4.2.1 Origem
“A Companhia Energética do Ceará – COELCE é uma sociedade anônima de capital aberto, concessionária de serviço público de distribuição de energia elétrica, regulamentada pela Lei das Sociedades Anônimas com suas atividades fiscalizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL”. (COELCE, 2004, p. 4)
A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL (2001, p. 32) define a atividade de distribuição da seguinte forma:
a atividade de Distribuição é composta de linhas, redes, subestações e demais equipamentos associados, em tensões inferiores a 230 kv e tem por finalidade: (i) o serviço de distribuição de energia elétrica, que consiste no provimento do livre acesso ao sistema para os fornecedores e consumidores; (ii) permitir o fornecimento de energia a consumidores, bem como quando for o caso; (iii) suprimento de energia elétrica a outras concessionárias e permissionárias.
A unificação das quatro empresas distribuidoras de energia elétrica, existentes, em 1971, no Estado do Ceará, incluiu: Companhia de Eletrificação Centro-Norte do Ceará (Cenorte), Companhia de Eletricidade do Cariri (Celca), Companhia Rural do Nordeste (Cerne) e Companhia Nordeste de Eletrificação de Fortaleza (Conefor), resultando na criação da Companhia de Eletricidade do Ceará – COELCE (COELCE, 2004, p. 4).
Segundo a própria COELCE (2004, p. 4), a mesma tornou-se empresa de capital aberto em 1995, quando suas ações passaram a ser negociadas nas principais Bolsas de Valores brasileiras. Nessa época, os principais acionistas da Companhia eram as prefeituras municipais do Estado do Ceará, as Centrais Elétricas Brasileiras S.A – Eletrobrás e o governo estadual. Por ocasião da abertura de capital, a razão social passou a ser Companhia Energética do Ceará.
Em abril de 1998, através de leilão público, realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), a COELCE foi privatizada. O Consórcio Distriluz Energia Elétrica S.A, formado por ENDESA España S.A, ENERSIS S.A, Chilectra S.A e Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro, converteu-se no novo controlador da
Companhia. A concessão do serviço público de energia elétrica tem como vencimento a data de 12 de maio de 2.028 (COELCE, 2004, p. 4).
De acordo com a COELCE (2004, p. 5), em setembro de 1999, a Companhia concluiu seu processo de reestruturação societária, através do qual incorporou sua controladora, a Distriluz Energia Elétrica S.A, que detinha 91,66% do capital votante e 56,59% do capital total da Companhia. A Companhia transferiu, em contrapartida, pela incorporação, suas ações para a atual controladora: a Investluz S. A.
4.2.2 Estrutura societária
A Companhia Energética do Ceará – COELCE, em 31.12.2003, de acordo com a tabela 4.4, possuía a seguinte estrutura de propriedade.
TABELA 4.4 – Composição acionária da COELCE
Fonte: Elaborado pelo autor. Dados originais COELCE (2004, p. 6).
4.2.3 Posição no mercado
A Companhia Energética do Ceará tem como área de concessão todo o Estado do Ceará. Em 31.12.2003, possuía 2.108.582 clientes, sendo estes distribuídos conforme mostragem da tabela 4.5.
A c io n is ta P a rtic ip a ç ã o (% ) E le tro b rá s 7 ,0 6 E n d e s a 2 ,2 7 In ve s tid o re s P riva d o s 3 3 ,1 9 In ve s tlu z 5 6 ,5 9 O u tro s 0 ,8 2 P re fe itu ra s M u n ic ip a is 0 ,0 7 T o ta l 1 0 0 ,0 0
TABELA 4.5 – Distribuição dos clientes por classe
Fonte: Elaborado pelo autor. Dados originais COELCE (2004, p. 11).
Na tabela 4.6, é feita uma comparação entre o número de clientes da COELCE e o número de clientes do Grupo ENERSIS, noutros países. Através desta comparação, verifica-se que a COELCE é responsável por 20,12% dos clientes de distribuição de energia elétrica do Grupo ENERSIS. Esta participação é similar à apresentada pela Argentina.
