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Follobanen

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4. Casestudie: Erfaringer fra store prosjekter

4.2 Follobanen

. As questões norteadoras da análise foram: Como o PROEP contribuiu para o desenvolvimento de uma política de educação profissional e tecnológica no Distrito Federal? Como a concepção de gestão escolar, idealizada nesse projeto e presente no contrato de empréstimo entre o governo brasileiro e o BID e no Manual de Planejamento Estratégico Escolar, se materializou na realidade escolar? Para entender o contexto público e privado, e perceber as concepções da comunidade escolar (estudantes de cursos básicos e gestores) sobre o espaço púbico, problematizamos: Como a implementação do PROEP contribuiu para o processo de privatização que vem se acentuando na educação profissional, desde o final dos anos 90? Como se dá a relação entre a cultura do público, amparada por determinações legais e por uma construção histórica, social e coletiva, e a cultura do privado, intensificada pelas concepções e

práticas estabelecidas pela gestão a partir do PROEP? Como as novas práticas empresariais propostas para garantir a autonomia financeira e administrativa, próprias de uma cultura do privado, de uma escola-empresa, se relacionaram e/ou conviveram com a cultura do público? Quais as percepções da comunidade escolar, estudantes dos cursos básicos, sobre o caráter público escolar que comercializa produtos e serviços?

O trabalho de campo foi desenvolvido em duas partes, sendo a primeira destinada à coleta de informações junto aos gestores da escola. Nesta etapa, realizamos todo o levantamento de dados relativos aos cursos básicos, quantidade de alunos, de cursos, horários e funcionamento da escola.

A segunda parte do trabalho de campo centrou-se na aplicação das entrevistas para coleta de dados sobre as percepções dos gestores e dos estudantes dos cursos básicos. Em relação aos gestores, o instrumento esteve direcionado para a busca de suas percepções acerca do caráter público da escola e sobre o contexto histórico vivenciado por estes, a partir da implementação do PROEP, bem como do papel exercido pela direção e pelo Caixa Escolar, nas atividades de auto- sustentação financeira da escola.

Para tal, foram entrevistados três gestores, os quais vivenciaram todo o período delimitado de 1999 a 2004. Os mesmos já se encontravam na escola no período anterior ao PROEP e permanecem no exercício de funções relacionadas às atividades de auto-sustentação financeira da escola, nos moldes proposto pelo programa.

Para análise de dados relativos à percepção dos estudantes dos cursos básicos sobre o caráter público da escola, definimos inicialmente uma amostra de 10% (dez por cento) dos alunos desses cursos. Como os concluintes dos cursos básicos oferecido no bimestre somavam 366, estabelecemos que esse seria o universo da amostra, uma vez que as entrevistas foram realizadas nos últimos vinte dias do curso, período em que o quadro de evasão já estava consumado. Para atender ao critério de entrevistar estudantes de todos os cursos, a amostra

1 1 acabou constituindo-se de 14,48% dos estudantes de todos os cursos básicos49 do bimestre novembro-dezembro de 2006. A distribuição entre os cursos foi definida a partir da disponibilidade dos alunos e da autorização do professor.

Embora tendo como instrumento de coleta de dados a entrevista, comecei a perceber que, para a maioria das perguntas, os alunos davam respostas muito pontuais que poderiam ser categorizadas de forma quantitativa. Além disso, alguns dados que constavam do cabeçalho da entrevista como escolaridade, idade, ocupação, já representavam importantes indicadores que não poderiam ser desprezados na análise, uma vez que, constituindo 14,48% do total do universo pesquisado, diziam muito da realidade dos cursos básicos, tanto em termos qualitativos quanto quantitativos. A análise desses dados nos forneceu elementos novos e nos revelou de forma explícita algumas categorias que estavam implícitas na pesquisa, mas que não se consolidavam completamente ou por insegurança ou por falta de experiência e conhecimento do campo de nossa parte.

A análise do conjunto de informações oferecidas por essas 53 entrevistas foi feita com base nos fundamentos da análise de conteúdo, definida por BARDIN (1977:38) como “um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens”.

Os procedimentos de análise tiveram início com a elaboração de uma tabela contendo as principais categorias, tanto as que de antemão foram lançadas pela entrevista como as que surgiram no decorrer do trabalho de campo. O objetivo desta tabela foi o de quantificar as informações para confirmar, ou não, alguns elementos da posterior análise qualitativa das mesmas, fortalecendo e enriquecendo a análise.

