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A ansiedade desempenha um importante papel nos doentes com diversas patologias mentais, contribuindo para a redução dos seus níveis de saúde mental, e cursando frequentemente como co morbilidade com a depressão.

Deste modo entendeu-se que seria benéfico aplicar técnicas de relaxamento com enfoque para a aprendizagem de técnicas que possam ser utilizadas em autocuidado para controlo de situações de ansiedade e impulsividade.

Uma técnica de relaxamento (também conhecido como treino de relaxamento) é um método, processo, procedimento ou atividade que ajuda a pessoa a relaxar, para atingir um estado de calma aumentado; ou reduzir os níveis de stresse, ansiedade ou raiva. As técnicas de

relaxamento são muitas vezes utilizadas como um elemento de um programa mais amplo de gestão de stresse e pode diminuir a tensão muscular, a pressão arterial e a frequência cardíaca e respiratória, entre outros benefícios para a saúde.

Excluiu-se a técnica de Schultz por poder suscitar o agravamento de sintomatologia psicótica, pelo que optamos pela técnica de Relaxamento Progressivo (Jacobson, 1964), uma técnica de relaxamento que recorre à utilização de tensão e relaxamento dos vários grupos de músculos do corpo. Aproveita-se nesta técnica o relaxamento natural que acontece depois de uma tensão forte no músculo.

Avaliação

Por motivos de limitação de espaço, tempo e meios e, optou-se por realizar a sessão com os participantes em posição de sentados, na sala de estar do Serviço.

Participaram 15 das 19 utentes internadas no SII; 1 utente esteve ausente por se encontrar em entrevista, 3 outras abandonaram a sessão antes da aplicação das técnicas de relaxamento para receberem visitas.

Foi pedido aos participantes para contabilizarem a respetiva pulsação durante quinze segundos, cronometrado por nós, antes da sessão de relaxamento. A média das pulsações antes da sessão foi de 82bpm.

De seguida foi executada a sessão de relaxamento propriamente dito, com a duração de cerca de 15 minutos.

No final da sessão de relaxamento foi de novo autoavaliado o pulso dos participantes, sendo que a média das pulsações foi de 76bpm.

Todas as utentes participaram com interesse e agrado na sessão, mostrando compreender a aplicação das técnicas de relaxamento e mostrando interesse em avaliar o pulso periférico. Algumas utentes não conseguiram fazer a avaliação corretamente, pelo que se fez o ensino individualizado posteriormente.

Os utentes identificaram como muito importante o conhecimento destas técnicas para utilizarem na gestão do stress no seu dia-a-dia.

ANEXO XII

Instituto Politécnico de Leiria

Escola Superior de Saúde de Leiria

Pós-licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria

Ensino Clínico III – Hospital de Santo André, Centro Hospitalar de Leiria-Pombal, EPE Aluno: João Gomes, 5110345

Intervenção de base Psicoterapêutica

Local Serviço de Psiquiatria, Hospital de Santo André (HSA), Centro Hospitalar de Leiria-Pombal, EPE

Tema O meu espelho

Destinatários Ana (Nome fictício)

Data 19/6/2012 Duração 60 min

Objetivos

 Promover motivação para a recuperação.

 Identificar fatores associados a comportamento autodestrutivo.  Promover a autoestima Materiais e meios  Papel  Esferográfica  Gabinete  Mesa e cadeiras Estratégias / Atividades

Introdução • Entrevista individual

• Apresentação da atividade proposta.

Desenvolvimento • Motivação para a expressão livre de ideias e sentimentos.

• Focalização na autoimagem. • O que eu vejo no meu espelho. • Autoimagem e autoestima.

• Comportamentos autodestrutivos e sentimentos de desvalorização. • Pensamentos automáticos e dicotómicos.

• Reestruturação cognitiva

Conclusão • Análise dos sentimentos subjacentes.

• O meu “novo espelho”

Instituto Politécnico de Leiria

Escola Superior de Saúde de Leiria

Pós-licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria

Ensino Clínico III – Hospital de Santo André, Centro Hospitalar de Leiria-Pombal, EPE Aluno: João Gomes, 5110345

Intervenção de base Psicoterapêutica

Fundamentação / Enquadramento

A psicoterapia (ou aconselhamento pessoal com um psicoterapeuta) é um processo que tem por base o relacionamento interpessoal intencional usado por psicoterapeutas treinados para ajudar um cliente ou paciente a ultrapassar os seus problemas de vida.

