Ao fomentar o progressivo aumento da responsabilização individual pelo curso de vida, pelas decisões tomadas, pelos riscos assumidos e pelo eventual sucesso ou fracasso individual nesta jornada, a modernidade tardia apresenta uma tendência cultural a radicalizar a individualização. Por individualização nos referimos aos processos de responsabilização das pessoas por suas escolhas. Já noção de individuação, por sua vez, está ligada às diversas formas de cultivo pessoal da individualidade, da identidade e da personalidade.
Este caráter reflexivo da identidade e sua profunda individualização têm consequências não apenas sobre as formas de socialização atuais, mas também incide de maneira importante sobre a trajetória de individuação das pessoas. Isto porque a constituição do indivíduo enquanto unidade psíquica e personalidade singular se vê diretamente afetada pela avaliação social da sua capacidade de cumprir de maneira mais ou menos bem-sucedida com os requisitos sociais da responsabilidade que a individualização acarreta. A situação pessoal de não poder corresponder ao que a sociedade espera pode gerar fortes sentimentos de ansiedade, vergonha e frustração nas pessoas, sendo estes, inclusive, sentimentos constitutivos da sua autoidentidade, elementos potencialmente constitutivos da sua própria individuação.
Por outro lado, independentemente de que a pessoa sinta-se mais ou menos bem sucedida nesta tarefa de individualização, todos se individualizarão em alguma medida apenas pelo fato de viverem no momento atual, que lhes demanda esta postura de
sujeito de si como um elemento da cultura. Todos de alguma maneira construirão a sua identidade e realizarão uma trajetória de vida de forma mais ou menos planejada de acordo com as oportunidades que se lhes apresentarem, resultando na criação (nunca totalmente consciente) de um estilo de vida.
A interpretação sociológica da emergência do estilo de vida na modernidade já havia sido antecipada por Simmel, como um resultado do processo mesmo da cultura, da exteriorização do espírito, principalmente com a proliferação das metrópoles. O termo alemão “Bildung” sintetiza esta ideia simmeliana de um caminho da formação da personalidade individual.
O estilo de vida é assim uma configuração histórica das relações entre indivíduo e sociedade, entre sujeito e objeto, entre cultura objetiva e cultura subjetiva (Simmel apud Waizbort, 2000 :179).
Como configuração histórica, e, portanto, mutável, pode-se presumir que desde sempre a humanidade vem desenvolvendo estilos de vida, o que é de certa forma verdadeiro. O que fascinou Simmel e tantos outros na virada para a modernidade foi que se tratava então da formação da individualidade dos sujeitos em uma época que era ao mesmo tempo também de expansão da moderna liberdade e da moderna divisão do trabalho e do consumo.
O estilo de vida expressa, assim, variedades de efetivação material e simbólica de uma narrativa individual da identidade de cada um e a cultura moderna se apresenta cada vez mais como uma pluralidade de estilos possíveis. Em Simmel, aprendemos que um dos fenômenos de maior repercussão na configuração do estilo de vida é a divisão do trabalho. É ela o fator concreto que explica as origens e a situação atual da relação entre cultura objetiva e cultura subjetiva, portanto, do estilo de vida moderno, e desse
modo do que será, mais tarde, caracterizado como a tragédia da cultura (Waizbort, op.cit.:178-9;188).
Assim, na modernidade, a liberdade aumenta na mesma proporção do desenvolvimento da economia monetária e do consumo. No entanto, o que aponta Simmel, é que o nivelamento incessante de toda qualidade a uma quantidade
“neutra” de dinheiro vai esvaziando a vida de sentido qualitativo (idem, op.cit.:154). O
caso clássico do camponês que vende a sua terra, passa a ter dinheiro mas perde o que dava sentido à vida, é um bom exemplo. O “estilo do presente” é justamente este caracterizado pela tensão entre aspectos universalizantes e individualizantes, indiferenciadores e diferenciadores, mobilizados pelo dinheiro.