49 O Planejamento Estratégico Escolar apresenta uma relação com 22 cursos de nível básico que são

ofertados pela escola. Segundo informações da gestão escolar, a cada bimestre a oferta de cursos básicos pode ser alterada de acordo com a disponibilidade da escola e procura por parte da comunidade. No bimestre em que a pesquisa foi realizada, ocorriam 15 cursos: Cabeleireiro, Costureiro Industrial Básico, Manicura /Pedicura/Depiladora, Eletricista de Auto, Eletricista Residencial, Impressor Serígrafo, Operador de Micro Básico, Operador de Micro Avançado, Costureiro de Peça Intima, Auxiliar de Montagem e Configuração de Micro, Web Designer, Redes, Legislação Trabalhista, Mecânico de Automóveis e Salgadeiro.

Esta tabela funcionou como descrição inicial e sistematização dos dados, ponto de partida da

análise e ao mesmo tempo um instrumento de busca50 de cada categoria levantada nas 53 entrevistas. Na medida em que fomos procedendo à análise dos dados quantitativos a partir deste quadro, começamos a relacioná-los com os dados referentes às percepções dos alunos que nos interessava observar. Em seguida, buscamos extrair das entrevistas novas categorias, além das que serviram de referência para a constituição do primeiro quadro. Ou seja, esse primeiro instrumento se mostrava limitado para aprofundar a análise de forma vertical.

Então, levantamos a partir dos dados, categorias que nos permitissem sistematizar a análise qualitativa e ao mesmo tempo facilitar o acesso às informações mais significativas e que melhor expressassem as concepções relativas ao caráter público da escola, de forma a desvelar suas principais contradições, coincidências e singularidades.

O espaço social pesquisado foi desdobrado em duas dimensões: uma horizontal, abrangendo estrato social, funções e categorias conhecidas como sexo, idade, atividade ocupacional, renda, religião e assim por diante. Tais elementos estão presentes no primeiro quadro de análise. A segunda dimensão, ou a dimensão vertical do esquema, seria a que se constituiu da variedade desconhecida digna de ser investigada, a dimensão das representações e percepções que são as relações dos sujeitos com o objeto no meio social. Nesta dimensão, a análise exige a tipificação das representações no ambiente social em questão. (BAUER e GASKEL, 2002).

A mesma questão é tratada por Bardin na sua abordagem e definição das etapas de uma análise de conteúdo, quando define as condições de produção ou das variáveis inferidas. Os dois termos se referem à “a articulação entre a superfície dos textos, descrita e analisada, e os fatores que determinaram estas características deduzidas logicamente [...] falar-se-á de um plano

50 Este termo tem origem na terminologia arquivística e relaciona-se com o processo de recuperação da informação do documento por inteiro ou de informações contidas em determinado documento. Embora este termo por si só seja insuficiente para definir o quadro elaborado, nos pareceu bastante pertinente seu uso aqui, pois de fato, este quadro nos permitiu resgatar as informações que julgamos relevantes para atender os objetivos da pesquisa. Ver dicionário de terminologia arquivística: (BELOTO e CAMARGO, 1996)

1 1 sincrônico ou plano horizontal, para designar o texto e sua análise descritiva e de um plano diacrônico ou plano vertical, que reenvia para as variáveis inferidas” (BARDIN, 1977: 41).

Embora o primeiro quadro apresente os principais elementos dessa segunda dimensão, é no segundo quadro, que de fato a tipificação das categorias fez-se possível e necessária.

A partir de então, o trabalho de análise exigia a construção de novos instrumentos que nos permitissem entrar na segunda dimensão da análise dos dados, bem como buscar ou recuperar as informações de forma mais ágil e mais eficiente. Desde o primeiro quadro, os dados apresentavam vários dos elementos de categorização da segunda dimensão, como as informações relativas ao número de alunos que definiram a escola como pública, não-pública ou mista. Assim, foi possível também relacionar, através desse quadro, novas categorias advindas do campo de estudo, como a categoria “mista”. Fazia-se necessário, então, o levantamento tanto dos elementos em comum, que se repetiam em várias das entrevistas, quanto dos seus elementos mais particularizados das concepções individuais dos sujeitos, a fim correlacioná-los.

