Takahashi e Takahashi (2007) trazem a seguinte questão que provocará os próximos argumentos: “Como os engenheiros decidem se o projeto é atrativo?”
Na Figura 13, estão delineados as relações entre o processo de inovação em produto e os processos produtivos e de consumo. Existe aqui uma configuração assimétrica entre os níveis esboçados. A função conceituar produto antecipa a satisfação futura do consumidor; no aspecto planejar o produto, especifica-se a função do produto; quanto ao projetar o produto, existe aqui a representação da estrutura do produto no sentido de montagem do produto; por fim, projetar o processo representa o processo de produção (Clark e Fujimoto, 1993).
Figura 13: Relações entre o processo de inovação de produtos e os processos de consumo. Fonte: Clark e Fujimoto, 1993.
Essa assimetria à luz de Clark e Fujimoto (1993) sugere que em um determinado nível, a inovação em produto é essencialmente uma simulação da produção e consumo. Todavia, quando as necessidades dos clientes são complexas, portanto difíceis de serem articuladas, torna-se difícil uma simulação precisa.
Outro aspecto importante a considerar é que, por causa da dificuldade de gerenciar a integração entre desenvolvimento de produto e as informações sobre o consumo futuro, torna-se necessário analisar o comportamento e o desenvolvimento do consumidor concorrente.
Abaixo estão delineados alguns aspectos quanto “faseficação” do processo de inovação em produto, segundo Clark e Fujimoto (1993):
1ª etapa: A concepção ou conceito de produto. A definição está capturada sob a perspectiva
do consumidor. Nessa etapa, os designers objetivam aprontar um conceito que atenda aos futuros consumidores. Para tal, esses projetistas necessitam de algumas alavancas tais como informações de necessidades futuras de mercado, possibilidades técnicas e outras condições em termos de engenharia avançada, por exemplo. Asimov (1968) acrescenta uma etapa anterior a esta. Trata-se da constatação de necessidade de um novo desenvolvimento e a partir daí a elaboração de um conjunto de soluções para o projeto.
Nesta fase também pode ser articulada um robusto constructo elaborado por Genrich Altshuller e seus colegas em 1940 (Altshuller , 1988; Marsh et al., 2004 e Shulyak, 1997). Trata-se da TRIZ: estudos dos problemas criativos ou inventivos, em russo. A TRIZ é um método para resolução de problemas que acelera a habilidade das equipes de projeto para resolver estes problemas (Tate e Domb, 1997). Na antiga URSS a teoria era chamada de resolução de problemas inventivos.
Atualmente é considerada como uma ciência internacional de criatividade que tem como base de confiabilidade nos estudos dos testes padrões dos problemas e das soluções, não na criatividade espontânea dos indivíduos ou dos grupos. Foram estudados e analisados 2,8 milhões de patentes para descobrir os testes padrões que predizem soluções da descoberta aos problemas técnicos. A pesquisa da TRIZ começou com a hipótese de que existem princípios inventivos universais que são a base para as inovações criativas, e que se estes princípios poderiam ser identificados e codificados, podendo ser ensinados e fazer parte de um processo de invenção mais formal. Segundo, Tate e Domb (1997), Altshuller (1988), Domb (1997) e Shulyak (1998), estes foram resumidos em 40 princípios de resolução de problemas. Estes princípios foram encontrados através da repetição em muitos campos de conhecimento, como soluções à muitas categorias gerais de problemas. Os mesmos foram usados para resolver contradições, tais como aquelas que põem freqüentemente os projetos de novos produtos em risco. Assim TRIZ é uma abordagem para resolução de problemas, desenvolvimento de estratégia, ferramenta maximização do valor, para os profissionais de desenvolvimento de novos produtos. A TRIZ força o profissional de desenvolvimento de produto a olhar fora da “caixa”, a olhar no futuro e a olhar para maneiras bem sucedidas de resolver um problema usando a tecnologia que o projetista muitas vezes não usa. A TRIZ vem a preencher uma lacuna no processo de desenvolvimento de novos produtos, fornecendo a estrutura e a simplificação nas áreas vistas geralmente como problema. Primeiramente aguçando a criatividade e a experiência. O consenso popular entre os usuários é que os maiores benefícios do uso da TRIZ estão na área do desenvolvimento de novos produtos, mais especificamente, na fase do projeto conceitual. O princípio básico em usar TRIZ é em gerar múltiplas idéias de como resolver problemas específicos.
