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In document ER REG (sider 162-200)

O principal objetivo deste estudo passou por conhecer as perceções e necessidades de formação contínua dos professores de Educação Física (EF), com maior enfoque nas Atividades de Exploração da Natureza (AEN).

Neste ponto serão apresentados e discutidos os resultados do estudo, obtidos através do inquérito por questionário online, a 66 professores de EF do distrito de Braga: Formação contínua dos professores de Educação Física – Atividades de Exploração da Natureza. Posto isto, os resultados serão divididos em três grupos:

 Grupo 1 – Formação contínua: importância da formação contínua e necessidades de formação contínua;

 Grupo 2 – Matérias de ensino constantes nos Programas Nacionais de Educação Física: ações de formação contínua realizadas e necessidades de formação sentidas;

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Grupo 1 – Formação contínua: importância da formação contínua e necessidades de formação contínua

No gráfico 3, são apresentados os resultados relativos à questão: “Na sua opinião, a formação contínua dos professores é importante para:”.

Quando analisadas as afirmações selecionadas pelos inquiridos referentes às suas perceções sobre a importância da formação contínua dos professores, constatámos que a afirmação mais frequente, com 89,39% das respostas foi “atualizar competências adquiridas anteriormente”, estando em concordância com um estudo de Nascimento (2015) onde se pode observar que a atualização profissional foi o indicador mais considerado pelos professores quanto à importância da formação contínua.

Seguidamente, com 72,73% e 71,21%, as afirmações “introduzir inovações na aula e na escola” e “melhorar a intervenção pedagógica na escola”, respetivamente, e “melhorar o seu trabalho com os alunos na sala de aula/ginásio” (68,18%). Estes resultados vão de encontro ao

89,39% 37,88% 6,06% 9,09% 71,21% 3,03% 22,73% 62,12% 68,18% 39,39% 16,67% 72,73%

Atualizar competências adquiridas anteriormente Desenvolver uma prática mais adequada aos problemas

concretos de cada turma

Investigar cientificamente o contexto escolar Intervir com mais conhecimento na definição da política

educativa

Melhorar a intervenção pedagógica na escola Desenvolver a autonomia da escola Fundamentar cientificamente melhor o seu trabalho Suprimir lacunas na sua formação inicial Melhorar o seu trabalho com os alunos na sala de

aula/ginásio

Trocar experiências com outros colegas Desenvolver a autonomia do seu trabalho

Introduzir inovações na aula e na escola

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estudo de Camilo Cunha (1995), que na sua investigação constatou que os professores de EF valorizam a formação contínua porque podem melhorar a sua intervenção pedagógica e melhorar o seu trabalho com o aluno no contexto sala de aula. Também Nascimento (2015) indica que os professores afirmam que a formação contínua “ajuda a lidar com problemas de sala de aula”. Já Oliveira (2014), num estudo com professores de EF, verificou que os mesmos atribuem uma relação positiva entre a formação contínua e as práticas pedagógicas na EF.

“Suprimir lacunas na sua formação inicial” também teve uma percentagem significativa, com 62,12%, sendo que mais de metade da amostra selecionou esta afirmação. Também Nascimento (2015) na sua investigação, identificou este item como o terceiro indicador mais referido pelos docentes na importância da formação contínua. A formação contínua é assim vista como uma forma de “reciclagem” dos conhecimentos adquiridos na formação inicial docente (Oliveira, 2014).

Parece-nos que os professores reconhecem que é necessário manterem-se atualizados em relação aos seus conhecimentos e à evolução da sociedade, sendo que a formação contínua desempenha um papel fundamental na ampliação de conhecimentos e na melhoria da prática pedagógica (Nascimento, 2015; Rossi & Hunger, 2012). Segundo os resultados obtidos entendemos que, na ótica dos professores, é necessário complementar a sua formação inicial, numa perspetiva inovar/atualizar conhecimentos, melhorando o seu trabalho com os alunos, e adaptando-se aos ‘novos’ desafios, ‘nova sociedade’, num mundo em constante mudança.

As afirmações menos frequentes quanto à importância da formação contínua dos professores foram: “desenvolver a autonomia da escola” com apenas 3,03% das respostas e “investigar cientificamente o contexto escolar” com 6,06%.

Constatamos assim que parece existir uma certa tendência para desvalorizar situações relativas ao contexto escolar, e valorizar as competências pessoais e profissionais no contexto específico de sala de aula. Estes dados são apoiados por um estudo acerca da perceção da importância da formação contínua em professores de EF, que constatou que os professores de EF procuram um maior número de ações de formação centradas nos conteúdos das matérias e conteúdos específicos da disciplina (Januário, et al, 2009).

