KAPITTEL 1: TEORI OG EMPIRI
1.3 F INANSSYSTEMET OG KONJUNKTURSYKLER
1.3.3 Finanssystemet og konjunktursykler: Empirisk evidens
A alteração mais freqüente encontrada nas bolsas guturais foi o empiema com 403 casos (29,27% de 1377). Esta afecção foi encontrada em forma isolada e também em associação com outras do TRA, especialmente com hiperplasia folicular linfóide e inflamação generalizada das vias aéreas superiores. Dos 2120 animais considerados nesse estudo, 19% apresentaram esta doença ( Apêndices B, C, D, E e F – Tabelas e gráficos 2, 3, 3a, 3b e 4). A prevalência desta doença, neste estudo, foi maior que àquela encontrada por Cook (1968), relatou um caso (0,52%) em uma população de 193 eqüinos afetados por doenças do TRA, ao passo que Raphel (1982) encontrou três cavalos com empiema bilateral das bolsas guturais em uma pesquisa com 479 cavalos PSI hígidos em treinamento (0,63%).
Robertson e Ducharme (2005) relataram que os eqüinos afetados com empiema das bolsas guturais podem apresentar colapso do terço caudal da nasofaringe, especialmente do teto, distúrbio funcional que acarreta aumento da impedância durante a inspiração e associa-se
a diversos graus de dispnéia, podendo ocasionar em casos graves, edema pulmonar e HPIE. Enfatizaram a necessidade de avaliar endoscopicamente o lúmem das bolsas guturais, determinar o tamanho dos gânglios linfáticos faringeanos, visíveis quando tumefatos no assoalho do compartimento medial. Comentaram que a disfunção dos músculos acessórios da faringe como os palatinos (palatino, elevador e tensor do velo palatino) foi reportada por disfunção na inervação destes músculos, associada a processos inflamatórios do compartimento medial da bolsa gutural onde o ramo faringeano do nervo vago se localiza. Sendo assim, podem ocorrer alterações nos receptores nervosos na nasofaringe e laringe, que normalmente detectam mudanças de pressão e temperatura causando, alteração desses impulsos sensoriais que acarretam, por reflexo, um aumento do tônus muscular, com conseqüente instabilidade nasofaringeana e DDPM. A disfunção do músculo estilofaringeano pode resultar no colapso do teto da nasofaringe, já que este músculo se insere no aspecto medial-distal do osso estilo-hióide e cruza a bolsa gutural, inserindo-se e estabilizando o teto nasofaringe. Afirmaram que a função da nasofaringe é manter uma eficiente abertura para as amplas mudanças da pressão estática do fluxo aéreo (de – 50 cm H2O a + 30 cm H2O), permitindo uma corrente aérea máxima de 90 L/s ou mais. Para resistir a essas mudanças de pressão, a nasofaringe não possui paredes cartilaginosas ou ósseas e unicamente a sincronia neuromuscular previne o colapso da cavidade ou o DDPM.
A elevada freqüência desta doença aqui observada, provavelmente reflete uma situação especial na população de eqüinos alojados no JOCKEY CLUB DE SÃO PAULO. Essa situação deve estar associada a fatores ambientais, como temperatura, poluição e alojamento. Outros fatores, como falhas no programa de vacinação e falhas de manejo também são causas plausíveis. A grande rotatividade da população alojada, também pode ser uma causa de exposição a constantes insultos virais e bacterianos em concordância com a opinião dos autores de literatura, especialmente nas conclusões de Sweeney, Humber e Roby (1992).
O estresse crônico desta população por causas sonoras e condições de treinamento, sem dúvida também afetam seu estado imunológico, como afirmado por Foreman (1992), Gross et al. (1997), Holcombe et al. (2001), Luna (2001), Sharp e Koutedakis (1992), Stull e Rodiek (2002) e Tyler et al. (1996). É possível que o encocheiramento permanente como descrito por Holcombe et al. (2001), Jackson et al. (2000) e Sweeney, Humber e Roby (1992), a ventilação inadequada das baias, a qualidade e tipo do material vegetal usado para “cama” sejam fatores especialmente importantes. A poeira comumente encontrada nas baias é um problema permanente na maioria das cocheiras, em concordância com as observações de
Cook (1981). Esta situação se agrava durante os dias em que a “cama” é mudada (duas vezes por mês geralmente), ocasiões nas quais os animais permanecem encocheirados, a cama velha é removida e a nova é colocada acarretando grandes quantidades de pó.
