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5. CSA AND THE NORWEGIAN CONTEXT

5.5 C OMMUNICATION

A opção metodológica de basear a estratégia de investigação na metodologia do estudo de caso, justifica-se à luz dos objectivos e questões da Dissertação, e da perspectiva adoptada que inclui a descrição, explicação e contextualização das práticas de avaliação implementadas no CNO. Esta opção está alinhada com as concepções e princípios associados ao método, conforme se pode verificar pela referência de Yin (2004, p.2.): “O método do estudo de caso é pertinente quando o investigador aborda uma questão descritiva (o que aconteceu?) ou uma questão exploratória (como ou porquê aconteceu?)”. Numa outra perspectiva, outros autores, (Ludke & André, 1986, p. 21), ao compararem este método com outros referem que o estudo de caso distingue-se porque:

“A preocupação central é a compreensão de uma instância particular ... o objecto é tratado como único, uma representação singular da realidade que é multidimensional e historicamente situada”.

Os mesmos autores referem as características fundamentais do estudo de caso: “Os estudos de caso visam à descoberta ... enfatizam a ‘interpretação’ em contexto” ... visam retratar a realidade de forma completa e profunda ... uma variedade de fontes de informação ... revelam experiência vicária e permitem generalizações naturalísticas ... procuram representar os diferentes e às vezes conflituantes pontos de vista pressentes numa situação social ... os relatos dos estudos de caso utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível do que os outros relatórios de pesquisa” (Ludke & André, 1986, p. 18-20).

Esta formulação sintetiza as características centrais associadas aos estudos de caso, evidenciando a sua pertinência no quadro das opções metodológicas da Dissertação. Por seu lado, Yin acentua as ideias de “descoberta e interpretação em contexto”, introduzindo como elemento relevante as implicações do ponto de vista dos investigadores:

“Uma das principais exigências do método de estudo de caso é a habilidade do investigador para desenvolver um nova (e por vezes subtil) linha de investigação ao mesmo tempo (e não depois) que os dados estão a ser recolhidos” (Yin, 2004, p.4). Uma das questões normalmente discutidas no âmbito deste método é a questão da generalização dos resultados. Ludke e André (1986, p. 23) elucidam este aspecto ao referir:

“O estudo de caso parte do princípio que o leitor vá usar esse conhecimento tácito para fazer novas generalizações e desenvolver novas ideias, novos significados, novas compreensões”.

Por outro lado, a utilização de diversas fontes de informação corresponde a uma das especificidades do estudo de caso: “Os bons estudos de caso beneficiam com o uso de múltiplas fontes de evidência” (Yin, 2004, p.6.), sendo que, habitualmente, as fontes usadas são a observação, análise documental e entrevistas, e podem incluir a recolha e análise de dados quantitativos.

A prática da utilização de uma variedade assinalável de fontes de informação decorre da necessidade de assegurar a fiabilidade da informação e a sua utilidade efectiva para as conclusões, o que pressupõe um princípio de “triangulação” das fontes accionadas:

“Na recolha dos dados a ideia principal é a ‘triangulação’ ou o estabelecimento de linhas convergentes de evidência de modo a tornar os resultados alcançados mais robustos possível” (Yin, 2004, p.7).

No método do estudo de caso, a análise da informação recolhida e as opções tomadas a este nível revestem-se de grande importância. Quivy e Campenhoudt (2006, p. 216) referem três operações obrigatórias nesta etapa: (i) a descrição e a preparação dos dados necessários para testar as hipóteses, (ii) a análise da relação entre as variáveis e (iii) a comparação dos resultados observados com os resultados esperados a partir da hipótese.

A análise de conteúdo assume neste circuito um papel relevante quando se trata de dados qualitativos, como é o caso da informação relativa a esta investigação. Segundo os mesmos autores:

“O lugar ocupado pela análise de conteúdo na investigação social é cada vez maior, nomeadamente porque oferece a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos que apresentam um certo grau de profundidade e de complexidade, como, por exemplo, os relatórios de entrevistas pouco directivas” (Quivy et Campenhoudt, 2006. p. 227).