41 72,73% 30,30% 37,88% 54,55% 69,70% 9,09% 81,82% 24,24% 48,48% 9,09% 43,94% 7,58% 10,61%

Conhecimentos sobre os conteúdos da(s) disciplina(s) que leciona

O Trabalho em equipa educativa Psicologia dos comportamentos escolares Métodos e técnicas de avaliação Novas tecnologias educativas Autonomia e projeto educativo da escola Estratégias e métodos de ensino Teoria e prática da formação de professores Programação das atividades didáticas Sociologia da educação e da organização escolar A relação pedagógica em grupo ou individualizada Conhecimento sobre o meio social e cultural da escola

Relação da escola com o meio

No gráfico 4, são apresentados os resultados relativos à questão: “Indique quais as suas necessidades de formação contínua”.

Quanto às necessidades de formação contínua identificadas pelos professores, constatámos que 81,82% dos inquiridos consideram que as “estratégias e métodos de ensino” são uma necessidade de formação identificada com maior frequência. Os “conhecimentos sobre os conteúdos da(s) disciplina(s) que leciona” e as “novas tecnologias educativas” também foram evidenciados pelos professores como necessidades de formação, com 72,73% e 69,70% das respostas, respetivamente.

As necessidades de formação contínua dos professores identificadas com menor frequência são o “conhecimento sobre o meio social e cultural da escola” com apenas 7,58%, a “sociologia da educação e da organização escolar” e a “autonomia e projeto educativo da escola”, ambas com 9,09%, e a “relação da escola com o meio” com 10,61%. Mais uma vez confirmamos que os professores sentem mais necessidade de procurar formação no sentido de aprimorar as suas capacidades profissionais docentes no contexto sala de aula, e não tanto as problemáticas envolvidas nas escolas.

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Rossi e Hunger (2012) apoiam os nossos dados afirmando que os docentes numa fase inicial da carreira dão prioridade a ações de formação com o objetivo de aprimorar a sua prática pedagógica, trabalhar novos conteúdos e atualização constante, e só numa fase final da carreira começam a procurar “atividades formativas em espaços diferentes da escola para inovar as suas práticas cotidianas”.

Aumentar conhecimentos e o aperfeiçoamento da prática pedagógica foram os principais fatores motivantes para a procura de uma formação contínua, num estudo de Monteiro & Sousa (2014) que procurou conhecer as perceções de professores de EF sobre um curso de formação contínua específico.

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Grupo 2 – Matérias de ensino constantes nos Programas Nacionais de Educação Física: ações de formação contínua realizadas e necessidades de formação sentidas

Na tabela 1, são apresentados os resultados relativos à frequência absoluta (N) e relativa (%) quanto à questão: “Das matérias de ensino constantes nos Programas Nacionais de Educação Física, selecione: as que já participou em qualquer tipo de ação de formação, após a sua formação inicial de professor e/ou as necessidades de formação contínua que você sente.”

Necessidades de Formação Ações de Formação realizadas

% N % N Andebol 24,24 16 63,64 42 Basquetebol 28,79 19 37,88 25 Futebol 18,18 12 45,45 30 Voleibol 18,18 12 59,09 39 Corfebol 31,82 21 54,55 36 Râguebi 28,79 19 42,42 28 Hóquei Patins 28,79 19 18,18 12 Ginástica de Solo 33,33 22 42,42 28 Ginástica de Aparelhos 39,39 26 33,33 22 Ginástica Rítmica 31,82 21 13,64 9 Ginástica Acrobática 48,48 32 25,76 17 Atletismo 21,21 14 46,97 31 Patinagem 24,24 16 37,88 25 Dança 51,52 34 43,94 29 Jogos Tradicionais 18,18 12 15,15 10 Luta 42,42 28 16,67 11 Badminton 21,21 14 51,52 34 Ténis 25,76 17 18,18 12 Corrida de Orientação 36,36 24 50,00 33 Ténis de Mesa 28,79 19 24,24 16 Natação 21,21 14 37,88 25 Judo 34,85 23 18,18 12 Montanhismo 33,33 22 15,15 10 Campismo/ Pioneirismo 28,79 19 1,52 1 Canoagem 33,33 22 25,76 17 Cicloturismo 25,76 17 4,55 3 Prancha à Vela 28,79 19 7,58 5 Vela 33,33 22 7,58 5

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No que diz respeito às ações de formação contínua realizadas pelos inquiridos, após a sua formação inicial, relativas às matérias de ensino constantes nos Programas Nacionais de Educação Física (PNEF), ao observar a tabela X, constatámos que as modalidades onde os professores realizaram mais ações de formação foram: andebol (63,64%), voleibol (59,09%) e Corfebol (54,55). Com isto entendemos que as modalidades de desportos coletivos são mais procuradas pelos professores no que diz respeito às ações de formação contínua realizadas.