O manejo errado em conjunto com uma completa ausência de controle de qualidade do material usado para a “cama” pode estar também relacionado com a alta freqüência de animais que apresentaram outras alterações sistêmicas, além das respiratórias, principalmente hepáticas e associadas à inapetência, fraqueza e estomatite ulcerativa, comuns em eqüinos no JCSP e que podem estar relacionadas com fatores tóxicos presentes nessa “cama”, como já foi descrito por Matsumura (2002) em cavalos PSI em treinamento no Japão, usando serragem para “cama” importada do Brasil.
Smith (1995) e Teclaw et al (1995) nos EUA e Barrandeguy (1999) na Argentina, descreveram que alcalóides tóxicos podem estar presentes na serragem usada para “cama”, especialmente glaucine, que acarreta hepatite, nefrites e alterações imunológicas nos cavalos. Neste sentido, Campagnolo et al. (1995), descreveram um surto de dermatite vesicular associada à hepatite e anorexia, que afetou 24% de 350 eqüinos estabulados para um evento, cuja “cama” continha serragem contaminada com plantas do gênero Quassia (Simarouba). Na literatura científica existe escassez de estudos sobre o empiema das bolsas guturais, porém a importância desta doença já foi enfatizada por Cook (1981).
O empiema das bolsas guturais foi a única doença observada nesta região anatômica nos eqüinos examinados, exceto por um caso de micose das bolsas guturais em um potro de três anos acometido por epistaxe crônica e enviado ao JOCKEY CLUB DE SÃO PAULO para diagnóstico. Este achado difere dos achados de Cook (1968) que relatou a micose da bolsa gutural como a terceira doença mais comum do TRA na população de eqüinos por ele estudada, e também representando 76% de outras doenças da bolsa gutural. Foi comum encontrar uma associação nos animais acometidos com hiperplasia folicular linfóide faringeana de grau avançado (grau II ou mais) e empiema das bolsas guturais, as quais, quando examinadas endoscopicamente, apresentaram também inflamação na mucosa, hiperplasia folicular linfóide difusa e ocasionalmente linfoadenopatia dos gânglios retrofaringeanos os quais deformavam, convexamente, o assoalho das bolsas guturais. A associação entre essas duas doenças já foi descrita por vários autores, especialmente por Holcombe et al. (2001). Não foram encontrados casos de timpanismo das bolsas guturais, doença que afeta primordialmente neonatos ou potros de poucos meses de idade (RAGLE, 2003; ROBERTSON, 1991), assim como a presença de condróides, doença que afeta, primordialmente, animais idosos (ROBERTSON, 1991). O empiema das bolsas guturais
mostrou-se mais prevalente nos animais de dois anos, alojados por poucos meses no hipódromo e com menor freqüência em animais maiores de quatro anos de idade, exceto naqueles recentemente afetados por infecções respiratórias severas, usualmente gripe de origem viral ou pneumonias após transporte. Usualmente, esta afecção foi observada em casos isolados, porém, ocorreu em números maiores quando associadas a surtos de infecções respiratórias virais ou bacterianas. Os eqüinos afetados por esta doença foram examinados endoscopicamente por apresentar tosse, secreção nasal purulenta, ocasionalmente linfoadenopatia e inapetência e sendo a hipertermia um sinal clínico infrequente, exceto naqueles animais acometidos por um processo inflamatório difuso do TRA e/ou inferior. Barber (1999) afirmou que, aproximadamente 50% dos casos de infecção por Streptococcus equi (Linfoadenopatia – “Garrotilho”), acabam fistulando para as bolsas guturais e acarretando empiema das mesmas. Ainsworth e Biller, (2000) confirmaram também, a freqüente associação destas doenças. Esta doença (Linfoadenopatia-“Garrotilho”) é infreqüente na população de cavalos no JOCKEY CLUB DE SÃO PAULO e acomete os potros PSI comumente na idade do desmame e os de um ano nos haras ou centros de criação (BEECH; SWEENEY, 1991; THOMASSIAN, 2005), portanto provavelmente o grau de resistência contra esta enfermidade é adequada quando os potros ou eqüinos adultos estão no hipódromo.
O grau de empiema observado nesta população foi variável desde àquele francamente purulento, espesso, amarelado e granular até secreções serosas levemente esbranquiçadas, ocasionalmente se observaram fios finos hemorrágicos misturados à secreção purulenta. Comumente, ambas as bolsas guturais apresentavam semelhante comprometimento, sendo raros os casos de afecção unilateral. A quantidade de exsudato também foi variável, com alguns animais apresentando secreção nasal abundante quase constante até aqueles com discreta secreção, somente visível ocasionalmente ou ao exame endoscópico.
