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Financial challenges for CoE hosts

2   Funding of the CoEs

2.3   Financial challenges for CoE hosts

Nos anos 1990, as comunidades continuam enfrentando desafios. Frente às tímidas melhoras nas regiões das CEBs e alguns desafios herdados da década anterior, surgem novos desafios. Nas comunidades Maria Mãe dos Migrantes e São José Operário os moradores ainda se mobilizam no início dessa década em torno das questões tais como: ausência de asfalto, saneamento básico, educação, saúde, transporte, mas também se mobilizam frente a outras dificuldades, entre elas, destacam-se a solidariedade aos moradores de regiões invadidas e a luta contra a instalação da Usina de Incineração da Zona Leste.

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Em muitas regiões dos bairros, as ruas de terra persistiam; no início da década de 1990, apenas as vias principais eram asfaltadas, mas em meados da década o Parque São Rafael teve grande parte de suas ruas asfaltadas; o mesmo não ocorreu com a Vila Carrão, grande parte das ruas permaneceu sem asfalto até o final da década, e o bairro só teve ruas asfaltadas ainda na década seguinte. Em decorrência da falta de vias públicas asfaltadas, os ônibus ainda não entravam no interior do bairro, apenas com a melhoria das vias o ônibus tornou-se mais acessível.

Outro problema vivenciado no setor do transporte era a falta de manutenção dos veículos e a superlotação. Em péssimas condições, os ônibus quebravam com freqüência; como eram poucos carros, as viagens tornavam-se muito cansativas, com grande parte das pessoas fazendo o percurso em pé.

Nessa década, as duas comunidades se envolveram em movimentos de moradia. A Comunidade Maria Mãe dos Migrantes, em 1996, solidarizou-se com a luta pela terra em um terreno particular; a região era chamada na ocasião da ocupação de Novo Parque São Rafael, como conta D. A.:

Eu me lembro bem, foi na época da catequese, tinha uma menina do nosso grupo que morava lá e um dia ela faltou e nós fomos até lá, não era longe era como se fosse uma rua, ali atrás da antiga 48, mas depois foi tudo demolido. (ENTREVISTADA).

Na Comunidade São José Operário, os membros envolvem-se no movimento de moradia do Jardim da Conquista no início dos anos 1990. A região ao lado do Jardim Carrãozinho, com área aproximada de 1 milhão de metros quadrados, era propriedade da Companhia Metropolitana de Habitação (COHAB) e começou a ser ocupada ainda na década de 1980 e, no final dessa década, a COHAB entrou com uma ação de reintegração de posse. Com o início do processo judicial, intensifica-se a organização social, como relata uma antiga moradora: “Nós queríamos essa terra, então lutamos por isso, não foi nada fácil, mas aos poucos fomos conquistando, o pessoal da prefeitura queria tirar nossas casas, mas não conseguiram não” 40.

Aliada à luta pela moradia, continuavam as lutas por educação e saúde. No Parque São Rafael, essas lutas perdem um pouco da força, pois o bairro no

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início da década de 1990 contava com três escolas e um posto de saúde. No Jardim Carrãozinho, por outro lado, essas lutas se estendem por toda a década; na ocasião, o bairro tinha apenas uma escola e um posto de saúde para atender toda a população. Nesse sentido, conta uma antiga militante da Pastoral da Juventude:

Nós fizemos reunião no terreno dessa escola para falar da necessidade de nossa luta, nos aliávamos com a Associação de Moradores de Bairro, discutíamos com o pessoal. (I. R., ENTREVISTADA).

A esse quadro acrescenta-se a violência e tráfico de drogas que resistiam e ainda resistem nesses dois bairros da periferia da zona leste de São Paulo. Nesse sentido, relata uma leiga da Comunidade Maria Mãe dos Migrantes:

Muitos colegas daquela época até já morreram, tenho a impressão que era um pouco mais violento mesmo, que naquele tempo tinha mais bandidagem no bairro, mais assassinatos... (D. A., ENTREVISTADA).

Outro fato que chama a atenção nessa década é a luta comum das comunidades contra a instalação da Usina de Incineração da Zona Leste. Diante do agravamento da questão da destinação final do lixo na cidade de São Paulo, a partir do momento em que a disposição em aterros sanitários esgotou-se, não apenas por sua saturação, mas também pela ausência de espaço físico para a construção de novos aterros, em 1993, a Prefeitura reativa alguns aterros, chegando até mesmo a utilizar ilegalmente os que estavam situados em Área de Proteção de Mananciais. Tal atitude gerou uma reação da sociedade civil provocando um recuo da Administração que propõe como solução a construção das usinas de incineração de lixo como única saída para a recuperação do problema. (JACOBI, 1995).

No projeto existia a Usina de Incineração de Lixo do Jardim São Francisco. O bairro, localizado na divisa com o município de Mauá, consolidou-se com a construção, em regime de mutirão, resultante do convênio entre a Prefeitura e o movimento de moradia local. Em torno do bairro estão: o Parque São Rafael, Jardim Carrãozinho, Jardim Rodolfo Pirani, Promorar Rio Claro e Jardim Santo André que, somados, representavam quase 100 mil habitantes, de um total de quase 500 mil que formam a região de São Mateus.

Com a usina, a qualidade de vida da região seria afetada, os problemas seriam diversos: emissão das dioxinas e gases tóxicos, perigo de contaminação do solo e da água, circulação de pelo menos um caminhão de lixo a cada três minutos

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pelas vias de acesso local, deixando pelo caminho não apenas mal cheiro e gases, mas também a destruição da já precária estrutura viária.