As matérias de ensino constantes nos PNEF onde os inquiridos realizaram em menor número ações de formação contínua após a sua formação inicial, foram modalidades inseridas nas atividades de exploração da natureza (AEN), nomeadamente campismo/pioneirismo (1,52%), cicloturismo (4,55%), prancha à vela e vela ambas com um percentual de 7,58%.

Apesar de existir pouca procura quanto a este tipo de modalidades podemos constatar que a corrida de orientação apresenta uma percentagem de 50%, o que significa que metade da amostra realizou ações de formação nesta modalidade desportiva incluída nas AEN.

Quanto às necessidades de formação sentidas pelos inquiridos, relativas às matérias de ensino constantes nos PNEF, foram identificadas com maior frequência: dança (51,52%), ginástica acrobática (48,48%) e luta (42,42%).

As modalidades de futebol, voleibol e jogos tradicionais, foram as que os inquiridos apontaram com menos frequência, como necessidade de formação contínua, com apenas 18,18% em cada matéria de ensino.

Os PNEF trazem nas suas propostas, diferentes conteúdos possíveis de serem lecionados ao longo do ano letivo, para os respetivos ciclos e anos de escolaridade, com o objetivo de promover nos alunos diferentes experiências e aprendizagens contribuindo assim para a sua formação e desenvolvimento humano.

No que diz respeito às formações realizadas pelos professores e às suas necessidades de formação, especificando as matérias de ensino presentes nos PNEF, não existe literatura a aprofundar este caso, o que dificulta a discussão dos nossos dados. Porém, verificamos que existem estudos que apresentam os conteúdos mais lecionados na disciplina, que podemos relacionar com os resultados apresentados neste ponto.

Num estudo de Silva & Sampaio (2012), que teve por objetivo analisar vários estudos acerca dos conteúdos mais trabalhados nas aulas de EF, concluiu que os conteúdos que predominam nas aulas de EF são os desportos coletivos (andebol, basquetebol, voleibol e futebol).

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Já Rosário & Darido (2005), chegam a afirmar que “os professores de EF têm restringido o seu trabalho aos desportos tradicionais, que são transmitidos superficialmente, e em geral distribuídos sem nenhuma sistematização”.

Como constatámos, os inquiridos realizaram um maior número de ações de formação nestas modalidades desportivas, e por sua vez são os conteúdos que os professores sentem menos necessidade de formação, o que nos leva a compreender que existe uma certa tendência para os professores valorizarem mais este tipo de conteúdos, ditos “tradicionais”, que os restantes presentes nos PNEF.

Já as AEN foram as que os professores realizaram menos ações de formação, o que poderá significar um maior desinteresse pelas mesmas com exceção da corrida de orientação. Apesar destas modalidades apresentarem uma percentagem muito pequena de número de ações de formação realizadas, também não são apresentadas como necessidades de formação, o que nos leva a crer, segundo estes resultados, que os professores acabam por desvalorizar as AEN.

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Grupo 3 – Atividades de Exploração da Natureza

Os estudos efetuados no âmbito da formação profissional de professores de Educação Física (EF) nas atividades de exploração da natureza (AEN) em Portugal, quando comparados às modalidades mais clássicas, são ainda muito reduzidos ou praticamente inexistentes uma vez que não aprofundam qualquer uma das modalidades inseridas nas AEN.

Notámos que a escassa literatura dificultou a discussão dos resultados obtidos no nosso estudo, portanto neste grupo apresentamos e discutimos os dados decorridos com base na nossa análise e em bibliografia referente não só a professores de educação física, como a federações e treinadores desportivos bem como profissionais do setor do desporto de natureza.

O gráfico 5 apresenta os resultados relativos à questão: “Inclui nas suas aulas de Educação Física alguma modalidade/atividade de exploração da Natureza?”

