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4.4 Nonlinear modal analysis

4.4.5 Forced system analysis

Cerca de trezentas mil sequências de 16S rDNA de alta qualidade foram obtidas neste estudo, a partir das oito amostras de solo das quatro fitofisionomias do Cerrado (36.923 sequências em Campo sujo 1 a 5; 27.926 sequências em Campo sujo 6 a 10; 44.581 sequências em Cerrado sensu stricto 1 a 5; 44.832 sequências em Cerrado sensu stricto 6 a 10; 37.792 sequências em Cerrado denso 1 a 5; 38.791 sequências em Cerrado denso 6 a 10; 38.130 sequências em Mata de galeria 1 a 5 e 38512 sequências em Mata de galeria 6 a 10). Por meio da classificação do RDP-II, um total de 17 filos

61 foram observados no solo das fitofisionomias do Cerrado (Figura 14). Sete filos (Acidobacteria, Proteobacteria, Actinobacteria, Verrucomicrobia, Planctomycetes, Gemmatimonadetes e Bacteriodetes) foram considerados abundantes, apresentando uma porcentagem de sequências acima de 1% (Figura 14A) e dez filos (Chlamydiae, Firmicutes, OP10, TM7, Chloroflexi, Cyanobacteria, Nitrospira, Spirochaetes, Thermomicrobia e BRC1) foram considerados raros, apresentando uma porcentagem de sequências abaixo de 1% (Figura 14B).

O filo Acidobacteria é dominante em todas as comunidades bacterianas estudadas, correspondendo de 40 a 47% das sequências de bactérias analisadas. Nas quatro fitofisionomias foram encontradas sequências correspondentes a 10 grupos do filo Acidobacteria (Gp1, Gp2, Gp3, Gp4, Gp5, Gp6, Gp7, Gp8, Gp10 e Gp13) onde Gp1 é o mais abundante correspondendo a mais de 52% das sequências de Acidobacteria em todas as áreas (Figura 15A e B). Gp1, Gp2 e Gp3 juntos correspondem a mais de 96% do total das sequências do filo Acidobacteria. O Gp8 está presente somente em Mata de galeria, porém em uma porcentagem muito baixa, apenas uma sequência (Figura 15A e B).

O filo Proteobacteria também é abundante, correspondendo de 34 a 40% das sequências de bactérias analisadas (Figura 14A). Dentre as classes do filo Proteobacteria, foram observadas sequências de Alphaproteobacteria, Gammaproteobacteria, Betaproteobacteria e Deltaproteobacteria além de terem sido encontradas sequências de Proteobacteria não classificadas nas quatro fitofisionomias. A classe mais abundante é Alphaproteobacteria, correspondendo de 52 a 57% das sequências de Proteobacteria (Figura 16). Dentro da classe Alphaproteobacteria foram observadas sequências pertencentes às ordens Rhizobiales, Rhodospirillales, Caulobacterales, Sphingomonadales, Rhodobacterales e Rickettsiales, além de Alphaproteobacteria não-classificadas (Figura 17). A maioria das sequências classificadas na classe Gammaproteobacteria não foram classificadas em ordem (Figura 19). Dentre as ordens de Gammaproteobacteria classificadas foram encontradas sequências de Legionellales, Xanthomonadales, Pseudomonadales, Enterobacteriales, Pasteurellales e Chromatiales (Figura 18). Dentro da classe Betaproteobacteria, que representa de 9 a 15% do total de sequências de Proteobacteria, encontram-se sequências das ordens Burkholderiales, a qual representa a grande maioria em todas as fitofisionomias, Rhodocyclales, Nitrosomonadales e Neisseriales, além de sequências

62 não-classificadas de Betaproteobacteria (Figura 19). Dentre as ordens de Deltaproteobacteria, Myxococcales é a mais abundante, porém também foram observadas sequências das ordens Bdellovibrionales, Desulfuromonales, Desulfobacterales, Desulfovibrionales, Syntrophobacterales e sequências não- classificadas (Figura 20).

