2 Methodology
2.3 Field Methods
Como já foi descrito anteriormente, as informações referentes à propriedade foram respondidas pelos proprietários ou gerentes. As respostas referentes às propriedades com alta CBT foram fornecidas em 50% das propriedades pelos gerentes e 50% pelos proprietários. Já para as propriedades com baixa CBT, os gerentes foram responsáveis pelas respostas em 39% das propriedades, enquanto que 61% foram pelos proprietários. Este dado, apesar de não ser diferente estatisticamente, pode demonstrar um melhor engajamento das propriedades com baixa CBT, uma vez que os proprietários estavam presentes em maior porcentagem.
Com relação à área geral das propriedades, a maior parte possuía menos que 100 alqueires, como mostra a Tabela 2, sendo que a maioria das propriedades com baixa CBT apresentava área menor que a das propriedades com alta CBT. Em um estudo realizado por Ponchio, Almeida e Gimenes (2004) foram observadas as distribuições das áreas de propriedades dos Estados do Rio Grande do Sul, Goiás, Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Estes pesquisadores verificaram que as propriedades tinham, em média, menos de 50 alqueires.
Tabela 2 - Porcentagem de distribuição da área nas propriedades com alta e baixa CBT % de respostas Área Alta CBT Baixa CBT P Até 50 alq. 26,32 52,78 De 51 a 100 alq. 34,21 13,89 De 101 a 200 alq. 21,05 13,89
Maior que 201 alq. 7,89 16,67
Não sabe 10,53 2,78
0,0440
A atividade principal dos proprietários também foi questionada. Como pode ser observado na Figura 4, a maior porcentagem de ambos os grupos tinham no leite sua
principal atividade, ou seja, sua principal fonte de renda. Em um estudo realizado por Ferrão et al. (2002) foi constatado que a atividade leiteira era a única fonte de renda para apenas 16% dos produtores, sendo que estes apontaram como principais entraves o baixo preço pago por litro de leite e a relação desfavorável do baixo preço com trabalhadores e insumos. Assim como foi verificado por Ferrão et al. (2002), Azevêdo et al. (2002) também observaram o perfil dos produtores de uma região da Bahia e constataram que 56% dos produtores possuíam outra atividade econômica além do leite. No trabalho de Ferrão et al. (2002) não foram informadas as produções e como era a administração destas propriedades. Já no estudo de Azevêdo et al. (2002), 47% tinham produção entre 101 e 300 litros por dia com produtividade média por vaca de 6,7 litros por vaca por dia, o que é considerado uma baixa produção. O que se pode concluir destes dados é que as propriedades poderiam ser mal estruturadas, sem a utilização de ferramentas e práticas de gestão que pudessem tornar a atividade mais rentável e atraente para os produtores. Por outro lado, em um diagnóstico da pecuária leiteira do Estado de Minas Gerais, pode ser observado que 69% dos produtores tinham a pecuária de leite como sua principal atividade (GOMES, 2006), dado que está em concordância com o presente estudo, demonstrando que estes produtores são tipicamente produtores de leite.
100 90 80 70 60 Alta CBT % 50 Baixa CBT 40 30 20 10 0
Leite Café Outras atividades
A base da alimentação dos animais foi bem variada e não diferiu entre os grupos com alta e baixa CBT, com exceção das pastagens, sendo que a maior utilização pertenceu às propriedades com alta CBT (Figura 5). Segundo Nogueira et al. (2001), a utilização de alimentação adequada é um dos responsáveis pela alta produtividade e rentabilidade, o que possibilita ser competitivo na atividade.
Figura 5 - Distribuição das bases de alimentação dos animais nas propriedades com alta e baixa CBT
Os proprietários/gerentes das propriedades com alta CBT estavam há mais de 21 anos trabalhando com pecuária de leite, enquanto que no grupo com baixa CBT, a maioria estava a menos de cinco anos na atividade (Figura 6). Um estudo realizado por Marques et al. (2004a) pesquisou a caracterização das unidades de produção do leite no Rio Grande do Sul. Eles observaram que 44% dos produtores estavam há menos de 10 anos na atividade, 21% entre 10 e 20 anos e 35% acima de 20 anos. Assim como neste estudo, o presente trabalho mostrou uma grande porcentagem de produtores há menos de 10 anos e com mais de 20 anos. Contudo, no estudo realizado por Marques et al. (2004a) não foi realizada correlação entre esses dados e os indicadores de qualidade do leite.
Por outro lado, os dados encontrados por Ferrão et al. (2002) mostraram outra realidade. Estes pesquisadores observaram os indicadores sócio-econômicos de produtores de Minas Gerais e constataram que 56% estavam na atividade há mais de 20 anos. Resultado semelhante foi encontrado por Gomes (2006), que pesquisou o
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Alta CBT % Baixa CBT
Silagem Milho Soja Caroço Polpa Pastagem algodão cítrica
perfil do produtor mineiro e verificou que, em média, a maioria dos produtores estava há mais de 20 anos na atividade. O Estado de Minas Gerais tem tradição na produção de leite, o que pode explicar o maior tempo dos produtores na atividade.
Já no estudo realizado por Azevêdo et al. (2002) foi observado que 44% dos produtores estavam há menos de cinco anos na atividade. No entanto, para contrariar os dados encontrados por Azevêdo et al. (2002), um estudo de Nogueira et al. (2001) mostrou que a grande maioria dos produtores do Nordeste estava há mais de cinco anos na atividade, sendo que apenas 16% estavam na atividade há um tempo inferior a este. Isto corrobora a idéia de que os Estados do Nordeste possuem tradição na atividade leiteira, tendo apresentado um crescimento bastante acentuado nos últimos 15 anos (NOGUEIRA et al., 2001; FONSECA; SANTOS, 2007).
Segundo Ponchio, Almeida e Gimenes (2004), foi observado que a maior experiência do proprietário medida em anos influencia positivamente o aumento do volume produzido e rebanho. Gomes (2006) também comentou que o maior tempo na atividade reduz o risco de prejuízos, em decorrência da experiência acumulada. Pereira, Vale e Mancio (2004) encontraram resultados que divergem desta afirmação. Estes pesquisadores verificaram que produtores mais jovens e com menor experiência, ou seja, com aproximadamente 14 anos na atividade, foram os que apresentaram os melhores resultados. Para Azevêdo (1999 apud PEREIRA; VALE; MANCIO, 2004) e IEL/CNA/SEBRAE (2000 apud PEREIRA, 2001) uma explicação para tal fato seria que, quanto maior a idade do produtor, maior aversão ao risco e menor a abertura à adoção de novas práticas e tecnologias. Estes dados estão em concordância com o encontrado no presente estudo, o que poderia explicar a diferença entre os dois grupos de propriedades.
70 60 50 40 Alta CBT % Baixa CBT 30 20 10 0
Até 5 anos De 6 a 10 De 11 a 15 De 16 a 20 Mais de 21
anos anos anos anos
Figura 6 - Tempo que os proprietários/gerentes das propriedades com alta e baixa atuavam na pecuária de leite