Após a clarificação da pertinência da opção pelo estudo de caso como linha fundamental da estratégia metodológica adoptada, passamos a explicar como se procedeu à sua aplicação concreta.

O estudo de caso seleccionado é um CNO sedeado na Área Metropolitana do Porto, que se opta por manter anónimo como condição para assegurar a protecção das fontes e potenciar a fiabilidade da informação recolhida.

Trata-se de um CNO com um importante historial de actividade, que ultrapassa o âmbito da INO, na medida em que a sua existência remonta à década de 1990, estando integrado desde 2005 na rede fomentada pela ANQ. Esta característica, associada ao seu enquadramento numa instituição com notoriedade nacional, permitiu o cumprimento de um dos critérios definidos para a selecção do estudo de caso – experiência relevante em matéria de processos de RVCC, preferencialmente com actividade sólida para além da vigência da INO.

O segundo critério, relacionava-se com a presença de uma equipa técnica engajada neste tipo de intervenção educativa, com experiência duradoura nesta matéria e com capacidade de canalizar para a Dissertação reflexão especializada. Estes dois critérios apontavam para um terceiro relacionado com a procura de um CNO que assegurasse condições de qualidade diferenciadas, numa perspectiva que pode ser entendida como a selecção de um caso, que à partida se integrava num grupo cujas condições de qualidade em termos de experiência, contexto institucional e equipa técnica o posicionava favoravelmente face ao universo de CNO.

Os restantes critérios de escolha do caso relacionam-se com a disponibilidade e acessibilidade para as actividades de recolha de informação, aspectos que foram integralmente assegurados pela direcção e coordenação do CNO.

A selecção do estudo não teve preocupações de assegurar representatividade face à rede de CNO, porque essa condição não é inerente à metodologia do estudo de caso, contudo procurou-se assegurar a representatividade interna através da auscultação dos diversos perfis profissionais envolvidos e dos adultos participantes.

As actividades de recolha de informação iniciaram-se na primeira fase da Dissertação e estiveram presentes ao longo das etapas que se seguiram, tendo naturalmente culminado na recolha sistemática de dados na fase mais avançada do trabalho empírico. Esta continuidade do contacto com o CNO, em particular com o seu coordenador, que se assumiu como um informante-chave, justifica-se pela necessidade recorrente de clarificação de aspectos do enquadramento programático e do funcionamento operacional do CNO, que foram emergindo ao longo das diversas etapas do trabalho.

Assim, as actividades de recolha de informação no CNO organizaram-se do seguinte modo:

- Durante o ano de 2010, que corresponde ao primeiro ano de elaboração da Dissertação, foi realizada uma incursão de curta duração no CNO com o objectivo de assegurar uma primeira aproximação à sua actividade e funcionamento e obter contributos para (i) a consolidação do roteiro analítico, (ii) a construção do quadro teórico e conceptual e (iii) a estabilização do núcleo central de actividades do estudo de caso. Neste âmbito foram realizadas entrevistas semi-directivas com a direcção e a coordenação do CNO, procedeu- se à observação de sessões de formação e sessões de júri e à recolha de informação documental.

- Durante o ano de 2011, que corresponde ao segundo ano de elaboração da Dissertação e que foi dedicado ao quadro teórico e, simultaneamente, à recolha e análise de informação de contextualização da actividade do CNO, foi mantido um contacto regular com a coordenação, embora com níveis diferenciados de formalidade, com contributo importante para a identificação de fontes de informação documental e elucidação de aspectos de funcionamento e organização do CNO.

- Finalmente, no ano de 2012, procedeu-se a uma incursão mais longa e estruturada, no âmbito do qual se realizou a maior parte da colheita de dados, através das entrevistas, da documentação e da observação de sessões de júri, que serão apresentadas com detalhe no capítulo seguinte.