As sequências de bactérias não-classificadas aparecem em terceiro lugar em termos de porcentagem, atingindo de 8 a 13% das sequências analisadas. Porém o filo Actinobacteria aparece como o terceiro filo mais abundante, com uma porcentagem de sequências de 4 a 7% (Figura 14A). Dentre as classes de Actinobacteria, encontramos sequências pertencentes às subclasses Rubrobacteridae e Actinobacteridae, bem como sequências não-classificadas (Figura 21).

O quarto filo encontrado em termos de porcentagem é Verrucomicrobia, variando de 1,4 a 2% dentre as fitofisionomias, seguido de Gemmatimonadetes (0,4 a 1,8%), Planctomycetes (0,3 a 1,4%) e Bacteroidetes (0,8 a 1%) (Figura 14A). Verrucomicrobia, Gemmatimonadetes e Planctomycetes possuem cada um somente uma classe e ordem (classe Verrucomicrobiae e ordem Verrucomicrobiales; classe Gemmatimonadetes e ordem Gemmatimonadales; classe Planctomycetacia e ordem Planctomycetales, respectivamente). Dentre as classes do filo Bacteroidetes, a classe Sphingobacteria está em maior abundância correspondendo de 77 a 98% do total de sequências de Bacteroidetes, sendo que também foram encontradas sequências das classes Flavobacteria e Bacteroidetes, bem como sequências não-classificadas (Figura 22).

Dentre os filos considerados raros, com porcentagem abaixo de 1% do total de sequências analisadas, o que apresentou maior porcetagem foi o filo Chlamydiae (classe Chlamydiae e ordem Chlamydiales), com 0,2 a 0,8% do total de sequências de bactérias (Figura 14B). O filo Firmicutes aparece em seguida com uma porcentagem de 0,1 a 0,3% do total de sequências (Figura 14B). Dentre as sequências do filo Firmicutes, foram observadas sequências da classe Bacilli, de 51 a 73% do total das sequências de Firmicutes, divididas em sequências pertencentes a ordem Bacillales (47 a 75%) e à ordem Lactobacillales (0 a 8%) bem como em sequências não-classificadas em ordem da classe Bacilli (Figura 23). Também foram observadas sequências da classe Clostridia (12 a 37% do total de sequências de Firmicutes) dividida em sequências da ordem Clostridiales (11 a 34%) e sequências não-classificadas (Figura 23). Foram

63 também encontradas sequências da classe Erysipelotrichi, ordem Erysipelotrichales (1 a 4.3%) e sequências de Firmicutes não-classificadas em classe (7 a 13%) (Figura 23). O filo OP10 aparece com porcentagem de 0,1 a 0,2% do total de sequências de bactérias (Figura 14B). Em seguida aparece o filo TM7 com porcentagem de 0,04 a 0,19% do total das sequências de bactérias. O filo Chloroflexi se encontra numa porcentagem bem pequena, de 0,01 a 0,05% do total das sequências de bactérias (Figura 14B), com sequências das classes Anaerolineae e Chloroflexales sendo que o solo de Campo sujo possui a maior parte das sequências encontradas dessas classes. Os outros filos considerados raros apresentam-se numa porcentagem mínima da seguinte ordem do maior para o menor: Cyanobacteria, Nitrospira, Spirochaetes, Thermomicrobia e BRC1 (Figura 14B).

As curvas de rarefação calculadas a partir de valores de média de cada área mostraram que existem 4666, 4459, 3430 e 6728 OTUs em Cerrado denso, Cerrado sensu stricto, Campo sujo e Mata de galeria respectivamente, aplicando um ponto de corte de 0,03 (definido por um threshold de 97% de identidade de sequências) (Figura 24). De acordo com esse resultado e com o resultado do índice de Chao1 (Figura 25) que estima a riqueza de espécies, no caso riqueza de OTUs, o solo de Mata de galeria apresenta maior diversidade bacteriana do que o solo das outras fitofisionomias. Entretanto, as curvas de rarefação não atingiram um platô nesse estudo. Esses resultados demonstram a alta diversidade bacteriana associada aos solos do Cerrado.

