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Forekomster av andre tekster enn kjernetekstene

Kapittel 4: Presentasjon og drøfting av funn og tendenser i materialet

4.2 Bibeltekster i de lokale planene

4.2.4 Forekomster av andre tekster enn kjernetekstene

Segundo Veríssimo (2011), o termo “alexitímia” foi criado por Peter Sifneos, psicanalista, no inicio dos anos setenta do século vinte, para indicar uma alteração afetivo-cognitiva relacionada com uma particular dificuldade em vivenciar, identificar e comunicar emoções. A alexitímia, sendo um conceito enunciado por um psicanalista, é, evidentemente, cara a esta abordagem que a relaciona com o conceito de psicossomática. Para a escola de psicossomática de Paris, por exemplo, os pacientes psicossomáticos são descritos como possuindo uma grande dificuldade em identificar e descrever os seus afetos, associado-a uma pobreza fantasmática e tendo como resultado uma forma de vida funcional e operatória com evitamento do conflito, ou seja, são descritos como alexitímicos.

Veríssimo (2003), por sua vez, considera que a alexitímia e a inteligência emocional são concepções fortemente sobreponíveis, mas de sentido inverso em termos fenomenológicos. Para este autor, os indivíduos alexitímicos têm dificuldades de regulação emocional geradas por dificuldades de processamento cognitivo, inerente ao controlo emocional. Como refere o autor, a capacidade para pensar sobre a origem e o significado dos seus próprios sentimentos na sua subjetividade - tendência à consciencialização - é fundamental para a comunicação consigo próprio e com os outros, gerando capacidade de insight. Ainda de acordo com este

autor, a inteligência emocional assenta na capacidade para elaborar representações mentais das emoções e outras experiências - mentalização - e está intimamente relacionada com a regulação emocional. Um deficit desta capacidade foi inicialmente correlacionado com problemas descritos como psicossomáticos, e posteriormente com perturbações de stresse pós-traumático, perturbações do comportamento alimentar e outras (Ruesch, 1948; Sifneos, 1967; Krystal, 1968; Bruch, 1973).

Ruesch e Bruch in Veríssimo (2003) destacaram a falta de consciência interoceptiva e a dificuldade em descrever as experiências emocionais como as dificuldades centrais nos pacientes psicossomáticos. Já Horney (1952) acentuou a pobreza da fantasia e a orientação para acontecimentos externos em detrimento da experiência íntima. Há nestes indivíduos um concretismo patente no modo de pensar e viver orientado para o exterior, como forma de compensar a falta de consciência relativa às experiências íntimas.

Marty e DeBray (1989) cunharam o conceito de “vida operatória” para descrever o modo de estar na vida orientado para o exterior, enquanto Sifneos (1973) criou o termo alexitímia para designar a mesma dificuldade, ou seja, a dificuldade em identificar e descrever na sua subjetividade a experiência de sentimentos. Este conceito foi posteriormente alargado por outros autores. Nos últimos trinta e cinco anos o conceito de alexitímia foi o paradigma dominante associado às condições psicossomáticas. Mais recentemente tem-se vindo a observar uma transição deste conceito para o de regulação afetiva. Esta mudança dá conta da importância cada vez maior dada aos conceitos dinâmicos por oposição a conceitos estáticos. A alexitímia define um conjunto de características, enquanto que o conceito de regulação afetiva coloca a tónica na forma como o indíviduo gere a sua vida emocional e afetiva (Veríssimo, 2011).

Veríssimo (2003) postula a capacidade para consciencializar e refletir sobre os sentimentos como um meio de regulação emocional e, desta forma, coloca na base da qualidade de vida a capacidade de regulação emocional, ou seja, a falência desta capacidade poderá remeter para a

Acne e saúde pública: um contributo

subjetiva (mentalização) e para a capacidade de relatar verbalmente os estados emocionais subjetivamente vividos (Dodge & Garber, 1991). A regulação emocional implica estes três sistemas, mas a alexitímia implica dominantemente o sistema cognitivo-vivencial e facilmente se manifesta na sua falha. Quando acontece uma falha neste sistema, não se dá a modulação das emoções e dos sentimentos por via da função do imaginário, assim como também se observa uma consequente dificuldade em comunicá-los verbalmente aos outros.

De acordo com Willemsen, Roseeuw e Vanderlinden (2008), as pesquisas mais recentes sugerem que a alexitímia pode ser considerada como um fator de risco para um conjunto amplo de perturbações médicas e psiquiátricas, podendo aumentar a suscetibilidade ao desenvolvimento de um conjunto de doenças, como fator adicional à predisposição genética e emocional. Estas mesmas autoras associam a alexitímia à baixa escolaridade e a menores níveis sócio-económicos.