Se a modernidade abriu as portas e preparou o terreno para o florescimento da individualidade e do estilo de vida, a modernidade avançada põe em evidência as propriedades reflexivas equalizadoras dos riscos: o momento presente coloca a gestão dos riscos e as escolhas perante os mesmos como responsabilidade e parte indissociável da individualização de cada um.
Assim como o dinheiro é um agente nivelador em Simmel, também na linha interpretativa de Beck (1992:36), “objetivamente os riscos apresentam um efeito
equalizador no seu raio de alcance e entre aqueles afetados por eles. (…) Neste sentido,
as sociedades do risco não são exatamente sociedades de classe; suas posições de risco não podem ser entendidas [somente] como posições de classe, ou seus conflitos
[somente] como conflitos de classe”.
Com o aumento da percepção dos riscos, há hoje uma crescente institucionalização do conceito de risco, bastante influenciada pelo aprofundamento das análises estatísticas e de modelos matemáticos sobre os riscos. No entanto, talvez pela
breve história da pesquisa científica sobre o tema, que se inicia apenas no final do séc. XIX, não há hoje uma só grande teoria unificadora das perspectivas sobre o risco. Existe uma pluralidade de disciplinas – tanto nas Humanidades quanto nas ciências Biológicas e Exatas –, que abordam o tema segundo sua perspectiva analítica particular.
Uma sociologia que leve em consideração o risco nas relações sociais atuais tem a possibilidade de encadear estas análises particulares e demonstrar como nas sociedades contemporâneas a presença do risco tem aumentado na experiência de vida das pessoas, ainda que possa apresentar-se segundo distintas lógicas e formulações em cada área do conhecimento e também na vida cotidiana. Os riscos e a percepção que se tem deles são construídos culturalmente, através de lutas sociais e simbólicas que
envolvem atores coletivos, sobre os quais a sociologia deve interrogar sempre “quem diz o quê”, “de que posição social fala” e “como diz” que algo representa um risco ou
não, uma vez que sempre há interesses e lutas discursivas em jogo.
É neste sentido que disciplinas consolidadas como a Medicina ou a Economia
podem “autorizar” ou “desautorizar” a existência de riscos à saúde, ao comportamento,
ao consumo das famílias, à política econômica, etc., para aumentar ou reduzir a percepção social sobre determinas situações de risco que podem até mesmo ser apenas
incertezas. Uma vez que os riscos não existem em si, mas como percepção social, esta
legitimidade para nomeá-los é uma das dimensões políticas mais relevantes do conceito.
Mais ainda do que os riscos calculáveis, as incertezas que escapam à quantificação colocam em jogo julgamentos e estereótipos culturais que têm um papel decisivo quando se trata de determinar o que é percebido como risco e o que não é, e quem deve assumir as responsabilidades (Beck, 2003:208).
Assim, a “probabilidade de risco” pode também ser utilizada politicamente para gerar medo em relação a grupos sociais específicos, e os chamados “fatores de risco” podem ser usados para dividir sociedades segundo determinada visão de mundo ou discurso sobre dado objeto ou contexto. Como já nos assinalava o filósofo francês Jacques Rancière no contexto da iminente segunda guerra contra o Iraque, “se a guerra é necessária, não é para responder a uma situação, real ou imaginária, de insegurança. É para manter esse sentimento de insegurança necessário ao bom funcionamento dos
Estados” (2003:1). O mesmo serve para os discursos xenofóbicos que jogam com as
noções de identidade e diferença, mobilizando o risco potencial que supostamente representam as populações de imigrantes.
No mais das vezes, os Estados operam a gestão da insegurança sem precisar recorrer ao extremo da guerra, mobilizando apenas o risco de guerra. Apesar de vir da tradição anglo-saxão e partir de outros referenciais interpretativos, Beck (1992:20) aponta para a mesma linha de análise de Rancière, ao afirmar que a promessa de segurança cresce na mesma proporção dos riscos e da destruição, e precisa ser reafirmada repetidamente para um público alerta através de intervenções cosméticas ou reais no desenvolvimento técnico-econômico.