Tem como objetivo aumentar o sentimento de bem-estar do indivíduo. A intervenção psicoterapêutica emprega uma variedade de técnicas baseadas na construção de relacionamento experiencial, diálogo, comunicação e mudança de comportamento que são planeados para melhorar a saúde mental de um cliente ou paciente, ou para melhorar as relações de grupo (família por exemplo).

A psicoterapia também pode ser feita por profissionais com diferentes qualificações, (psiquiatria, psicologia clínica, terapia familiar, enfermagem de saúde mental, psicanálise e outras psicoterapias).

A Ana, 50 anos, desempregada, foi internada no Serviço de Psiquiatria por Depressão Major com ideação suicida. Havia recorrido ao Serviço de Urgência Geral do HSA com queixas de insónia e ideias suicidas, tendo sido referenciada para o CHUC (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra) para avaliação urgente por indisponibilidade de psiquiatra no Serviço de Urgência Geral do CHLP (Centro Hospitalar Leiria-Pombal) naquele momento. Após avaliação por psiquiatria no CHUC foi reenviada para o CHLP por agravamento de depressão com ideação suicida.

Ana tem história de 2 internamentos anteriores por depressão. No serviço de urgência referiu uma rutura amorosa há cerca de 2 semanas e que desde então se sente triste e com ideação suicida. Apresentava anedonia, humor deprimido, insónia.

Durante o internamento apurou-se ainda uma diminuição da autoestima e sentimentos de autodesvalorização e de culpa, manifestados por expressões como “… sinto-me apática, sem autoestima, em degradação…” ou “…sinto-me revoltada por me ter deixado ir abaixo, … eu conheço os sintomas da minha doença, e não sei porque me deixei ir abaixo, ficar em casa, deixar de fazer exercício físico, deixar de me arranjar…” ou ainda “eu era uma mulher atraente, e gostava de me arranjar, de me maquilhar, agora sou uma sombra do que era…”.

Perante esta avaliação foi desenhada esta intervenção com o objetivo de aumentar o insight sobre os seus pensamentos automáticos e distorções cognitivas associadas à diminuição da autoestima e sentimentos de culpa e promover a reestruturação cognitiva com vista à sua recuperação.

Instituto Politécnico de Leiria

Escola Superior de Saúde de Leiria

Pós-licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria

Ensino Clínico III – Hospital de Santo André, Centro Hospitalar de Leiria-Pombal, EPE Aluno: João Gomes, 5110345

Avaliação

A Ana apresentou-se calma e colaborante ao longo desta intervenção, com postura neutra, adequada, com um contacto fácil, motricidade livre, sem manuseamentos dirigidos humor ligeiramente deprimido, melhorado relativamente à entrada da doente no internamento. Afeto sintónico. Discurso com um ligeiro aumento da latência da resposta. Não foram detetadas alterações da perceção ou do pensamento. Atenção e concentração mantidas. Autoestima diminuída. Esteve sempre recetiva à intervenção e agradada com a mesma. A intervenção iniciou-se com questões abertas, conduzindo posteriormente a intervenção para os aspetos relacionados com as distorções cognitivas identificadas, focalizando na autoestima. Partiu-se do exercício do “meu espelho” para identificar os aspetos negativos autoavaliados pela Ana. Posteriormente foram usadas técnicas como reformulação, clarificação, focalização de modo a facilitar o reconhecimento por parte da doente do seu défice de autoestima como distorção cognitiva, associada à sua doença e com repercussão nos seus pensamentos e comportamentos autodestrutivos.

De seguida foi proposto à Ana que elaborasse uma lista das suas virtudes e valores – “o meu novo espelho”. A Ana escreveu: “Justa, amiga, fiel, bonita.”

Solicitada a sua interpretação e a razão do conteúdo da sua lista, a Ana disse que se acha realmente justa, amiga dos seus amigos, e que sempre foi fiel nas suas relações. Quanto ao bonita, diz que na realidade, neste momento não se sente bonita, mas que sabe que isso acontece por causa da doença e que o seu objetivo é voltar a sentir-se bonita.

