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In document STORTINGSFORHANDLINGER HOVEDREGISTER (sider 162-200)

No âmbito da implementação do projeto de intervenção pedagógica supervisionada, (cf. anexo nº 5), foram concretizadas diversas atividades. Selecionei cinco diretamente relacionadas com o mesmo.

Comecei por apresentar um pequeno vídeo e uma série de diapositivos sobre a diversidade cultural. Foi uma iniciação à prática de observação de imagens e procurar encontrar nelas elementos que nos interessam sobre os temas filosóficos em estudo. Pretendia que os alunos identificassem elementos distintivos das diferentes culturas nos

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dois materiais apresentados. Depois do visionamento houve participação ativa dos alunos identificando esses elementos.

O projeto visa testar o alcance e o contributo do cinema, a sétima arte, e como fenómeno artístico, no ensino de filosofia. Neste sentido, incluímos uma atividade que não sendo estritamente cinema, e não estando programada, se podia incluir no estudo e servir como propedêutica para a análise da dimensão artística e imagética no ensino de filosofia. Refiro-me à visita às exposições patentes na Plataforma das Artes e da Criatividade “Provas de Contacto”, com obras do artista José de Guimarães e “Estrela Negra” com obras do artista Jaroslaw Fliciński.

A visita foi guiada pelo monitor do CIAJG, Dr. Raúl Pereira. No fim da visita, pedi uma reflexão individual para partilhar na aula seguinte sobre as impressões das exposições e a possível relação com os conteúdos que estávamos a lecionar.

A aula subsequente foi dedicada a esta análise e partilha. Os alunos contribuíram de forma muito positiva e revelaram boa capacidade de “ver” nas exposições os conteúdos filosóficos em lecionação, como refiro atrás.

Esta atividade não estava programada, constituindo uma alteração ao previsto, mas resultou muito enriquecedora e eficaz para os objetivos do projeto.

Neste, estavam previstos, ainda que de forma exemplificativa, a visualização de dois filmes, aconselhados no manual adotado. Para o tema “valores e cultura – a diversidade e o diálogo de culturas” era sugerido o filme “Colisão” de Paul Haggis, 2005. Para o tema “Dimensão da ação humana e dos valores” era apresentado o filme “Manobra Perigosa” de Roger Michel, 2002.

Por razões de pertinência e atualidade, decidi escolher, para o tema “valores e cultura – a diversidade e o diálogo de culturas”, o filme “A Gaiola Dourada” de Ruben Alves, em vez do indicado no manual. Dado que o visionamento do filme completo, em sala de aula, era inviável por razões de tempo, decidi analisar o trailer, uma vez que é um resumo de cenas marcantes do filme. Esta foi a terceira atividade no âmbito do projeto. Pretendia que os alunos identificassem nas cenas do trailer os conteúdos filosóficos que lecionamos: “a diversidade e o diálogo de culturas”.

Para uma quarta atividade, em que o tema a lecionar era a “Dimensão ético- política. A necessidade de fundamentação da moral” segui o conselho do manual, selecionei um excerto do filme “Ensaio sobre a cegueira” de Fernando Meireles, abordando o tema da ética kantiana e do utilitarismo. O intuito era que os alunos vissem no

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excerto a concretização dos conteúdos: “a necessidade de fundamentação da moral. Ética kantiana e ética utilitarista”.

A quinta atividade, no âmbito do tema seguinte de lecionação, “Dimensão ético- política. Ética, direito e política”, utilizei outro excerto do mesmo filme, pois julguei ser mais eficaz visualizar excertos, quer por falta de tempo para ver o filme completo, quer por dispersar a atenção dos alunos pelo filme inteiro, perdendo-se ou reduzindo-se a pertinência e especificidade de determinadas cenas muito elucidativas para os temas filosóficos em estudo. Neste excerto, pretendia que se analisassem as cenas no sentido de descobrir a presença ou ausência da “política, do direito e da ética” na vida em sociedade, sendo os conteúdos filosóficos em estudo.

A concretização do projeto tinha de ser avaliada, a fim de termos um meio de aferição se as estratégias planeadas davam os resultados esperados. Esta avaliação foi sendo feita em diálogo vertical e horizontal com os alunos. Não obstante, era necessário haver elementos físicos que registassem o resultado das estratégias no ensino dos conteúdos programáticos.

