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3. LCC-ANALYSE

3.3 FORNYELSE, DRIFT OG VEDLIKEHOLD (FDV)

3.3.3 Drift - og vedlikeholdsorganisasjon på land

A primeira atividade de teatro registrada e realizada por acadêmicos foi o Teatro Universitário (TU) de Jerusa Camões, em 1937, no Rio de Janeiro. A proposta desse teatro não tinha nenhuma obrigação de ordem estética ou de renovação. Só interessava o gosto, a paixão pela arte dramática. O objetivo era fazer teatro. Voltado para o prazer, frutificou, sobretudo, num clima de brincadeira e alegria. Viveu o que apregoava, a paixão pelo teatro. Era considerado estimulante e um disciplinador da inteligência juvenil, instrumento de apropriação cultural que, além de incentivar a organização do conhecimento, era indispensável no processo de formação do homem (BUCCI, 1994).

Criado em 1939 também no Rio de Janeiro, por Paschoal Carlos Magno, o Teatro do Estudante do Brasil (TEB) foi responsável pela disseminação e descentralização do teatro brasileiro. Os Festivais do Paschoal, de Teatro de estudantes, foram bem-sucedidos, colocando a arte como vital e o teatro como um virtual projeto de vida. Posteriormente em São Paulo, surge o Teatro Universitário da Faculdade de Ciências e Letras da USP, fundado e dirigido por Georges Readers, professor convidado para desenvolver atividades pedagógicas. Estruturou-se a partir da arregimentação de alunos e tinha como finalidade primeira difundir entre os estudantes dos cursos superiores o gosto pela literatura teatral e pelo teatro. Readers entendia, assim como nós entendemos e endossamos, que o teatro universitário não devia e nem deve ter caráter profissionalizante. Para ele, o desenvolvimento do temperamento artístico, além de favorecer desdobramento da percepção, fortalece o trabalho conjunto, posição da qual se deve compartilhar (BUCCI, 1994; BOAL, 2005).

Em São Paulo, o Grupo Universitário de Teatro (GUT) foi criado em 1943 por voluntários com interesse acadêmico, como Décio de Almeida Prado e Lourival Gomes Machado. Eles vislumbravam um centro permanente de interesse pela arte cênica e renovação do teatro, o que incentivou o aparecimento de dramaturgos. Foi considerado o embrião do Teatro Brasileiro de Comédia (LEVI, 1997; NANDI, 2004).

Em 1954, também em São Paulo, foi criado o Teatro Paulista do Estudante (TPE), posteriormente incorporado ao Teatro de Arena, tendo como inspiração o vazio que se constatava entre as lideranças políticas, a massa de estudantes e a conseqüente necessidade de mobilização dessa classe - organização estudantil (BOAL, 2005).

Dessa maneira, destacamos que o teatro sempre foi meio para atingir objetivos diversos, de acordo com as diversas épocas e os diversos interesses.

O Teatro do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC DA UNE) do Rio de Janeiro sobreviveu entre 1961 e 1964, buscou caminhos para a arte popular, com o propósito de chegar até as associações de classes, sindicatos, escolas, faculdades, etc. A proposta era a de criar uma companhia teatral diferente para o povo. O teatro devia servir à transformação da sociedade brasileira, mas só cumpriria essa função se conseguisse alcançar as camadas proletárias da população: um teatro didático, conscientizador, engajado na luta contra o imperialismo e o latifúndio. Por esta razão, o teatro devia ser dessacralizado e podia ser feito na sede de um sindicato, no auditório de uma faculdade, como na praça pública ou na favela, abordando as questões mais complexas da atualidade brasileira ou respondendo de imediato à repressão policial ao dar apoio a uma greve. Não havia interesse na expressão artística e sim no conteúdo e na forma de comunicação com o público. Caracterizou-se pelo estilo bombástico, com sátiras, de efeito imediato, como o “Auto do cassetete”, de autoria coletiva. A elaboração de uma peça quase simultânea ao fato deveria refletir o momento

histórico. Era necessário problematizar e levar imediatamente às ruas, as principais questões políticas, sociais, econômicas, acadêmicas, policiais, etc. A rapidez era vital (BOAL, 2005).

