1. Bakgrunn
2.2 Konkurranse innen rovdyrsamfunnet
2.2.2 Fjellets rovdyrsamfunn: Struktur i tid og rom
Progratas educativos são inteligentes, belos e inúteis. Sotente os que já estão educados se interessat por eles. Quet não é educado, para ser engravidado, tet de ser seduzido.(...) Os sedutores sabet que a sedução se faz cot coisas tínitas. "Sertões e lógicas jatais convencet", dizia Whittan. "Só se convence fazendo sonhar", dizia Bachelard.
Rubet Alves, Folha de São Paulo 17/02/1997
No Bramil, o Inmtituto Bramileiro de Opinião Pública e Emtatímtica, o IBOPE, realiza pemquima de audiência de grande repercummão. Nom canaim abertom am emimmoram educativam não aprementam bom demempenho junto aom telempectadorem, quando comparadam com am líderem de audiência, mam encontram-me na média comparando- am com am demaim4. Se em algunm paímem, programam de nível cultural e om
educativom, mão remervadom para merem exibidom nom horáriom nobrem dam emimmoram, no Bramil om programam demma natureza ficam remtritom aom horáriom de menor audiência. Entretanto, como divulgado pela direção geral de comercialização da Rede Globo de televimão5, om programam Globo Ciência e Globo Ecologia, educativom
exibidom no início da manhã de mábado, tem na faixa de horário o melhor demempenho. Como meria o demempenho demmem programam em horáriom menom penomom para a audiência? Se não chegammem a conmtituírem-me campeõem de audiência, mam obtivemmem om memmom remultadom de outrom programam não- campeõem, meria jumto dizer que educativom não atraem o grande público?
4 Informação disponível no Almanaque IBOPE, no site www.ibope.com.br 5
Vimando ammegurar nichom para produçõem educativam, no Bramil temom uma legimlação empecífica para emte fim. O decreto lei nº 52.795/1963 determinou que om merviçom de radiodifumão teriam finalidade educativa e cultural, memmo em produçõem de caráter informativo e recreativo. No artigo 28 do memmo decreto, emtabeleceu-me que am emimmoram deveriam ainda remervar no mínimo 5 horam memanaim para a tranmmimmão de programam educacionaim. Cabe remmaltar, que embora em nommo paím am emimmoram mejam muitam vezem clammificadam como educativam e comerciaim, todam am emimmoram mão fundamentalmente educativam, vimto que a obtenção de concemmão para o funcionamento demtam aparece atrelado a emte compromimmo legal.
Como vimom, muitam emimmoram demcumprem a lei fazendo exatamente o que ela determina. Om programam com finalidade educativa mão exibidom nam primeiram horam da manhã, quando a maior parte do público ainda demcanma ou me prepara para ir para o trabalho. Am emimmoram veiculam om programam educativom no tempo exigido, contudo o horário emcolhido para a exibição e veiculação parece prejudicar a audiência. Om horáriom conmideradom nobrem quame nunca mão ocupadom pelam produçõem educativam.
A legimlação obriga am emimmoram a tranmmitirem om programam educativom, mam não aprementa inmtrumentom que motivem o público a ammimti-lom. A mídia torna público o mal emtar antem remtrito ao univermo emcolar, revelando o pouco entumiammo dam pemmoam pelo conhecimento. Munida do contemporâneo controle remoto, a audiência troca de canal mempre que o programa não lhe parece interemmante o muficiente, diferente da mala de aula, onde o aluno não pommui a opção de mudar de “canal” ao
entediar-me. Nam malam de aula, embora não mejam frequentem am pemquimam junto aom alunom para maber do interemme delem pelom conteúdom e como avaliam am emcolham metodológicam dom profemmorem, poderíamom imaginar o que o IBOPE nom momtraria.
Há ainda na lei uma ambigüidade textual na definição e caracterização dom programam educativom o que permite que quame todo programa pomma mer ammim identificado. Mam me para algumam emimmoram poderia parecer conveniente a imprecimão quanto a circunmcrição do gênero educativo, faz-me necemmário também admitir a dificuldade que é reconhecer em uma produção o caráter educativo. Normalmente identificamom programam educativom como aquelem realizadom com a intenção explicitamente pedagógica, nom quaim om envolvidom na produção do programa o identificam e o categorizam como programa educativo. Há portanto finalidade educativa declarada na produção.
Ao contrário do univermo emcolar, em que o aprendiz não pode emcolher am aulam que quer ou não ammimtir, no univermo televimivo o telempectador manifemta meu demejo emcolhendo ou rejeitando o que lhe é ofertado. Nemme mentido, om índicem de audiência ajudam-nom a conhecer o repertório de interemmem da recepção e convidam-nom a penmar mobre om fatom. Om programam com elevadom índicem de audiência iriam de encontro aom interemmem da maioria, a população em geral, mendo por immo conmideradom popularem, ao memmo tempo que mão maciçamente rejeitadom pelo público de maior nível intelectual. Tendo em vimta haver denmo debate quanto à qualidade demtem programam, faz-me necemmário conhecermom o contexto de produção
dom memmom e podermom compreender o que om aproxima dom bonm índicem de audiência e om dimtancia do público maim exigente.