A singularidade da composição das comunidades bacterianas do solo de cada fitofisionomia foi mostrada no Unifrac-PCoA (Análise de Coordenadas Principais). Com essas análises foi possível observar que, embora nas analises anteriores de composição dos filos classificados pelo RDP-II não apareçam grandes diferenças entre as áreas, por meio de uma análise mais detalhada é possível verificar que a composição bacteriana é bem diferente entre as fitofisionomias (Figura 26). Foram realizadas análises tanto unweighted (Figura 26A), levando em consideração a presença-ausência de sequências, como weighted (Figura 26B), que leva em consideração a abundancia relativa de cada grupo de sequências. Em ambos resultados de PCoA, as amostras ―1 a 5‖ e ―6 a 10‖ de Mata de galeria estão seraparadas uma da outra. Cerrado denso ―1 a 5‖ e ―6 a 10‖ estão bem próximas na análise unweighted (Figura 26A) e um pouco distantes na análise weighted (Figura 26B).

64 Figura 14. Frequência dos filos bacterianos presentes no solo de fitofisionomias do Cerrado, de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com confidence threshold de 80%. A) Filos dominantes com frequência relativa superior a 1%. B) Filos raros, com frequencia relativa menor que 1%.

65 Figura 15. Frequência de grupos do filo Acidobacteria no solo das fitofisionomias do Cerrado de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com confidence threshold de 80%. A) Porcentagem dos grupos. B) Distribuição dos grupos pelas fitofisionomias.

66 Figura 16. Frequência de classes do filo Proteobacteria presentes no solo das fitofisionomias do Cerrado de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com confidence threshold de 80%. A) Porcentagem das classes. B) Distribuição das classes pelas fitofisionomias.

67 Figura 17. Frequência das ordens da classe Alphaproteobacteria presentes no solo das fitofisionomias do Cerrado de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com confidence threshold de 80%.

Figura 18. Frequência das ordens da classe Gammaproteobacteria presentes no solo das fitofisionomias do Cerrado de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com confidence threshold de 80%.

0 10 20 30 40 50 60 70 80 %

Cerrado denso 1-5 Cerrado denso 6-10 Cerrado sensu stricto 1-5 Cerrado sensu stricto 6-10

Campo sujo 1-5 Campo sujo 6-10 Mata de galeria 1-5 Mata de galeria 6-10

0 20 40 60 80 100 %

Cerrado denso 1-5 Cerrado denso 6-10 Cerrado sensu stricto 1-5 Cerrado sensu stricto 6-10

68 Figura 19. Frequência das ordens da classe Betaproteobacteria presentes no solo das fitofisionomias do Cerrado de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com confidence threshold de 80%.

Figura 20. Frequência das ordens da classe Deltaproteobacteria presentes no solo das fitofisionomias do Cerrado de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com confidence threshold de 80%.

0 20 40 60 80 100 %

Cerrado denso 1-5 Cerrado denso 6-10 Cerrado sensu stricto 1-5 Cerrado sensu stricto 6-10

Campo sujo 1-5 Campo sujo 6-10 Mata de galeria 1-5 Mata de galeria 6-10

0 20 40 60 80 100 %

Cerrado denso 1-5 Cerrado denso 6-10 Cerrado sensu stricto 1-5 Cerrado sensu stricto 6-10 Campo sujo 1-5 Campo sujo 6-10 Mata de galeria 1-5 Mata de galeria 6-10

69 Figura 21. Frequência das subclasses do filo Actinobacteria presentes no solo das fitofisionomias do Cerrado de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com confidence threshold de 80%.

Figura 22. Frequência das classes do filo Bacteroidetes presentes no solo das fitofisionomias do Cerrado de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com confidence threshold de 80%.

