4. THE PILOT PROJECT ON CSA IN NORWAY
4.2 Ø VERL A NDEL
4.2.1 Finances
A aplicação da grelha de observação e a recolha de algumas notas de campo permitiram observar importantes aspetos das Rádio Escolares com Presença na Internet e assim inferir, por um lado, o nível de desenvolvimento das Rádios Escolares com Presença na Internet, por outro nível de abertura à comunidade, e por último o paradigma de aprendizagem que assentam, entre outros.
A ausência de uma hiperligação em metade dos portais escolares, a que as rádios pertencem, inviabiliza profundamente a interação com o projeto de Rádio Escolar com Presença na Internet. Na verdade, este é o primeiro sinal de um certo descuido na presença no espaço virtual, a que concorre, também, a falta de um domínio próprio para o desenvolvimento dos projetos, em cerca de metade das rádios. As notas de campo permitiram também verificar alguma falta de cuidado em pormenores que poderão condicionar a satisfação dos utilizadores, na interação com os domínios, no que diz respeito ao funcionamento de determinadas ferramentas e ainda a dificuldade em encontrar a informação procurada e desejada. Estas são questões relacionadas com a usabilidade.
Em continuidade que dessa disposição decorrem, denota-se, também, algum desleixo na manutenção dos elementos incluídos nas plataformas. Surge a impossibilidade de ouvir a rádio, à exceção de uma, quando esta só prevê a tecnologia streaming ou em direto. Mais se releva que não foi encontrada nenhuma rádio com emissão em direto a funcionar. Infere-se que é necessário um grande investimento nesta área, pois esta disposição é a pretensão de algumas das rádios em estudo.
Em termos de linguagens, quando outras formas de expressão são utilizadas além do áudio, o “texto” é, sem sombra de dúvida, o meio que mais vezes acompanha as publicações. Embora também seja positivamente recorrente o uso de fotografias e ilustrações. Estas são, sem sombra de dúvida, usadas ainda de uma forma muito insipiente pelas rádios. A utilização de um discurso recorrendo a diferentes formas de expressão, ainda se encontra pouco instituído, como é notório na presença de vídeos. Estes só surgem em 42% das rádios e quando assim o é, não são de autor, trata-se de videoclips de músicas que as equipas disponibilizam através do youtube.
A presença da combinação entre diferentes meios é também uma realidade ainda em desenvolvimento embrionário. A associação, quando ela existe, consiste mais frequentemente no
texto com imagem e logo de imediato o texto, com som e imagem, revelando uma grande simplicidade na construção dos conteúdos.
A presença de uma linguagem hipertextual é indiciada pela presença de hiperlinks. As rádios são sensíveis à importância da introdução deste tipo de ligações no seu domínio. No entanto verifica-se que cerca de 46% ou não possui hiperlinks ou estes só se encontram ligados a conteúdos dos seus domínios, o que muito empobrece a plataforma e as ofertas educativas e formativas. A interatividade fica, assim, comprometida e consequentemente o envolvimento do utilizador com a plataforma, a sua autonomia e implicitamente a mudança do paradigma da aprendizagem que se preconiza. Isto porque, a forma como os conteúdos se encontram estruturados e a liberdade que é dada ao utilizador na exploração dos conteúdos permite aferir a teoria de aprendizagem subjacente. Uma disponibilização que permita que o utilizador usufrua de um acesso e uma leitura diferentes daquela que tradicionalmente é veiculada. Isto é, onde é dada a oportunidade a cada internauta de individualizar o seu próprio percurso de aprendizagem, numa aprendizagem dita contextual, participativa e social. É necessário que o utilizador navegue conscientemente, saiba onde está e como ir para determinado conteúdo, recorrendo às ajudas sobre as possíveis disposições, se assim necessitar.
Esta disposição não foi a observada nas rádios analisadas. O arquivo é colocado de forma cronológica, em 67% das rádios. Nem a informação sobre a programação se encontra disponível e a ferramenta de interação “tags” que poderia auxiliar na pesquisa, não existe, em três quartos dos projetos. A não disposição destes atributos estão de alguma forma condicionar a autonomia e o próprio desempenho, conduzindo à frustração e assim, à desistência.
Considera-se assim que as Rádios Escolares com Presença na Internet não se encontram a tirar partido das novas potencialidades que a rede oferece. Existe, assim, ainda muito para fazer, é necessário aprender a fazer uso da nova disposição temporal, espacial e de manifestação, criando uma nova relação com os ouvintes. Aprender a estabelecer com estes relações horizontais que permitam o intercâmbio de posições entre os criadores e utilizadores, promovendo a acessibilidade à comunicação. Não investem, assim, na criação de novas estratégias educacionais que poderiam reformular a dinâmica ensino-aprendizagem. Os cenários continuam os mesmos, os sinais dos tempos ainda não se fazem notar.
Verifica-se que as rádios ainda se encontram em aprendizagem no que diz respeito à conquista de público. Só metade apresenta, o componente, “Informação geral” sobre o projeto e
assume de forma aberta as suas ofertas, em termos de programação, 33%. Por outro lado, a moda do número de rubricas é de uma única rubrica e a média é de dois programas por estação. A sua oferta não é variada condicionando seriamente a dimensão do público.
O número de rubricas auferidas é um componente que conduz algum constrangimento nesta investigação. A interpretação desta constatação conduz à construção de algumas considerações. Veja-se, o facto de, não ser possível interagir com alguns conteúdos, nomeadamente com os que são disponíveis em streaming ou em direto, aliada à circunstância de que um grande numero de rádios não possuir uma grelha de programação, e ainda e não exaustando todas as razões, algumas rádios disponibilizarem as rubricas associadas, sem qualquer possibilidade de seleção de cada uma individualmente (falta de menu), terá certamente conduzido a algum enviesamento dos dados a que é alheio o investigador.