Estes instrumentos foram concebidos como pequenos questionários, com cinco perguntas sobre as peças visionadas e o seu contributo para o ensino/aprendizagem dos conteúdos do programa, (cf. anexos nº 2,3,4).

Todos os alunos responderam aos questionários e em tempo breve, especificamente concedido para esse fim, 10 minutos.

A qualidade das respostas deixa perceber claramente que a grande maioria, mesmo quase a totalidade dos alunos alcançaram o objetivo. A partir das peças cinematográficas chegaram aos conteúdos, encontrando e identificando cada tema/conteúdo programático na peça em análise.

O progresso dos alunos e o grau a que cada um chegou no decurso das ações desta investigação estão refletidos nas respostas aos questionários. São respostas corretas, incisivas e diretas.

O primeiro questionário lançado, sobre o trailer de “A Gaiola dourada”, (cf. anexo nº 2), tinha como primeira questão: Que cenas marcantes, no trailer do filme, caraterizam as duas culturas?

As respostas foram bastante variadas. A cena mais mencionada (12 alunos) foi a das portuguesas idosas que estavam na igreja a falar da vida alheia, isto é, a bisbilhotar sobre o possível regresso da família Ribeiro a Portugal.

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Outras cenas muito referidas (10 alunos) foram as dos trabalhados desenvolvidos pelos portugueses: trabalhos duros na construção civil para os homens e trabalhos domésticos para as mulheres.

A cena do jantar entre as famílias francesa e portuguesa por ocasião do noivado entre o filho do casal francês e a filha do casal português recolheu preferências de oito alunos.

Seis alunos referiram a cena em que o patrão francês fala com um empregado, no seu escritório, na empresa, sobre a possibilidade do encarregado de obras, José, regressar a Portugal.

Quatro alunos referiram como cena mais marcante a que mostra a família portuguesa no carro, tendo este a bandeira portuguesa no para-brisas.

Outros tantos alunos referiram a reunião de vizinhos franceses, moradores no prédio onde a portuguesa é porteira.

Outras cenas também referidas por dois alunos nas respostas a esta questão foram aquelas em que aparece retratado o amor entre a rapariga portuguesa e o rapaz francês.

A cena em que as idosas francesas surgem discretas e sem interesse em falar do assunto da partida da família Ribeiro por contraposição à bisbilhotice das portuguesas foi referida por dois alunos como uma cena marcante na peça para caracterizar as duas culturas.

Também foi referida, por um aluno, a cena em que se evidenciam os tempos de lazer da família francesa: pintura, leitura, etc.

A reação dos pais franceses quando sabem que o filho está apaixonado pela rapariga portuguesa também foi referida por um aluno como cena marcante caraterizadora das duas culturas.

Como as respostas evidenciam, os alunos tiveram, na sua maioria, a perspicácia de identificarem com sagacidade os apontamentos que caraterizam as duas culturas.

A segunda questão pedia ao aluno: Indique as formas (em que imagens, cenas) utilizadas pelo realizador para mostrar a relação entre as duas culturas.

As imagens referentes ao jantar são referidas por sete alunos como a forma utilizada pelo realizador para mostrar a relação entre as duas culturas. Na verdade, é nesse encontro que mais objetivamente as duas culturas se comparam sendo abordadas, durante o jantar, as diferenças e tipicidades da cozinha portuguesa e também a história de Portugal.

Seis alunos referem que é a reunião dos moradores do prédio, onde debatem a partida do casal português, que melhor traduz a (boa) relação entre as duas culturas.

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A passagem em que o patrão fala com um empregado sobre a possibilidade de José regressar a Portugal foi citada por quatro alunos.

O amor entre o jovem casal, ele francês e ela portuguesa foi escolhido por dois alunos, assim como a relação entre as duas famílias das duas culturas, francesa e portuguesa. A imagem com a bandeira portuguesa aposta no para-brisas também foi referida por dois alunos como a imagem mais relevante para evidenciar a relação entre as duas culturas.