Como também foi mencionado por Barber (1999), é possível que o empiema das bolsas guturais seja geralmente secundário a outras infecções do trato respiratório e, usualmente transitória, e que esta infecção pode cronificar-se devido a limitada drenagem das bolsas guturais na faringe, especialmente quando o agente infeccioso é altamente virulento ou a infecção respiratória é crônica. Este é agravado quando não existe drenagem efetiva das bolsas guturais, o que acontece, freqüentemente, nos eqüinos quando não abaixam a cabeça para alimentar-se, já que nas baias os cochos de ração e água encontram-se altos.
O tratamento do empiema das bolsas guturais usado no JOCKEY CLUB DE SÃO PAULO, consistiu em lavagens locais por meio de um catéter de Chamber por via nasal,
como descrito por Pascoe (1981) e Freeman (1991), utilizando-se água destilada, solução fluidificante de secreções (Tergenvet – Lauril dietileno glicerol éter sulfanato de sódio 28% - Univet, São Paulo – Brasil) a uma diluição de 5%, e um anti-séptico (Riodine – iodopovidone tópico 10% - Rioquímica – São Paulo – Brasil) ou nitrofurazona 0,2 % (Riocim – Rioquímica – São Paulo) a uma solução de 2%, utilizando-se 200 ml da mistura em cada bolsa gutural, em dias alternados, durante quatro ocasiões. Esta forma de terapia foi geralmente efetiva para a remissão clínica desta afecção. Alguns animais, refratários a este tratamento, foram submetidos a lavagens diárias com solução de peróxido de hidrogênio (3%) por 6 dias ou mais, sendo que alguns animais necessitaram duas lavagens diárias, com maior volume da solução (500 ml). Não foram observados efeitos colaterais visíveis com estes tratamentos, como disfagia, hipertermia ou prostração. Não foram encontrados casos que houvesse a necessidade de isolamento e cultura microbiana do material empiêmico, assim como, casos que necessitassem estudos radiográficos ou endoscopia das bolsas guturais por suspeita da presença de condróides ou hemorragia. Como anteriormente mencionado, exceto por um caso, não foram encontrados animais afetados com micose das bolsas guturais, pelo que podemos considerar esta afecção como uma doença rara em nosso meio. A falta de isolamento dos agentes etiológicos dos empiemas das bolsas guturais não permite comparar os resultados deste estudo com os de outros autores, especialmente com Perkins et al. (2003) que descreveram o Streptococcus zooepidermiccus e Streptococcus equi como os agentes etiológicos mais comuns desta doença e o freqüente número de casos (20%) que requerem períodos extensos de lavagens das bolsas guturais e o uso de agentes antiinflamatórios e antibióticos. Porém, o estudo desses autores atingiu eqüinos de todas raças, idades e diferentes condições de manejo em comparação com a população aqui estudada, essencialmente formada de animais PSI jovens e estabulados permanentemente. A lavagem das bolsas guturais utilizando um catéter de Chamber é simples e requer só o uso de um cachimbo e a utilização de água destilada ou solução fisiológica mornas. Animais indóceis, ocasionalmente, foram sedados com romifidina (0,04 mg/kg), acepromazina (0,05 mg/kg) ou xilazina (0,5 mg/kg). Alguns animais necessitaram a fixação de catéteres plásticos permanentes nas bolsas guturais como descrito por Pascoe (1981) e Freeman (1991) (catéter uretral de caninos, polipropileno nº 8 ou 10), confeccionado em forma espiral em uma de suas extremidades e a outra suturada na falsa narina. Pode-se também usar catéteres Foley nº 8 ou catéteres intra- uterinos de uso eqüino. Não se encontraram casos nos quais uma abordagem cirúrgica foi necessária para o tratamento desta afecção.
Ainsworth e Biller (2000) e Perkins et al. (2003), comentaram que o uso de agentes antimicrobianos ou anti-sépticos na solução de lavagem nas bolsas guturais é controverso e que eles não observaram diferenças nos animais tratados com soluções isotônicas ou soluções de iodopovidone ou peróxido de hidrogênio. Os autores observaram efeitos nocivos em vários animais com o uso dessas soluções, como inflamação e maior produção de exudatos, acreditando que o efeito mecânico da lavagem das bolsas guturais acarretam um maior efeito benéfico e não recomendaram o uso de iodopovidona, acetil-cisteína e peróxido de hidrogênio. Opostamente a essa opinião, neste trabalho não foram observados efeitos colaterais. Estes mesmos autores (AINSWORTH; BILLER, 2000; HAWKINS et al., 2001; PERKINS et al., 2003) descreveram a necessidade de criar uma fístula na abertura faringeana da bolsa gutural utilizando laser ou outras técnicas cirúrgicas, como as de Whitehouse modificada, em eqüinos que apresentaram empiema recorrente ou anormalidades na abertura faringeana, criando fístulas ao exterior.