Dado que os indivíduos alexitímicos têm dificuldade em gerir a perturbação emocional, tenderão a apresentar respostas exacerbadas do sistema nervoso autónomo e neuroendócrino, gerando desta forma o terreno fértil para o desenvolvimento de doenças somáticas. Para além do anteriormente referido, tendem também a interpretar de forma incorreta as sensações somáticas, gerando ideação hipocondríaca. É ainda relevante destacar que nem todos os pacientes psicossomáticos apresentam características alexitímicas. A alexitímia aparece também na população normal. (Willemsen et al., 2008).

Silva, Vasco e Watson (2013) defenderam a ideia de que se deve falar em “funcionamento alexitimico” e não simplesmente “alexitímia”, uma vez que a primeira expressão amplia a noção estática, dando destaque à ideia de processo, ficando por isso mais próximo do real.

Vasco (2009a e 2009b) considera que, no funcionamento alexitímico, o processamento emocional está deteriorado e que, por isso, as funções psicológicas das emoções encontram-se limitadas e, consequentemente, a capacidade de regular a satisfação de necessidades psicológicas vitais, tais como a função orientadora para o mundo, a função de comunicação connosco próprios e com os outros, a função preventiva, e a função de sinalização e de preparação para a ação estão afetadas. Quando pensamos no funcionamento alexitímico presumimos, à partida que não se irá observar grande produtividade emocional, na medida em que existem dificuldades ao nível da identificação de emoções e ao nível da regulação da expressão emocional.

É importante saber se a alexitímia poderá ser considerada um mecanismo de defesa do ego utilizado para impedir a sobre-estimulação emocional, inibindo prematuramente a capacidade de discriminação emocional e orientando o indíviduo para as atividades externas a si. Apesar da relação entre a alexitímia e os mecanismos de defesa ter sido estudada, não foi possível chegar a consensos produtivos entre os investigadores. A alexitímia está também associada aos mecanismos de defesa de negação, denegação, repressão e formação reativa (Fukunishi, Numata &Hattori in Helmes, McNeill, Holden & Jackson, 2008), e às defesas imaturas de inibição, acting-out, retirada, regressão, passividade, agressividade passiva e comportamento de consumação (Wise et al. in Helmes et al. 2008). A alexitímia é, portanto um conceito distinto, mas relacionado com as operações defensivas.

Neves (2005) considera que os mecanismos de defesa do eu cumprem um papel adaptativo não negligenciável, revelando-se fundamentais para o equilíbrio psíquico. Os onze mecanismos de defesa associados à Alexitímia pelos autores anteriormente referidos podem ser enquadrados como dominantes em diferentes estruturas de personalidade, se considerarrmos a posição defendida por Neves, e fundamentada na teoria psicanalítica. É importante ainda compreender que, tal como refere Neves (2004, p. 12), “o reconhecimento do papel central que certas defesas desempenham nas diferentes organizações mentais (...), não implica confundir as defesas com uma suposta estrutura subjacente”. Desta forma podemos pensar que os indivíduos com Acne, caso se venha a verificar que a Acne tem uma relação positiva com alexitímia, poderão não estar associados, apenas a uma única estrutura de personalidade.

Alguns autores consideram que um dos problemas fundamentais associados ao conceito de alexitímia está relacionado com a tendência para ver a alexitímia como um fenómeno que existe ou não existe, em vez de ser pensado como um fenómeno que apresenta diversos graus de presença. Tende-se a caracterizar os pacientes como sendo alexitímicos ou não alexitímicos, em vez de serem vistos numa dimensão de grau. Sendo a alexitímia considerada uma função

Acne e saúde pública: um contributo

Silva e Vasco (2010) acentuaram o facto de, apesar da grande amplitude das perturbações indicadores de alexitímia (perturbações alimentares, abuso de dependências e substâncias, perturbações de ansiedade e depressão e perturbação de stresse pós-traumatico e, naturalmente, perturbações psicossomáticas), não ser claro se a alexitímia é condição para o desenvolvimento da perturbação (como causa) ou se se desenvolve como consequência da perturbação.

Kojima (2012) verificou que se continua sem conseguir estabelecer uma evidência epidemiológica que aponte no sentido da alexitímia funcionar como um fator, com valor prognóstico de risco para problemas de saúde. Contudo, foi-lhe possível recolher evidências de que a alexitímia é uma característica que dificulta o controlo da doença e a promoção da saúde de uma forma geral. Destaca ainda que indivíduos alexitímicos têm uma capacidade reduzida para lidar com situações de stresse.

Uma outra característica dos indivíduos alexitímicos referida por Kojima (2012), e nem sempre mencionada na literatura sobre o assunto, mas que se considera de grande importância, é o facto de ser difícil para estes indivíduos construirem e manterem relações próximas com os outros, e não utilizarem o suporte social adequadamente de forma a protegerem-se de influências patogénicas e de acontecimentos stressantes. Este facto pode ser interessante, na medida em que a falta de suporte social poderá estar relacionada, ela própria, com a Acne ou o seu agravamento.

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Capítulo 3