O trabalho pesado na construção civil e as cenas que mostram os diálogos entre as pessoas portuguesas e francesas foram escolhidas, cada uma, por um aluno como as cenas mais relevantes para dar a conhecer a relação entre as duas culturas. As cenas que retratam a vida quotidiana com os hábitos e costumes de uma e outra cultura também foram indicadas por um aluno.

As escolhas que os alunos fizeram na resposta a esta questão demonstram que entenderam bem que o que estava em análise era a relação entre as duas culturas, salientando-se as suas diferenças e, apesar delas, o bom entendimento, interdependência e necessidade uns dos outros.

A terceira questão colocada indagava: Que tipo de relacionamento existe entre os dois grupos culturais (português e francês)?

As respostas dos alunos foram diversificadas mas unânimes em afirmar que o relacionamento entre as duas culturas era bom. Caraterizaram-no como sendo positivo e estável. A relação entre portugueses emigrantes e os franceses residentes locais foi vista como sendo de confiança, de aceitação, de integração e acolhimento e até de reconhecimento, revelando existir entre as pessoas de ambas as culturas, simpatia, amizade, gratidão e dependência.

Os alunos utilizaram variados mais assertivos adjetivos para caraterizar o relacionamento entre as duas culturas. Demonstra que estiveram muito atentos à passagem fílmica e captaram a mensagem.

A quarta pergunta do questionário ia de encontro aos conteúdos programáticos e procurava testar se os alunos os conseguiram identificar e aplicar na peça cinematográfica: Haverá integração ou segregação da comunidade emigrante? Porquê?

A turma foi unânime em afirma que existe integração da comunidade emigrante. Para a fundamentação, cada um utilizou a qualificação que considerou mais adequada e pertinente. Referiram que havia desde, acolhimento, aceitação, respeito, convivência, amizade e até carinho e cumplicidade.

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Outros afirmaram que a evidência da integração era o bom relacionamento sem exclusão de ninguém, Outros ainda referiram que a integração estava bem patente quando houve uma grande preocupação mútua quando se aventou a hipótese de a família portuguesa regressar a Portugal.

As respostas mostram como, a partir deste filme, foi possível refletir filosoficamente, tocando temas importantes e que fazem parte do programa de filosofia do décimo ano, como são a relação intercultural, a integração, a segregação, o racismo, a xenofobia, etc.

A quinta pergunta incidia ainda mais diretamente sobre os conteúdos do programa: O filme retrata uma relação de etnocentrismo, multiculturalismo ou interculturalismo? Que passagens do filme evidenciam a sua escolha?

A maioria dos alunos respondeu que o filme retrata uma relação de interculturalismo entre as duas culturas. As cenas que alguns citam para ilustrar a sua opção passam pela tentativa de uma francesa aprender a falar português e a senhora portuguesa, Maria, fazer um menu que agradasse aos franceses.

Outros referem que o interculturalismo se vê claramente no diálogo e no ambiente que é estabelecido entre ambos os grupos. Outros acentuam que as pessoas pertencentes a ambos os grupos não relevam as diferenças, antes as valorizam e aproveitam para aumentar a relação. Além disso, sublinham as coisas comuns e criam uma certa interdependência.

Para outros, o interculturalismo está patente no amor que une dois dos seus membros, na atitude de não colocar ninguém de parte e no facto de ambos os grupos culturais partilharem as mesmas coisas.

Quatro alunos referiram que, na sua opinião, o filme retrata uma relação de multiculturalismo. Argumentam que tal se verifica na relação demonstrada entre o patrão e um empregado quando conversam sobre a possível partida de José e também durante o jantar. A resposta deles tem sentido, na medida em que a relação e todo o contexto da conversa entre o patrão e um empregado demonstra, de facto, bastante distanciamento e separação, como que sendo dois grupos distintos que nada os une a não ser uma relação de trabalho, em que o patrão se encontra num plano superior e distinto do dos trabalhadores e o diálogo mostra também essa separação, aparentando tratar-se de dois grupos que nada têm em comum. O jantar, visto em si mesmo e isolado dos motivos do mesmo – o noivado entre o jovem francês e a rapariga portuguesa – tem, ao mesmo tempo, momentos de confraternização e entrelaçamento dos grupos mas também laivos de alguma separação e distanciamento.