TABELA 4.6 – Posição dos clientes COELCE X ENERSIS
Fonte: Elaborado pelo autor
Estes clientes foram responsáveis pela venda de 5.905 Gwh, que representam 11,89% da energia total distribuída pelo grupo ENERSIS, no ano de 2003, representando, em termos financeiros, o total de R$1.412.975 mil, sendo que estas vendas estão distribuídas conforme a TABELA 4.7 estabelece:
Tabela 4.7 – Distribuição das vendas de energia por classe
Fonte: Elaborado pelo autor. Dados originais COELCE (2004, p. 10 e 56).
Classe N° de clientes % Residencial 1.686.963 80,00 Industrial 7.110 0,34 Comercial 137.969 6,54 Rural 251.384 11,92 Outros 25.156 1,19 Total 2.108.582 100,00 País/Empresa N° de clientes % Colômbia 1.972.016 18,81 Perú 891.589 8,51 Brasil 4.160.181 39,69 COELCE 2.108.582 20,12 Argentina 2.117.254 20,20 Chile 1.340.717 12,79
Classe Vendas em Gwh % Vendas em reais %
Residencial 1.803 30,53 509.259 36,04 Industrial 1.697 28,74 307.621 21,77 Comercial 1.076 18,22 331.184 23,44 Rural 497 8,42 81.074 5,74 Outros 832 14,09 183.837 13,01 Total 5.905 100,00 1.412.975 100,00
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica – ABRADEE (2004, p. 1) fez o levantamento de 26 empresas distribuidoras de energia elétrica, através das demonstrações financeiras divulgadas pela CVM e, do total de energia fornecida, pelo grupo acima citado, a COELCE é responsável por aproximadamente 2,4% e, do total do faturamento bruto, por aproximadamente, 2,33%, o que a classifica como a 17ª maior distribuidora, em vendas, entre as empresas contidas no estudo.
4.2.4 Recursos Humanos
A Companhia Energética do Ceará possuía, em 31.12.2003, 1.375 funcionários, distribuídos conforme apresentação da tabela 4.8.
TABELA 4.8 – Distribuição dos funcionários
Fonte: Elaborado pelo autor. Dados originais COELCE (2004, p. 18).
4.2.5 Ambiente de sistemas de informação
A Companhia, ao ser privatizada, possuía um sistema corporativo IBM, substituído durante o ano de 1999 pelo sistema Synergia. Este sistema foi desenvolvido por uma empresa do grupo, a Synapsis Soluções e Serviços IT Ltda. O mesmo proporcionou algumas inovações nos processos de trabalho da Companhia, como a descentralização do ingresso de documentos e os registros por centro de responsabilidade. Além disso, segundo o co-diretor local da implantação do SAP na Companhia, seção 4.4.2, o Synergia introduziu uma cultura de controle de gestão orçamentária.
Esta cultura se fortaleceu com a entrada do SAP R/3, pois, devido ao seu modelo de controle, a elaboração do orçamento tornou-se mais rigorosa, devido ao sistema bloquear as operações por ausência de recursos para executar a mesma.
Qualificação N° de empregados % Executivos 25 1,82 Chefias intermediárias 179 13,02 Profissionais 148 10,76 Técnicos 202 14,69 Administrativos 285 20,73 Operários 536 38,98 Total 1375 100,00
Sendo assim, os gestores dos recursos devem ter claras definições para elaborar o orçamento, assim como maior rigor em executá-lo.
Buscando a padronização, com relação aos sistemas de informação para todo o grupo ENDESA, controlador do grupo ENERSIS, a empresa lançou o projeto SIE2000, que teve como objetivo dispor de um sistema único, para todas as empresas do grupo. Este projeto foi desenvolvido sob a plataforma do Sistema Integrado de Gestão SAP R/3.
Dentro deste contexto, no ano de 2001, a COELCE iniciou o processo de implantação do novo sistema, tendo o mesmo sido concluído em 2002, iniciando suas operações no decorrer do mesmo ano. Para algumas operações, a Companhia continua trabalhando com o sistema Synergia (módulos de recursos humanos e comercial), passando assim a lidar com mais de um sistema, o que exigiu o desenvolvimento de programas complementares (interfaces) para a integração dos dois sistemas.
Ainda no ano de 2002, a COELCE terceirizou seus serviços de informática, através de um contrato de outsourcing com a mesma empresa que desenvolveu o sistema Synergia.