0 10 20 30 40 50 60 70

Rubrobacteridae Actinobacteridae não-classificadas

%

Cerrado denso 1-5 Cerrado denso 6-10 Cerrado sensu stricto 1-5 Cerrado sensu stricto 6-10 Campo sujo 1-5 Campo sujo 6-10 Mata de galeria 1-5 Mata de galeria 6-10

0 20 40 60 80 100

Sphingobacteria Bacteroidetes Flavobacteria não-classificadas

%

Cerrado denso 1-5 Cerrado denso 6-10 Cerrado sensu stricto 1-5 Cerrado sensu stricto 6-10

70 Figura 23. Frequência de classe/ordem do filo Firmicutes presente no solo das fitofisionomias do Cerrado de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com um confidence threshold de 80%.

0 20 40 60 80 %

Cerrado denso 1-5 Cerrado denso 6-10 Cerrado sensu stricto 1-5 Cerrado sensu stricto 6-10 Campo sujo 1-5 Campo sujo 6-10 Mata de galeria 1-5 Mata de galeria 6-10

71 Figura 24. Curvas de rarefação das sequências 16S rDNA do solo de fitofisionomias do Cerrado obtidas por pirosequenciamento, com um ponto de corte de 3%, calculada a partir de valores médios de cada área. As barras representam o desvio padrão da média das duas amostras compostas de cada fitofisionomia.

0 2000 4000 6000 8000 0 10000 20000 30000 40000 O TU 's o bs er ve da s seqüências amostradas

72 Figura 25. Índice de Chao1 das sequências 16S rDNA do solo de fitofisionomias do Cerrado obtidas por pirosequenciamento, calculado a partir de valores médios de cada área. As barras representam o desvio padrão da média das duas amostras compostas de cada fitofisionomia. 0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 70000 0 10000 20000 30000 40000 O TU s ob se rv ad as seqüências amostradas

73 Figura 26. Análise de Coordenadas Principais (PCoA) das sequências 16S rDNA do solo de fitofisionomias do Cerrado sequenciadas por pirosequenciamento por meio doUnifrac. (CS1 = Campo sujo 1 a 5; CS2 = Campo sujo 6 a 10; CD1 = Cerrado denso 1 a 5; CD2 = Cerrado denso 6 a 10; SS1 = Cerrado sensu stricto 1 a 5; SS2 = Cerrado sensu stricto 6 a 10; MG1 = Mata de galeria 1 a 5 and MG2 = Mata de galeria 6 a 10). A) Unweighted e B) Weighted.

As diferenças significativas entre as frequências relativas das ordens bacterianas entre as fitofisionomias foram analisadas por meio do software STAMP, utilizando o Teste exato de Fisher (p-value < 0,05). Comparou-se área com área sendo que primeiramente foram enfatizadas as diferenças entre Mata de galeria (formação florestal) com as outras três áreas (formações savânicas). Comparando Mata de galeria com Campo sujo foi encontrado que as frequências de Gemmatimonadales, Rubrobacteridae, Planctomycetales, Sphingomonadales, Myxococcales e Caldilineae são significativamente diferentes entre Campo sujo e Mata de galeria, estando em maior frequência em Campo sujo, uma vez que Rhodospiralles, Actinobacteridae, Burkholderiales, Xanthomonadales, Chlamydiales, Legionellales, Clostridiales, Caulobacterales, Sphingobacteriales, Spirochaetales e Acidobacteriales são significativamente diferentes entre essas áreas, estando em maior frequência em Mata de galeria (Figura 27). Comparando Mata de galeria com Cerrado sensu stricto foi encontrado Planctomycetales, Rubrobacteridae, Sphingomonadales,

74 Gemmatimonadales, Myxococcales e Acidobacteriales em maiores frequências em Cerrado sensu stricto e Rhodospirillales, Actinobacteridae, Burkholderiales, Chlamydiales, Xanthomonadales, Clostridiales, Legionellales e Pseudomonadales em maiores frequências em Mata de galeria (Figura 28). Comparando Mata de galeria com Cerrado denso encontramos frequências de Rubrobacteridae, Planctomycetales, Sphingomonadales, Gemmatimonadales, Nitrospirales, Caulobacterales, Pseudomonadales e Acidobacteriales maiores em Cerrado denso e Rhospirillales, Xanthomonadales, Actinobacteridae, Chlamydiales, Rhizobiales, Burkholderiales, Legionellales e Rickttsiales apresentam maiores frequências em Mata de galeria que Cerrado denso (Figura 29).