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As respostas, apesar da sua diferença que também é salutar e evidencia a capacidade de observação e reflexão dos alunos, mostram bem como foi possível identificar, num filme atual e sem pretensões filosóficas evidentes, motivos para uma reflexão filosófica sobre os temas em lecionação, o etnocentrismo, o multiculturalismo e o interculturalismo.

O segundo questionário incidiu na análise do excerto do filme “Ensaio sobre a cegueira”, dos minutos 64´ a 68´, (cf. anexo nº 3). A primeira pergunta era a seguinte: Qual o problema ético presente no excerto do filme?

As respostas dos alunos foram claras na identificação do problema ético, embora o tenham feito com diferentes formulações. Alguns alunos colocaram a questão da seguinte forma: Será correto trocar a dignidade por comida? Uma aluna escreveu: “será correto perder a dignidade para se alimentarem e alimentarem os outros ou será mais correto abdicarem da comida e morrerem as mulheres, os seus maridos e filhos à fome?”.

Outras colocaram o problema se a prostituição é correta para se obter comida. Uma aluna escreveu: “Será que é eticamente correto a mulher prostituir-se em troca de comida, ou seja em troca da vida, não só dela como de quem a rodeia?”

Duas outras alunas disseram: “Deve fazer-se tudo para obter comida?”.

O problema ético que conduzirá à reflexão sobre as teorias éticas e morais que incorporam o programa, foi identificado com clareza e perspicácia. O tema é muito dilacerante. Mais ainda nesta turma que é constituída por dezoito meninas e dois rapazes.

Em segundo lugar questionava-se: A decisão tomada pelo grupo de mulheres poderá enquadrar-se em alguma teoria ética que estudou? Exponha as razões da sua opção.

Todos os alunos responderam que a decisão se enquadra na teoria utilitarista. As razões que aduziram também foram de encontro aos mesmos fundamentos, embora com formulações diferentes.

Alguns afirmaram que as mulheres olharam ao bem comum e às preferências de maior número de pessoas. Outros disseram que elas tiveram em conta a felicidade da maioria, tal como preconiza o utilitarismo.

Alguns referiram claramente que a teoria presente era o utilitarismo porque o valor da ação dependia das consequências e não do conteúdo ou da intenção e, no caso, as consequências seriam um bem maior para a maior parte do grupo, muito embora uma minoria se tivesse de sacrificar para a felicidade de todo o grupo.

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As respostas dadas pelos alunos permitem-nos concluir que todos alcançaram o objetivo de perceber e saber aplicar a um caso concreto e não estereotipado nem clássico, a um exemplo que não vem nos manuais, a teoria utilitarista.

A terceira questão colocada foi: Concorda com a decisão tomada pelas mulheres? Porquê?

Os alunos responderam favoravelmente. Todos concordaram com a atitude das mulheres embora com as reticências próprias de um ato a que foram obrigadas por razões de sobrevivência, sendo um caso de vida ou de morte, como muitos referiram. De facto, se não tomassem aquela decisão, morreriam elas e todos os do seu grupo, incluindo os seus filhos, crianças, como referiram.

Uma aluna concluiu que “a morte é pior do que qualquer outra situação”. Outra aluna escreveu que “a vida é uma potência com uma prioridade muito mais elevada do que a dignidade”.

Esta questão pretendia abrir um pouco o tema à opinião pessoal sobre a ação tomada pelas mulheres e permitir uma reflexão sobre a moralidade do ato nas circunstâncias concretas, estando em confronto valores importantes como a dignidade da mulher e a sobrevivência. Foi muito positiva a participação dos alunos, com algumas respostas muito inteligentes e reveladoras de grande capacidade de reflexão.

A quarta questão surge no seguimento da anterior e aproveita uma expressão de um personagem: Concorda com a expressão de um personagem “a dignidade não tem preço”? Explique porque razão.

As respostas foram também praticamente todas no mesmo sentido embora com variantes nas explicações. A grande maioria disse que não concordava com a afirmação. Na fundamentação indicou uma aluna: “não podemos sobrepor a dignidade à necessidade humana de alimento para sobreviver”. Esta frase traduz o pensamento de muitos que utilizaram outras expressões como: “é melhor pôr de parte a dignidade do que morrer”, e “mais vale perder a dignidade e ganhar a vida”, e ainda, “para quê ter dignidade se não podes viver?”.

