6.4 Georgias sikkerhetspolitiske samarbeid med Vesten
6.4.3 Forholdet til Russland spiller inn på NATOs vurdering
A segunda categoria enunciada “A qualidade dos contextos” versa, essencialmente, o acolhimento familiar; menciona a ausência dessa mesma qualidade, quer por factores decorrentes de (des)estruturação da actividade das famílias de acolhimento, quer por factores a que as famílias são alheias. Mas, tal como em relação às políticas adoptadas neste sector, sugerem algumas medidas práticas, a curto prazo, que possam qualificar esta modalidade de acolhimento. De facto, se algumas considerações se centram na caracterização do “estado da arte”, também a “qualidade no futuro” constitui um conteúdo frequentemente aludido.
“(…) nem sempre são escolhidas as boas famílias. Também, os CAT são obrigados a receber todas as crianças. E quantos são de qualidade?” (Anexo AE, suj G, linhas 283 a 285)
No retrato do estado da arte, feito por 36% dos sujeitos, o acolhimento familiar surge aliado a factores como número diminuto de famílias, défices de qualidade e, mais uma vez, abordada a variável “vinculação”
“Portanto, os factores são: a aversão que se tem das famílias de acolhimento para as crianças mais pequenas; é a inexistência de famílias de acolhimento e é mais fácil para as CPCJ trabalharem com CAT do que com famílias (eu também não tenho essa experiencia). Técnico com técnicos, a gente entende- se, com as famílias….
Os técnicos de enquadramento das famílias de acolhimento? Isso não existe na nossa referência, sabemos que existe que está na lei, mas isso não existe. As famílias de que temos conhecimento são as antigas. As actuais sei alguma coisinha de ler e ouvir falar algumas experiências no Porto. Pareceu-me interessante, mas nós não temos.” (Anexo AE, suj I, linhas 243 a 250)
Estas famílias de acolhimento são famílias de acolhimento em que eu não acredito. Famílias pobres que recebiam uma esmola para terem lá uma
76 criança, portanto, a motivação não era (com excepções claro, também as há,
óptimas), mas das famílias de acolhimento não havia uma garantia. Quem está a decidir não tem essa garantia. Eu, neste momento, se tivesse que decidir, às escuras, decidia por um CAT.
Pelo conhecimento que tenho das famílias de acolhimento que existiram e existem, tenho muito receio.” (Anexo AE, suj M, linhas 371 a 378)
“A aversão às famílias numa fase de vinculação mais forte e pelos erros que se têm verificado. Daí, eu não queria concluir logo, como faz por exemplo …, «Nunca até aos 3 anos.». Eu diria que me responda «nunca, quem sabe das fases de evolução das crianças, e eu não sei. Acredito que este «nunca», nunca é a partir dos erros, também não quero decidir assim. Agora, é um sintoma que até aos 3 anos que famílias de qualidade temos? Vamos ser sérios, cuidar de uma criança até aos 3 anos, como família de acolhimento, é preciso ter capacidade, mesmo, disponibilidade e capacidade. E eu não sei se a temos. Digo-lhe que eu não era capaz. Até aos 3 anos, o pai ou a mãe estar em casa em acompanhamento permanente, este acompanhamento é esgotante. Ora eu pergunto, uma família de acolhimento está preparada para fazer este esgotamento? Se calhar, não têm a cultura dessa importância, é capaz de não saber disso. Nem a família, nem os técnicos, nem eu. É, portanto, importante que, através deste trabalho e de outros, caminhássemos para regras objectivas, porque vai beneficiar quem decide, quem propõe. Vai beneficiar quem acolhe, quem já não quer acolher que acha que «afinal isto é mais difícil do que eu pensava, não é só dar de comer e descanso, é preciso dar muito mais e assim eu já não quero correr o risco». Só depois de sabermos é que podemos fazer opções. Também são necessários pré-requisitos das famílias, não apenas formação” (Anexo AE, suj B, linhas 309 a 326)
As perspectivas de futuro, para 32% dos entrevistados, concentram-se na qualificação do acolhimento e, mais uma vez, o acolhimento familiar é particularizado pelos sujeitos e é citado com mais frequência. É identificada a necessidade da criação de condições para qualificar este contexto através de: campanhas de sensibilização e captação de famílias; divulgação de boas práticas; formação para os acolhedores e adequação de benefícios para os acolhedores, como remuneração adequada ou benefícios fiscais.