É certo também que, se bem pode haver processos de politização e despolitização de qualquer objeto do mundo social e em função da luta discursiva pela existência ou não de riscos, estes só ganham amplitude e alcance se forem levados à esfera pública de produção, circulação e debate de ideias, ainda que com todas as imperfeições e distorções certamente aí presentes. Os meios de comunicação contemporâneos, na sua qualidade de formadores de opinião pública, são capazes de agir como produtores ou indutores de situações de medo, percepção do risco e de incerteza sobre determinado aspecto da sociedade, na economia ou fora dela.
Evidentemente suas ações devem ser analisadas num contexto mais amplo de inter- relações complexas entre mídia, mercado e política.
No entanto, nem todo discurso tem a legitimidade social necessária para interferir no debate público, pois uma das características do momento contemporâneo é a exacerbação da técnica e da especialização, que desautorizam outras visões de mundo que não sigam a mesma perspectiva técnica, excluindo-se do diálogo qualquer possibilidade de invenção política fora do que o mainstream técnico defina. Portanto, é importante notar que nesta questão encontram-se o saber (científico) e o poder (político), uma vez que as definições dos riscos são determinadas na esfera técnico- científica, mas as medidas tomadas são decididas na esfera político-econômica.
Por sua crescente especialização e complexificação, as instâncias técnicas estão submetidas a pouco controle social e são capazes hoje de produzir discursos justificados por modelos e projeções que podem resultar na indução a um aumento ou a uma redução da percepção de determinados riscos, segundo os interesses em jogo em cada caso. Aí reside parte de toda a discussão a respeito da real existência dos riscos, que
divide aqueles de visão “realista”, defensores de que os riscos realmente existem na sociedade; e aqueles de visão mais “construtivista”, para os quais os riscos são
invisíveis em si mesmos, e nós é que lhes damos vida segundo nossa maneira de observar e sentir a realidade.
Definições de risco são baseadas em possibilidades matemáticas e em interesses sociais, especialmente se são apresentadas com certeza técnica. Mas no âmago do seu trabalho [em que elaboram essas definições], os técnicos continuam a se apoiar em valores sociais. “Onde e como alguém desenha a linha entre exposições ainda aceitáveis
e não mais aceitáveis?” (Beck, 1992 : 29, grifos no original) segue sendo uma questão amplamente influenciada pela cultura.
Se com Simmel temos a figura do Aventureiro que faz da aventura permanente uma forma de vida que outros não poderiam suportar (Waizbort, op.cit.:29; 121), no momento atual os riscos são convertidos também em estilos de vida, o que se pode observar,por exemplo, pelo boom dos chamados esportes radicais de alto risco, que são apenas uma das facetas deste fenômeno. O estilo de vida de um motoboy numa grande metrópole contemporânea, por exemplo, é um outro caso dentre tantos da centralidade que assumem os riscos hoje.
No que tange à nossa discussão específica, o debate sobre a realidade ou não dos riscos não está atrelado ao diagnóstico clínico de alguma situação, mas sim ao comportamento político e econômico dos atores sociais, tanto no campo financeiro, quanto no político. Como veremos mais adiante, no campo das finanças “a formação” da avaliação sobre determinado risco se dá através de uma peculiar mistura entre aspectos econômicos objetivamente avaliados, valores subjetivamente ativos nos agentes e interesses político-econômicos privados pesados em jogo.
Na próxima seção nos deteremos sobre a atual disseminação dos processos de transferência das responsabilidades aos indivíduos (individualização) e sua intensificação no neoliberalismo pela via econômica e financeira, que desenvolve novas formas pelas quais os riscos do capital são transferidos à força de trabalho e à população em geral.