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Analyse av bruken av forskjellige støtteordninger

5. Persistens og interaksjonseffekter ved bruk av ulike offentlig finansierte

5.2. Analyse av bruken av forskjellige støtteordninger

foi publicado no Brasil pela primeira vez em 1997, por Ricardo Terra: “Foucault,

149 Ibid., p. 176-177.

150 FONSECA, Márcio Alves da. Michel Foucault e a Constituição do Sujeito. São Paulo: EDUC, 2003. 1ª. Edição: 1995.

leitor de Kant: da antropologia à ontologia do presente” e republicado em 2003 junto a outros textos seus.152

Inicialmente Terra lembra que o próprio Foucault afirmou a relação de seus trabalhos com a Crítica kantiana. Quanto à TC diz que, “se não tem maior relevância nos estudos kantianos, pelo menos apresenta um grande interesse quando está em foco o pensamento de Michel Foucault”, e que esta, “sem dúvida pode esclarecer certos aspectos do lugar reservado a Kant em As

Palavras e as coisas”.153 Em seguida expõe diversas etapas da TC, fazendo contrapontos com as análises de Foucault neste texto. Segundo Terra, Foucault estabeleceu relações entre a Crítica e a Antropologia, utilizando uma passagem da “Metodologia Transcendental”, (CRP), e uma “passagem da

Lógica que trata das quatro questões fundamentais. Kant afirma que as três

perguntas – ‘O que posso saber? O que devo esperar?154 O que me é lícito esperar?’ – estão relacionadas a uma quarta: O que é o homem?’”.155 Terra chama a atenção para o fato de que a “posição da questão antropológica neste último texto [o da Lógica] é muito diferente daquela da Crítica da Razão Pura”. Segundo ele:

Convém dizer, entretanto, que a Antropologia de 1798 não responde à questão posta na Lógica. Articular a teoria, a prática, a finalidade natural e Deus em torno da questão sobre ‘o que é o homem’ constitui algo que escapa à Antropologia, pois diz respeito a uma totalização posterior do pensamento kantiano, indicada na Lógica e constituindo o

esforço sempre retomado do Opus postumum”.156

Terra salienta que, “ao explicar como a análise do Gemüt constitui a maneira de desenvolver o objeto da Antropologia (...), Foucault completa seu

152 TERRA, Ricardo. Passagens – Estudos sobre a filosofia de Kant. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2003, p.161-178. Em nota declara que “Foucault leitor de Kant” “foi publicado no volume organizado por Jean Ferrari, L’Année 1798, Kant et la naissance da l’anthropologie au Siécle des Lumières. Paris: Vrin, 1997. p. 159 – 171; e pela revista Analytica, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, p. 159 – 171, 1997” (TERRA, 2003, p.– 194).

153 Ibid., p.162-163.

154A colocação da segunda pergunta da série “o que devo esperar” deve ser um erro de impressão, pois tanto na KRV, “do Cânone da Razão”, ela consta como: Was soll ich tun? (KANT, I. KRV. Band 2. Zweite Auflage. Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1976, p. 677) e na Lógica consta O que devo fazer? (KANT, Immanuel. Lógica. 3ª Edição. Tradução de Guido A. de Almeida. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003, p. 42. Biblioteca Tempo Universitário 93).

155 TERRA, R. Passagens. Op. Cit., p. 167.

156 Ibid., p. 167–168. KANT, Emmanuel. Opus Postumum – Passage des príncipes

métaphysiques de la science de la nature à la physique. Traduction, présentation et notes par François Marty. Paris, France: Presses Universitaires de France, 1986.

estudo da Antropologia de 1798”.157 Mas seu objetivo consistia também em “preparar o quadro de uma crítica das antropologias filosóficas contemporâneas”. Antes de dirigir-se às filosofias contemporâneas, Terra indica que “há uma ambigüidade básica na antropologia kantiana”, pois, “(...) ela é conhecimento do homem, em um movimento que o objetiva, (...); ela é conhecimento do conhecimento do homem, num movimento que interroga o sujeito sobre ele mesmo (...)”.158 Segundo Terra, a “tensão do empírico e do crítico permanece, e é essa tensão que será desfeita nas antropologias contemporâneas (...) O contra-senso básico é querer que a antropologia faça o papel da crítica”.159

Terra faz também um paralelo da diferença de posição que Kant ocupa em dois momentos distintos da obra de Foucault. Na década de 1960 (na TC e em PC) e na década de 1980 (em QL?). De modo extremamente esquemático, tal diferença pode ser indicada, segundo Terra, em duas frentes distintas. Numa delas a escolha dos textos de Kant que Foucault utiliza para confrontar com a obra Crítica. Na década de 1960 é a Antropologia, a Lógica e o Opus

postumum. Em 1983 são: Beanwortung der Frage: Was ist Aufklärung?

(resposta à pergunta: o que é o esclarecimento?) e Der Streit der Fakultäten (o conflito das faculdades). Na outra frente não são mais os textos que variam, mas a temática: em 1961, a arqueologia e a analítica da verdade; em 1983, a questão da ontologia do presente.160 Terra ressalta que, em 1983-84, no QL?, Foucault “colocou-se na trilha aberta por Kant, na medida em que esta, ao lado da recusa da analítica da verdade, teria fundado uma outra perspectiva crítica, a da ontologia do presente”,161 Nos anos de 1960 a preocupação prioritária de

157 TERRA, R. Passagens. Op. Cit., p. 172. Na TC a abordagem da questão antropológica (“o problema da empiricidade na repetição antropológico-crítica) inicia na página 108.

158 Ibid., p. 172. O último trecho da citação acima é transcrito por Terra da TC, p. 118. A interpretação que Terra lhe dá faz parecer que Foucault, nesta passagem, estivesse tratando da antropologia kantiana; assim, dá a entender que para Foucault a antropologia em Kant mantém uma ambigüidade na relação com a Crítica, fazendo valer o conhecimento sobre o homem como se fosse o conhecimento da Crítica [a antropologia é conhecimento do conhecimento do homem]. Salientamos que Foucault, na passagem citada, está tratando das antropologias pré-kantianas e é sobre elas a denúncia de que ainda não haviam estabelecido a distinção entre o nível crítico e o empírico. Somente na pág. 119 da TC inicia a análise sobre a recolocação e as inovações operadas pela Antropologia de Kant (cf. Cap. II, item 2.2.11, alínea “D”, infra). O que Foucault mostra é que a Antropologia kantiana, além de se conformar às determinações da Crítica, restringe-se a uma exposição pragmática do homem. 159 TERRA, R. Passagens., Op. Cit., p. 173.

160 Ibid., p. 176-177.

Foucault era “demolir as antropologias filosóficas contemporâneas [mais] do que a de Kant”.162 No curso de 1983, segundo Terra, “Foucault não está mais preso estritamente à camisa-de-força da arqueologia e pode retomar o projeto crítico kantiano. Não, evidentemente a antropologia (...), mas uma ontologia do presente”.163 Terra utilizou a TC e QL?; não citou QC? nem WE?.

6) Priorizando o tema do homem, José Ternes, em Michel Foucault e a