Dentre as áreas savânicas, o Campo sujo é a que mais difere, então também foi comparada estatisticamente com Cerrado sensu stricto e Cerrado denso. Na comparação de Campo sujo com Cerrado sensu stricto as frequências de Rhodospiralles, Acidobacterialles, Caulobacterales, Xanthomonadales, Burkholderiales, Sphingobacteriales e Chlamydiales foram maiores significativamente em Cerrado sensu stricto e Gemmatimonadales, Rubrobacteridae, Myxococcales, Sphingomonadales, Caldilineae, Chloroflexales, Rhodocyclales e Bacillales foram maiores significativamente em Campo sujo (Figura 30). Na comparação de Campo sujo com Cerrado denso as frequências de Burkholderiales, Rhodospirillales, Caulobacterales, Acidobacteriales, Actinobacteridae, Chlamydiales, Pseudomonadales, Sphingobacteriales, Clostridiales e Nitrospirales são estatisticamente maiores em Cerrado denso e as frequências de Gemmatimonadales, Myxococcales, Rubrobacteridae, Caldilineae, Sphingomonadales, Planctomycetales, Rhizobiales, Chloroflexales e Rhodobacterales são maiores em Campo sujo (Figura 31). Por fim, comparando Cerrado denso com Cerrado sensu stricto, apesar de serem áreas semelhantes, também foram observadas diferenças estatisticamente comprovadas entre algumas ordens. As frequências de Burkholderiales, Pseudomonadales, Actinobacteridae, Rubrobacteridae, Nitrospirales, Clostridiales e Chamydiales são maiores em Cerrado denso e as frequências de Planctomycetales, Xanthomonadales, Myxococcales, Rhizobiales e Gemmatimonadales são maiores em Cerrado sensu stricto (Figura 32).

75 Figura 27. Diferenças significativas entre ordens bacterianas presentes no solo de Mata de galeria e Campo sujo por meio do software STAMP utilizando o Teste exato de Fisher (p-value < 0,05). = Campo sujo e = Mata de galeria.

Figura 28. Diferenças significativas entre ordens bacterianas presentes no solo de Mata de galeria e Cerrado sensu stricto por meio do software STAMP utilizando o Teste exato de Fisher (p-value < 0,05). = Cerrado sensu stricto e = Mata de galeria.

76 Figura 29. Diferenças significativas entre ordens bacterianas presentes no solo de Mata de galeria e Cerrado denso por meio do software STAMP utilizando o Teste exato de Fisher (p-value < 0,05). = Cerrado denso e = Mata de galeria.

Figura 30. Diferenças significativas entre ordens bacterianas presentes no solo de Campo sujo e Cerrado sensu stricto por meio do software STAMP utilizando o Teste exato de Fisher (p-value < 0,05). = Cerrado sensu stricto e = Campo sujo.

77 Figura 31. Diferenças significativas entre ordens bacterianas presentes no solo de Campo sujo e Cerrado denso por meio do software STAMP utilizando o Teste exato de Fisher (p-value < 0,05). = Cerrado denso e = Campo sujo.

Figura 32. Diferenças significativas entre ordens bacterianas presentes no solo de Cerrado denso e Cerrado sensu stricto por meio do software STAMP utilizando o Teste exato de Fisher (p-value < 0,05). = Cerrado sensu stricto e = Cerrado denso.