Algumas rádios denotam um convencimento que este género de disposição permite a criação de um espaço e tempo novos e expandidos para a aprendizagem Assim, e embora tentem ir de encontro às grandes áreas de preferência do seu principal publico, consagrando na sua programação um espaço para rubricas exclusivamente musicais, dedicam-se, também, à produção primordial de conteúdos educativos, de carácter generalista, e, ainda, os referidos com os acontecimentos sobre a escola e/ou agrupamento. Esta última opção é bem notória nas preferências das rádios esquecendo-se, por um lado que esta configuração permite agora um outro alcance e seria interessante promover conteúdos ditos globais e abrirem-se ao mundo.
Podem ainda modificar a atitude dos utilizadores, fazendo com que progridam de uma postura considerada mais passiva para a de sujeitos operativos e interativos se os conteúdos veiculados se transformarem em matéria-prima para o exercício da cidadania. O cerne, então, coloca-se na matéria-prima que é disponibilizada, se esta contém informações de caráter crítico- emancipador, que conduzam ao questionamento e à conceção de mundo, o que pode ser conseguido através da disponibilização de temas hard. Estes efetivamente são assegurados em 42% das rádios, sendo que em 33% não foi possível observar a sua existência, o que poderá confluir num aumento, ou não, da sua presença. Outros temas, os de natureza mais soft, também são salvaguardados, reconhecendo-se assim as preferências temáticas das equipas das rádios e por outro lado o reconhecimento dos assuntos que mais cativam o publico.
Prazerosamente, verifica-se que três quartos das rubricas são dinamizadas por um locutor, o que inequivocamente indica uma maior predisposição para a interação e assim um possível aumento do nível de abertura.
Da mesma forma, a presença de um “Destaque na homepage” que seja frequentemente atualizado, aguçando a curiosidade e mantendo o interesse do utilizador, é crucial, uma vez que uma grande parte das rádios disponibiliza conteúdos com um grande intervalo tempo entre publicações, só 3 rádios é que disponibilizam conteúdos diariamente, o que conduz indubitavelmente a uma grande taxa de abandono deste espaço. No entanto esta situação só ocorre em 37% das rádios.
O nível de abertura intentando poderá ser posto em causa a jusante se as ferramentas de interação, previstas na Internet não são utilizadas, nem tão pouco promovida a sua utilização. Os dados recolhidos apontam, lamentavelmente, para um fecho da rádio sobre si mesma. Não há apelo à interação, quase metade das rádios nem email possuem. Outras ferramentas que poderão manter cativos os internautas, ou não existem ou a sua manutenção não é realizada de forma continua, como é o caso da geração das RSS e das Newsletter O mesmo se passa com a disposição das ferramentas que permitem avaliar o conhecimento momentâneo de um universo de elementos, numa perspetiva descritiva e quantificada, as sondagens.
Verifica-se que as rádios reconhecem o potencial da Websocial, 38% já assim o demarca, apostando na sua maioria numa presença no Facebook. Este site fornece um serviço de rede social, permitindo um conjunto de interações e ao qual ninguém fica alheio. De realçar que o facto de alguns domínios estarem, diga-se, desatualizados refletem uma migração da manutenção para a página do Facebook. Além dos serviços oferecidos serem gratuitos, são possibilitados um conjunto de situações que promovem a interatividade, o hipertexto e a combinação de diferentes formas de expressão. Contudo, mantêm-se algumas dificuldades de navegabilidade no que diz respeito a informações contingentes que auxiliem o público a interagir de forma fácil e rápida com os conteúdos sem causar frustrações e desistências precoces.
A avaliação conduz para sérios constrangimentos. As dificuldades técnicas observadas, não permitiram ouvir a rádio que previam o streaming ou a emissão em direto, associadas aquelas em que a disposição passou por um ensaio, que ainda não foi solidificado e apenas têm um arquivo ou nenhum, assim como outras que ainda estão na fase da intenção leva a conjeturar que na verdade estas ainda não são rádios.
Noutros casos, a própria disposição que é assegurada por plataformas com uma simples homepage, sem menção a email, ou outro contacto, sem grande noção de navegabilidade, de usabilidade, condenam o seu desenvolvimento, fechando os espaços de comunicação, dificultando o acesso aos conteúdos, encerrando o diálogo entre os participantes, não provem a produção e a partilha de contributos e a construção de novos conhecimentos, configuram a falta de investimento profundo, que é necessário e urgente salvaguardar. Veja-se as datas das últimas atualizações, 8 rádios foram manuseadas por último no ano letivo 2010/2011 e outras 6 em 2011/2012.
A participação como uma configuração mais exposta, identificadora e global, condescende no mesmo desfecho. O encerramento do dispositivo sobre si mesmo. Até a possibilidade de comentar que é uma das formas de ação mais apreciadas e mais frequentes, estão ausentes em 54% das Rádios Escolares com Presença na Internet. Manifestamente todas as outras estruturas de interação, fóruns, chats, wikis, e outros blogues encontram-se inoperáveis ou são inexistentes.
Confirma-se, assim, que existe ainda um longo trilho a percorrer na direção à abertura, à participação e à configuração de novos formatos de aprendizagem. No entanto, é necessário, primeiro, conhecer a direção e a disposição que se pretende estabelecer, para depois proceder a uma mudança profunda na oferta. A título ilustrativo:
“- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui? - Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato. - Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.” (Carroll, 2010)