4. Deskriptiv analyse. En sammenligning av foretak og støttebeløp
4.2. Foretakskjennetegn etter hovedvirkemiddel
Miller, que dedica um espaço significativo ao estudo da relação de Foucault com Kant a partir da TC. Ressalta que “sobre certos aspectos, Foucault jamais deixou de se considerar um kantiano”;89 em seguida aponta os conceitos de experiência, empiricidade, a priori, crítica, a questão antropológica e as três questões kantianas (o que posso saber?, o que devo fazer?, o que me é
permitido esperar?) que culminam na quarta o que é o homem?, como sendo
fundamentais para o pensamento e a pesquisa de Foucault:
Nos anos que seguem sua tese [TC], Foucault devia tirar as conseqüências da filosofia kantiana segundo duas vias paralelas. Do ponto de vista empírico ele emprega as técnicas de Bachelard e Canguilhem para pesquisar a pré-história das ciências humanas, uma das fontes mais importantes de pesquisa da Antropologia de Kant. (...) Isolando, por análise empírica comparativa, um mesmo “estilo” de raciocínio explicitando (informant) o jogo do verdadeiro e do falso entre as disciplinas que parecem nada ter em comum [rien de semblable], seria possível, talvez revelar a “dimensão verdadeiramente temporal” das categorias a priori; perceberíamos que é a partir das mesmas categorias que em um século dado - XVII, XVIII, XIX - toda existência, toda palavra, toda obra ordenava o mundo, visando a estabelecê-lo do mesmo modo com que se estabelecia a si mesma, como objeto de saber racional.
Do ponto de vista transcendental, em contrapartida, Foucault permanecerá fascinado por uma “interrogação sobre o limite e a transgressão” que tenderá ao “retorno a si”: está aí o projeto dionisíaco de Nietzsche, mas também o de Roussel, de Bataille e de Blanchot.90 Quanto a QC?, Miller91 primeiro sinaliza que, “ao longo dos anos setenta o termo ‘crítica’ havia recebido uma nova acepção e acabou por cobrir toda sorte de ‘pequenas atividades polêmico-profissionais’, etiqueta
irrespectueuse92 sob a qual Foucault designa neste dia a avalanche de
88 Ibid., p. 460.
89 MILLER, J. La Passion Foucault. Traduit de l’anglais par H. Leroy. Paris: Plon, 1995, p.168. 90 Ibid. p. 173-174.
91 MILLER, J. em Notes sur les Sources lamenta, como omissão notável, entre os materiais recolhidos para a edição dos Dits et Écrits a não inclusão de QC? e de uma entrevista com Jean Le Bitoux, sobre a questão do sadomasoquismo consensuel (Op. cit., p.445).
92 Miller cita QC? Mas Foucault não fala de etiqueta desrespeitosa, de avalanche de publicações, associadas às “pequenas atividades polêmico-profissionais”; Foucault apenas diz que “entre a alta empreitada kantiana e as pequenas atividades polêmico-profissionais que portam o nome de crítica” ele localiza o que chamou de “atitude crítica” (QC?. p. 36).
publicações que a crítica social de esquerda derramava nas livrarias nos últimos anos”. Em seguida retoma as relações que Foucault estabelece entre a ‘Crítica’ e a Aufklärung, e a economia política, as relações de poder, o não ser
governado, a crítica como atitude ou uma virtude em geral como coragem, que
a Aufklärung exige.93 A partir disso restaria a Foucault a questão:
Qual modo de raciocínio, mas igualmente qual arte de viver devemos escolher se desejamos sair do estado de minoridade, onde estamos por nossa própria culpa? Questão que diversos filósofos responderam (...). Quanto a Foucault, sua tentativa consistiu (...) em tentar decifrar as ‘relações dos poderes, da verdade e do sujeito’ engajando-se ‘em uma prática que chamarei histórico-filosófica’.94
Para introduzir, na biografia, os dois textos de Foucault sobre a
Aufklärung, Miller refere-se primeiro ao desejo de Foucault em “compreender e,
de certa maneira, agir sobre os grandes acontecimentos de seu tempo”, mas que, “paradoxalmente, esse interesse pela atualidade política provoca nele uma perplexidade ainda maior”. Esse espanto deve-se ao fato de ele, que buscava seus engajamentos políticos com mais reflexão e reserva, no plano da teoria, “começa a ver em seu próprio papel cultural, (...), e se pergunta, porque, e como, tinha ele (por que ele, precisamente) chegado a servir, como Sartre outrora, de modelo do engajamento de vanguarda?”. Como modo de reagir a esse espanto, “escolhe falar não dele mesmo, mas de outra pessoa, (...) lhe ocorre Emmanuel Kant. Ele toma como ponto de partida o ensaio de Kant Was
ist Aufklärung?”, e “colocando esse ‘pequeno texto’ de Kant nessa ótica”, como
dobradiça da reflexão Crítica e da reflexão sobre a História, “Foucault mostra a que ponto sua própria reflexão sobre a História está impregnada dessa ‘atitude’ especificamente moderna”. Citando o QL? diz que, à semelhança de Kant, “Foucault vê na liberdade da vontade a ‘condição ontológica da ética’, ética que se torna, em troca, ‘a forma refletida que a liberdade adquire’”. Mas a “transposição dos limites não é um fim em si mesmo (...) pois é uma versão moderna da ‘elaboração ascética de si’”, não como descoberta da verdade sobre si, mas segundo um “êthos filosófico e uma atitude-limite” a partir de “uma ‘ontologia crítica de nós mesmos’”.95
93 MILLER, James. La Passion Foucault. Op. Cit., p.350 – 351.
94 Ibid., p. 352-53. A expressão ”em uma prática que chamarei de histórico-filosófica” é de Foucault, no QC?, e Miller a transcreve.
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No ano de 1995 foram apresentadas quatro teses. Três de doutoramento na França e uma na Itália. Todas abordam a relação de Foucault com Kant. Delas, somente a de Sandra Coelho de Souza não inclui o texto da
TC. Para as outras três, ele é um texto central na análise dessa relação. São
os primeiros estudos, com exceção das biografias, que incluem o texto da TC. É possível que as biografias tenham contribuído na visibilidade do texto.
1) Sandra Coelho de Souza defendeu sua tese de doutorado L’Étique de