A possibilidade da experimentação colocava o indivíduo na condição de criador, revelando-lhe suas próprias qualidades, proporcionando novas visões, remetendo-o a outras dimensões. O Centro Popular de Cultura provocou a criação, o ato transformador.

Através da Comissão Estadual de Teatro (CET), em 1965, foi colocado em prática um Plano de Desenvolvimento do Teatro Paulista, com a realização do I Congresso Paulista de Teatro Universitário. Através desta política, surge também o Teatro dos Universitários da Universidade Católica (TUCA), iniciativa de maior êxito no teatro universitário, que encenou o texto de João Cabral de Melo Neto, “Morte e Vida Severina”. Essa montagem foi o divisor de águas para o teatro universitário na segunda metade dos anos 60, que provocou reações entusiásticas, com repercussão nacional e internacional. A representação do texto “Morte e Vida Severina” foi colocada em primeiro lugar no III Festival Mundial de Teatro Universitário de Nancy, na França (BUCCI, 1994; NANDI, 2004).

Segundo o autor, o processo de encenação do poema foi uma ilustração exemplar da viabilidade de um projeto interdisciplinar, que buscou estudar, compreender e fundamentar o perfil “Severino” ou a vida adjetivada “Severina”, através de pesquisas históricas, literárias, psicológicas, sociológicas, antropológicas, geográficas, etc. O processo de criação evidenciou, positivamente, as vantagens do trabalho coletivo, o rendimento quando a tarefa é assumida grupalmente. O processo evidenciou, ainda, os benefícios da divisão do trabalho e a riqueza da ação integrada e interdisciplinar. Em resumo, o TUCA provou que fazer teatro na universidade não significa apenas um apêndice lúdico, descontraído, do lazer interferindo no processo de formação do estudante. O TUCA exemplificou de forma significativa a possibilidade de o teatro ser um dos eixos de um projeto pedagógico.

Portanto, o teatro oferece dois indicadores que são básicos até hoje para os universitários: o trabalho de equipe e o exercício da criatividade, aspectos pouco valorizados e incentivados pela universidade.

Sucederam-se as experiências com o TEMA (Teatro Mackenzie) em 1966, o METAL (Teatro da Metalúrgica), o TEBA (Teatro da Balança), dos acadêmicos de direito do Mackenzie, o TESE (Teatro Sedes da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras), que estudavam o teatro grego, o TUSP (Teatro dos Universitários de São Paulo), teatro da Universidade de São Paulo, que surgiu em uma situação favorável, credenciado, aplaudido, promissor e que, por razões desconhecidas, foi desativado logo depois do primeiro trabalho (BUCCI, 1994; LEVI, 1997).

Em 1976, foi recriado e vinculado à Coordenadoria de Atividades Culturais (CODAC) da USP, que já abrigava o coral e a orquestra, com a finalidade de promover e divulgar a arte cênica. Observou-se, aí, uma proposta claramente pedagógica. A instituição cumpria um de seus papéis, que é aumentar e diversificar – através de óticas diferenciadas – a capacidade de o indivíduo entender e interpretar o mundo e suas relações. Com o desligamento de seu coordenador, Décio de Almeida Prado, o grupo esfriou, permanecendo apenas como uma casa de espetáculos.

No início dos anos 90, a comunidade uspiana não estava fazendo teatro. Em 1994, surgem os Festivais do TUSP que tenta incentivar mais uma vez as artes cênicas na Universidade (BUCCI, 1994).

O destaque aos grupos mencionados tem como propósito relatar que as aproximações entre teatro e academia são freqüentes. Analisando essa aproximação, é possível localizar elementos que podem ser apontados como facilitadores do crescimento da atividade teatral na universidade.

Foram grupos que expressaram o teatro feito pelos estudantes e que, com toda a certeza, projetaram os ganhos dessa prática nos teatros universitários que se seguiram, além, evidentemente, da importância que tiveram para a própria arte cênica.