A Ana agradeceu a entrevista, referindo que estes sentimentos de culpa e desvalorização eram realmente importantes e que tinha dificuldade em lidar com eles. Mostrou-se motivada a conseguir ter “um novo espelho”. No final da intervenção apresentou-se com um humor menos depressivo, sorriu e mostrou mais esperança em melhorar a sua autoestima.

ANEXO XIII

Questionário para caracterização sociodemográfica dos sujeitos e caracterização do evento suicidário

PARTE I

Questionário sócio demográfico e de caracterização do comportamento suicidário

Nesta parte do questionário pedimos-lhe que responda ás questões

assinalando com uma cruz o quadrado correspondente, fazendo-o da seguinte forma: ☒

Dados pessoais

Sexo: ☐ Masculino ☐ Feminino Idade: ___________

Estado Civil: ☐ Casado / união de facto ☐ Separado / Divorciado ☐ Viúvo(a) Ocupação: ☐ Estudante ☐ Empregado ☐ Desempregado ☐ Aposentado ☐Outro Fatores de risco

Tentativas de suicídio anterior: ☐ Sim ☐ Não

Presença recente de ideação suicida: ☐ Sim ☐ Não História familiar prévia de suicídio: ☐ Sim

☐ Não ☐ Não sei História de abuso físico ou sexual: ☐ Sim

☐ Não História de assédio: ☐ Sim

☐ Não Características da tentativa de suicídio:

☐ Intoxicação por drogas

☐ Sobredosagem medicamentosa voluntária ☐ Envenenamento químico

☐ Precipitação ☐ Enforcamento ☐ Arma de fogo ☐ Outros métodos

ANEXO XIV

PARTE II

ESCALA DA ESPERANÇA

(BARROS, 2003)

Nesta segunda parte pretendemos avaliar algumas das suas atitudes face ao futuro. Pedimos que responda com sinceridade a todas as questões colocadas, de acordo com o que sente verdadeiramente.

Instruções:

Faça um círculo em volta do número que melhor corresponda à sua situação, tendo em conta que:

1 = totalmente em desacordo (absolutamente não) 2 = bastante em desacordo (não)

3 = nem de acordo nem em desacordo (mais ou menos) 4 = bastante de acordo (sim)

5 = totalmente de acordo (absolutamente sim)

Exemplo:

1 2 3 4 5

Pedimos-lhe então que responda ás seguintes questões:

1. Considero-me uma pessoa cheia de esperança 1 2 3 4 5 2. Não desanimo facilmente frente ás adversidades 1 2 3 4 5 3. Luto para atingir os meus objectivos 1 2 3 4 5 4. Sou optimista mesmo no meio das dificuldades 1 2 3 4 5 5. Sei que tenho competência para conseguir o quero na vida 1 2 3 4 5 6. Penso que o futuro será melhor do que o passado 1 2 3 4 5

ANEXO XV

PARTE III

ESCALA DA DESESPERANÇA

(BECK, WEISSMAN, LESTER E TREXLER, 1974)

Nesta parte do questionário pedimos-lhe que responda ás questões assinalando com uma cruz o círculo correspondente, fazendo-o da seguinte forma:

1- Vê o futuro com esperança e entusiasmo.

Verdadeiro

Falso

2- Talvez devesse abandonar tudo, porque não posso fazer as coisas melhor. Verdadeiro

Falso

3- Quando as coisas estão mal, ajuda-me a pensar que não vai ser assim para sempre.

Verdadeiro Falso

4- Não consigo imaginar como vai ser a minha vida daqui a 10 anos. Verdadeiro

Falso

5- Tenho tempo suficiente para fazer o que mais quero. Verdadeiro Falso

6- No futuro, espero ter êxito no que mais me importa. Verdadeiro Falso

7- O futuro parece-me pouco risonho.

Verdadeiro Falso

8- Na vida, espero alcançar mais coisas boas que uma pessoa normal. Verdadeiro

Falso

9- Na realidade, não estou bem, e não há razão para estar no futuro. Verdadeiro

Falso

10- As minhas experiências prepararam-me bem para o futuro. Verdadeiro Falso

11- Mais que bem-estar, tudo o que vejo pela frente são dificuldades. Verdadeiro

Falso 12- Não espero conseguir o que realmente quero.