“Na nova lei um aspecto que foi mal cuidado, na minha perspectiva, acho que a formação faz parte da selecção, está integrada na selecção. Um candidato manifesta o seu interesse, é chamado a participar num curso de formação e só no final é que se sabe se ele é considerado idóneo para acolher. O objectivo, no fundo, é que o candidato faça uma auto-avaliação da sua vontade, dos seus interesses, das suas competências e das suas capacidades, na conjuntura que vive na sua família, para naquele momento se tornar acolhedor. Ou seja, o objectivo é que um candidato, no fim do processo, ou durante o processo, se afaste, se entender que não estãoreunidas condições para, naquele momento, ser acolhedor. A formação é um espaço importantíssimo, porque é um espaço de partilha de experiências, de dificuldades, de alguma sensibilização, que acolher não é a mesma coisa que educar os seus próprios filhos. E é na formação que isso se pode aprender e discutir, desde logo, nessa fase inicial do processo. O que a nova lei diz é que primeiro se selecciona e depois se faz a formação. Se olharmos à volta, nos outros países não é assim que acontece, em Espanha, Reino Unido, não é assim.
Tem que se começar de novo. Como é que se começa? Com uma boa campanha de divulgação: por uma estratégia de sensibilização para as
77 vantagens da medida, para os aspectos difíceis, mas também os aspectos
muito positivos que os acolhedores podem ter no desempenho da sua actividade. Passa, também, por oferecer melhores condições para o desenvolvimento da actividade, passa por uma política efectiva de acolhimento, da oferta de formação, ou seja, há um conjunto de variáveis das quais depende a possibilidade de construirmos uma carteira, um leque de acolhedores dispostos a acolher.
O acompanhamento bem feito, efectivo e sistemático, pode ser realizado por técnicos de enquadramento da segurança social ou instituições de enquadramento…. O que importa é que exista.” (Anexo AE, suj A, linhas 240 a 265)
“ (…) também acho que não pode ser para todas as crianças, mas acho que dos 0 aos 3 ,por regra, é família de acolhimento, sendo boas e como famílias de acolhimento de urgência. Mas, a partir dessa idade, pode haver crianças para quem será preferível a instituição. Cada caso é um caso. Não podemos pensar que é igual para todos. Dos 0 aos 3 anos é uma violência, uma factura que se vai pagar no futuro. Há um argumento, do … que eu não poso concordar, que é o problema, é a vinculação destas crianças nas famílias de acolhimento e depois sofrem com a separação, isso é verdade. Mas é um bom sintoma. Eu, se morrer o meu pai fico triste, mas tive essa experiência. O Dr. Coimbra de Matos costuma dizer assim «a diferença entre um deprimido e um esquizóide é que um deprimido foi uma pessoa que foi rica e perdeu, o esquizóide nunca teve, não sabe o que é que é». Uma criança que até aos 3 anos não estabeleceu relações de vinculação segura, dificilmente as vai criar ao longo da vida. É preferível ter. Mas se vai sofrer muito, e é verdade que vai, se calhar, no momento da saída, vai sofrer muito mais na família de acolhimento do que na instituição. Mas, internamente, tem um conjunto de recursos que uma criança que não vinculou não tem ... Mas é que nós, hoje em dia, temos uma sociedade que ficar triste é fora de moda. Ficar triste, chorar é fundamental, faz parte da organização emocional.” (Anexo AE, suj M, linhas 394 a 410)