78 Com análises de pirosequenciamento foi possível também encontrar sequências de 16S rDNA pertencentes ao domínio Archaea no solo das fitofisionomias do Cerrado (Figura 33). A porcentagem de sequências do domínio Archaea é pequena, abaixo de 0,02% e foram encontradas sequências dos filos Crenarchaeota e Euryarchaeota bem como Archaea não-classificadas. O filo Crenarchaeota corresponde de 0,09 a 0,18% do total de sequências analisadas e o filo Euryarchaeota corresponde de 0,01 a 0,06% do total de sequências obtidas por pirosequenciamento (Figura 33). A quantidade de sequências pertencentes ao domínio Archaea não-classificadas foi muito baixa, sendo encontradas apenas duas sequências em Cerrado sensu stricto 6 a 10 e uma sequência em Cerrado denso 1 a 5, Cerrado denso 6 a 10, Campo sujo 6 a 10 e Mata de galeria 1 a 5.

Figura 33. Frequência dos filos do domínio Archaea presentes no solo de fitofisionomias do Cerrado, de acordo com análises de pirosequenciamento, classificados pelo Ribosomal Database Project com confidence threshold de 80%.

0,00 0,05 0,10 0,15 0,20

Crenarchaeota Euryarchaeota Archaea não-classificadas

%

Cerrado denso 1-5 Cerrado denso 6-10 Cerrado sensu stricto 1-5 Cerrado sensu stricto 6-10 Campo sujo 1-5 Campo sujo 6-10 Mata de galeria 1-5 Mata de galeria 6-10

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5. Discussão

Neste estudo foram apresentadas informações sobre as comunidades bacterianas presentes no solo de diferentes fitofisionomias do bioma Cerrado. As primeiras diferenças e semelhanças entre as comunidades bacterianas foram reveladas por meio das técnicas de fingerprinting RISA e T-RFLP, as quais já foram aplicadas diversas vezes em estudos de comparação de amostras ambientais (Acinas et al., 1999; Selenska- Pobell et al., 2001; Hartmann et al., 2006; Smith et al., 2008; Tan et al., 2009). Em um estudo de comunidades microbianas do solo, comparando os resultados das análises de RISA e T-RFLP foi mostrado grande semelhança entre os resultados destas técnicas e de acordo com esses autores os dois métodos produziram resultados muito consistentes e, portanto, ambos representam ferramentas poderosas e confiáveis para descrever a estrutura de comunidades microbianas no solo (Hartmann et al., 2005). Os resultados obtidos por RISA e T-RFLP mostram que Cerrado sensu stricto e Cerrado denso possuem perfis semelhantes de comunidades bacterianas, uma vez que as amostras dessas áreas foram agrupadas nas análises de RISA (Figura 6) e estão localizados uma ao lado da outra no IPCA T-RFLP (Figura 8). Essas áreas apresentam uma grande semelhança nas propriedades físico-químicas do solo, e Campo sujo e Mata de galeria possuem características do solo mais discrepantes.

Foi observada uma notável semelhança entre o PCA das propriedades físico- químicas do solo (Figura 3) e o IPCA-T-RFLP (Figura 8) indicando que as propriedades físico-químicas do solo podem estar diretamente relacionadas ao perfil das comunidades bacterianas do Cerrado. A cobertura vegetal também pode estar diretamente relacionada a esses resultados, uma vez que, em termos desta característica, Cerrado sensu stricto e Cerrado denso são semelhantes entre si já que o Cerrado denso é um subtipo de Cerrado sensu stricto, e Campo sujo e Mata de galeria têm cobertura vegetal mais diferentes.

Os perfis das comunidades bacterianas obtidos por meio de RISA e T-RFLP foram importantes como uma primeira comparação entre as áreas, pois foi possível obter uma estimativa aproximada para a estrutura das comunidades bacterianas e foi possível observar com esses resultados que não existem diferenças significativas entre os locais de coleta dentro de cada área (1-5 e 6-10). Sendo assim prosseguimos o experimento para a construção das bibliotecas de clones de 16S rDNA agrupando as

80 duas amostragens de cada área como amostra única (1 a 10), com a finalidade de reduzir tanto custos financeiros bem como o esforço laboratorial. No caso do pirosequenciamento, foram sequenciadas as duas replicatas de cada área pois o custo e esforço laboratorial eram os mesmos, e como é uma técnica mais detalhada e completa, seria de grande importância identificar com mais precisão as amostragens, além do fato de que replicatas biológicas são de extrema importância para a acurácia de um estudo (Prosser, 2010).

