5 Teori som fortelling: Narratologisk analyse av
5.7 Flere nyanser av tekstens ”jeg”
Para cada prática de violência uma atitude é tomada, levando em consideração o tipo de ocorrência e a gravidade do fato. Mas vale lembrar que a interpretação do que considerar como passível de sanção leva em consideração o
olhar de quem a está aplicando. Durante a explanação do item a seguir, esses olhares se fazem presente nas figuras de alunos, professores e equipe de direção.
No geral, que tipos de medidas são tomadas pela escola quando há casos de violência?
( ) promove-se um acordo entre as partes ( ) são aplicadas sanções disciplinares
( ) evita-se tomar medidas por temor de represálias ( ) são adotadas medidas preventivas
( )solicita-se a intervenção de representantes da polícia (Batalhão Escolar, DCA, etc.)
( ) dependendo do caso, o aluno é transferido. ( ) nenhuma das anteriores
Pergunta feita através de questionário à equipe de direção e professores, contou com a totalidade afirmando que é solicitada a intervenção de representantes da polícia (Batalhão Escolar, DCA, etc.) como medida tomada na ocorrência de casos de violência. Afirmação seguida da noção de que é preciso mais polícia e policias para o enfrentamento da violência que toma conta das escolas, deixando assim de ser tratada por vertentes pedagógicas e assumida como problema específico de segurança pública.
A questão levantada sobre as propostas surgidas para o tratamento da violência dentro das instituições escolares, centradas exclusivamente na ação policial, fica evidente na fala dos participantes. Um segundo dado, também presente em grande parte das respostas, atribui a aplicação de sanções disciplinares, seguido da possibilidade de transferência do aluno envolvido nos casos de violência dentro do ambiente escolar.
Nos grupos focais as falas foram melhor interpretadas, possibilitando por parte dos participantes uma exemplificação dos procedimentos adotados em algumas situações. Se nos questionários a presença da polícia era a primeira medida adotada, nos grupos percebeu-se uma abertura para o diálogo e acordo entre os envolvidos, ficando a intervenção policial em segundo plano. Tal confronto entre atitudes tomadas pode se dar novamente pela noção primeira de violência atribuída pelos respondentes do questionário, podendo suas práticas serem interpretadas unicamente como casos de polícia.
Os professores mostraram autonomia nas medidas utilizadas para amenizar os problemas encontrados em suas aulas, sendo a direção da escola acionada quando percebem que a conversa não traz mais resultados.
P1 - Conversa no caso de agressão verbal. No caso de agressão física eu trago pra direção porque pode acabar levando lá pra fora. Se percebo que na conversa resolveu a situação tudo bem, mas se percebo que querem levar pra frente o caso aí eu levo pra direção. P2 - Na sala de aula se acontece é mais fácil de parar a atividade e discutir sobre o caso, mas na aula prática não tem como, eles estão o tempo todo na ativa. Você tá no meio de uma atividade e acontece alguma coisa, ameniza na hora e volta pra atividade; aí depois no final da aula pára pra conversar por que aconteceu aquilo. Eu só trago na direção em ultimo caso.
ED - Na direção tem que seguir os procedimentos legais. Primeiro conversa, mas não deixa de registrar no livro preto, se o caso for complicado a gente já chama a família; já dá uma suspensão com tempo indeterminado, ou seja, se ele brigou de manhã e a mãe vem à tarde, está liberado e, caso não passem pra família, ele continua de suspensão, até porque a gente não sabe até que ponto vai essa briga; se vai ter revanche fora. Mas muitas vezes a gente resolve na conversa.
Mas se no questionário dos alunos não constava o item acerca das sanções disciplinares, suas idéias e opiniões se fizeram presentes nos grupos focais. E considerações devem ser feitas a respeito de como os alunos encaram o cumprimento das regras estabelecidas pela escola. Entende-se aqui por regras, os valores considerados comuns e conhecidos por todos, estabelecendo comportamentos esperados a cada momento e que se fazem presentes nas interações sociais.
A1 - Existe regras mas os alunos não cumprem. Se tem regras tem que ser para todos. Antes não podia vir de boné, só entrava com uniforme, não podia celular dentro de sala, só era autorizado sair no 2º e 5º horário. A regra ainda existe só não funciona mais.
A2 – Quando é briga, primeiro chama os pais; mas depende da briga. Teve uma que chamaram a polícia e o aluno só saiu quando a polícia chegou.
A3 - Quando é briga eles chamam logo o Batalhão, até conversa pra ver quem começou e porque bateu na outra, mas só depois que o batalhão chega. Tudo pra eles é assim, é Batalhão, DCA, é polícia... ENTREVISTADOR: E já teve algum caso desse aqui de ter que chamar o Batalhão?
A3 - Já, teve uma briga entre duas meninas e uma chamou outras quatro, e aí foi maior confusão, e as duas foram parar na DCA; mas a que foi expulsa foi a que estava sozinha. Por isso é que eu acho
que deve ser resolvido dentro da escola, só se for caso assim mais grave, de morte é que tem que chamar a polícia.
A4 - O que acontece lá na direção é que eles querem resolver tudo gritando, fica um monte de gente gritando, a gente tá errado, mas ficar gritando não vai ajudar a resolver, já tá todo mundo nervoso porque acabou de sair de uma briga.
Na interpretação dos alunos, as regras foram impostas pela escola no início do ano letivo, e já estabelecidas só funcionaram nesse curto período. Apesar de todos terem conhecimento de quais são essas regras, não existe o devido cumprimento por parte deles; mas se mostraram interessados em participar na elaboração das mesmas. Interessante observação se faz quando um trabalho em conjunto com os alunos, respeitando suas opiniões e idéias, é seguido; e esse cumprir ou não determinadas regras pode ser diferente se considerados os diferentes atores presentes nessa dinâmica. Outros argumentos consideraram a raridade com que acontecem discussões a respeito do assunto da violência e, quando acontecem, ou é por iniciativa do professor ou a partir de algum comentário feito pelo aluno.
A violência, enquanto fenômeno social e histórico, deveria ser objeto de estudo e reflexão na escola, porém constata-se na fala dos alunos que em casos de agressões físicas a reflexão cede lugar à repressão dada pela presença da polícia no seu interior, e à punição através da aplicação das sanções disciplinares. Como será discutido no próximo item, a realidade das escolas hoje acaba interferindo no fazer pedagógico, em especial no uso de sanções disciplinares, onde as figuras do professor e diretor perdem autoridade na resolução dos problemas, não restante outra alternativa a não ser o uso do aparato policial.