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Fisk og ferskvannsbiologi

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Na medida em que os membros dialogam, tornando os significados aceitos e legiti- mados produz-se um imagin´ario integrado. Ou seja, pelas caracter´ısticas volunt´arias do grupo, aqueles que se re´unem para discutir pesquisa e institucionaliz´a-la no projeto o fazem de maneira espontˆanea. ´E diferente do que se houvesse uma imposi¸c˜ao para que as pesquisas em terapias integrativas e complementares fossem efetivadas no projeto. Essa espontaneidade faz com que, em certa medida, equilibrem-se as for¸cas que operam na resolu¸c˜ao dos problemas enfrentados dentro daquilo que foi visto como dispers˜ao, con- tradi¸c˜ao e dire¸c˜ao. Desse modo, cada membro fica empoderado para exercer sua fun¸c˜ao e busca contribuir ativamente para que o projeto dˆe certo, que as pesquisas se efetivem naquela realidade.

No processo observado verifica-se que existe grande ambiguidade em como os con- ceitos s˜ao negociados. Entretanto, os significados v˜ao sendo constru´ıdos relacionalmente entre os membros. Isso ´e poss´ıvel, por existir um ‘espa¸co transicional’ (WINNICOTT, 1975; SHOTTER, 1997) suficiente que permite que essas constru¸c˜oes tomem forma. Dessa forma, observam-se diferentes posicionamentos no di´alogo, e a partir destes, novas rela¸c˜oes surgem, podendo influenciar novos comportamentos individuais. Ocorre uma esp´ecie de “investiga¸c˜ao compartilhada”, na qual novos temas, sentidos e entendimentos s˜ao con- juntamente produzidos, o que permite o desenvolvimento de futuros selves (RASERA; JAPUR, 2004, p.436). Isso possibilita que constantemente o indiv´ıduo se construa no di´alogo, pois, como ressaltado anteriormente, sua identidade pode ser vista de maneira mais fluida e dinˆamica.

self, ou seja, como este se reconstr´oi permanentemente nas rela¸c˜oes. Baseando-se nas ideias de Freud, a autora enxerga o processo como um movimento de ‘integrando’ (in- tegrating). Para Freud, o poder criativo do indiv´ıduo acontece n˜ao quando os desejos dominam o outro, mas quando os desejos unem-se em um todo integrado. Esse ´e o ego integrado, a capacidade do indiv´ıduo negociar os aspectos externos e internos de maneira completa. Isso ´e poss´ıvel porque o processo de integrar em um todo ´e um processo que n˜ao exclui ideias que a princ´ıpio s˜ao mutuamente excludentes, conforme demonstra a psican´alise Freudiana. Follet, no entanto, expande as ideias de Freud para a dinˆamica dos grupos, ressaltando que estes tamb´em criam um movimento de integrar em um todo unit´ario. No grupo observado, pˆode-se observar como ocorre a constru¸c˜ao de um curso de a¸c˜ao pelos participantes daquela realidade local. Esse processo quando movido pela relacionalidade de seus membros constr´oi orienta¸c˜oes e resolu¸c˜oes antes n˜ao existentes. Ou seja, um prop´ostio une aqueles indiv´ıduos para discutir pesquisa em pr´aticas naturais, e por mais vago que este possa parecer, cada um contribui e retira alguma satisfa¸c˜ao do processo. Nesse caso, a integra¸c˜ao ocorre relacionalmente em virtude do grupo.

The most familiar example of integrating as the social process is when two or three people meet to decide on some course of action, and separate with a purpose, a will, which was not possessed by anyone when he came to the meeting but is the result of the interweaving of all. (FOLLET, 1919, p.1)

De maneira contr´aria, pode-se deduzir que o espa¸co aberto de di´alogo e, em contra- partida o ‘espa¸co transicional’, ficaria reduzido caso ocorresse o que Lacan (1983) de- nomina de ‘discurso do mestre’. O discurso do mestre torna impeditiva a constru¸c˜ao de rela¸c˜oes tendentes `a igualdade hier´arquica, nas quais exista uma distribui¸c˜ao e equil´ıbrio do poder. Dessa forma ele - o discurso - atua n˜ao na rela¸c˜ao sujeito-sujeito, mas na rela¸c˜ao sujeito-objeto. Freud denominou esses tipos de rela¸c˜oes como ‘rela¸c˜oes especularizadas’, nas quais o outro se encontra preso na imagem do chefe, l´ıder ou her´oi. O resultado de tal dependˆencia ´e uma rela¸c˜ao alienante. Quando o discurso do mestre ocorre, as rela¸c˜oes do di´alogo s˜ao limitadas a construir mitos e ritos de aliena¸c˜ao dos sujeitos-objetos. Dentro deste discurso, a for¸ca do imagin´ario trabalha em prol da aliena¸c˜ao dos sujeitos que se alienam no desejo do outro; n˜ao lhes ´e dada oportunidade de falar e expressar seus dese- jos. Na reuni˜ao observada, isso poderia ocorrer caso os especialistas usassem seu poder e influˆencia de maneira demasiadamente incisiva, impedindo que as constru¸c˜oes de outros membros se manifestassem.