Com as análises das bibliotecas de clones de 16S rDNA, sequenciados pelo Método de Sanger, foi possível identificar 10 filos de bactérias presentes no solo das fitofisionomias do Cerrado, já com as análises das sequências de 16S rDNA das amostras de solo das fitofisionomias do Cerrado sequenciadas por pirosequenciamento foram encontrados 17 filos, sendo possível detectar aqueles com baixo número de sequências, considerados raros (Sogin et al., 2006). Membros dos principais grupos filogenéticos (filos Acidobacteria, Proteobacteria, Verrucomicrobia e Actinobacteria) foram encontrados no solo das quatro fitofisionomias estudadas pelos dois métodos de sequenciamento aplicados. Esses quatro filos englobam mais de 75% das bibliotecas de clones de 16S rDNA de comunidades bacterianas do solo (Hugenholtz et al., 1998).

O filo Acidobacteria é dominante no solo de todas as fitofisionomias do Cerrado estudadas. Acidobacteria e Proteobacteria são os filos bacterianos mais abundantemente distribuidos no ambiente solo considerando os estudos já realizados (Janssen, 2006). Estudos mostram que mais de 30% do total de sequências obtidas em bibliotecas de clones de 16S rDNA de solos pertencem ao filo Acidobacteria (Quaiser et al., 2003; Youssef and Elshahed, 2009). Em um recente estudo de comunidades microbianas do solo de Mata Atlântica por meio da construção de bibliotecas de clones de 16S rDNA sequenciadas pelo método de Sanger, também foi encontrado o filo Acidobacteria como o mais ambundante (Bruce et al., 2010). As subdivisiões Gp1, Gp2 e Gp3 são as mais abundantes no solo das 4 fitofisionomias, estando acima de 93% do total de sequências de Acidobacteria obtidas pelo sequenciamento das bibliotecas dos clones 16S rDNA pelo método de Sanger e acima de 96% do total de sequências do filo Acidobacteria obtidas por pirosequenciamento. Esse resultado corrobora o obtido por um recente estudo de solos coletados nas Américas onde foi encontrado as subdivisões do filo Acidobacteria Gp1, Gp2, Gp3, Gp4 e Gp6 como mais abundantes (Jones et al., 2009).

81 Apesar dos estudos mostrarem a abundância do filo Acidobacteria em solos de todo o planeta (Barns et al., 1999; Sait et al., 2002; Fierer et al., 2007), pouco se sabe sobre as características fisiológicas e o papel funcional das suas diferentes subdivisões, uma vez que a maioria é não-cultivável, sendo conhecidas apenas por meio de sequências de 16S rDNA (Quaiser et al., 2003). Análises de sequências do 16S rDNA de Acidobacteria indicam a existência de 26 subdivisões desse filo, onde apenas 5 possuem representação em isolados (Barns et al., 2007). Cinco gêneros foram formalmente descritos: Acidobacterium (Kishimoto et al., 1991), Terriglobus (Eichorst et al., 2007) e Edaphobacter (Koch et al., 2008) pertencentes à subdivisão Gp1; Holophaga (Liesack et al., 1994) e Geothrix (Coates et al., 1999) pertencentes à subdivisão Gp8 os quais são anaérobicos. Provavelmente este seja o motivo da dificuldade de se encontrar sequências dessa subdivisão, sendo que foi encontrada apenas uma sequência da subdivisão Gp8, por meio de pirosequenciamento, em Mata de galeria.

A abundância do filo Acidobacteria indica que esses organismos são importantes componentes da microbiota do solo existindo a necessidade de novos estudos para