Gráfico 5. Inclusão das AEN nas aulas de EF

No gráfico 5 é possível observar que 30,3% dos inquiridos não inclui nas suas aulas de EF, qualquer modalidade referente às AEN. Este dado pode ser justificado pelo facto de algumas destas atividades necessitarem de materiais específicos que poderão não existir na escola onde os professores lecionam, porém, também pode ser justificado pela falta de conhecimento/competências ou inexperiência dos professores em relação às AEN (Tomio, Silva, Dalcastagne & Lamar, 2015).

Os mesmos autores referem que as AEN não vêm sendo utilizadas como conteúdo nas aulas de EF devido ao “desconhecimento das possibilidades e benefícios de tais práticas no

30,30% 6,06% 3,03% 65,15% 4,55% 24,24% Não Manobras com Cordas Montanhismo Orientação Canoagem Escalada

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contexto escolar”, sendo que 87% dos docentes nesse estudo afirmam que não utilizam este tipo de atividades nas suas aulas.

Por outro lado, podemos constatar que a AEN mais incluída nas aulas de EF é a modalidade de orientação com 65,15% das respostas. A orientação e/ou corrida de orientação tem vindo a sofrer grandes investimentos no últimos anos pela Federação Portuguesa de Orientação através da promoção de diversas ações de formação, e da elaboração de cadernos didáticos com o objetivo de fornecer informações específicas aos professores sobre a modalidade, promovendo assim a divulgação da mesma. Esta modalidade não necessita de muito material para a sua realização, um simples mapa da escola poderá servir os seus objetivos, os professores têm assim facilidade, em termos de recursos materiais, para a sua lecionação.

A segunda atividade mais lecionada pelos professores é a escalada (24,24%). Segundo Pereira (2007) “os ambientes artificiais surgem na tentativa de eliminar os riscos e os perigos existentes nessa prática; entretanto, ao eliminá-los, não eliminam o sentido da aventura intrínseco à atividade”. O número de locais para a realização desta atividade indoor têm vindo a aumentar na última década, onde são criados ginásios para a sua prática, sendo que nem todas as escolas possuem paredes de escalada e o material necessário para a mesma, portanto acreditamos que a amostra não abrange o número de inquiridos suficientes para afirmarmos que a escalada será a segunda AEN mais lecionada dentro nas aulas de EF.

As AEN menos incluídas nas aulas de EF são o montanhismo (3,03%), a canoagem (4,55%) e as manobras com cordas (6,06%). Tanto o montanhismo como a canoagem exigem um meio envolvente específico para a prática da modalidade, neste caso a montanha e o rio/mar, respetivamente, o que poderá justificar o facto de serem as duas AEN menos incluídas pelos inquiridos nas suas aulas de EF, uma vez que exigem uma logística mais trabalhada que as restantes modalidades. As manobras com cordas estão relacionadas com atividades que exigem competências técnicas avançadas, envolvendo o risco e a segurança dos participantes, o que requer formação específica e especializada, podendo assim influenciar a sua realização nas aulas de EF.

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O gráfico 6 apresenta os resultados relativos à questão: “Possui alguma formação específica ou realizou algum tipo de ação de formação em modalidades/atividades de exploração da natureza?”

Ao analisar o gráfico 6 podemos constatar que 15,15% dos inquiridos afirmam não possuir qualquer formação específica relativa às AEN. Num estudo de Auricchio (2013), com profissionais da área do desporto de natureza, verificou que 13 dos 14 profissionais afirmaram que formações específicas neste tipo de atividades são importantes para a sua formação profissional, uma vez que algumas atividades envolvem riscos (controlados), identificando os cursos específicos para cada atividades como os mais importantes a realizar.

“Na arte de ensinar com métodos e técnicas de ensino é necessário apropriar-se dos saberes que ultrapassem a mera aquisição de informações, uma vez que abrangem a formação humana e social do indivíduo. Através dos saberes, das práticas, métodos e princípios da educação podem exercer a prática de educar e ensinar pela aventura e ainda, direcionar no caminho da aprendizagem a busca do conhecimento.”

(Santos, et al., 2014) 15,15% 3,03% 6,06% 30,30% 15,15% 6,06% 54,55% 21,21% 36,36% 4,55% Nenhuma Curso Monitor / Treinador em Federações Curso Monitor em empresas de Desporto

Aventura

Unidades Curriculares na sua formação inicial Manobras com cordas Montanhismo Orientação Canoagem Escalada Outro(s)

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No que diz respeito à formação específica nas AEN realizada pelos inquiridos, constatámos que a modalidade de orientação apresenta 54,55% das respostas atribuídas pelos professores, seguidamente a escalada com 36,36%, e por fim as unidades curriculares na formação inicial do docente com 30,3%.