Buscamos correlacionar as categorias que surgem do ambiente social, definido a princípio e, de um novo ambiente que se realiza a partir das políticas da reforma do ensino profissional e de programas como o PROEP. Do espaço público, como era entendido até a reforma do Estado, do não-público e do “misto” como surgiu na pesquisa de campo.

O principal interesse dos pesquisadores qualitativos é na tipificação da variedade de representações das pessoas no seu mundo vivencial. [..] O pesquisador qualitativo quer entender diferentes ambientes sociais no espaço social, tipificando estratos sociais e funções, ou combinações deles, juntamente com representações específicas.[...] Existem ambientes sociais velhos e novos que estão emergindo em uma sociedade dinâmica. Isso exige uma imaginação sociológica e um conhecimento histórico pra se reconhecer novos ambientes sociais, e para identificar os ambientes tradicionais que produzem diferenças com respeito à representação de um novo problema na sociedade (BAUER e GASKELL, 2002: 5).

Este segundo instrumento de busca e de categorização foi dividido em sete quadros. Esses quadros foram constituídos para sistematizar as principais tipificações surgidas a partir das respostas dadas às principais questões da entrevista. Cada um deles foi intitulado pela pergunta

que o originou51. O primeiro quadro sistematizou as categorias a partir das respostas às duas primeiras perguntas: Por que você procurou um curso básico nesta escola? e Que mudanças profissionais esse curso vai trazer para a sua vida? Os alunos foram agrupados por expectativas em comum.

O segundo quadro, permitiu a sistematização das categorias relacionadas às respostas dos alunos que expressaram opiniões de aprovação à cobrança da “taxa única”, quando questionados sobre: Por que a escola faz cobrança de taxa? O que você pensa sobre isso?O quadro 2.1, baseado na mesma pergunta, sistematizou as respostas que expressaram discordância com a cobrança da taxa. O quadro 3 sistematizou todas as categorias surgidas das respostas relacionadas à questão: O que você pensa sobre a escola cobrar pelos produtos e serviços que são oferecidos à comunidade?

O quarto quadro sistematizou as categorias levantadas das respostas que consideraram a escola como sendo púbica a partir da seguinte pergunta: Para você essa escola é pública? Por quê? O quadro 4.1 sistematizou as categorias das respostas que não consideraram a escola como sendo pública, e o quadro 4.2 sistematizou as respostas e reflexões dos que consideraram a escola como tendo características de uma escola pública e de uma escola não-pública. Desta forma, a análise buscou explicar cada um desses quadros, bem como a correlação entre eles, a partir da contextualização do ambiente pesquisado, à luz do referencial teórico definido.

As inferências se fundamentaram no contexto, no material colhido, no referencial teórico e nas fontes documentais relacionadas. A análise de conteúdo não pode ser definida apenas pela aplicação de um conjunto de técnicas que permitem a descrição dos conteúdos. A descrição se dá como meio e não como fim da análise. Os saberes deduzidos revelam as finalidades implícitas ou explícitas da análise de conteúdo. A inferência pode ser definida como uma “operação lógica, pela qual se admite uma proposição em virtude da sua ligação com outras proposições já aceitas como verdadeiras” (BARDIN,1977: 38).

1 1 Ainda segundo o mesmo autor, a análise de conteúdo tem por finalidade a inferência, que é o processo intermediário entre a descrição e a interpretação dos dados.

[...] a intenção da análise de conteúdo é a inferência e conhecimentos relativos às condições de produção (ou eventualmente, de recepção), inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não).[...] Tal como um detetive, o analista trabalha com índices, cuidadosamente postos em evidência por procedimentos mais ou menos complexos. Se a descrição (a enumeração das característica do texto, resumida, após tratamento) é a primeira etapa necessária e a interpretação (a significação concedida a estas características) a última fase, a inferência, é o processo intermediário, que vem permitir a passagem, explícita e controlada de uma à outra [...] (BARDIN,1977: 38).

A partir destas questões, levantamos as principais categorias que sugiram nas falas dos entrevistados para justificar o caráter público da escola, bem como suas atividades de auto- sustentação financeira e, ao mesmo tempo, mapeamos o endereço das entrevistas em que as categorias se encontravam. A análise das entrevistas com os gestores foi feita conjuntamente às entrevistas dos alunos. Ainda assim, mereceu um tópico à parte para tratar de um questionamento específico relacionado ao Caixa Escolar que se originou da pergunta: Qual a entidade escolar que recebe e administra os recursos da escola?

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