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3. LCC-ANALYSE

3.4 DEKOMMISJONERING

3.4.2 Flytende vindturbiner

Optamos por iniciar a entrevista com a coleta de dados de identificação pessoal (sexo; faixa etária; renda familiar; ocupação de pai e mãe; religião). Isto nos permitiu chegar à caracterização do grupo pesquisado. Esse constituiu-se de 12 alunos do Curso de Graduação em Enfermagem da instituição pesquisada, entre os quais 75% são mulheres e 25% homens (Gráfico 1).

A grande maioria reside em cidades do interior do Estado de São Paulo, com menos de 50.000 habitantes. Entretanto, 2 sujeitos são procedentes do Estado de Minas Gerais, de comunidades com menos de 1.000 habitantes.

Quanto ao estado civil, a maioria é solteira e apenas dois (2) são casados, um com dois filhos. Por sua vez, um dos pesquisados é pai solteiro e tem um (1) filho.

O grupo concentra-se, majoritariamente, na faixa etária entre 20 a 25 anos (58%) (Gráfico 2) .

Gráfico 1. Distribuição dos sujeitos, segundo sexo. Gráfico 2. Distribuição dos sujeitos, segundo faixa etária.

A renda familiar de 50% do grupo está entre um (1) e três (3) salários mínimos e 50% entre 4 e 7 salários mínimos (R$350,00 a R$1.050,00) (Gráfico 3).

Tendo em vista a baixa renda familiar do grupo, a grande maioria estuda mediante financiamentos e bolsas de estudos concedidos pelo Ministério da Educação, ou com descontos nas mensalidades ou financiamento completo do curso oferecido pelos Programas da Faculdade (o valor mensal do Curso de Enfermagem gira em torno de R$480,00). Alguns

6; 50% 6; 50% de 1 a 3 salários mínimos de 4 a 7 salários mínimos

buscam serviços temporários, como cuidadores de idosos ou trabalham durante as férias para ajudar na renda familiar, e apenas um dos sujeitos tem emprego fixo como guarda municipal.

Gráfico 3. Distribuição dos sujeitos, segundo a renda familiar.

Em relação à ocupação dos pais (Gráficos 4 e 5), a grande maioria das mães trabalha em casa (59%), 17% são auxiliares de serviço, uma é cabeleireira e uma é professora do Ensino Fundamental. Entre os pais, 28% são falecidos, 27% são motoristas, 18% trabalham na lavoura, um é cabeleireiro, um faz serviços gerais e um é aposentado da indústria metalúrgica. O que nos chama a atenção, é a baixa escolaridade dos pais, pois apenas uma das mães dos sujeitos tem formação universitária, ocupando a função de professora. Os filhos, alguns incentivados pelos pais, aspiram à formação superior, tendo em vista a ascensão social e econômica.

Gráfico 4. Distribuição dos sujeitos, segundo a ocupação das mães.

Gráfico 5. Distribuição dos sujeitos, segundo a ocupação dos pais. 7; 59% 2; 17% 1; 8% 1; 8% 1; 8% DO LAR AUXILIAR DE SERVIÇO CABELEIREIRA TÉCNICO DE ENFERMAGEM PROFESSORA ENSINO FUNDAMENTAL 3; 25% 4; 34% 2; 17% 1; 8% 1; 8% 1; 8% FALECIDOMOTORISTA LAVRADOR SERVIÇOS GERAIS CABELEIREIRO APOSENTADO

Gráfico 6. Distribuição dos sujeitos, segundo a religião.

Quanto à religião, conforme observamos no Gráfico 6, metade do grupo é católica e dois deles participam, anualmente, das encenações do teatro de rua, durante as festividades da Semana Santa e da Coroação de Nossa Senhora Aparecida, como atores ou organizadores.

Por outro lado, apesar de algumas igrejas evangélicas condenarem a participação em apresentações artísticas, três pesquisados pertencem a esta religião. Apenas um deles, que freqüenta as aulas de teatro e contribui com os bastidores nas montagens das peças, não assume papéis nas encenações, apesar de protagonizar algumas personagens durante os ensaios, quando necessário, ou seja, quando falta algum componente do grupo. Deixa claro que valoriza sua opção religiosa e prefere não contrariar os princípios de sua igreja. Mas, quando houve a necessidade de assumir um dos papéis, fê-lo com prazer e com o objetivo de ajudar o grupo. Gostou da experiência, e relata que só foi possível a participação por estar fora de sua cidade de origem e sem riscos de encontrar as pessoas de sua congregação. Seguro de sua escolha, esclarece que, caso isso ocorra, está determinado a abrir o jogo, ou seja, a contar que participa de um grupo de teatro. Quando questionado se já entrou em algum dilema por esse motivo, respondeu:

Não. É minha fé, minha crença. [...] se você vai fazer uma coisa que te acuse é pior [...] eu não acho entre aspas que eu estou pecando contra Deus coisa assim, se entendeu, então eu faço, e tipo assim, eu não corto o meu cabelo, é da doutrina da igreja e tem gente que corta, problema deles, é mais ou menos nesse sentido, eu não gosto [...] o teatro é a mesma coisa, eu vou e não me sinto culpada por causa disso, não to fazendo nada de errado, então eu vou. Se alguém falar alguma coisa eu vou abrir o jogo, porque eu não to fazendo nada de errado (E11).

6; 50% 3; 25% 1; 8% 2; 17% CATÓLICO EVANGÉLICO ESPÍRITA SEM RELIGIÃO

A contextualização do grupo estudado nos permite refletir sobre suas origens sociais. Ora, se os sujeitos pertencem às classes sociais menos favorecidas, fruto de uma sociedade pós-industrial e capitalista, possivelmente estão inseridos num processo de massificação cultural perpetrado pela indústria cultural. Este processo fundamenta seus interesses nos aspectos técnico-comerciais, em detrimento do desenvolvimento social e humano. Para Bertoni (2001), a cultura, nesse ambiente social industrializado, tem por alvo não o indivíduo ou a construção de sujeitos, mas exatamente a sua objetificação, para reificá-lo no processo de produção. Ideologicamente, neste contexto, tudo só tem valor na medida em que se pode trocá-lo, tudo é mercadoria, o homem é uma mercadoria, será igualmente mercadoria tudo o que produzir. Os valores degeneram-se e, conseqüentemente, a essência do que é verdadeiramente humano.

Enfim, ao nosso ver, trata-se de cidadãos impulsionados ideologicamente pela cultura do produzir e consumir de forma massificada, respaldados por valores equivocados que reprimem a sua originalidade e que corrompem a espiritualidade.

São estes os sujeitos de nossa pesquisa, que buscam, através do teatro, a emancipação, como nos propõe Adorno (2003).