Como constatámos anteriormente, na questão sobre a inclusão de AEN nas aulas de EF, as modalidades mas frequentes foram a orientação e a escalada, o que se verifica aqui novamente, uma vez que os professores realizaram um maior número de ações de formação nestas modalidades.

De referir que apenas 30,3% dos inquiridos realizou ações de formação específicas nas AEN nas unidades curriculares da sua formação inicial, o que significa que mais de metade dos professores não teve na sua formação inicial este tipo de atividades. Isto é preocupante uma vez que nem todas as instituições responsáveis pela formação inicial dos professores incluem as AEN nos seus programas, sendo o professor de EF o maior interveniente nos deportos e atividades físicas na escola, este deve ter as competências necessárias para lecionar as mesmas.

Os cursos de monitores/treinadores em federações desportivas (3,03%), cursos de monitores em empresas de desporto aventura (6,06%) e a modalidade de montanhismo (6,06%), foram os menos selecionados pelos professores, sendo este tipo de formações específicas as menos realizadas.

As federações desportivas têm um papel muito importante no desenvolvimento das modalidades, como se pode verificar pelo sucesso da orientação já referido anteriormente. Estas entidades promovem e dirigem, a nível nacional, as modalidades que representam, porém a sua relação com o contexto escolar não vai muito além do desporto escolar. Compreendemos que as federações desportivas poderão desempenhar um papel importante na formação de professores de EF, especialmente nas AEN uma vez que os cursos de treinadores desportivos já existem para diversas modalidades (orientação, canoagem, escalada, entre outras).

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No gráfico X, podemos observar os resultados obtidos à questão: “A escola onde leciona tem infraestruturas e materiais disponíveis para a realização de atividades de exploração da natureza?”

Gráfico 7. Recursos materiais de AEN nas escolas

Podemos assim constatar que 52% das escolas onde os inquiridos lecionam não possuem qualquer material ou infraestrutura para lecionar AEN. Como já referimos anteriormente, uma das possíveis justificações para a não realização destas atividades nas aulas de EF poderá ser o facto de as escolas não possuírem os materiais necessários para a prática destas modalidades desportivas.

Nas escolas onde existe material e/ou infraestruturas para a prática de AEN, constatámos que os materiais/infraestruturas mais frequentes foram relativos às modalidades de orientação (48,98%) e escalada (48,98%), como é possível verificar na tabela X.

Material/infraestrutura N % Escalada 22 44,90 Orientação 24 48,98 Btt 2 4,08 Canoagem 1 2,04 Total 49 100,00

Tabela 2. Materiais de AEN existentes nas escolas

Com menos frequência, podemos identificar materiais de canoagem, com apenas 2,04% das respostas, seguidamente verifica-se que 4,08% das escolas onde os inquiridos lecionam possuem bicicletas.

Podemos relacionar estes dados com os que obtivemos nas questões anteriores, que demonstraram que as modalidades de orientação e escalada são as mais incluídas nas aulas de EF e na formação dos professores, sendo também as que, em termos de materiais/infraestruturas, predominam nas escolas.

Sim 48% Não

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No gráfico 8, podemos observar os resultados obtidos à questão: “Indique qual o grau de importância que atribui às modalidades/atividades de exploração da Natureza no contexto escolar.”

Gráfico 8. Importância sobre as AEN

Quanto à importância atribuída pelos professores às AEN, podemos constatar que 4,55% atribuiu o valor de “indiferente”, 3,03% atribuiu o valor de “pouco importante”, 68,18% ao valor de “importante” e 24,24% foi atribuído o valor de “extremamente importante”. Nenhum dos inquiridos atribuiu o valor de “nenhuma importância” às AEN.

De salientar que mais de 92,42% dos inquiridos referem que as AEN são importantes/extremamente importantes no contexto escolar, porém 30,3% não as incluem nas suas aulas como já foi referido anteriormente.

No seguimento da questão anterior, foi solicitada uma justificação ao grau de importância atribuído à importância das AEN.

Dos professores que atribuíram o valor de “indiferente” às AEN, 66,6% justificaram com o facto de as escolas não possuírem o material necessário para a prática, e 33,3% referiram que não existe motivação e/ou competências para a lecionação das AEN.

"Não me sinto motivada nem com capacidade para abordar estas modalidades." "As escolas não estão preparadas para este tipo de atividades."

In document ER REG (sider 162-200)