Verdadeiro Falso 13- Espero vir a ser mais feliz do que sou agora.

Verdadeiro Falso

14- As coisas nunca vão andar da forma como eu desejaria. Verdadeiro Falso

15- Tenho grandes expectativas no futuro.

Verdadeiro Falso

16- Como nunca alcanço o que quero, é uma loucura querer algo. Verdadeiro

Falso

17- É pouco provável que no futuro consiga uma real satisfação. Verdadeiro Falso

18- O futuro parece-me vago e incerto.

Verdadeiro Falso

19- Esperam-se tempos melhores que piores.

Verdadeiro Falso

20- Não há razão para conseguir algo desejado, pois provavelmente não o alcançarei.

Verdadeiro Falso

ANEXO XVI

Termo de consentimento livre e esclarecido – exemplar do investigador

Chamo-me João Manuel Ferreira Gomes, frequento o Curso de Pós-Licenciatura de especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria e estou a desenvolver um estudo denominado “Efetividade de um programa de promoção da esperança em indivíduos com comportamentos suicidários” sob a orientação da Profª. Doutora Maria dos Anjos Dixe.

Este estudo tem como objetivo avaliar a efetividade de uma intervenção para promover a esperança em indivíduos com comportamentos suicidários, com contacto telefónico 1 semana e 3 semanas após a alta hospitalar, em comparação com os cuidados habituais.

No âmbito deste estudo, convido-o (a) a preencher o questionário em anexo. Todas as informações que fornecer serão analisadas e incorporadas numa dissertação e também poderão ser publicadas em revistas científicas. No entanto, em nenhum momento o Sr./Srª. será identificado, sendo garantida a confidencialidade e o anonimato dos dados. Todas as informações serão guardadas e somente os investigadores terão acesso aos dados. A sua participação no presente estudo é voluntária. Será totalmente livre de desistir a qualquer momento, sem que para tal tenha de dar qualquer justificação. A decisão de desistir ou de não participar não terá qualquer prejuízo para si nem implicará qualquer risco para a sua vida ou para a sua saúde.

Para mais esclarecimentos e / ou dúvidas que eventualmente possam surgir a respeito deste estudo, pode entrar em contacto com os seguintes números de telefone: 916634369 (João Gomes), 244845300 (Maria dos Anjos Dixe – Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria).

Em posse das informações acima e dos esclarecimentos disponibilizados, declaro concordar em participar no estudo:

ANEXO XVII

Termo de consentimento livre e esclarecido

Chamo-me João Manuel Ferreira Gomes, frequento o Curso de Pós-Licenciatura de especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria e estou a desenvolver um estudo denominado “Efetividade de um programa de promoção da esperança em indivíduos com comportamentos suicidários” sob a orientação da Profª. Doutora Maria dos Anjos Dixe.

Este estudo tem como objetivo avaliar a efetividade de uma intervenção para promover a esperança em indivíduos com comportamentos suicidários, com contacto telefónico 1 semana e 3 semanas após a alta hospitalar, em comparação com os cuidados habituais.

No âmbito deste estudo, convido-o (a) a preencher o questionário em anexo. Todas as informações que fornecer serão analisadas e incorporadas numa dissertação e também poderão ser publicadas em revistas científicas. No entanto, em nenhum momento o Sr./Srª. será identificado, sendo garantida a confidencialidade e o anonimato dos dados. Todas as informações serão guardadas e somente os investigadores terão acesso aos dados. A sua participação no presente estudo é voluntária. Será totalmente livre de desistir a qualquer momento, sem que para tal tenha de dar qualquer justificação. A decisão de desistir ou de não participar não terá qualquer prejuízo para si nem implicará qualquer risco para a sua vida ou para a sua saúde.

Para mais esclarecimentos e / ou dúvidas que eventualmente possam surgir a respeito deste estudo, pode entrar em contacto com os seguintes números de telefone: 916634369 (João Gomes), 244845300 (Maria dos Anjos Dixe – Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria).

Em posse das informações acima e dos esclarecimentos disponibilizados, declaro concordar em participar no estudo:

ANEXO XVIII

Artigo “Impacto de um programa de promoção da esperança em indivíduos com comportamentos suicidários”

Impacto de um programa de promoção da esperança em