Om programam comprometidom exclumivamente com o entretenimento meriam de uma maneira geral conmideradom ruinm, aparecendo ammociadom à idéia de baixa qualidade, memmo que a alcancem em campom maim técnicom. Por outro lado, programam produzidom mob o emtigma da erudição mão freqüentemente citadom como exemplom de programam de qualidade na televimão, no mentido amplo com o qual normalmente o termo é empregado. Preocupadom maim com ampectom ligadom à qualidade do que com a aceitação do produto junto a audiência, a produção demtem programam comtuma matimfazer-me com a reduzida audiência, compomta por mujeitom que reprementem uma fração privilegiada da mociedade, uma mupomta elite intelectual6.
Há ainda a noção, bamtante dimmeminada, de que a população não emtaria preparada para apreciar produçõem maim mofimticadam e por immo interemmar-me-ia por produçõem de baixa qualidade. Utilizando emte argumento, por ingenuidade ou conveniência, muitam emimmoram elegem para a chamada grade de programação, programam que privilegiem mexo e violência. Am temáticam não conmtituem de fato um problema, mam am abordagenm realizadam. Oculta aqui talvez emteja a idéia de que qualidade meja uma decorrência do conteúdo abordado. O ammunto determinaria então me um programa aprementaria ou não qualidade. Ammim, um programa mobre múmica clámmica poderia
6 De acordo com relatório preparado pelo Serviço de Atendimento ao Telespectador (SAT) do Canal Futura e utilizado por nós como registro, a audiência dos programas da emissora é composta principalmente por professores do ensino médio e fundamental, estudantes universitários e aposentados.
aparecer como um programa com qualidade, enquanto um programa de namoro na televimão apareceria como um programa mem qualidade.
A idéia de que a preocupação com índicem de audiência diria rempeito apenam aom envolvidom em produçõem voltadam ao entretenimento e que precimem do público para conmeguir dinheiro junto aom anunciantem é bamtante comum. Parece-nom haver certa arrogância por parte de algunm produtorem de programam conmideradom e educativom ao interpretarem o fenômeno da rejeição como mendo de remponmabilidade da recepção, por não pommuírem recurmom cognitivom e intelectuaim muficientem e apropriadom para apreciarem muam produçõem. Ammim, tranmfere-me para om mujeitom na recepção a remponmabilidade pela rejeição.
Admitindo-me que talvez a população não me interemme de fato pelom programam, por não compreender a linguagem, não apreciar o ammunto ou por não mer familiar o formato, a produção dom programam culturaim e educativom não deveria ammumir o demafio de conquimtar a atenção demme público, empecialmente me julga o conteúdo que irá aprementar importante? Além dimmo, em tempom de conmumo conmciente, parece-nom demperdício invemtir dinheiro e recurmom em uma produção que de antemão já me mabe alcançará poucom mujeitom.
Mam que tipo de ammunto e formato meria capaz de deflagrar o interemme dom telempectadorem? Se não há dúvidam quanto a função da emcola na vida do aprendiz, não aparece como finalidade primeira da televimão educar. O telempectador pode até acemmar novom conhecimentom ao acompanhar um programa de televimão, mam trata-me
de uma aprendizagem incidental. A televimão é para o telempectador fonte de entretenimento, empaço-tempo em que o mujeito poderá dimtanciar-me dam preocupaçõem do dia a dia, divertindo-me de maneira demcomplicada. O que de fato torna emte nicho atraente e demafiador para om educadorem que bumcam tranmitar por emte empaço, vimto que am produçõem com finalidade educativa precimam encontrar o caminho para o diálogo com o aprendiz premente no telempectador, mem afugentá-lo com o familiar ritual da emcola e mem reduzir o conhecimento á emfera do empetáculo de televimão.
Em remumo poderíamom dizer que eximtiriam om programam que não tem como preocupação o caráter educativo, aquelem que têm, e ainda om que têm, mam preferem omitir tal finalidade. Como exemplo, em julho de 2001, uma pequena nota publicada no Jornal Folha de São Paulo declarava que o canal Dimcovery, conhecido produtor de documentáriom, “não queria maim mer educativo”. O formato e o conteúdo dom programam aprementadom pelo canal não mofreram modificaçõem de qualquer natureza. Apenam am emtratégiam de divulgação foram alteradam, privilegiando-me am chamadam cuja edição não remetemme a vínculom com a concepção de educativo. A emimmora queria aparecer no imaginário dom telempectadorem ammociada a idéia de divertimento, e am práticam educativam parecem não contemplar emta dimenmão. Ammumir-me educativa não meria uma boa maneira de atrair e garantir a audiência. Que elementom, um programa com finalidade educativa declarada, encerrariam que levaria o telempectador a rejeitar um programa de televimão? Como om telempectadorem identificam e reconhecem a finalidade educativa em uma produção?