Uma aluna referiu que concordava, à partida, com a expressão, só que “há situações que são casos extremos…” e concluiu dizendo que “as mulheres não tiveram praticamente escolha”.

As respostas mostram o pensamento lúcido e escorreito e a reflexão assertiva de quase todos os alunos desta turma.

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A quinta e última questão indagava: No caso do excerto do filme, justificou-se “perder a dignidade”? Porquê?

A continuação das questões anteriores teve respostas na mesma linha de pensamento, por parte dos alunos. Todos disseram que se justificou perder a dignidade porque foi para sobreviver, foi para manter a vida, foi o último recurso. Uma aluna respondeu com a toda a propriedade: “Sim, justificou-se, pois fizeram-no de uma forma altruísta e a pensar não só nos seus motivos mas também nos dos outros e acho que assim sendo, nem se justifica chamar-se ‘perder a dignidade’, pois o que elas fizeram mostrou uma enorme coragem e solidariedade”.

A resposta desta aluna resume e encerra todas as outras e evidencia o alto nível a que alguns (algumas) chegaram na reflexão.

O terceiro questionário foi apresentado depois do visionamento e análise do excerto do filme “Ensaio sobre a cegueira”, minutos 51,30’ a 60’, (cf. anexo nº 4). Neste excerto estava em análise a política, o direito e a ética.

A primeira questão era a seguinte: Como se organizou a sociedade dos cegos, naquele hospital?

Os alunos responderam que a organização foi feita por grupos que se auto constituíram, sendo que, depois, um dos grupos, o da camarata três, se impôs aos outros através de um dos seus elementos que, utilizando uma arma, se impôs pela força e pela violência. Uma aluna referiu que a organização era “deficiente pois gerava desigualdade e descriminação”. Outra aluna disse que a sociedade se organizou através de “um grupo que se impôs à força, autoelegendo-se como governo daquela sociedade”.

As respostas revelam que a grande parte dos alunos percebeu o alcance da pergunta e referiu o modelo de organização, chegando a estabelecer mesmo juízos de valor sobre o modelo. Três alunos ficaram pela resposta simplista de que a sociedade se organizou “em camaratas”.

A segunda pergunta era: De que forma foi tomado e mantido o poder?

As repostas foram claras. Umas mais objetivas e pragmáticas “com uma arma de fogo”. Outras foram mais adiante e concluíram que o poder foi “tomado pela força e mantido pela violência”.

O objetivo da pergunta era tomarem consciência da forma que esteve na origem da obtenção do poder que permitiu aquela organização e gestão de interesses do grupo dos cegos.

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A terceira pergunta pedia uma avaliação sobre as regras e princípios que regiam a sociedade dos cegos: As regras estabelecidas são corretas? Em que princípios assentam?

Todas as respostas recolheram a unanimidade. As regras não são corretas.

Os princípios em que assentam foram referidos diversos. Baseiam-se no princípio da desigualdade e da superioridade referiram uns. Baseiam-se no princípio do egoísmo, do desrespeito pela pessoa humana, da discriminação, da autoridade, da violência ou da injustiça, responderam outros.

Nas respostas a esta questão os alunos identificaram diversos princípios em que aquela organização se apoiava. Princípios contrários aos que seriam adequados a uma organização social justa. O objetivo foi alcançado.

A quarta questão perguntava: Quem exerce o poder fá-lo com justiça? E com respeito pela dignidade da pessoa humana?

As respostas foram também esclarecedoras. O poder não é exercido com justiça, responderam. Antes pelo contrário, existe muita injustiça e desrespeito pela dignidade da pessoa humana. Um aluno respondeu que os que detêm o poder “são autoritários e agem com violência contra a pessoa humana”.

Uma aluna disse que “distribuem mal a comida e exigem valores e favores sexuais das mulheres em troca dos alimentos quando deviam ser distribuídos equitativamente e de borla”. Outra aluna referiu que “não pensam no bem comum, mas nos interesses egoístas de um homem e de um grupo”. Outra respondeu que “quem manda maltrata as outras pessoas e trata-as com desigualdade”.

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