Enfim, todo projeto de produto, serviço ou processo é baseado na identificação ou conhecimento de uma nova necessidade, que, muitas vezes, não se apresenta de maneira clara em meio às diversas situações que envolvem o mercado. Partindo de tal entorno pressuposto, é de sumária importância uma análise das tendências sociais, gostos individuais,
mercado potencial, entre outras características, para se definir exatamente a necessidade real que o produto, serviço ou processo deverá satisfazer. Para Possamai (1992) às vezes essa necessidade é determinada pelo próprio time de projeto a partir do plano estratégico estabelecido pela empresa. Depois de identificada a necessidade, a próxima fase consiste em definir os parâmetros, os materiais, os componentes mais adequados e os critérios para estabelecer os aspectos que envolvam a definição de soluções para essa necessidade identificada. O principal objetivo consiste em conceber um grande número de alternativas que demonstrem potencial para serem selecionadas.
2ª etapa: O planejamento do processo ao produto. Aqui, tem-se a função de traduzir o
conceito do produto em especificações para o projeto de processo para materialização do produto detalhado, incluindo estilo, arranjo, especificações detalhadas, custo, investimento e escolhas técnicas. Clark e Fujimoto (1993) declaram que a questão central é desenvolver um plano que concilie objetivos competitivos e necessidades. Tudo aqui criado em termos de informação é intangível, mas representam uma primeira oportunidade para interpretar o conceito de produto em uma forma física. Estudos mais profundos são realizados com o objetivo de estabelecer, pela primeira vez, os principais parâmetros do projeto de processo e produto a ser controlado, determinar as tolerâncias dos principais componentes do sistema bem como as razões de obsolescência do produto e do processo de fabricação do produto. A conclusão dessa fase inclui a concepção geral do projeto, a definição experimental dos subsistemas e os desenhos provisórios contendo pré-dimensões, tolerâncias e especificações de materiais da concepção preliminar. Os dois maiores desafios da fase de planejamento do produto tratam da obtenção da consistência externa, ou seja, a compatibilidade do plano de produção e o conceito do produto; e da obtenção da consistência interna, a compatibilidade das especificações, escolhas de componentes, estilo e arranjo (Takahashi e Takahashi, 1993).
3ª etapa: O detalhamento do produto ao esquema básico do processo. Essa fase tem a função
de traduzir as informações de planejamento de processo e produto em projetos de processo e produto detalhados. Os engenheiros de processo e produto têm a função de desenvolverem componentes e partes reais que satisfaçam às necessidades de negócios bem como fluxos ótimos de produção. O produto é decomposto em componentes para o projeto detalhado e armazenado em desenhos e base de dados de desenhos auxiliados por computador. Essa
perspectiva se desdobra de um plano de necessidade de materiais ao gerenciamento de recursos e atividades produtivas. A partir de então, os projetos são convertidos em protótipos constituindo então a primeira forma completa de projeto do produto tendo como pano de fundo um fluxo de processo produtivo enxuto. Após, o produto é testado e os desenhos de engenharia modificados com base nos resultados de testes. O ciclo de testes é finalizado quando se tem a aprovação oficial do produto e do processo.
4ª etapa: O detalhamento do processo. Esta fase se substancia da fase anterior diferenciando-
se apenas em termos de complexidade. Aqui, intenciona-se ir além de um simples projeto de processo produtivo. Busca-se uma configuração de planta produtiva capaz de trabalhar com fluxos incertos e caóticos de materiais seja na perspectiva das entradas, ou seja, os insumos, seja na perspectiva das saídas, ou seja, as demandas flutuantes de mercado.
5ª etapa: O teste e protótipo. Nessa perspectiva, expõe seu entendimento de que essa fase
ocorre paralelamente à fase de projeto detalhado. Porém, é colocada como uma fase à parte, devido à sua grande importância e características. Assim, a medida que é elaborado o projeto piloto, realiza-se também um projeto experimental. A construção de modelos experimentais é utilizada para verificar as formulações e testes principais de funcionamento, processo de fabricação e componentes (Back, 1983).