Assim, ao se entender o processo de lideran¸ca relacionalmente categoriza-se a dinˆamica relacional, reifica-se o processo em si e n˜ao as pessoas diretamente. A identidade n˜ao fixa pontos dentro do papel desempenhado pelo indiv´ıduo, pois ´e mais fluida. Assim, as pes- soas criam condi¸c˜oes de separarem-se linguisticamente do problema, narrativa ou discurso em que est˜ao inseridos, possibilitando que se mude a estrutura de rela¸c˜oes. Isso ´e seme- lhante ao que Sievers (1994, p.208) denominou de (de) proje¸c˜oes (de) introje¸c˜oes. Os indiv´ıduos, a partir deste insight, operam proje¸c˜oes e introje¸c˜oes no processo lingu´ıstico, em como as rela¸c˜oes se constroem e reconstroem pela linguagem, amenizando os efeitos enviesados que surgem quando as rela¸c˜oes se baseiam no poder sobre os outros. Minimiza- se a ˆenfase em tra¸cos particulares dos indiv´ıduos supostamente identificados como l´ıderes. A onisciˆencia e onipotˆencia destes, em sua posi¸c˜ao hier´arquica avantajada, cede espa¸co para as constru¸c˜oes grupais de significado e de aspecto relacional da lideran¸ca. Maior maturidade pode ser alcan¸cada no momento em que essas aberturas a novas narrativas ocorrem, deslocando o indiv´ıduo atrav´es de tal separa¸c˜ao lingu´ıstica. Desse modo, quando os participantes de um processo de lideran¸ca agem relacionalmente, fazem com que o sig- nificado seja co-constru´ıdo no grupo. Isso ´e diferentemente se as a¸c˜oes executadas fossem demandadas por uma vis˜ao ´unica e totalit´aria, que designificasse, ou melhor, levasse o grupo ao que foi descrito como tarefas sisepheanicas, um fazer desatrelado de significado, ou ao estado de groupthink, no qual h´a uma homogeneidade excessiva de pensamento.

Entretanto, n˜ao se pode chegar a conclus˜oes sobre at´e que ponto essa horizonta- lidade e maturidade podem ser incorporadas no sistema de defesa social em grupos de outros contextos. Deve-se levar em conta que o grupo analisado possu´ıa uma cultura e especificidade pr´oprias que o levam a operar dentro de um tipo espec´ıfico de rela¸c˜ao. O ambiente naquela realidade local ´e menos competitivo pela caracter´ıstica volunt´aria, logo menos amea¸cador e menos masculinizado, pois os la¸cos afetivos s˜ao reflexo da cul- tura terapˆeutica e da cultura espiritual. H´a tamb´em uma espontaneidade de participa¸c˜ao dos volunt´arios em atuar no micro processo que ocorre no GPTIC. De um lado, essas caracter´ısticas levam o grupo a incorporar certos mecanismos de defesa que postergam, ou melhor, denotam certa frouxid˜ao na execu¸c˜ao da tarefa (no caso institucionalizar a pesquisa). ´E o caso da n˜ao existˆencia de uma sistematiza¸c˜ao das reuni˜oes, de n˜ao haver uma pauta definida e da existˆencia de uma coordena¸c˜ao mais relaxada. Por outro lado, conforme visto anteriormente, quanto maior a abertura e horizontalidade maiores as rea-

lidades futuras alternativas. Ou seja, perspectivas amplas s˜ao exploradas na medida em que h´a um engajamento e abertura no di´alogo.

Al´em disso, deve-se levar em conta que h´a uma dial´etica entre as rela¸c˜oes e o in- div´ıduo. Explicando melhor, a constru¸c˜ao do processo ocorre na hora, de forma emergente e nesse processo existe um eixo que vai das rela¸c˜oes que s˜ao geradoras de significados at´e os indiv´ıduos que incorporam ou n˜ao estes significados, misturando-os com suas autoimagens. Cada membro do grupo co-opera neste processo, modificando e incorporando elementos nas rela¸c˜oes. Na medida em que se entende os padr˜oes inconscientes que constrangem o di´alogo e que sistematicamente s˜ao refor¸cados pelas estruturas de poder enra´ızadas, pode-se substituir essas estruturas pelo entendimento relacional e construtivista existente no grupo. Isso levaria o grupo a acessar maior maturidade, nivelando as rela¸c˜oes entre sujeito-sujeito, buscando integrar as buscas por satisfa¸c˜ao no grupo. A sintonia consiste ent˜ao “em levar a efeito o abandono do problem´atico monstro autogerado - o drag˜ao que se considera Deus (o superego) e o drag˜ao que se considera o Pecado (o id reprimido). Mas essa a¸c˜ao requer o abandono do apego ao pr´oprio ego, e a´ı reside a dificuldade” (CAMPBELL, 1992, p.128).

Entretanto, isso n˜ao pode ocorrer sem certo esfor¸co pessoal em absorver novas formas de encarar o mundo externo, tendando entendˆe-lo de maneira menos amea¸cadora e, por consequˆencia, dentro de toda complexidade e ambiguidade que dele fazem parte. Nesse caso, o processo de lideran¸ca fornece uma perspectiva relativizada dos pap´eis, que antes se encontravam r´ıgidos pela percep¸c˜ao dicotˆomica l´ıder-seguidor, sujeito-objeto. Isso permite que a transi¸c˜ao do mundo interno para externo ocorra de maneira mais dependente do como se relacionar com o outro sem suprimir suas manifesta¸c˜oes, tendanto impor uma esp´ecie do poder do especialista, do cargo, ou seja qual for o elemento que alimente um poder sobre ao contr´ario de um poder com e entre os indiv´ıduos .

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